HL: Rise
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Ed parou a caminhonete em um posto de gasolina. Enquanto abastecia, ele desceu do carro e foi até a lojinha de conveniências enquanto Cat continuou no carro. Dentro da lojinha, ele comprou algumas latas de cerveja e alguns salgados que ele pensou que Cat provavelmente gostaria. Quando estava pagando pelas mercadorias, ele viu de longe uma velha conhecida. Mal sinal. Péssimo sinal.
Após pagar a conta, ele voltou correndo para a caminhonete com os salgadinhos e acabou esquecendo das latas de cerveja. Cat estranhou ao vê-lo preocupado quando ligava o veículo.
— Está tudo bem? — Perguntou.
— Não — Ed finalmente conseguiu ligar a caminhonete e saiu do posto.
— A Nexus estava lá? — Fazia sentido para Cat, afinal não conhecia muitos motivos para que Ed deixasse o posto daquele jeito.
— Pior. Bem pior! — Estava nervoso, as mãos dele suavam e a garota notou aquilo.
— Percebi.
Cat pensava no que poderia ser pior que a Nexus. Talvez a Nêmesis, tudo o que ouvira falar da Nêmesis fazia com que a temesse mais do que temia a Nexus. Supôs que Ed poderia ter visto algum agente da Nêmesis.
Continuaram boa parte da viagem em silêncio. A garota ainda pensava nas coisas que Ed havia lhe dito e como ele parecia assustado, e ele estava mesmo. Encontrou a única pessoa no mundo que ele jamais iria querer ver. O susto havia sido tão grande, que ele quase bateu a caminhonete em um caminhão e precisou parar antes que causasse uma tragédia.
— Está tudo bem? — Cat perguntou preocupada. Ed olhava para o volante, para Cat e para o horizonte. Estava desorientado, a cabeça doía, estava tonto. — Ed?
A cabeça dele caiu em cima do volante e ele desmaiou, deixando Cat desesperada. Estavam no meio do nada e a garota não tinha como pedir ajuda a ninguém. Não sabia como agir quando tivesse que lidar com uma pessoa inconsciente.
Se ligasse para os bombeiros a polícia poderia aparecer. Polícia atrairia Nexus e ela já sabia como terminava. Mas estava com medo de Ed ter morrido. Mesmo não simpatizando com ele, não queria que nada de mal lhe acontecesse.
— Ed! — Ela bateu na cabeça dele tentando acorda-lo, mas isso não funcionou.
— Posso ajudar? — Uma moça perguntou batendo no vidro. A garota abriu o vidro e a mulher viu Ed desmaiado. — Ele está bem?
— Sim, ele vai acordar logo — Cat tinha medo que a mulher ligasse para alguém.
— Não sei não — Deu mais uma olhada em Ed. — Talvez fosse melhor pedir ajuda.
— Não, não precisa! — Apressou-se em dizer. — Ele só está com sono.
— Posso pelo menos medir a pulsação dele? — A garota pensou se deveria deixar a mulher fazer aquilo. Mal conhecia ela e estava sozinha com ela e um cara desmaiado.
— Não sei... — Ela não estava muito confiante.
— Não se preocupe — a mulher tentou acalmar Cat. — Se o pulso dele estiver bom, eu deixo vocês em paz.
— Eu... — A garota não tinha muitas escolhas naquele momento. — Está bem. — Cat abriu a porta, saiu da caminhonete e então a mulher entrou e colocou os dedos no pulso de Ed. — E então?
— Muito baixo — disse. — Melhor levar ele para o hospital.
— Não sei...
— Garota — a chamou. — Ele pode morrer se esperarmos ele acordar.
— Certo.
— Ok, eu vou no meu carro pegar meu celular, não saia daqui — A mulher voltou até o carro dela e Cat começou a achar aquilo estranho.
Ed provavelmente havia sido muito afetado por seja lá quem viu no posto. E então desmaia e essa mulher misteriosa aparece. Algo estava errado. Assustada, a menina voltou para a caminhonete e se trancou lá, para espanto da mulher.
— O que está fazendo? — A mulher perguntou tentando abrir a porta.
— Vai embora! — Gritou assustada.
