HL: Rise
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Cat havia tirado um cochilo, mas logo acordou com a caminhonete parando em um estacionamento.
— Onde estamos? — A garota perguntou sonolenta.
— Não quer passar a noite toda aqui dentro, quer? — Os dois desceram e foram até a recepção do pequeno hotel.
— Adriano, quanto tempo! — Um homem abraçou Ed e então notou Cat ali. — Olá pequena. Ainda não fomos apresentados. Eu sou Henry.
— Cat.
— Ela precisa de um quarto — Ed explicou e Henry entregou uma chave para Cat.
— Você pode ficar com o 34, a cama é macia e tem um banheiro caso queria tomar banho — disse simpático.
— Obrigada — Cat agradeceu pegando a chave e indo para o quarto, deixando o homem sozinho com Ed.
— Quem ela? — Estava curioso.
— Complicado — respondeu simples.
Enquanto isso, Cat entrou no quarto e sentou-se na cama. Era mesmo muito macia, até estranhou, fazia tempo que não dormia em um lugar assim.
Então a garota resolveu tomar um banho antes de dormir, afinal havia se escondido em uma lixeira horas antes e estava com um cheiro nada agradável. Após o banho, ela se deitou e fechou os olhos. Pensava na irmã, no que teria acontecido com Jaime, na agente da Nêmesis, na Nexus e quanto tempo levaria até chegar na fronteira.
Se questionava se queria mesmo sair do país. Se saísse, correria o risco de nunca mais ver a irmã, mas não era seguro ficar. Não demorou para dormir de vez. Apesar de tudo, era bom poder dormir em um lugar quente e seguro.
Naquela noite, sonhou com a irmã de novo. Dessa vez não conseguia ver o rosto dela, por mais que se esforçasse. Estava esquecendo o rosto da irmã, estava se esquecendo de Lindsay.
Acordou e chorou algum tempo em silêncio. Sentia saudades da antiga vida, dos pais, da irmã, do Zack. Tentou dormir de novo, mas não conseguia parar de pensar em tudo o que tinha acontecido. Não tinha praticamente ninguém, a Nexus estava atrás dela e para piorar, a Nêmesis também. Tinha medo que aquilo apenas piorasse.
Ao ver que não conseguiria dormir de novo, ela enxugou as lágrimas e saiu do quarto. Passou pela recepção, que estava vazia e foi até o estacionamento, onde viu de longe, Ed dentro da caminhonete, ele parecia estar orando, o que surpreendeu a garota, afinal, ele não parecia religioso.
Com isso, a garota decidiu voltar lá para dentro e passou novamente pela recepção.
— Ele nunca dorme — o homem da recepção comentou surpreendendo Cat. — Pelo menos não com muita frequência.
— Percebi — respondeu. — Por que chama ele de Adriano?
— É o nome dele — explicou. — Um deles.
— Um cara chamou ele de Adrien — lembrou.
— Ele odeia esse nome — riu. — É o nome que ele usava na França.
— França? — Cat ficou um pouco confusa.
— Ele já morou lá — explicou tendo pequenas lembranças. — Ele já morou em muitos lugares.
— É verdade que ele tem duzentos anos?
— Duzentos e onze — corrigiu. — E provavelmente viverá ainda mais.
— Parece muito tempo — Cat se perguntava como deveria ser viver tanto tempo.
— É sim — respondeu. — Quer ver uma coisa? — O homem pegou uma caixa velha embaixo do balcão e a abriu. Ele pegou uma foto muito antiga dele e Ed e a mostrou para a garota. — Isso foi na Primeira Guerra. Estávamos no exército francês. Tive que roubar essa e mais um monte de fotos da Nexus.
— Nexus?
— Sim, eles acharam essas fotos e estavam investigando o Adriano — explicou. — Por sorte, eu trabalhava no almoxarifado e sumi com a foto sem que percebessem.
— Você trabalhou na Nexus? — Cat não confiava em ninguém ligado a Nexus, mas Henry parecia diferente.
— No almoxarifado — repetiu. — Isso foi nos anos 60.
— Mas isso é quase cinquenta anos atrás — disse.
— Sim.
— E você estava na Primeira Guerra — lembrou. — Quantos anos tem?
— Cento e cinquenta — respondeu deixando a menina surpresa. — E você?
— Quatorze. — O homem pegou mais uma foto, dessa vez era de Ed vestido como um soldado, em um uniforme aparentemente, americano. — Isso foi na Segunda Guerra. Eu não fui porque estava com a perna quebrada. Mas o Adriano, ele teve que ir. — Contou. — Ele estava entre as tropas do dia D, sabe o que é isso, não sabe?
