H.a.c.k
4 Capítulo 4 - REI?!
Notas iniciais
POV – Heinz
EU não fiquei aquele tempo todo no banheiro, juro! Eu estava na porta esperando o J.K, mas aí ele me puxou para dentro e me trancou lá. Tive que ajudá-lo a “botar tudo para fora”. Quando o refluxo vinha, ele batia o pé na porta, tipo um coice, isso me assustava um pouco. Aquilo foi uma tortura! Eu não pude fazer nada para ajudar... Mas se bem que ele mereceu...
Depois que a Aidê quebrou a porta (adeus privacidade), ela me perguntou por que ele tinha passado mal, eu respondi que foi por causa da Rei. Tá, foi nojento, mas não precisava daquela cena toda...
Já passava da meia-noite, eu estava cansado, só queria dormir. A parte de baixo da casa é fria, graças ao milagre de Deus: Ar-condicionado. Entrei no meu quarto. Estava escuro, mas eu sentia uma presença. Alguém estava lá. Ouvi um barulho, estava vindo da minha cama. Será que era minha gata Katze? Liguei a luz.
– J.K?! – Gritei.
Ele acordou.
– Desliga a luz – Disse ranzinza.
Eu me aproximei.
– Por que você tá aqui? – Perguntei tentando entender.
– Aquele moleque tá no meu quarto, então, vim dormir aqui... Tô tentando pelo menos – Disse tentando se cobrir.
Não, não, aquilo não estava certo. O J.K não podia dormir comigo, ele ocupava mais da metade da cama!
– Vai dormir com a Rei então! – Falei expulsando-o.
– Nem pensar! Quer que eu vomite na sua cama, quer? – Questionou descobrindo-se.
Pensei no caso... “Ah, uma noite só não faz mal...”. Foi a pior noite de toda minha vida. Ele me empurrava e ainda ficava reclamando que eu estava ocupando a cama. MINHA CAMA! Não existia mais lençol naquele lugar, ele tinha puxado e jogado no chão. “Eu tô com calor.” Calor?! Ahh, russos... Mas uma coisa que me tirou do sério, foi quando ele me empurrou para o chão. Estava na hora de usar a minha arma secreta, uma arma que todos têm medo que eu use, não, não era pum.
Fiquei de joelhos na beira da cama, apoiei minhas mãos suavemente no braço dele e disse.
– J.K~
– A-ah não... – Disse surpreso.
– Por favor~, por favor~ — Pedi fazendo biquinho.
Ele se virou, não olhou mais pro meu rosto. Era hora do ataque. Levantei-me e subi no J.K, se ele não fosse fazer por bem, eu faria por mal.
– J.K~ — Sorri.
Ele olhava assustado para mim, ou talvez surpreso.
– Sai da porra da minha cama agora! – Gritei.
Ele ficou pasmo por um tempo, depois pediu licença bem baixinho. Saí de cima dele. Ele deitou no pé da minha cama sem soltar nenhum pio. Fiquei olhando para ele com uma cara de “O quê?”. Logo depois Katze deitou do meu lado. Ouvi J.K reclamando por um tempo, mas quando ele dormiu, dei uma espiadinha nele, ele estava tremendo. Por que mentiria sobre não estar com frio? Peguei meu lençol e o cobri.
– Boa noite – Disse cobrindo-o.
É, acho que aquele Sustagen não me fez falta.
POV – Scott
Amanheceu, levantei-me da cama e saí do quarto, ninguém estava lá. Chequei os cômodos, nada. Olhei no banheiro. Sem porta, o que aconteceu? Tinha um quarto que não queria abrir, estava trancado. Olhei pela fechadura, não estava com a chave, dava pra ver o que tinha do outro lado... E que vista, hein? Era a Rei se trocando, pena que ela estava de costas. Só dava para vê-la tirando a blusa...
– TATUAGENS?! – Gritei surpreso.
Ela olhou para porta. Eu me afastei do quarto lentamente. Não podia acreditar que ela tinha tatuagens... É a coisa mais sexy que uma mulher podia ter! Ahhhh!
Subi as escadas, elas parecem infinitas quando você está cansado, sério. Estava quente, muito quente. Os raios do sol entravam pelas janelas da pequena casa. De novo, nenhum sinal deles. Fui abrir a porta, mas estava trancada.
