Half Body — Interativa
16 O dia em que as Selecionadas conheceram Amelia e Mellany.
Notas iniciais

Sixteen.
16. O dia em que as Selecionadas conheceram Amelia e Mellany.
— Podem se sentar — Teresa pediu, dando passagem para as Selecionadas adentrarem a considerada sala de aula, onde duas mulheres a esperavam. Assim que todas se ajeitaram, e algumas acabaram pegando cadernos e canetas que estavam disponíveis, Teresa chamou pelas duas mulheres, que logo estavam ao lado da Instrutora. — Como vocês devem ter percebido, duas meninas não estão entre nós hoje — falou, o que era meio óbvio. — Elas foram eliminadas — falou.
— Já? — Chrystal indagou um tanto quanto assustada. Para ela, as eliminações só começariam mais tarde. Depois de uns três dias, talvez.
— Já — Teresa respondeu, soltando um breve suspiro, antes de voltar a olhar as meninas a sua frente. — Mas, hoje, não viemos falar sobre as meninas que foram eliminadas, e sim sobre essas duas mulheres maravilhosas — apontou, sorrindo, para as duas mulheres, que deram pequenos acenos em direção as meninas. — Esta daqui — ela colocou a mão sobre a que parecia ser a mais nova, e que tinha fios louros até um pouco abaixo os ombros, e olhos cor d’água. — É a Professora Geral, Amelia Junker.
— Olá meninas — Amelia sorriu para as garotas, que logo responderam em coro ‘olá’.
— E esta daqui — Teresa passou por trás de Amelia, e parou ao lado da outra mulher, que tinha fios louros, mais puxado para um tom escuro, que vinham um pouquinho acima dos ombros, e tinha olhos claros. — É a Professora de Artes, Mellany Potyr.
— Hei garotas! — Mellany cumprimentou, acenando com a mão. As Selecionadas logo responderam um coro animado ‘hei’, e Mellany riu, piscando para Amelia, que apenas revirou os olhos.
— Então, elas vão ficar aqui por algum tempo com vocês, só na conversa, e daqui a pouco eu volto — Teresa falou, com as mãos sobre os ombros das mulheres. Ela sorriu para as meninas, e então saiu da sala, fechando a porta.
— Então, garotas, é o seguinte — Mellany começou, sentando em cima da mesa que havia ali. — Eu sou a professora das aulas legais, e a Amelia ali é a professora das aulas chatas — falou apontando para a mulher, que cruzava os braços e revirava os olhos.
— Eu sou a Professora normal, e ela é a Professora louca — Amelia falou, dando um pequeno sorriso, e Mellany forçou um sorriso.
— O pior é que ela não está errada — comentou num sussurro, fazendo algumas meninas perto da mulher rir. — Eu vou ensinar a vocês a arte da conquista! — exclamou, logo ficando de pé, e gesticulando. — Ensinarei a como vocês devem chegar num homem, a conquistar um homem, e a principalmente, como ser uma boa menina perto do Príncipe Arthur, ou o futuro marido de alguma de vocês daqui — comentou apontando para todas as garotas com um sorriso de canto.
— E eu ensinarei a vocês como ser uma Rainha, como se comportar como uma Rainha, as histórias inglesas, as políticas de nosso país, entre outras coisas importantes para vocês ganharem classe como uma Rainha — Amelia falou com entusiasmo na voz. Mas foram poucas as meninas que se entusiasmaram com a mulher.
— E infelizmente eu ficaria com vocês somente por duas semanas — Mellany falou, dando um sorriso triste, e logo dando de ombros. — Enquanto essa chata aqui — comentou colocando as mãos sobre os ombros de Amelia, que revirava os olhos. — Ficara com vocês até o final da Seleção.
— Um pouco antes do final — Amelia corrigiu, erguendo um dedo, e Mellany riu, voltando a sentar-se à mesa. — Eu espero que gostem da gente, antes de tudo — a menina que parecia ser mais delicada que Mellany pediu, e sorriu para as garotas.
— E eu espero que vocês fisguem o coração do Príncipe — Mellany riu. — Ou ao menos, uma de vocês — corrigiu-se. — Vocês... Hum... Podem conversar entre si — falou, gesticulando para as garotas. Mellany ficou de pé e se aproximou de Amelia. — Teresa irá demorar muito? — indagou num sussurro a outra, que apenas deu de ombro.