— O que está fazendo garota?
— Sai! Não preciso da sua ajuda! — Desesperada, a garota procurou qualquer coisa que pudesse usar para se defender. Encontrou uma arma no porta-luvas e a apontou para a mulher. — Vai embora!
— Garota.... Solte a arma — A mulher tentou abrir a porta novamente, mas Cat havia a travado.
— Vai embora! — A menina tentava conter algumas lágrimas que saiam por causa do susto.
— Está tudo bem — A mulher tentou acalma-la. — Estou tentando ajuda-la. Não precisa ter medo.
— Vai embora! — Cat mexeu em Ed para ver se ele acordava. — Acorda! — A garota viu um carro passar e fez a primeira coisa que veio na cabeça. — Socorro! — Ela bateu no vidro.
— Está me cansando — A mulher disse. A
porta destravou-se sozinha e simplesmente abriu para espanto da garota.
— Desculpa, mas você não está facilitando. — A mulher se aproximou de Cat que continuava apontando a arma para a mulher. — Vai fazer o quê? Atirar em mim? — Ela continuou se aproximando e viu que as mãos da menina tremiam. — Você não faria isso, Caitlyn. É uma boa menina.
Ela conseguiu tomar a arma de Cat que para se defender conseguiu dar um soco muito forte da mulher que ficou desorientada por um tempo, mas logo voltou a si.
— Fortinha você. — A garota ficou paralisada. Não conseguia se mexer. Não importava o quanto se esforçasse, nenhum músculo se movia. A mulher colocou as mãos na cabeça de Cat. — Não se preocupe pirralha, vai ficar tudo bem...
***
Ed acordou, ainda estava um pouco tonto. Coçou os olhos para tentar focar a visão e finalmente percebeu que Cat não estava mais ali.
— Pirralha? — Olhou em volta, mas não encontrou a menina. — Merda! — Bateu a cabeça no banco e em seguida achou um bilhete no volante.
"Levei sua amiguinha para um passeio. Não se preocupe, ela será bem tratada.
Com amor,
Felícia"
***
Cat acordou no banco de trás de um carro estranho. Já estava de noite e ela tinha a visão um pouco turva. Ela tentou se mexer, mas estava muito mole, grogue. Provavelmente havia sido drogada.
— Olá Bela Adormecida — a voz da mulher no volante soou distorcida. — Não se preocupe, logo vai melhorar.
— Para onde está me levando? — Estava com dificuldade para falar.
— Não se preocupe, a Nêmesis vai cuidar bem de você — Cat ficou desesperada. Aquela era provavelmente a pior coisa que poderia acontecer com ela. — Deve ter feito algo bem sério para a Nexus estar atrás de você.
— Eu não... — Falar tornava-se cada vez mais difícil.
— Talvez seus pais tenham feito.
— Como sabe?
— Telepata — explicou. — Adriano foi meio duro com você.
— Adriano? — Cat não conhecia ninguém com esse nome.
— Adrien? — Aquele nome lhe era mais familiar. Hector havia chamado Ed assim. — Sabe de quem estou falando. — Deu um sorriso. — Duzentos anos e muitos nomes.
— Duzentos? — A garota ficou ainda mais confusa.
— Ele não te contou? — Questionou. — Ele nasceu no século dezenove.
— Ed? — Continuava sem entender.
— Ele mesmo — A visão de Cat tornou-se mais turva até que tudo finalmente se apagou e ela voltou a "dormir".
Quando voltou a si, continuava no carro que agora estava parado. Ela olhou discretamente pelo vidro de trás e viu a mulher conversando com alguém.
A garota deitou novamente e fingiu que continuava a dormir. Fechou e abriu os punhos para testar se ainda conseguia controla-los. Pensou bastante em como sair dali. Se fosse cuidadosa o suficiente, conseguiria sair do carro e então correria tão rápido quanto conseguisse.
Levantou-se novamente e tentou ver se alguém a vigiava, por sorte, estavam todos distraídos. Então, com movimentos bastante precisos e lentos, ela conseguiu abrir a porta e assim que o fez, correu como nunca havia feito antes. Quanto mais corria, mais o coração acelerava. Não sabia se estavam atrás dela, se conseguiriam pega-la. Não estava segura.