— Quando as tropas americanas invadiram as tropas da Normandia — Cat lembrou que Zack havia lhe contado sobre aquilo uma vez, mas não tinha certeza se estava certo.
— Isso mesmo — confirmou um pouco risonho. — O Adriano não fala muito do que aconteceu, mas depois daquilo ele prometeu nunca mais participar de uma guerra.
— Tem uma moça — Cat tentou lembrar o nome da telepata, mas nunca haviam lhe dito o nome dela. — Eu não sei o nome dela, mas é telepata.
— Felícia?
— Eu não sei, acho que sim — confirmou. — Ela me sequestrou.
— Então ela continua trabalhando para a Nêmesis — deduziu.
Fez uma feição não muito agradável ao lembrar de Felícia, toda vez que aquela mulher aparecia, algo ruim acontecia.
— De onde ela conhece o Ed? — Quis saber.
— Eu não sei exatamente, ela conheceu o Adriano antes de mim — explicou. — Mas eu conheci ela um tempo depois e ela é incrivelmente insuportável. — Comentou. — Toda vez que ela aparece a vida do Adriano desanda. Da última vez foi uma tragédia.
— O que aconteceu? — Perguntou curiosa.
— Ela causou a morte de alguém que o Adriano amava — respondeu. — E depois a Nêmesis levou ele. O cara nunca mais foi o mesmo.
— Parece terrível — Cat começou a entender porque Ed era tão amargo.
— Foi pior, eu lembro — Ed havia ficado bastante tempo em silêncio sobre aquele assunto. Não falava dele com quase ninguém, mesmo com o amigo evitava menciona-lo, não sabia bem como Ed sentia, mas sabia que ele estava destruído por dentro. — É o tipo de coisa que te deixa sem chão.
Cat entendia bem aquilo, havia se sentido daquela maneira muitas vezes desde que viu os pais sendo mortos. A garota achou mais uma foto, dessa vez era Ed com um velho, um rapaz por volta dos trinta anos e um garoto que não devia ser apenas um pouco mais velho que Cat, pelo menos na foto.
— Quem são esses? — perguntou para sair daquele assunto.
— O velho era o melhor amigo do Adriano, o Harold — apontou para o velho na foto. Ele usava um suspensório, um óculos e um chapéu que Cat achou engraçado. — Os dois se conheciam há muito tempo. — Então ele apontou para o rapaz na foto. — Esse era o Gabe, filho do Harold. Eu não conhecia ele muito bem, mas sei que Adriano era o herói dele.
— O que aconteceu com ele? — Ficou curiosa.
— Morreu em um acidente de avião — disse um pouco triste. — Era tão jovem.
— E ele? — Cat apontou para o garoto da foto.
— Esse é a decepção ambulante — comentou cansado. — Nunca vou entender como o Hector foi virar aquilo.
— Hector? — A garota não conseguia acreditar, aquele na foto era a versão mais nova de Hector.
— Sim — Confirmou. Continuou olhando a foto em silêncio até continuar. — Ele era uma criança levada, mas não parecia ruim. Crianças são mesmo levadas, é normal. — Explicou. — Então quando ele foi crescendo e aquilo virou um monstrinho. — Lembrou de coisas nada boas. — Com a morte do Gabe, a mãe do Hector teve que se virar sozinha com o garoto. O capetinha estava sempre maltratando a mãe. Depois que cresceu só piorou.
— É... — Finalmente a garota entendeu um pouco do porquê de Hector não ter lutado contra Ed e de onde eles se conheciam. Estava surpresa com aquilo.
— Ei, gosta de heróis? — Perguntou de maneira inesperada, fazendo com que a menina pensasse um pouco antes de responder.
— É, gosto — Até algum tempo antes era fascinada pela Pocket Girl, além de ter atuado como a vigilante Nyx. Mas aquilo parecia ter sido há tanto tempo, não sabia mais se pensava assim.
— Na minha época da Nexus, ouvi umas histórias sobre o primeiro super-herói — comentou agora mais sorridente, deixando Cat curiosa. — Não sei bem o nome dele, só que ele era uma espécie de Capitão América. Alguns acreditavam que ele era o primeiro neo-humano, o que está longe de ser verdade.
— O que ele fazia? — Perguntou com certo fascínio.
— Era um soldado, mas como você já percebeu, não era um soldado qualquer — Fitou a menina que estava com os olhos brilhando. — Diziam que a Nexus começou por causa dele, para irem atrás de pessoas como ele, para ajuda-las.
