H.a.c.k

3 Capítulo 3 - Scott... Meu nome é Scott


Notas iniciais
Vamos ver se você tem uma mente poluída... Digo... Oi!

POV – Pierre?

Quando tudo se acalmou... Quando eu me acalmei, Heinz se aproximou. Começou a conversar comigo e a me perguntar algumas coisas, mas era a minha vez.

– Você é daqui, Heinz? – Perguntei.

– Na verdade não – Respondeu – Sou do distrito 4, Alemanha, mas já estou aqui há tanto tempo que já me considero em casa.

Eu queria saber como conseguiu fugir, naquela idade, do distrito 4 para o distrito 1.

– Mas como conseguiu vir de lá tão novo? – Perguntei interessado.

– “Novo”? – Questionou risonho – Acho que não. Tenho 26 anos.

– Eh?!

Fiquei impressionado quando ele me disse aquilo. Aquela pessoa na minha frente que parecia ser mais novo do que eu, tinha quase o dobro da minha idade.

– O J.K também – Complementou Heinz.

– Ei, agora vai ficar anunciando a idade de todos por aí? – Reclamou o moreno.

Não podia acreditar. Eles tinham a mesma idade, mas eram totalmente diferentes. Então, quis saber um pouco mais das pessoas com quem eu iria trabalhar.

– Er... E aquela garota – Perguntei apontando discretamente para a mesma.

– Ah... – Disse o loiro se aproximando de mim – Sai dessa, cara. Não queira conhece-la.

Por quê? Ela parecia uma menina legal. Fiquei um tempo olhando e reparei que Rei era diferente das outras garotas.

– Quantos anos ela tem? – Perguntei.

– A Rei? 23 – Respondeu levantando-se.

23?! Não podia ser! Ela era uma mulher, tinha que ter pei... Curvas! Mas eu não ligava, ela era linda do mesmo jeito.

– Você está com fome, J.K? – Perguntou Heinz.

– Por que tá me perguntando isso? – Questionou o moreno.

Heinz ficou sem palavras. Acho que ele não sabia o que estava fazendo. Tive que ajudar.

– Eu estou! – Falei levantando-me – Muita.

– Ele não te perguntou – Disse J.K me dando um coice.

Fiquei quieto, achei melhor não responder.

– Ah, se é assim, eu vou servir o almoço – Disse o loiro.

Enquanto Heinz subia as escadas, J.K me encarava. Não consegui me segurar...

– Me achou bonito? Tira uma foto que dura mais – Zoei.

Ele sorriu. Não sabia o motivo, mas sorri também. De repente J.K fechou os punhos. Ele ia me matar!

– Para, vocês dois! – Rei bateu com a vareta em nossas barrigas.

Doeu. Parecia que J.K também sentiu a dor, ele abraçou a barriga, mas não disse nada. Não pude me conter, queria conhecer mais a garota que acabou de me bater.

– Rei, não é? – Perguntei seduzindo tentando esconder a dor.

J. k riu. Depois Rei.

– Qual é a graça? O que está acontecendo aqui? – Perguntou Aidê séria.

– Hahahaha! – Riu Rei – Ele... Hahahah! Ele tá dando em cima de mim! Hahahah!

– Pfff! – A chefe riu sem mudar a expressão séria.

Logo depois, Aidê voltou para sua sala. Quando os dois pararam de rir, Rei falou comigo.

– Cara, acho que sou um pouco velha pra você – Disse meio risonha.

– Não ligo, gosto de mulheres mais velhas – Pisquei.

Os dois voltaram a gargalhar novamente.

– O quê? – Perguntei sem entender – São mais experientes...

Heinz nos chamou da cozinha do 1º andar. Começamos a subir. Os dois ainda riam atrás de mim.

– E lá vai outro caindo na armadilha de novo – Comentou J.K.

Ouvi um barulho, foi bem alto. Alguma coisa pesada tinha caído. Me virei. Era J.K, ele tinha rolado escada abaixo. Olhei surpreso para Rei.

– O que foi~? – Perguntou com um olhar inocente.

