Half of me
7 Parte sete.
Notas iniciais
Karina lançou um olhar de repreensão para Gael e saiu atrás de Cobra. Podia jurar ter visto lágrimas nos olhos dele. E isso mexia com seu interior, uma agonia tamanha se apoderou dentro dela. Parte dela sofria também.
– COBRA! – gritou ela quando viu que ele estava já no meio do caminho se dirigindo a loja que ainda continuava fechada.
Ele estava possesso. Odiava que lembrassem do pai, era uma dor que nunca havia passado. Adentrou o estabelecimento e jogou algumas coisas que estavam em cima da bancada no chão. As lágrimas caíam sem nem ele perceber como cascatas de seus olhos. Sentiu dois braços o imobilizarem antes que ele pudesse derrubar mais coisas.
– Calma, eu tô aqui. – Karina disse com a cabeça encostada nas costas dele, podia sentir o coração que pulsava rapidamente começar a se tranquilizar. E com esse sinal ela foi afrouxando o abraço – Você quer conversar? – Cobra enxugou o rosto com as duas mãos rapidamente antes de virar-se para a amiga e acenar com a cabeça levemente – Vou só fechar a loja, tudo bem? – Karina disse e trancou a loja, quando se virou Cobra já havia desaparecido de sua visão. Ela foi em direção ao quartinho dele e o encontrou sentado na cama. Sentou-se na sua frente.
– Foi o pior dia da minha vida. – ele começou – Foi há cinco anos, eu ainda nem tinha completado meus treze anos ainda. Era um domingo a noite e nós costumávamos pedir pizza, e nesse dia não fora diferente. Quando a pizza chegou meu pai foi até o portão atende-lo, ele me chamou para pegar a pizza enquanto ele pagava, no instante que eu botei o pé no terraço eu ouvi o estouro e meu pai caindo no chão. Eu travei e só ouvi o motoboy gritar desesperado e minha mãe correndo feito louca. Quando a ambulância foi acionada meu pai já estava morto. – ele sentiu Karina juntando suas mãos em demonstração de força.
– Que horrível! – ela sussurrou.
– Depois, o motoboy contou para a policia que um carro parou e desceu dele uma pessoa encapuzada, pediu o dinheiro do meu pai e antes que ele pudesse reagir foi disparado o tiro. Para a polícia o caso encerrou-se, foi tentativa de assalto. E nunca pegaram o bandido. A vida só piorou daí pra frente. Minha mãe deprimiu total, ela não tinha a capacidade mais de me sustentar, por isso fui morar com uma tia minha no interior do Rio. Desde então nunca mais falei com minha mãe que ta internada em uma clínica psiquiátrica em São Paulo. – ele suspirou, lembrar daquilo o deixava fraco. Odiava se sentir fraco.
Karina o envolveu em seus braços, preferiu por não falar nada até porque não saberia o que dizer. Ela só podia sentir. Sentir a dor dele profundamente, como se fosse sua.
– Você... Não tem vontade de se reencontrar com a sua mãe? – Karina perguntou se afastando e olhando para ele.
– Eu já pensei sobre isso... Muitas vezes. Mas eu não sei se tenho coragem de ver minha mãe naquele estado deplorável. E eu nunca tive dinheiro pra ir até lá. Eu queria voltar mas quando já estivesse estabilizado e pudesse tira-la dessa clínica pública. – ela assentiu, o compreendia de certa forma.
– Eu entendo. – ela sorriu triste.
– Mas agora eu preciso correr atrás desse futuro. – deu uma olhada no relógio de parede e percebeu que até o momento Thawik não tinha dado as caras – Vou abrir a loja.
– Você quer ajuda? – ela levantou da cama e o seguiu, ele já trocava a placa de “fechado” para “aberto”.
– Não precisa Ka. – ele disse passando a mão no cabelo dela e abrindo a porta para que ela pudesse passar.
– Mas eu não quero treinar. – ela fez bico – Vou ficar aqui, só pra caso você necessite de alguma ajuda. – sorriu pra ele, ele sorriu de volta e voltou a fechar a porta.
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