— Eu acho que não — Cat não acreditava naquilo.
Se fosse verdade, então por que a perseguiam? A Nexus dizia que ajudava neo-humanos, como a Cat. Mas tudo o que haviam feito era matar os pais dela e a perseguirem. Se lembrava dos agentes que haviam ido no hospital. Jones e John, eles pareciam bons, mas a desconfiança da garota questionava aquilo. E tinha o agente que a deixou fugir com Ed uma vez, não sabia se ele era bom ou se só estava fingindo.
— Acredito que no começo eles queriam fazer coisas boas — Ele havia trabalhado na Nexus. No almoxarifado, mas foi o suficiente para conhecer várias pessoas, boas pessoas, que acreditavam no que faziam. — Talvez com o tempo isso tenha desandado.
— Por quê? — Questionou. Tentava entender as ações da Nexus.
— Eu não sei, ganância talvez — sugeriu com certo pesar. — Ou pessoas ruins infiltradas, é difícil saber.
— Esse primeiro herói — A dúvida permeava a cabeça de Cat. — O que aconteceu com ele?
— O que acontece com todo soldado — Ed surpreendeu os dois. — Ou foi para a casa ou morreu.
— Adriano — cumprimentou o amigo novamente. — Fico feliz que tenha vindo se juntar a nós.
— Pensei que estava dormindo — disse para Cat que começou a pensar em uma desculpa para sair dali.
— Eu tinha perdido o sono, mas ele acabou de voltar — Notou os olhares entre Ed e Henry. — Boa noite. — A garota voltou para o quarto o mais depressa possível e deixou os dois ali sozinhos.
— Você e suas histórias de heróis — Ed comentou dando um leve sorriso, apesar de não ter achado aquilo engraçado.
— Você costumava gostar delas — lembrou com certa nostalgia.
— Há cem anos atrás — deu mais um sorriso. Aquilo trazia lembranças que não pensava há algum tempo, lembranças muito boas. — É melhor não ficar contando essas histórias de soldados e super-heróis para a garota.
— São apenas histórias, Adriano — respondeu e recebeu um olhar repreensivo.
— Ela é meio cabeça de vento, pode acabar inventando de dar uma de Pocket Girl — aquilo fez Henry rir.
Ed achava que seria péssimo caso Cat fizesse algo daquele jeito, seria uma maneira de chamar a atenção da Nêmesis e da Nexus ao mesmo tempo.
— E você está a protegendo? — questionou observando a reação do amigo. — Da Nêmesis? Da Nexus? Ou da Felícia?
— O que ela te contou? — Quis saber.
— Não muito, mas entendi que ela não confia na Nexus — lembrou. — E uma "telepata maluca" sequestrou ela. Ou seja, Felícia e Nêmesis.
— Sim, a Felícia veio atrás dela — Falar daquela mulher deixava Ed incomodado. De todas as pessoas ruins que havia conhecido, aquela era a que havia lhe feito mais mal.
— Então a Nêmesis está atrás dela — deduziu. Aquilo não era uma surpresa, afinal, a Nêmesis fazia coisas assim direto.
— A Nêmesis e a Nexus — respondeu deixando o amigo surpreso.
— O que a pobre garota teria feito? — Henry achou aquela história estranha.
— Está mais para algo que os pais dela fizeram — Ed se lembrou do que Cat havia lhe contado. — Ela disse que a Nexus matou os pais dela.
— Mas se eles mataram os pais, o que podem querer com a filha? — Não conseguia entender. — O que ela poderia saber?
— Ela não parece saber muita coisa.
— Então, talvez estejam querendo usa-la como moeda de troca — sugeriu pensando em todas as possibilidades. — Alguma informação que queiram de um parente dela ou de algum amigo da família.
— É, provavelmente — concordou.
— E por que está a ajudando? — perguntou um tanto curioso, o antigo Adriano, o amigo que havia conhecido há muito tempo atrás, faria algo assim, mas Ed, a pessoa que se tornou, não era tão solidário.
— Fui colocado no meio disso e só quero que não termine mal — justificou coçando a cabeça.
— Então, o velho Adriano está de volta? — Tinha esperanças.
Queria que o amigo voltasse a ser como era, a sentir a esperança que costumava ter. Henry acreditava que bem no fundo, Ed ainda era aquele mesmo rapaz que conheceu na Primeira Guerra, que morreria por gás clorídrico se fosse para salvar os amigos.
— Não, esse sou só eu tentando me livrar de uma confusão.
