HL: Rise
15 Capítulo 15
Notas iniciais
2000
Cecília estava na janela, conseguia ver a movimentação estranha no estacionamento, aquelas pessoas estranhas saindo do carro. Precisava avisar o pai.
Rapidamente, ela saiu do quarto e foi até a recepção, onde encontrou o pai falando no telefone, não demorou para que ele a visse, desligasse o telefone e fosse até ela.
— Aconteceu alguma coisa? — Ed perguntou preocupado.
— Pessoas ruins, papai.
Ambos olharam para a entrada e viram as pessoas do estacionamento entrando ali, indo na direção deles.
— Corre, Cecília!
***
Detroit — 2013
Já era tarde da noite e Caitlyn, ou melhor, Cat, na época com dez anos de idade, ainda estava mexendo no notebook ao invés de estar dormindo, considerando que teria aula no dia seguinte. Entretanto, até aquele momento, os pais ainda não haviam ido até o quarto dar-lhe uma bronca, como costumava acontecer.
Enquanto mexia no notebook, a garota ouviu um barulho estranho vindo do lado de fora, pareciam portas de carro batendo. Curiosa e um pouco preocupada, ela fechou o notebook e foi até a janela tentando descobrir algo, lá, conseguiu avistar carros da Nexus parando na frente da casa.
Ela não teve tempo para pensar nisso, logo, Lindsay entrou no quarto e trancou a porta.
— Cat, arrume suas coisas — Lindsay começou a pegar várias das coisas de Cat e as colocou em uma mochila, deixando-a confusa. — Nós temos que ir.
— O que está acontecendo? — A garota tentou entender, ajudando a irmã a colocar o máximo que conseguia dentro da mochila. Pensou nos carros da Nexus, eles poderiam estar envolvidos naquilo. — Tem a ver com os carros lá fora? O que a Nexus quer?
— Apenas ande logo!
Elas terminaram de colocar as coisas na mochila e saíram do quarto, enquanto desciam as escadas, ouviram barulhos de tiros, elas olharam pelo corrimão e ficaram horrorizadas ao verem os pais mortos, o que causou Cat a gritar e ter de ser arrastada de volta para o quarto pela irmã mais velha, que trancou a porta.
— Cat — Lindsay a chamava tentando trazer a mente da garota de volta, que estava em choque. — Nós precisamos fugir...
***
Dias atuais...
Ed dirigia pela estrada, estavam há um dia de distância de chegarem a San Diego, isso, claro, se tudo desse certo e nenhum imprevisto acontecesse, o que ultimamente estava difícil de evitar.
— Quanto tempo falta? — Cat perguntou impaciente.
— Já disse, um dia — Ed respondeu sem tirar a atenção do volante, mas ele percebeu que Cat bufou frustrada. — Não se preocupe, em um dia não precisará mais me ver, cada um segue seu caminho, exatamente como o combinado.
— Eu sei — Cat mal olhou para ele, a garota tinha muitas dúvidas. Se fosse para o México, ficaria longe demais de Lindsay, e ela sentia que precisava fazer algo, que não poderia deixar a irmã com a Nexus.
Ao mesmo tempo, apesar de ainda sentir um pouco de raiva de Ed por ele deixar a Nexus levar Lindsay, ela simpatizava com ele, talvez por ser uma das poucas pessoas que não estavam tentando matar ela.
***
2013
Zack estava em casa, apenas fazendo alguns preparativos para se mudar. Fazia meses que planejava aquilo e agora estava colocando em prática, se mudaria para Houston, bem ao sul.
De repente, foi surpreendido pela campainha tocando, não fazia ideia de quem poderia ser e não esperava por visitas. Ele abriu a porta e a surpresa apenas aumentou, era Lindsay.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou estranhando aquilo.
— Na verdade sim — A garota entrou e Zack fechou a porta. — A Nexus, Zack, eles mataram os meus pais.
— O quê? — Zack ficou chocado, não esperava aquilo da Nexus. — Tem certeza disso?
— Estavam usando o uniforme com a estrela de oito pontas, então sim, eu tenho certeza — Lindsay confirmou.
— E cadê sua irmã? — questionou, lembrando que Lindsay tinha uma irmã mais nova.
— Ela está em Detroit — respondeu. — A Nexus está atrás de mim, a melhor maneira de eu protegê-la é se eu for para muito longe, para que eles venham atrás de mim.
— E quanto a ela? — Zack questionou.
— É por isso que vim até aqui — A garota suspirou. — Preciso que cuide dela, que leve ela para longe, que a esconda.
— Lindsay...
— Por favor, me prometa que vai cuidar dela.
***
Dias atuais...
Lindsay estava presa naquele lugar há horas, era um lugar pequeno, minúsculo. Tentavam arrancar-lhe informações, mas a garota era forte.
Quando Felícia entrou no local, Lindsay estava sentada no chão, olhando para a única fonte de luz do lugar, um buraco na parede.
— Você e a sua irmã são bem teimosas — Felícia comentou fechando a porta. — Poderiam tornar as coisas mais fáceis apenas cooperando, mas realmente querem lutar.
— Não acho que deixar vocês me matarem seja uma escolha — Lindsay rebateu.
— Assim como fugir não é uma escolha viável para você no momento — Felícia sorriu sarcástica.
— Tem certeza? — Lindsay decidiu desafiar, sabia que era uma péssima ideia, mas já tão tinha medo de mais nada.
— Cuidado — Felícia disse em tom de alerta, embora houvesse ironia em sua voz. — Não vai querer irritar uma telepata.
***
2013
Faziam dois meses que Cat estava naquele abrigo para menores, desde que Lindsay havia sumido. Por causa da recente crise, o lugar passava por dificuldades e pensavam em transferir as crianças, incluindo Cat, para um abrigo de uma cidade próxima.