Não demorou cinco minutos, e Teresa abriu a porta, com uma caixa em mãos. Logo os poucos sussurros de conversas se cessaram, enquanto a mulher colocava a caixa sobre a mesa, com sua prancheta em cima da mesa. Ela entregou uma folha para Mellany, e outra para Amelia, e as dispensou. As mulheres acenaram, enquanto as meninas falavam em coro ‘tchau’, algumas olhando ansiosas para a caixa acima da mesa.
Após Teresa falar sobre o horário da semana — nada muito importante — ela entregou as cartas das famílias.
[...]
Quando Príncipe Arthur bateu na porta do quarto de Gracie, a menina já estava com muita dor de cabeça, entretanto, não falou ao menino, pois sabia achou que ele simplesmente a deixaria ali, e Gracie ficaria sem encontro — e Gracie não queria ficar sem encontro. Por isso apenas forçou seu sorriso, e pegou seu casaco a mando do garoto.
Quando eles foram para o jardim real externo, a dor de cabeça de Gracie pareceu piorar mesmo ela tendo tomado remédio alguns minutos antes. Mas também não disse nada. Apenas concordava com a cabeça, e falava quando realmente necessário.
— Isso é legal — o rapaz falou, mas Gracie não sentiu entusiasmo em sua voz. — Digo, eu tenho um cara que pode costurar tudo o que eu quiser, é só falar para ele, mas deve ser legal fazer você mesma os ajustes — o menino concluiu, mas logo em seguida balançou a cabeça em negação. — Desculpe, isso não é tão legal quanto o esperado — confessou, e Gracie apenas deu um sorriso.
Caminharam mais alguns segundos em puro silêncio, e Gracie levou as mãos até as têmporas, tentando — mas sem sucesso — fazer massagem para aquela dor de cabeça infernal sumir. Ela deveria tomar outro comprimido. De outro remédio, óbvio. Mas deveria. Será que Arthur a levaria para a Ala Hospitalar, ou algo assim?
— Você está bem? — Gracie se assustou com a voz do rapaz, e logo assentiu. Seu tom de voz era meio que preocupado, mas que obrigado. Como se não quisesse saber se a menina estava sim ou não bem. — Você definitivamente não parece bem — agora sua voz estava mais preocupada, e Gracie sentiu mais a vontade para assentir e fechar os olhos, ao passo em que parava de andar.
— Estou com dor de cabeça — sussurrou, massageando as têmporas, por mais que parecesse que não estava surtindo efeito. — Muita — acrescentou rapidamente, e logo sentiu a mão do Príncipe em seu braço, virando-a.
— Você deveria ter avisado antes — o garoto respondeu, mas não pareceu resmungar ou algo assim. E Gracie se perguntou se ele estava irritado com ela. — Vou te levar ao seu quarto. Podemos continuar nosso encontro outra hora — concluiu, e Gracie deu um leve sorriso, ainda de olhos fechados, enquanto era guiada pelo garoto.
Gracie abriu os olhos após algum tempo, e já estavam dentro do Castelo. Príncipe Arthur parecia mais preocupado com a menina, e quando ela o fitou, ele olhava para trás, como se conversasse com alguém somente pelo olhar. Assim que percebeu que estava sendo encarado, o Príncipe voltou a olhar para frente, sério.
Gracie continuou a caminhada até o seu quarto, ainda sentindo a mão do rapaz em seu braço, mas não reclamou por isso. Não demorou muito para que virassem no corredor do seu quarto, e Gracie sentisse uma estranha sensação em seu corpo, como se não quisesse que o rapaz fosse embora naquele momento. Okay, ela teria outro encontro, outra hora. Mas... Não queria.
O garoto a deixou afronte a sua porta, e então abriu-a, parando ao lado da menina, e indicando que ela entrasse. Gracie entrou, retirou o casaco, deixou sobre a cadeira que havia ali, tirou os sapatos, e então deitou-se em sua cama, cobrindo-se. Não fechou os olhos instantaneamente.
Observou os movimentos do Príncipe.
Arthur primeiro fechou a porta atrás de si — isso fez Gracie se questionar onde estava aquele rapaz loiro que os seguiu —, depois foi em direção às janelas e a porta das sacadas, e fechou todas as cortinas, e depois fechou a porta do banheiro, fazendo com o que o quarto ficasse sem muita iluminação, o que colaborou com a vontade de querer dormir que Gracie estava.
Não demorou muito para que duas batidas fossem escutadas, e logo o rapaz loiro apareceu dentro do quarto, com um copo de água e um comprimido, que Gracie tratou de beber assim que o Príncipe se aproximou da menina.