— E ajudando uma garotinha indefesa — lembrou mencionando Cat.
— Ela não é indefesa — lembrou como Cat o empurrou quando ele a descobriu na caminhonete e ela tentou fugir.
— Eu percebi — Em algumas coisas, Cat parecia o antigo Adriano. — Até me lembra alguém.
— Vou voltar para a caminhonete, avise se precisar de alguma coisa — Ed fez um sinal para Henry antes de voltar para o estacionamento e entrar na caminhonete.
Pegou um terço muito velho e começou a orar novamente, quando orava não o fazia para pedir algo, porque não acreditava que se houvesse mesmo um Deus ele tivesse disposto a ajuda-lo. Ele o fazia porque isso o lembrava de pessoas que há muito perdeu, seja por tragédias ou pelo tempo. Era uma maneira de manter as boas lembranças intactas.
No dia seguinte, a luz do sol entrou pela janela de vidro do quarto fazendo com que Cat acordasse. Após isso, ela saiu do quarto e enquanto procurava Ed acabou encontrando Henry que estava usando um avental para cozinhar.
— Bom dia pequena — a cumprimentou sorridente.
— Bom dia — Cat estava um tanto confusa. — O que está fazendo?
— Café da manhã — explicou, pensou que Ed e Cat poderiam estar com fome e queria ter a certeza de que iriam embora de estômago cheio. — Você e o Adriano devem estar com fome.
— É, eu estou — respondeu um pouco tímida. A garota o seguiu até a cozinha onde foi servida com ovos e bacon.
— Não é muito saudável, mas é o que tem no momento — disse. Costumava fazer bolos e doces para o café da manhã, mas dessa vez não teve muito tempo.
— Não tem problema — a menina começou a comer o café da manhã. — Está muito bom. — Disse com a boca cheia.
— Obrigado — riu achando a cena engraçada, achava a simpatia de Cat contagiante. Era uma pessoa com um sorriso alegre, apesar de tudo. — De onde você é mesmo?
— Detroit — A garota não desviava a atenção da comida por um minuto sequer.
— Estive lá nos anos 80 — lembrou com um sorriso. — Bons tempos...
— O que estão fazendo? — Ed perguntou ao ver os dois conversando.
— Fiz café da manhã — explicou pegando uma cadeira para Ed. — Aparentemente, a garota estava com fome.
— Está muito bom — Cat disse com a boca cheia.
— Não vai querer alguma coisa?
— Não estou com fome.
— Não vou deixar que saia de estômago vazio — disse colocando bacon e ovos em um prato. — Você só sai daqui depois que comer tudo.
Henry viu Cat dando uma pequena risada, a garota achava aquilo engraçado, acabava lembrando dos cafés da manhã que tomava com os pais e a irmã. Era a primeira vez que pensava em Lindsay e não ficava triste.
— Ela concorda comigo. — Henry apontou para a menina que tentou conter a risada.
Ed deu um pequeno sorriso para surpresa de Cat, que se perguntou quantas vezes havia o visto sorrir, até que lembrou que fazia muito pouco tempo que se conheciam.
— Só você mesmo... — Ed comentou enquanto comia.
— Alguém tem que lembra-lo que precisa comer para ter energias. — Aquilo parecia uma relação de irmãos, ou pelo menos, foi o que Cat pensou. — Mesmo que isso já esteja se repetindo por cem anos.
— Como vocês se conheceram? — Cat perguntou curiosa.
— Na Primeira Guerra — Henry explicou um pouco nostálgico, o que era estranho, considerando que as condições nas quais eles se conheceram eram péssimas. — Quando transferiram o Adriano e mais alguns soldados para a mesma unidade que a minha.
— Passamos um bom tempo nas trincheiras — Ed completou, ele não gostava tanto das lembranças daquela guerra, porque em boa parte eram ruins. — De longe o pior lugar que eu já morei.
— Acabamos virando amigos — continuou sorrindo. — Então teve uma batalha caótica, de um lado gás clorídrico e do outro tiro. — Cat estava ouvindo atentamente. — O Adriano teve a ideia "brilhante" de desviar os tiros para que tivéssemos tempo para fugir. Se não fosse eu criando um escudo ele teria morrido com o gás. Não ganhamos aquela batalha, mas saímos vivos, bom o Adriano quase morreu. — Riu, apesar de tudo, aquela era uma lembrança um tanto cômica. — Desde então temos sido amigos, mesmo as vezes eu tendo que cuidar dele.
— Como vieram parar nos Estados Unidos?
