Hail of Bullets
1 Encontrada
Notas iniciais
Bem vindos!
Eu queria começar esse capítulo com um agradecimento para algumas pessoas deveras especiais, sem as quais não teria fanfic de jeito nenhum. Bárbara, minha beta linda, Flávia, a designer que estudou em Hogwarts (essa capa/banner foi feito com magia, tenho certeza), Rebecca, um anjinho sem a qual eu jamais teria a frase de impacto pra sinopse e tantas outras, e por fim, Mel, que está lá pra mim há mais de dez anos. Vocês são sempre educadas e prestativas, e me deram também um apoio moral fora do comum. Fico feliz demais em saber que sempre terei vocês aí. A recíproca é verdadeira, lindas.
O primeiro capítulo é um pouco mais curto que os demais, espero que gostem. Não sejam fantasminhas, façam uma autora feliz ♥
É isso! Boa diversão!

Chovia torrencialmente, como em quase todos os dias daquela estação. Já estava acostumada a precisar colocar a pasta sobre a cabeça para sair do edifício da S.H.I.E.L.D. toda vez que esquecia o guarda-chuva em casa.
Entrei no carro, batendo a porta com um pouco de força, e dei uma breve olhada no retrovisor para conferir como estava meu cabelo. Não que importasse, não iria para um encontro nem nada do gênero, era apenas o hábito falando mais forte. Dirigi sem pressa, ao som de uma voz masculina grossa que cantarolava em uma das estações de rádio, até avistar a construção imponente que era a Torre Stark. Centenas de janelas já brilhavam com as luzes de escritórios que continham pessoas que ficariam até mais tarde. Tony tinha algo cativante, fazia seus funcionários trabalharem com vontade.
Eu era um deles, mesmo que informalmente. Formada em biologia e posteriormente com uma especialização em química, ser convidada para trabalhar no "Projeto Bruce Banner" fora uma das grandes honras da minha carreira, a qual aceitei com imenso orgulho. A compensação financeira também é ótima, devo mencionar.
Circulei o enorme estacionamento em busca da vaga que continha meu nome. Desci do carro apressada, não por estar atrasada, mas sim por pura ansiedade. Não tinha um horário fixo de trabalho no projeto paralelo, mas como moro sozinha há alguns anos, adquiri o hábito de passar grande parte do meu tempo livre no laboratório para o qual me dirigia agora.
O elevador panorâmico lotado foi esvaziando-se a medida em que subíamos os andares. Uma curta olhada pelo vidro foi suficiente para notar a praça em frente ao edifício salpicada de pessoas, em suas mais diversas atividades. A cada andar, elas ficavam menores, insignificantes em seus conjuntos de átomos minúsculos. Ajeitei o crachá com meu nome no peito, orgulhosa das palavras "acesso irrestrito" estampadas.
- Outra vez aqui, Alicia? É sexta feira. — A voz suave pertencia à pessoa que sempre me dava sermões por passar mais tempo no laboratório do que em casa. Bruce Banner.
- Não há nada lá fora que se mostre mais útil do que estar aqui, Bruce. — Sorri, sendo imitada em resposta.
Bruce Banner, também conhecido como Hulk em seus acessos de raiva, era na verdade um cara bem gentil. Sempre com um sorriso a postos e um conselho no bolso, era de convivência muito agradável. Ouvi de Tony Stark que tornara-se assim depois de adotar sua filha, uma linda menina que já estava criando as próprias asas.
E justamente por ter uma família que o amava e apoiava, Bruce trabalhava empenhado em desenvolver um soro que o ajudasse no controle da raiva. Na verdade, ele é uma das pessoas mais pacientes que já conheci, mas sentir-se exposto deve ser terrível. Sempre cuidando cada passo, em uma linha estreita.
- Lana não está em casa hoje? — Perguntei, despindo meu casaco e apoiando-o em um dos ganchos próximos à porta. Era difícil acostumar os olhos à sala imensamente branca.
- Foi com Anong acertar os detalhes da viagem para a nova competição. Ela disse que pretende ir sozinha dessa vez. — Parecia um pouco incomodado com a hipótese.
- Vai ser um pouco difícil acostumar com ela constantemente fora de casa, aposto. — Anong, a filha adotiva de Bruce, tinha uma relação muito boa com Lana, que costumava ser sua professora de ballet, e um laço profundo e lindo com o pai.
- Não restam dúvidas. Você não faz ideia de como estou sofrendo por antecedência. Mesmo esse final de semana, com ela ainda em casa, será uma tortura. Não consigo a ver fazendo as malas. Ainda mais sabendo que essas competições oferecem um ambiente tão... amplo, por assim dizer, atualmente.
Podia ver as mãos dele fechando a pipeta com um pouco mais de força do que deveriam. Curvei os lábios em um sorriso involuntário. Um pai com ciúmes da filha. Não seria o primeiro, quanto mais o último.
- Conseguiu algum avanço, Bruce? — Distraí-o da temática, poderíamos discutir o assunto mais tarde.
Alguns meses atrás chegamos perto da resposta. Um soro que reagiu extremamente bem, criado a partir do DNA do próprio Bruce, buscando estabilizá-lo ao humano quando se descontrolasse, desde que injetado a tempo. Estávamos todos tão animados...
A fase de testes correra bem, e Lana insistira em injetar o soro antes do descontrole de Bruce, apesar da negativa veemente do homem que buscava proteger sua companheira. O abraço que trocaram quando perceberam que o soro surtiu efeito ficou registrado em minha mente por muito tempo, e acho que não tem intenções de deixá-la. Uma ligação profunda, calma e intensa, como se o tempo pudesse congelar. Senti um vazio enorme no peito ao assistir, mas não deixei transparecer, ocultando-o com um sorriso, e tocando o topo da cabeça de Anong, aquele pedacinho de gente, os cabelos em curvas que eu sabia que não eram naturais, mas que lhe adornavam perfeitamente.