— Tente dormir um pouco — Arthur falou, enquanto pegava o copo de água que outrora estava nas mãos da garota. Gracie assentiu, deitando-se novamente, e fechando os olhos. Não demorou muito para dormir, e quando conseguiu, teve um ótimo sonho.
[...]
Ayuu não esperava um encontro tão cedo.
Teresa falou para as meninas se preparem para os encontros, que seriam totalmente aleatórios, e de acordo com o Príncipe; enquanto elas também tinham que se preparar para a prova que ocorreria no final de semana. Seria a primeira prova, e Ayuu estava com medo dela — por mais que Teresa havia dito que era facílima.
A prova era, na verdade, uma prova de etiqueta. Viriam ao Castelo, a Família Real da Noruécia, a Família Real da Escócia, a Família Real da Irlanda, e alguns nobres da Inglaterra. As Selecionadas receberiam esse pessoal, sob a supervisão de seis pessoas — que Teresa não quis falar quem eram —, e depois seriam divididos grupos, onde as Selecionadas interagiriam com esse pessoal.
Ayuu estava desesperada.
E ficou mais desesperada ainda quando escutou a voz do Príncipe no meio do corredor.
— Ayuu! — ele havia gritado, e deu alguns passos mais rápidos para perto da menina, que virou para o rapaz, tentando manter uma postura elegante. — Que bom que lhe encontrei — falou, sorrindo de forma charmosa.
— Precisa de alguma coisa, Vossa Alteza? — Ayuu indagou, e sua voz saiu um tanto quanto trêmula, e ela se culpou imensamente por conta disso. Ele pareceu perceber isso, mas não demonstrou muito, no final. Apenas deu um sorriso de canto.
— Está na hora do nosso encontro.
E foi com aquela normalidade na voz que o encontro deles havia começado.
Arthur deu a ideia deles darem uma volta pelo Castelo, e irem até alguma Sala, conversarem um pouco. Ayuu aceitou de bom grado. Quem sabe assim ela conseguiria tirar aquela aparência de egocêntrico e fútil que havia criado dele.
— Então você toca violino? — ele indagou com um sorriso de canto, e Ayuu assentiu, sorrindo. O violino era uma das coisas que Ayuu conseguia se orgulhar de fazer tão bem. — Deveria tocar um dia — pediu, e a menina rapidamente negou.
— Oh, eu não funciono bem em público — admitiu, e o rapaz apenas assentiu, passando a mão pelos fios pretos, e depois pelo queixo.
— Então toque só para mim — opinou, e Ayuu não sabia se aquilo faria a menina se sentir mais envergonhada do que tocar em público. — Seremos só nós dois — comentou, sorrindo. — Como agora — acrescentou, e a menina assentiu (por mais que ela soubesse que fosse mentira), desviando o olhar do garoto, e olhando ao redor.
Eles — mais Arthur na verdade — haviam encontrado uma sala para ficar. Era no primeiro andar, e parecia mais um salão para descanso Real, mas Ayuu não se incomodou em entrar ali e ficar por ali mesmo. Tinham vários sofás brancos espalhados pelo salão, e um lugar, um tapete que mais parecia um colchão de tão fofinho que era. As almofadas sobre os sofás eram coloridas, e isso alegrou o ambiente, que tinha poucas janelas, e todas estavam fechadas, com as cortinas entreabertas. A lareira estava acesa, e todo aquele ambiente estava dando um ar aconchegante e gostoso para se ficar.
Ayuu estava adorando, se não fosse por aquele menino loiro que estava a alguns metros de distância da menina.
— Combinado? — ouviu a voz do rapaz, e logo se virou para o moreno, que esperava uma resposta. Ayuu assentiu depois de se lembrar que falavam dela tocar violino para ele. Tentou concentrar-se no fato de que talvez não teria problema algum em tocar violino para ele, e para o rapaz loiro. Seria apenas uma música.
Ficaram em silêncio após isso. Ayuu passou a mão pela blusa preta que usava, e então deu mais uma olhada ao redor novamente. Tudo aquilo era encantador. Estar ali era encantador.
— Como é morar aqui? — Ayuu perguntou após perceber que aquele silêncio era um tanto quanto horrível e inóspito. A menina ainda não fitou o rapaz, mas sabia que ele olhava-a. — Acordar todos os dias neste local incrível, e sair por ai andando majestosamente? — sua voz estava baixa, mas com o silêncio que estava pairando, dava para ouvir perfeitamente.
Arthur soltou uma pequena risada, o que chamou a atenção de Ayuu para o rapaz.