Olhou para trás e viu que, por enquanto, ninguém a perseguia. Precisava pensar em um jeito de tirar a Nêmesis do pé dela. Foi quando se lembrou que Nêmesis e Nexus eram inimigas declaradas. Provavelmente se encontrassem, se enfrentariam e esqueceriam dela, ou pelo menos era o que queria. Ela foi até um telefone público e ligou para a Nexus.
— Nexus, linha de emergência.
— Oi, meu nome é Cai... — Percebeu que seria melhor não informar o verdadeiro nome. — Cate, meu nome é Cate. — Continuou. — Fui sequestrada por uma agente da Nêmesis, eu consegui fugir do carro, mas acho que ela ainda está atrás de mim.
— Ok, preciso que fique calma. Sabe onde está?
— Não.
— Pode descrever o lugar? — A garota olhou em volta e não sabia bem quais palavras usaria.
— Não sei.
— A agente da Nêmesis que mencionou, continua aí?
— Sim, ela pode me achar a qualquer momento.
— Ok, estamos rastreando a ligação desde o começo, esconda-se em um lugar seguro e não saia de lá até chegarmos. Pode fazer isso? — A garota permaneceu em silêncio. Talvez não tivesse sido uma boa ideia ligar para a Nexus. — Alô? — Ela desligou o telefone e se escondeu na primeira lata de lixo que encontrou. Estava determinada a não sair dali enquanto não sentisse segura.
***
Ed precisou parar o carro novamente. Precisava pensar com calma. Felicia estava com Cat e provavelmente a levaria para a Nêmesis, o que não era nada bom. Ele sabia que precisava encontrar Cat, antes que algo ainda pior lhe acontecesse. O problema é que ele não sabia como fazer isso.
De repente, viu carros da Nexus passar perto dele e lhe ocorreu que talvez o levassem até a Cat, provavelmente era atrás dela ou da Felícia que estavam. Com isso, ele resolveu segui-los.
***
Cat continuava escondida na lixeira. O coração acelerava a cada pequeno barulho que ouvia ou fazia. Estava muito assustada, com medo.
— Caitlyn — Era a voz de Felícia. — Não pode se esconder para sempre. — Uma lágrima escorreu pelo rosto de Cat. Continuava a tentar não pensar em nada para que fosse mais difícil de ser encontrada, mas estava com muito medo.
Então os passos pararam e sirenes puderam ser ouvidas. Um pequeno alivio foi seguido por outra preocupação. Nexus estava ali. Se fizesse barulho poderiam leva-la, mas se ficasse parada correria o mesmo risco.
Com isso, ela saiu da lixeira e andou escondida para não ser vista pelos agentes, o que não havia dado certo, já que dois deles conseguiram vê-la.
— Parada! — Apontaram as armas para ela.
— Ei! — Um terceiro agente interviu. Era o que havia deixado Cat ir com Ed anteriormente. — Abaixem as armas! — Ordenou e olhou para a garota assustada. — Está tudo bem. Não vamos fazer mal a você.
— Quero ir embora — disse sem ar.
— Nós vamos te tirar daqui — Tentou acalma-la.
— Não com vocês — A garota recuou para trás.
— Está tudo bem, viemos para ajudar — O agente tentou se aproximar, mas a garota continuava indo para trás.
— Vocês nunca ajudam — Ela já estava preparando o punho.
Ele tentou colocar a mão no ombro dela, Cat se desviou e deu um soco tão forte que ele foi lançado longe. Os outros dois agentes voltaram a apontar as armas para a menina.
— Não atirem! — Ordenou o agente caído.
De repente, as armas dos agentes foram lançadas para o alto por alguma força estranha. Cat olhou para trás e viu Ed ali, nunca havia ficado tão feliz por vê-lo. Ela foi na direção dele, um tanto confusa, afinal, ela não fazia ideia de como ele tinha chegado até ali.
— Está bem? — Ele perguntou deixando Cat ainda mais confusa.
— Sim — respondeu. — Como chegou aqui?
Ed apontou para os agentes da Nexus que estavam ali, fazendo com que a garota entendesse.