– O quê? – Perguntei – O que eles têm contra portas abertas?
Virei-me, as escadas tinham sumido. Como eu não percebi? Tentei abrir as janelas, estavam emperradas, tentei passar por uma janela quebrada. Sem sucesso. Já estava suando, aquilo era uma brincadeira do J.K? Porque eu não estava achando graça!
Havia poucos móveis naquele lugar. Fogão, geladeira, pia, mesa, cadeiras, um armário grande, uma cômoda... Armário grande? Para que eles teriam um armário daquele tamanho se não tem o que guardar nele? Abri-o, só tinha teias de aranhas e alguns insetos nojentos. Bati no fundo do armário.
– Hm? – Me perguntei.
Bati novamente. Era um som oco que eu ouvia? Tinha uma passagem atrás daquele armário? Empurrei o armário com toda minha força, agradeci por ele estar vazio. Enquanto o arrastava, a poeira subia.
– Cof! Cof! – Tossi – Isso não é bom.
Não gosto muito de poeira. Com ela por perto, tenho mais chance de ter um ataque de asma. Quando finalmente consegui tirar aquele maldito do caminho, o sol entrou pelo enorme buraco na parede que acabei de ter aberto com a ausência do armário. Passei para o outro lado.
– Demorou – Disse J.K com a gentileza de sempre.
– Você conseguiu! – Falou Heinz batendo palmas freneticamente.
– Achei que você não conseguiria – Comentou Aidê – Pensei que ficaria preso na casa, ou então nem conseguiria levantar da cama. Bom, pelo menos você aprendeu a primeira lição: Sempre tem outra alternativa... A menos que você seja um perdedor que demore mais de 40 minutos para achar uma saída... Ops.
Aquilo era armação deles?! Eles prenderam um garoto com asma numa casa pequena e empoeirada?!
– Bom, vamos para a segunda lição – Anunciou Aidê.
Aproximei-me de Heinz e J.K. Eu notei que... Eles nunca se desgrudam!
– Cara – J.K me chamou – Seu nariz tá sujo de sangue de novo.
– A-ah... É a poeira – Menti.
Limpei meu nariz enquanto lembrava-me da Rei se trocando. Aquelas tatuagens!
– Ei, seu nariz tá pingando – Disse Heinz.
Droga, tenho que ver o que está havendo com ele.
O sol batia em nós, mais um pouco e eu ficaria com dor de cabeça.
– Ok, vamos começar – Falou Aidê – A segunda lição é uma coisa bem simples. Segurar uma arma.
O quê? Segurar uma arma? Hah, isso é uma lição?
– Vem pro papai! – Disse correndo para pegar a arma.
– Scott, se eu fosse você... – Alertou Heinz.
As armas estavam todas em cima de mesas de aço. Também havia várias munições, mas aquilo não me interessava. Peguei a primeira arma que vi, era grande e pesada... Muito pesada!
– AHHH! – Gritei caindo – WTF?
– Crianças... – Suspirou Aidê arrancando a arma das minhas mãos.
Fiquei um tempo no chão olhando para o céu, ele estava acinzentado como sempre. Lembrei-me dos olhos de minha mãe quando me acordava para ir à escola. Que saudade daqueles olhos. Que saudade dela.
– Ei – Chamou J.K erguendo sua mão.
– Eh?
Segurei a mão dele e levantei.
– Valeu – Agradeci.
Ele voltou para o lado de Heinz. Percebi que Aidê olhava séria para mim, então resolvi me juntar a eles novamente.
– Er... E agora? – Perguntei – Você não vai me ensinar a segurar uma arma?
– Eu não – Respondeu – Ele vai.
– Ele? – Perguntei confuso.
Olhei para J.K e Heinz, eles estavam olhando fixos para frente, nem se mexiam. Então foi quando ouvi alguns passos, vinham do mesmo lugar que eu tinha passado, vinham do buraco. O barulho estava se aproximando, então eu pensei “Ah, deve ser a Rei.”, mas... Saiu um homem com cabelos bagunçados e negros, seus olhos eram pretos e sem vida. A sua calça cinza estava rasgada no joelho do lado direito, suas botas eram escuras e sujas. Suas tatuagens passavam pelos seus braços, sua regata preta nãos as escondia. Pera aí... Tatuagens?
– Finalmente, Rei – Disse Aidê.
