H.a.c.k
5 Capítulo 5 - Desespero?
Notas iniciais
POV- Rei
Tá, talvez eu tenha sido um pouco cruel com ele, mas... Odeio traidores. Eu o encarava com ódio e com um sorriso no rosto, mas pelo visto, ele não estava brincando dessa vez. Ele tentava respirar, mas não conseguia. Era como se alguém estivesse o sufocando. Os sons que emitia me incomodavam. Scott ficava cada vez mais vermelho e sem ar. Ele tentava falar, mas respirar era mais importante. Bom, pelo menos tentar respirar.
– R-Rei... Uhg! – Emitiu tocando minha mão.
Sua mão estava gelada e suada. Dava para sentir o desespero em seu toque. Heinz e J.K Olhavam tensos para seu amigo agonizando no chão, porém, ninguém se mexia. De repente, Scott apertou minha mão mais forte. Foi aí que me toquei... Por que estava parado aquele tempo todo?! Levantei-me rapidamente, dei uma última olhada em Scott e corri para dentro da casa.
– Aonde você vai? – Perguntou Senpai subindo as escadas.
– O-o Scott...! E-ele vai morrer se não fizermos nada, Senpai! – Gaguejei.
– E o que pensa que está fazendo? – Perguntou friamente.
Engoli a seco. Senpai não parecia se importar nem um pouco com Scott, seu olhar era calmo e sem nenhuma pinta de preocupação. Se bobear, dava pra ver até um sorrisinho naquele rosto... Péra, um sorriso? Ela ficou maluca?!
Senpai deu um suspiro enquanto revirava os olhos, ela hesitou em falar algo, mas desistiu. De repente, ouvi um grito. Era de Heinz, só poderia ser. Por um minuto, percebi que Senpai ficou aflita com aquele grito, seus olhos se arregalaram, mas rapidamente voltaram ao normal.
Ela subiu os três últimos degraus que faltavam e saiu da casa. Enquanto a acompanhava, percebi que carregava algo em suas mãos, era pequeno, cilíndrico e... Azul? Quando nos aproximamos de Scott, percebi que Heinz estava quase chorando, e J.K, pela primeira vez, estava “comovido” pela situação do pirralho. Os dois olharam para nós com caras de “cachorrinhos abandonados”, diferente de Scott. Que expressão horrível e melancólica. Ele ainda não parara de debater-se. Senpai agachou do lado dele e jogou o pequeno cilindro em sua blusa azul-marinho.
– O- o quê...? – Perguntou Heinz surpreso.
Era uma bombinha de asma. Me senti aliviado e logo J.K. Scott, ainda desesperado, tentava pegar o pequeno cilindro azul em sua blusa, mas com suas mãos chacoalhando, era impossível.
– Aqui. – Disse entregando-o.
Pude ver um breve sorriso. Rapidamente, Scott levou a bombinha até sua boca e pressionou o topo do mesmo. Sua expressão mudou totalmente. Ele relaxou, eu relaxei. O menino recostou sua cabeça novamente no chão, fechando os olhos e dando um enorme suspiro.
Heinz sorriu e acabou rindo da situação. Sua risada era contagiosa e engraçada, logo, todos começaram a rir, menos Senpai. Mas pude ver um brilho em seus olhos por ter salvado o “pentelho”.
De tanto rir, Scott ficou sem ar de novo, o que fez ele utilizar a bombinha novamente, mas logo caiu na gargalhada. As pequenas risadas que J.K soltava, as gargalhadas desesperadas que Heinz gritava, o olhar de Senpai, meu sorriso... Aquilo era uma família novamente. Somos loucos? Acho que sim, estávamos ficando completamente pirados. Mas deixe-me contar um segredo: as melhores pessoas são assim.
POV- Scott
Por que estávamos rindo?! Hahah, a risada do Heinz era muito engraçada, mas ele nem percebeu que era o motivo das gargalhadas. Aidê e Rei não estavam rindo, mas Rei... Rei estava sorrindo para mim. Sua expressão era calma e serena, lembrava minha mãe... Eu o encarava surpreso. Sua mão estava apoiada perto de mim, então puxei seu braço e o abracei.
Rei ficou imóvel. A risada de Heinz foi decrescendo e quando percebi, estava todo mundo em silêncio.
–... Eh? – Perguntou Heinz baixinho sem entender.
Todos continuaram em silêncio e se encararam. Percebi que já estava abraçando o Rei por um tempo.
– Obrigado. – Agradeci soltando-o.
Rei ergueu-se desviando seu olhar.
– Pelo quê? – Perguntou meio envergonhado.
– Por ter salvado minha vida. – Respondi sorrindo.
– A-ah... Não foi nada – Disse coçando a cabeça.
– Sem vocês, eu não seria nada. – Comentei olhando para todos.
Me sentei e alonguei minhas costas, estavam doloridas. Passei minhas mãos pelas minhas roupas para tirar a sujeira e de repente ouvi um “Snif”.
– Heinz? – Perguntei preocupado -... Eh?!
Ele estava chorando. Seu rosto ficou totalmente vermelho, suas sobrancelhas ficaram franzidas e sua boca totalmente aberta. Se a risada dele já era hilária, você não imagina o choro.
– Você pode contar comigo pra qualquer coisa! BUÁÁÁ! – Berrou chorando.
– C-calma...! – Disse J.K afastando Heinz de mim.
Olhei para o lado e percebi que Rei e Aidê não estavam mais ali.
– Você pode contar comigo também. – Comentou J.K com um sorriso amigável.
– Un. – Concordei.
– Mas se você morrer, eu juro que te mato! – Gritou bravo.