Naquele dia, a menina estava em um quarto, embora houvesse outras meninas ali ela estava um pouco isolada sem saber o que falar, então apenas observava a conversa, que foi interrompida por uma das funcionárias entrando no recinto.
— Caitlyn — Ela chamou e a menina imediatamente a olhou. — Tem visita para você.
— Quem? — A menina quis saber, mas a mulher não lhe respondeu, apenas a guiou até uma sala. Naquele momento, a pequena havia ficado esperançosa, pensava que poderia ser Lindsay, que ela havia ido busca-la, que as duas iriam embora juntas.
Até arriscou sorrir, mas esse sorriso logo foi desfeito quando ela entrou na sala e ao invés de encontrar Lindsay, encontrou uma desconhecida que usava um terno. A porta foi trancada deixando as duas sozinhas.
— Quem é você? — Cat perguntou estranhando aquilo.
— Meu nome é Grace. Eu vim fazer algumas perguntas sobre os seus pais e espero que possa nos ajudar — Após a mulher dizer aquilo, Cat decidiu se sentar e ouviu a mulher. — Você sabe com o que seus pais trabalhavam?
— Algo sobre papéis — A menina estranhou a pergunta, não entendia porque queriam saber sobre o trabalho dos pais dela, eles estavam mortos.
Os pais nunca falavam sobre trabalho perto dela, nem ao menos comentavam, tudo o que ela via era eles segurando papéis e saindo para fazer ligações do lado de fora, onde ela não escutava nada.
— Eles falavam sobre o trabalho com você?
— Não.
— E com sua irmã?
Cat pensou, nunca havia visto eles falarem sobre o trabalho com nenhum conhecido, nem mesmo com Lindsay, que depois deles, era a responsável em casa.
— Não sei, acho que não.
— Você sabe alguma coisa sobre o paradeiro da sua irmã?
Cat suspirou, olhou para os lados antes voltar a olhar para a mulher.
— Não.
— Ela comentou algo com você, algo estranho?
Cat perguntou-se mentalmente se ainda se referia a Lindsay.
— Não.
A mulher fez mais perguntas, até que Cat, já as estranhando e querendo sair dali, decidiu se manifestar.
— Olha, eu não sei mais nada — A menina olhou para a porta antes de voltar a olhar para Grace. — Você parece ser do governo e o pessoal do governo costuma saber esse tipo de coisas, então você pode simplesmente ver no seu emprego ao invés de me interrogar.
— É tudo o que tem para me dizer?
— Sim.
Assim que Cat respondeu, dois homens armados entraram na sala, deixando-a assustada.
— Podem leva-la — Grace disse indiferente e os homens seguraram Cat e tentaram leva-la, mas ela usou sua super-força nos braços e conseguiu quebrar as mãos dos dois.
Após isso, ela saiu correndo da sala e foi perseguida por mais homens. Ela correu o máximo que pôde até ser atingida por alguma coisa nas costas, ela ficou fraca demais para continuar correndo e acabou caindo, a visão dela foi embaçando até a menina ficar inconsciente.
***
Dias atuais...
Felícia saiu do lugar onde Lindsay estava sendo mantida presa e encontrou com Grace em um corredor, já a espera dela.
— Conseguiu arrancar alguma coisa dela? — Grace questionou.
— Não — suspirou. — A garota é forte.
— Isso poderia já estar tudo resolvido — disse em tom de frustração de olhou para Felícia. — Mas você deixou a mais nova escapar.
— Eu não a deixei escapar — argumentou. — Apenas tornei o trabalho mais fácil, a garota sabe que estamos com a irmã, e como uma boa irmãzinha, vai fazer de tudo para salva-la.
***
Houston — 2016
Depois da Nexus ter levado Cat do abrigo, Zack havia a salvo e a levado para Houston, onde estavam então morando, ele não fazia ideia da vida dupla da garota, que eventualmente, se vestia como Nyx para "salvar as pessoas", seguindo o exemplo de Pocket Girl, a heroína de Nova Iorque, da qual Cat era muito fã.
A garota costumava ter pesadelos de tempos em tempos, não eram muito frequentes, mas sempre a assustavam, e daquela vez não foi diferente.
Zack estava dormindo no próprio quarto quando foi subitamente acordado por gritos. Ficou confuso por algum tempo até retornar à consciência e reconhecer a voz, era Cat.
Rapidamente, ele se levantou e correu para o quarto da menina, cuja porta estava trancada, e os gritos continuavam. Ele batia na porta e tentava abri-la e depois de muito esforço, conseguiu, encontrando a menina chorando na cama.
— Eles mataram a Lindsay — A menina chorava, não olhava para Zack, parecia estar em transe.
Ele se aproximou e sentou-se ao lado dela, tentando arrumar uma maneira de acalma-la.
— Está tudo bem — Ele tentou abraça-la para acalma-la, mas ela se esquivava, nem parecia ouvi-lo.
— Eu quero a minha irmã!
— Está tudo bem com a Lindsay — Segurou Cat, tentando fazê-la voltar a si.
— Então onde ela está? — A garota se soltou. — Por que ela não está aqui?
***
Dias Atuais...
Após horas dirigindo, Ed parou em um posto de gasolina para abastecer e decidiu comprar algum lanche, enquanto Cat continuou dentro da caminhonete, sozinha, ela tinha uma escolha para fazer.
Logo estariam em San Diego, se ela fosse para o México, poderia nunca mais ver a irmã, ou pior, poderia condena-la a morte. Já estava cansada de fugir, queria dar um fim naquilo.
Poucos minutos depois, quando Ed voltou para a caminhonete, percebeu que Cat não estava mais ali, que ela simplesmente havia sumido.
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