– Desculpa, tive problemas enquanto me trocava – Respondeu.
– R-R-REI?!?! – Gritei surpreso.
O homem olhou para mim e sorriu. Fiquei de boca aberta.
– Fecha a boca, senão entra mosca – Falou fechando minha boca pelo queixo.
– M-m-m-mas...!
Ele se voltou para mim novamente.
– Scott – Disse esfregando meu cabelo – Eu gosto de você, mas... Prefiro os mais altos – Olha pro J.K.
–... Acho que vou vomitar de novo – Anunciou J.K.
Rei se aproximou de Aidê. Eu fiquei... Tipo, “EU BEIJEI UM HOMEM!”.
– Eu achei que ele era uma japonesa fofa no começo – Disse segurando a barriga – Mas não! Isso é tudo uma mentira!
Heinz começou a bater palmas do nada. Olhei para ele.
– A-ah... – Falou parando de bater.
Não podia ser... Aquela garota linda era um homem... COMO?!
– Vamos começar? – Perguntou Aidê com um sorriso no rosto.
– Posso ir ao banheiro antes? – Perguntei enjoado.
– Não – Respondeu.
Eu não era o único a ter me apaixonado por um homem... Não! Eu não gostei de um homem, eu gostei de uma garota, a Rei, ele não é a Rei!
O Rei se aproximou de mim. Pegou uma pistola e me entregou.
– Vamos começar com algo mais leve – Falou.
– O-oi... – Tentei falar com ele.
–... Oi – Disse sem entender.
Segurei a pistola com medo de atirar em mim mesmo. Havia alvos a alguns metros. Rei percebeu que eu não sabia segurá-la direito, então resolveu ajudar.
– Aqui – Disse segurando minha mão – Deixa eu te ajudar.
Ele ficou atrás de mim. Passou um de seus braços por cima do meu ombro e o outro por baixo.
– EH?! – Gritei assustado saindo da posição.
Ele não pareceu muito feliz com a minha atitude. Todos ficaram olhando para mim, até mesmo o J.K. Senti-me meio envergonhado, mas eu estava nervoso com um cara atrás de mim, fala sério! Respirei fundo e voltei para minha posição.
– Posso? – Perguntou Rei.
– U-uhum – Deixei.
– Vamos mais devagar dessa vez – Disse Rei se ajeitando atrás de mim.
Fiquei nervoso novamente. Ele esticou seus braços como da última vez e levantou os meus. J.K dava umas risadinhas de vez em quando. Rei me endireitou para mirar.
– Agora e só atirar – Disse no meu ouvido.
– AHHH! – Gritei.
Ao mesmo tempo em que gritei, atirei. O tiro foi no alvo. Fiquei surpreso comigo mesmo.
– Ok – Falou Aidê – Próxima lição, Rei.
De repente, Rei puxa meus braços me desarmando. Sem não entender nada, ele consegue por meus braços pra trás, me deixando indefeso, depois passou seus braços pelo meu pescoço, fazendo uma gravata.
– Nunca, nunca confie em uma pessoa – Disse Rei me sufocando.
– Argh! A-Ahh! – Tentei falar alguma coisa.
Ele não me soltava. Eu estava me debatendo enquanto J.K e Aidê ficaram parados.
– G-gente... Acho que tá bom, né? – Questionou Heinz.
– A-ah! Urgh! S-solt-aah!
– Gente! – Gritou Heinz.
Ele tentou empurrar Rei, mas não conseguia, eu estava ficando sem ar. Minha asma não estava ajudando. Eu ia morrer.
– Chega – Pediu Aidê calma.
Rei me soltou. Caí no chão sem ar. Não sentia minhas pernas e nem meus braços, meu pescoço e minha cabeça doíam.
– Haaa! – Gritei.
– Ahhh – Suspirou Aidê – Isso não vai dar certo, tenho que ver algo melhor para ele.
Ela entrou na casa, nem se quer olhou para mim. Senti-me mais humilhado do que nunca. Eu estava morrendo naquele chão e todos parados olhando para minha cara.
Heinz tentou me ajudar, segurou minha mão, mas acho que estava mais nervoso do que eu. J.K, como sempre, só ficou olhando. Rei. Ele se ajoelhou do meu lado.
– Que pena... Né? – Disse sorrindo.
POV – Scott
– Fim.
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