Virei-me rapidamente e subi as escadas. Heinz estava em pé nos esperando. Ele usava um avental branco escrito “le chef” nele. A mesa era grande. Eu tinha certeza de que não havia nenhuma mesa quando passei da 1ª vez. Havia vários tipos de comidas. Desde carnes à sopas, de cervejas à água... Como? Digo, não dava para preparar aquela comida em minutos. Como ele arranjou aquela comida toda?

– Vocês... Roubaram essa comida? – Perguntei perplexo.

– A-Ah... – Heinz permaneceu imóvel.

– Ah – Falou J.K arrumando sua gravata e se sentando à mesa – “Roubar” é uma palavra muito feia, prefiro... Pegar emprestado sem permissão – Sorriu.

Gelei. Aquele sorriso não me agradara muito. Rei passou por mim e também se juntou à mesa. Ela ia pegar uma bebida.

– Não toca na minha cerveja – Disse J.K batendo em sua mão.

– Bom, sinta-se em casa! – Falou o loiro me convidando.

Bem, o que eu poderia fazer? Aquele peru estava gritando o meu nome!

POV – Aidê

Não queria almoçar. Estava muito ocupada preparando o plano para o dia seguinte. Aquele garoto vai sofrer. Bom, é o que ele merece depois de ter mentido para sua nova família. Estava na cara que aquele pentelho não era francês, se bobear, ele nem deve conhecer seu próprio distrito.

Comecei a pensar num plano. Aquilo não ia dar certo, aquela criança não sabe nem segurar uma arma, temos um grande problema e só tem uma pessoa que poderia ensiná-lo.

Observei as câmeras que J.K tinha colocado em Gorod, os guardas estavam agitados. Estavam falando sobre fugitivos. Eram sete no total. A cada dia que se passa, o governo fica mais rigoroso quanto a fugitivos. Eles sabem que estão perdendo o controle.

Me ajeitei na cadeira. Sabia que ficaria um bom tempo analisando cada movimento. De repente, alguns guardas pegaram as fixas das pessoas que vivem em distritos, eles têm o registro de cada pessoa que mora na Rússia, desde os distritos até Gorod. Eram sete fixas, todas dos fugitivos. Uma pessoa do governo analisava as fixas. Dei zoom na câmera para tentar ver os rostos, mas tinha um papel em particular que chamava atenção dos guardas. Era de um garoto, eles queriam saber como o menino tinha escapado. Consegui capturar o rosto dele, era do... Pierre? Hah, não fiquei muito surpresa. Eu tinha razão, sempre tenho.

Levantei-me e fui para a cozinha, queria conversar um pouco com “Pierre”.

– Ah, Senpai, finalmente você veio – Disse Rei tentando tirar “Pierre” de cima.

– Não estou com fome – Falei me aproximando da mesa.

Heinz estava rindo da enorme coxa de peru que estava na boca do menino. J.K não tinha comido nada, só estava bebendo... Ah, russos... Aproximei-me de “Pierre”.

– S-senhora? – Perguntou nervoso.

– Eu acho que você não entendeu direito – Disse com um sorriso no rosto.

O garoto parecia ter captado a mensagem. Ele estava quase levantando quando o empurrei para sua cadeira novamente. Todos ficaram quietos e olhavam surpresos para mim.

– Vejo que fizeram amizade com ele... Você está gostando dos seus parceiros... “Pierre”? – Perguntei colocando minhas mãos em seus ombros.

Ele começou a tremer.

– Agora que faz parte da equipe, é da família – Comentei – E você sabe que não se deve mentir para a família, né?

Heinz olhou para J.K tentando ser discreto, mas consegui perceber. J.K voltou a olhar para mim, mas parecia mais nervoso, então, voltou a beber sua cerveja.

– Pierre, meu querido... Estou esperando – Disse num tom amigável.

Senti que o garoto parou de tremer respirou fundo, depois levantou. Parecia ter tomado coragem.

– Scott... Meu nome é Scott – Disse olhando para seus colegas.

– Scott, né? – Perguntei-lhe – Que tal nós conversarmos em particular?