O único porém, é que o soro funcionou uma única vez, mostrando-nos que estávamos próximos da resposta, mas ainda não a tínhamos em mãos. Era como se o Hulk tivesse criado uma resistência ao antídoto, como faria com uma gripe qualquer. Outra vez, a cumplicidade de Lana e Bruce no resultado negativo evidenciava o pequeno vazio que carregava comigo. Menor que um buraco de bala, talvez, mas tão efetivo quanto.
- Nada consistente. — Tirou-me de meus devaneios. — O soro é instável, poucas horas transformam seu conteúdo drasticamente. Já deve ter notado que ele reage até contra si mesmo. — Estava agora concentrado, observando alguns tubos com um líquido leitoso. — Preciso dele pronto até que Anong decida levar outro namorado pra casa.
Ri, acompanhada de um sorriso do homem. Aparentemente suas palavras não eram tão lúdicas quanto ensejavam ser. Vesti o jaleco e os óculos, para em seguida prender o cabelo e juntar-me a ele.
Não tive muito tempo para observar o novo soro que Bruce tinha em mãos, já que poucos minutos depois fomos interrompidos pelo dono do prédio e provedor do laboratório, em toda sua pompa e ironia usuais.
- Pepper disse que devia convidá-los para jantar. Não achei que fosse necessário, mas por via das dúvidas... — Tony olhava ao redor, como que esperando mais alguma presença por ali.
Não aconteceria. Apenas eu, Bruce e Tony trabalhávamos no projeto. E eu só estava lá porque o havia descoberto. Nunca confiei plenamente no compartilhamento de arquivos da S.H.I.E.L.D., e apesar de a organização estar infinitamente melhor desde sua reconstituição, mantinha comigo uma forma de hackear alguns dos compartimentos. Não funcionava em todos, mas foi o suficiente para descobrir que Tony Stark e Bruce Banner estavam trabalhando na criação de um soro especial, e enviar um currículo confidencial para a Torre Stark. Dois dias depois, recebi o convite para juntar-me a eles. Segundo Tony, apenas o fato de não confiar na S.H.I.E.L.D. já era um atributo positivo. A instituição ainda era grande parte da minha vida, a formação do meu caráter, então mantive o Projeto Bruce Banner como algo suplementar.
- Não pensem em nos dar uma resposta negativa, vocês também precisam comer. — A ruiva logo apareceu ao lado do marido, apoiando as mãos em seus ombros. — E não liguem para o que ele fala, sabem como é sua real personalidade. — Tony arqueou a sobrancelha para a esposa, os lábios contraídos para evitar uma resposta irônica que provavelmente viria mais tarde. Pepper o desafiava com o olhar.
Sorri em resposta, certa de que sua barriga estava grande demais para ter apenas uma criança lá dentro. Estremeci com a idéia de gravidez. Parecia muito errado para mim.
Bruce já tirava o guarda-pó e os óculos, enquanto Tony acariciava a barriga proeminente da esposa, carinhoso. Um lado do Homem de Ferro parcamente conhecido, ofuscado pelo estilo rebelde que ele sempre gostou de ostentar.
Tirei o guarda-pó recém vestido, jogando-o sobre minha bolsa ainda pendurada em um dos ganchos do laboratório antes de juntar-me a eles no elevador. Poderíamos conversar sobre a pesquisa durante o jantar, de qualquer maneira. Na verdade, passar o tempo com eles era sempre útil. Sentia-me extremamente privilegiada por ter essa oportunidade. Tony era de fato um gênio, e parecia que eu sempre estava atrasada com relação a seus assuntos com Bruce. Era um incentivo para continuar estudando, embora eu soubesse que dificilmente chegaria ao mesmo patamar deles.
Os únicos Vingadores que via com alguma frequência eram Steve Rogers, Natasha Romanoff e Clint Barton, os quais eram parte da S.H.I.E.L.D.. Mas ainda assim, era uma frequência minúscula. Clint e Natasha geralmente estavam em missão, agora atuando juntos mais do que nunca, e o Capitão estava ocupado em um projeto pessoal sobre o qual nada fora divulgado e eu ainda não tinha conseguido obter nenhuma informação nos arquivos da S.H.I.E.L.D.. Apenas o via desfilando pelos corredores, apressadamente, de um lado para o outro, concentrado demais para notar qualquer coisa que não fosse seu caminho.
Após a volta de Nick Fury, previamente declarado morto, e a reconstituição da S.H.I.E.L.D. por Phil Coulson, nosso novo gerente, fui uma das primeiras que voltou para a instituição. Acreditava nos ideais pelos quais trabalhávamos, e aprendi grande parte do que sou hoje lá. Sendo eu a terceira geração da família trabalhando eticamente com segurança nacional, aprendi a confiar em ideais, mas não em pessoas. Após o incidente com a H.Y.D.R.A., sentia essa confiança em pessoas ainda mais desestabilizada. Era involuntário andar com a mão sempre apoiada na coronha de alguma arma que estivesse presa ao coldre.
A recepção e sala de Tony Stark deixavam-me sem ar todas às vezes em que colocava os pés lá. Imensa e clara, com muito mármore carrara e vidro, além das madeiras chiques que provavelmente não existem mais na forma de árvore. Alguns sofás creme dispostos aleatoriamente, e a vista encantadora da cidade à noite finalizavam o ambiente. Bem como um homem loiro usando uma camiseta branca sentado em um dos sofás, parecendo tímido.
Notas finais
Um beijo!
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