— Gostei do andar majestosamente — comentou, parando de rir e fitando a menina, que sorriu timidamente. — É legal morar aqui — falou como se fosse realmente normal. Ayuu deu uma breve olhada indignada ao rapaz, que ergueu as mãos em rendimento. — Ok, ok, é incrível morar aqui — completou. — Exceto pelo fato de que tenho que acordar cedo todos os dias, ter aulas, e ainda por cima ter que ficar sendo perseguido por esse daí — apontou para o rapaz loiro, que parecia interessadíssimo em uma pintura antiga na parede. — Tirando isso, é maravilhoso.
Ayuu deu uma breve olhada no louro — que ainda parecia interessado na pintura — antes de se virar para o Príncipe, que sorria de canto — um sorriso, que Ayuu tinha de admitir, era lindo.
A menina sorriu para o rapaz, que a fitava, como se estivesse tentando ler o seu interior, e então olhou para uma pintura em especial. Ela havia lembrado Ayuu de sua própria família em casa, de sua tia, de sua avó, e de sua irmãzinha. Eram cinco pessoas na pintura. Cinco mulheres. De todas, Ayuu só conseguiu reconhecer Rainha Joanna, e se perguntou quem eram as outras quatro.
Ayuu sorriu, baixando a cabeça e lembrando-se das cartas que havia lido mais cedo. Tudo bem que a carta da sua tia havia sido um horror, e Ayuu tinha deixado-a para ler por último, mas depois a menina releu as cartas de sua avó e de sua irmã, e nem parecia mais que a carta de Lucy havia existido. Sorriu ao lembrar-se da letra redonda de Kime, e anotou mentalmente que deveria escrever para a menina o quão orgulhosa estava da letra dela (e que o gosto da torta de maça era totalmente indescritível).
— Eu não gosto de silêncio — Ayuu levou um breve susto ao ouvir a voz do rapaz, mas tentou não demonstrar isso. Quando o fitou, ele estava de braços cruzados, e olhava para frente, com um olhar sério, como se não estivesse realmente satisfeito. — Eu não sei por que, mas não gosto do silêncio — concluiu, ainda olhando para frente, e Ayuu acompanhou seu olhar, parando em um quadro. Uma pintura, onde o próprio Príncipe Arthur sorria de canto, em pé, segurando uma espada. Como se segurar uma espada fosse algo banal.
— Eu gosto do silêncio — Ayuu comentou num murmúrio quase imperceptível, e logo viu aqueles dois pares de olhos escuros lhe fitando. Eles estavam sérios. — Eu me sinto confortável — admitiu, ainda num sussurro, e o rapaz deu de ombros, voltando a olhar para frente.
Ayuu indagou a si mesma se o encontro estava ficando banal. Eles estavam conversando, rindo de vez em quando, e Ayuu ficava um tanto quanto corada hora ou outra, e de vez em outra se via admirando a beleza do Príncipe. Mas agora parecia que ele havia ficado mais distante, mais sério, mais... Diferente.
— Você está bem? — a menina perguntou depois de vários minutos em silêncio. O rapaz a encarou com os olhos cor de mel, e sérios, e Ayuu quase se arrependeu de ter perguntado isso ao menino. Entretanto, ele apenas assentiu com a cabeça, e deu um dos seus sorrisos charmosos.
— E você? — indagou de volta. A menina assentiu também, ainda fitando o rapaz, que a encarava de volta, com aqueles olhos cor de mel. Arthur deixou de encará-la após alguns segundos, e levantou-se do sofá, esticando a mão para a menina, que logo aceitou, fitando-o curioso. — Está com fome? — indagou, com um olhar divertido. Ayuu assentiu, e o rapaz olhou para o loiro, que agora estava atrás de Ayuu. — Quanto tempo?
— Meia hora — o loiro respondeu, e Ayuu tinha quase certeza de que era o tempo que faltava para o encontro acabar. A menina se surpreendeu como o tempo passou rápido, e pegou se perguntando se o rapaz realmente seguia o horário com todas as meninas, enquanto fitava de leve a mão do menino apertando a sua.
— Ok, temos tempo de ir até a cozinha, colocar algo no estômago, antes que eu vá para a próxima — o moreno falou e logo começou a andar, puxando Ayuu, que se sentiu um tanto quanto intimidada ao ouvi-lo falar daquele jeito. — E como você está com fome, vamos unir o útil ao agradável, e não te dispensarei agora — completou, e deu uma breve olhada em Ayuu, antes de fitar o louro de forma séria.
E foi ai que Ayuu se perguntou onde estava aquele mesmo rapaz que havia feito a menina rir a minutos atrás.
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