O menino ficou imóvel. Todos olhavam assustados para ele. O que estava acontecendo? De repente o garoto se apoiou na mesa. Ele não estava passando bem, estava sem ar.

J.K e Heinz levantaram-se para ajudar o amigo.

– S-Scott?! – Perguntou Heinz segurando-o.

– Aguenta, cara – Disse J.K pegando o braço do menino.

Rei não sabia o que fazer.

– Rei – Chamei.

– Senpai – Perguntou nervosa.

Pedi-a para arrumar a cama e pegar os medicamentos.

Scott estava vermelho, estava tenso. Quando o levamos para o quarto do andar de baixo e colocamos-lhe na cama, ele começou a convulsionar.

– EH?! – Gritou Heinz.

– É, ele vai morrer – Disse J.K parado.

Aproximei-me de Scott, seus olhos viravam, ele se debatia. Pedi para que os dois patetas fizessem alguma coisa para ajudar, mas não adiantou. Então... Me ofereci para fazer boca a boca...

– Não, Senpai – Disse Rei – Eu faço.

Rei tampou o nariz do garoto e...

– Ugh! – Fez J.K dando as costas.

Depois de um tempo, Scott voltou ao normal.

– Ahhh – Disse risonho.

– Eh?! – Rei bateu em sua cabeça com força.

Olhei para trás, Heinz e J.K tinham sumido. Voltei- me para Scott, ele estava em outro planeta.

– Scott – O chamei.

Ele olhou para mim tentando não desviar os olhos do meu rosto.

– Você está bem? – Perguntei.

– Melhor do que nunca – Disse voando.

Eu queria rir, mas achei melhor não.

– O que foi aquilo? – Questionei.

– Minha asma deve ter voltado – Respondeu pensativo.

Asma? Nunca vi alguém ter um ataque de asma com convulsões.

– É... – Riu – Talvez eu tenha forçado um pouquinho...

Não acreditava que ele tinha feito aquilo! Ele brincou com a nossa cara!

Rei saiu indignada, eu estava me segurando para não arrancar aquela cabecinha de merda, mas pensei... “Se ele tem asma, como conseguiu fugir de um distrito?”

Comecei a pensar sobre Scott continuar na equipe. Não o conhecia direito, não conhecia suas habilidades, queria conhece-lo melhor! Então, resolvi dar lhe outra chance, sua última chance.

– Amanhã você entrará em campo – Falei.

– E-em campo? – Perguntou sentando na cama.

Saí sem dar mais uma palavra. Rei estava amolando sua katana e admirando suas armas. Nenhum sinal do Debi e nem do Lóide... Voltei para minha sala. Outros guardas haviam se juntado, estavam analisando outras fixas... Não, uma fixa só. Era a do J.K, ele estava sendo procurado.

Algumas horas se passaram.

– Cadê os dois? – Perguntei para Rei.

– Ah, eles foram para o banheiro... Não saíram até agora, acho – Respondeu organizando as armas na parede.

Impossível duas pessoas ficarem presas no banheiro por tanto tempo. Alguém estava passando mal? Fui para o banheiro e bati na porta.

– Heinz! J.K! – Chamei batendo na porta – Tá tudo bem?

Ouvi alguém chutar a porta. Eles se assustaram? Começaram a sussurrar.

– Gente! – Bati na porta novamente.

– A-ah... O J.K não está bem... – Disse Heinz.

– O que ele tem? Deixa-me entrar – Persisti.

– N-não, e-ele não quer sua ajuda! – Respondeu nervoso.

Ouvi outro chute na porta, dessa vez foi mais alto e acho que ouvi o J.K falar “Chega”.

– J.K? – Perguntei batendo na porta.

– H-hm? – Respondeu.

Consegui abrir a porta chutando-a. Estava abafado. Olhei para Heinz, ele estava vermelho e suando frio. Eu ia perguntar o que tinha acontecido, mas olhei para J.K, ele estava apoiado no vaso sanitário... Vomitando. Rei... Sempre mexendo com o coração dos homens, ou o estômago deles....

Notas finais
E aí? Gostou? Quero saber sua opinião!