— Depois da guerra a economia americana estava em alta, precisávamos de um novo lugar para viver — Henry explicou. — E os Estados Unidos parecia perfeito.
— Até que chegou 1929 e tudo mudou — Ed lembrou não muito feliz, aquele havia sido um ano bem difícil.
— O que aconteceu em 1929?
— A Grande Depressão — Henry respondeu não tão feliz. Havia passado por muitas dificuldades por causa da quebra da bolsa em 1929. — Eu e o Adriano perdemos nossos empregos em uma fábrica, assim como um monte de gente. Aí eu fui para o Canadá e ele foi para o Sul.
— E só voltamos a nos ver muitos anos depois.
— Uau — Cat estava impressionada, não imaginava que Ed pudesse ter tantas lembranças.
— Pois é, o passado dos outros é sempre impressionante — Ed terminou. — Agora, acho que já está na hora de irmos.
— Mas já? — Cat e Henry perguntaram juntos, estavam felizes ali, não viram o tempo passar.
— Sim, temos um longo caminho a percorrer até San Diego.
— Ah — Cat resmungou desanimada. Não sabia quando poderia ir a algum lugar assim de novo, onde a tratassem bem e tivesse um lugar confortável para dormir.
— Se é assim — Henry disse um pouco triste, mas entendia que os dois precisavam ser rápidos. — Espero que volte a vir aqui logo. E que eu possa te ver de novo garotinha.
— Sim, um dia eu volto aqui — Cat disse sorrindo. Em todos aqueles meses, Henry, além de Jaime, era uma das poucas pessoas simpáticas que havia conhecido. Havia também a moça da lanchonete que a ajudou. E Ed, que não era simpático, mas por alguma razão estranha estava a ajudando.
— Eu também virei um dia — Ed prometeu então ouviram alguém chamar na recepção.
— É, hora de trabalhar — Henry disse tirando o avental. — Até mais Adriano. Cat.
— Até.
O homem foi até a recepção enquanto Cat e Ed saíram pelos fundos. Ao chegarem na caminhonete. A garota sentou-se no banco do passageiro, enquanto o homem verificava as mercadorias para ter certeza de que estava tudo bem com elas, afinal, depois de ajudar Cat teria que voltar à rotina de sempre. Foi quando Cat viu um carro no estacionamento que lhe chamou a atenção. Era igual ao carro de Felícia. Com medo a garota desceu e foi até Ed que ficou confuso.
— Aconteceu alguma coisa?
— Aquele é o carro daquela telepata maluca — A garota apontou assustada para o carro do outro lado do estacionamento. — Ela está aqui.
— Oh merda.
Enquanto isso, do lado de dentro, Henry foi até a recepção para atender um possível hóspede, mas teve a desagradável surpresa de encontrar Felícia.
— Ah não, não você!
— Ah Henry — deu um sorriso sarcástico. — Velhos amigos não se cumprimentam assim.
— Nunca fomos amigos!
— Que pena — Usou um tom de deboche.
— Se veio pelo Adriano, ele foi embora faz muito tempo — Henry torcia para que Ed e Cat já estivessem bem longe dali.
— Henry, a essa altura deveria saber que não dá para mentir para mim — balançou a cabeça. — Sei que se eu for ao estacionamento, ainda encontrarei eles. De qualquer forma, só passei para falar um oi. Se me der licença, tenho trabalho a fazer. — Felícia tentou sair, mas as portas fecharam-se sozinhas.
— Eu não consegui proteger o Adriano de você antes, mas não vou deixar que faça ainda mais mal a vida dele!
— Quer mesmo essa luta? — Encarou-o nos olhos.
— Só quero que deixe a vida dele.
— Desculpa Henry, eu realmente não queria que acabasse assim — A mulher fechou os olhos e começou a sair sangue pelo nariz de Henry. — Ainda é tempo de voltar atrás. — Tentou negociar, mas Henry estava irredutível, não demorou muito para que ele caísse sem vida.
— Henry! — Ed ficou em choque ao ver o amigo caído.
— Eu pedi que ele colaborasse, mas o teimoso quis começar uma luta.
Cat estava aterrorizada com a cena, alguns minutos antes Henry estava conversando sorridente com ela, tinha feito um amigo, e agora ele estava morto. Ed sentia um misto de tristeza, raiva e descrença. Tristeza pelo amigo, que era quase um irmão, raiva de Felícia, e descrença porque não queria acreditar naquilo. Queria ter ficado mais e ajudado o amigo, pensava que talvez, pudesse tê-lo salvado.
Ele faria Felícia pagar, não só por Henry, mas por todos aqueles que ela levou.
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