— Vocês dois precisam vir conosco — o agente disse ao se levantar. — Não é seguro aqui.
— Também não é seguro com vocês — Cat rebateu.
— Estamos apenas tentando ajuda-los — Mesmo ouvindo aquilo, a garota não conseguia acreditar neles.
— Não vamos com vocês — Ed disse.
— Então terei que leva-los a força — respondeu.
— Quero vê-los tentar — desafiou. Ed se abaixou um pouco para falar no ouvido de Cat. — No meu sinal, você corre para a caminhonete.
— Certo.
Ed levantou as mãos e várias estruturas de metal foram jogadas contra os agentes. Interpretando aquilo como um sinal, Cat fez o que Ed lhe pediu e logo foi seguido por ele. Ao chegarem na caminhonete, os dois entraram e o homem os tirou dali antes que os agentes reagissem.
***
Londres
O Mini Móvel parou em frente ao Colégio pela manhã.
Tom, que estava no jardim, foi correndo até o portão, vendo Alice e um garoto do qual não conhecia descerem do carro.
— Tom — Lice o abraçou deixando-o sem graça.
— Oi Lice — correspondeu o abraço rapidamente, sorrindo fraco. — É bom te ver também.
— O Killian está? Trouxe um novo aluno para ele. Tom, esse é o Jaime. Jaime, esse é o Tom.
— Oi... — Jaime estava admirado com o tamanho do lugar. Provavelmente nunca tinha estado em um lugar assim, pelo menos, não entrando pela porta da frente.
— E aí? — Ele deu um soco fraco no braço do rapaz, sorrindo. — Venham. O Killian está lá dentro.
— Na verdade eu já vou indo. Preciso resolver uns assuntos ainda. — Abraçou o garoto mais uma vez. — Se comporta, Jaime. Depois de atravessar esse portão, seu passado morreu. Aqui você vai ser um herói e heróis... Bem. Você sabe. — Deu um beijo no rosto do garoto, piscando para ele
— Sim, eu sei — Jaime concordou sem graça.
— Vai lá! — Sorriu para eles, saindo. — Diga ao Killian que eu mandei um oi.
— Ou ela pode dizer pessoalmente. — O Kane respondeu, encostando no muro do portão. — Que feio, Alice!
— Killian! — Ela abraçou o rapaz pela cintura, ainda corando com a presença dele. — Esse é o garoto que eu te falei. Jaime.
— Oi — disse ainda sem graça. Era muita gente nova em um dia só.
— Oi, pequeno. — Ele sorriu fraco, antes de abraçar a Harper. — Sinta-se à vontade.
— Desculpa sair assim de fininho. É que estou de olho no meu pai. — Deu de ombros. — Nunca se sabe quando ele vai fazer algo "do mal".
Jaime saiu de perto dos dois por achar que não tinha nada a ver com assunto sobre o pai da Lice, seja lá quem ele fosse.
— Mas ele sempre não está fazendo algo do mal? — Killian franziu o cenho, sem perceber que ainda abraçava a garota.
— Não sei. Mas prefiro não arriscar. — Soltou o rapaz, um pouco envergonhada.
— E aí, Jaime. O que você faz? — Tom perguntou, seguindo o rapaz.
— Fico invisível, e você?
— Posso causar terremotos. — Deu de ombros, como se fosse a coisa mais normal.
— Parece legal — O garoto não sabia bem o que dizer.
— De onde você e a Lice se conhecem?
— Eu não sei explicar bem — Jaime tentou pensar em uma maneira de explicar. — Mas para resumir, se não fosse ela eu estaria muito encrencado.
— É bem a cara dela. — Tom riu, antes de abrir a porta da mansão. — Seja bem-vindo, Jaime.
— Valeu!
— Bem, então acho melhor não te atrasar mais. — Sorriu fraco, fitando a morena.
— Imagina. Logo eu apareço com mais tempo.
— Vou cobrar, fique ciente disso.
— Claro! E obrigada por tudo. — Sorriu, colocando as mãos nos bolsos. — A gente se vê!
— Até. — Sorriu de volta, vendo a garota se afastar.
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