– Não! Snif...! – Disse Heinz chorando – Não mata ele não... Snif...!
Levantei-me e dei alguns passos, olhei para o céu e percebi que estava escurecendo muito rápido.
– Heinz...? Você tá bêbado? – Perguntou J.K tentando levantá-lo pela cintura.
Heinz respondeu uma coisa que não entendi, o choro não deixou. Deixei os dois para trás e entrei na casa. Rei e Aidê estavam lá conversando sobre algo, mas sem querer, tropecei e interrompi a conversa.
– Ah, Scott, sente-se, estávamos conversando sobre você – Disse Rei apontando para a cadeira ao seu lado.
Sobre mim? O que eu fiz agora? Sentei onde Rei apontou, ele sorriu. Aidê entrou na minha frente, impossibilitando olhar para ele. Ela se apoiou na mesa.
– Você passou. – Disse suspirando.
– Passei...? – Perguntei confuso.
– No teste. – Completou Rei.
Como? Como consegui passar? Eu nem sei segurar uma arma!
– Acho que não temos muito tempo – Disse Aidê olhando para o relógio na parede – Temos que ser rápidos.
– E se fizermos hoje? – Questionou o moreno – Quando ficar mais escuro.
– Não... – Disse pensativa – Depois do nosso último ataque... Eles estão mais espertos , mas já tenho tudo em mente.
Aidê deu um sorriso. Senti um friozinho na barriga...
– J.K, vamos precisar da roupa – Disse ainda sorrindo.
Olhei para trás e percebi que os dois já estavam ali. J.K respondeu com um sorriso medonho. Em seguida, Rei pediu para que “trouxessem tudo”. Heinz foi correndo na frente (Depois eu sou a criança, né?) , enquanto J.K descia as escadas tranquilamente.
Aidê me encarou por quase meia hora até os dois voltarem. Cheguei a ficar bravo quando percebi que só trouxeram um uniforme e seringas... Seringas?! Eles iam me espetar com aquelas coisas?!
– Aqui. – Disse Heinz entregando as seringas e a roupa para Aidê.
–Vista. – Mandou.
– Eu me recuso! – Protestei.
– Tá, mas não vou recusar a te espetar na bunda com isso. – Retrucou mostrando uma das seringas.
Arranquei o uniforme branco de suas mãos e fui me trocar no banheiro sem porta. A final, o que aconteceu? Enquanto me trocava, notei que não era um uniforme qualquer. Era de uma escola. Era do colégio de elite de Gorod.
Voltei para onde estavam reunidos. Heinz, como sempre, aplaudiu.
– Você também pegou o uniforme “emprestado sem permissão”? – Perguntei para J.K.
– Não. – Sorriu – Era meu.
No começo, não entendi, mas... Quer dizer que ele estudou lá? Então quer dizer que ele era de Gorod?
– Vou ser bem breve, o plano vai ser esse: – Disse Aidê – Você vai distrair os guardas enquanto o J.K vai pegar os dados dos computadores com a ajuda do Heinz. Rei vai te explicar as informações melhor. Vai falar pra onde tem que ir e agir.
– Mas... Pra que as seringas? – Perguntei com receio.
– Você não vai precisar usá-las... Só se necessário. – Respondeu misteriosamente.
– Como assim? – Perguntei novamente.
– Se alguma coisa der errado, use as. – Respondeu.
–... Defina “errado” – Disse.
– Guardas tentarem te matar.
Paralisei. Eles realmente iriam matar um garoto tão inocente como eu?
– E o que tem nessas seringas? – Perguntei com mais receio ainda.
– Uma tem veneno e outra paralisante. – Respondeu – São muito poderosas, porém, não agem na hora. Causam uma dor tremenda, mas seja ágil.
– Mas se não tiver jeito, não se preocupe, eu vou estar de olho em você. – Comentou Rei sorrindo.
Eles... Eles realmente estavam falando sério sobre os guardas tentarem me matar?! Olhei nervoso para Heinz, ele tinha se acalmado, nem parecia estar prestando atenção na conversa, muito menos no que poderia acontecer comigo. “Você pode contar comigo pra qualquer coisa!”. Tomara que ele cumpra o que disse. Mas não confiei e nem vou confiar nas palavras de J.K, se bem que... Nah, melhor não.
Percebi que todos olhavam para mim como se estivessem esperando eu responder algo... Mas responder o quê? Olhei pela casa em busca de uma resposta ou qualquer palavra que pudesse me ajudar naquele momento.
Lembrei-me do uniforme que usava. Ele estava branco. Branco como estivesse acabado de ser lavado. Seu cheiro era agradável e estava completamente passado, sem nenhum amassado. Ele era um pouquinho grande para mim, mas nada de absurdo. No bolso do “casaco” havia uma escrita bem pequena: “Kolledzh Elita Gorod”, que seria algo como “Colégio Elite de Gorod”. Russos não tem criatividade mesmo, né?
No meu antigo colégio, nós não tínhamos uniformes, nem precisávamos usar uma “roupa adequada”. Se você tinha roupa, tava baum. Estava muito calor e eu não aguentava usar aquilo, parecia que eu ia derreter!
Todos ainda estavam esperando. Olhei para J.K dessa vez. Ele me olhava de um jeito diferente, me olhava de cima para baixo com um sorriso discreto no rosto. Estava admirando seu uniforme que não cabia mais em seu corpo esguio. Quando J.K ia falar alguma coisa, Aidê o interrompeu.
– Então... Tá dentro?
– Vamo nessa – Respondi tentando parecer durão.
–Le fim
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