HL: Rise
11 Capítulo 11
Ed continuava a dirigir a caminhonete, enquanto Cat levantava um pouco a atadura de tempos em tempos para espiar a queimadura.
— Se continuar fazendo isso ela nunca vai sarar — a repreendeu.
— Quando a queimadura for sua você fala o que quiser — respondeu, então parou de mexer no ferimento e largou o braço. — Quanto tempo falta?
— Para a próxima cidade? Não muito — respondeu sem tirar a atenção do volante.
— Para San Diego — e observou a reação dele.
— Se nenhum problema acontecer, logo chegamos lá — respondeu.
— Esse seu amigo de San Diego...
— Ele não é meu amigo — Ed corrigiu.
— Você pelo menos o conhece? — questionou.
— Não, mas ele tem uma fama — explicou. — Já ouvi histórias sobre ele, com certeza vai te ajudar.
— E se ele não ajudar? — a garota estava desconfiada. — Ou não for confiável.
— Existe mais de uma maneira de passar pela fronteira — respondeu simples.
***
Lindsay estava em um ônibus que ia em direção a cidade vizinha a Wakesha, ela sabia que com a notícia aparecendo em todos os canais, a irmã teria que sair da cidade antes que a Nexus a alcançasse.
Ela também sabia que a Nexus provavelmente deduziria algo do tipo, Lindsay precisava encontrar a irmã antes deles.
***
Ed e Cat pararam em mais uma cidade, o dia havia acabado de amanhecer, as lojas começavam a abrir, várias pessoas se encaminhavam para seus trabalhos. Os dois entraram em uma confeitaria onde Ed comprou uma caixa de donuts, após isso eles saíram de lá, abriram a caixa e começaram a comer os donuts.
— Posso fazer uma pergunta?
— Já fez — Ed a encarou. — Vá em frente.
— Eu sei que San Diego é bem longe de Nova Iorque, mas não tão longe — Ela estava estranhando o caminho escolhido por Ed.
— Eu estou pegando uma rota sem pedágios, por isso demora mais que o normal — explicou.
— Como sabe que não tem nenhum pedágio? — quis saber.
— Porque eu uso essa rota o tempo todo — disse e a garota ficou ainda mais curiosa.
— Por quê?
— Porque eu tenho que ir da fronteira com o Canadá até a fronteira com o México e quero evitar Nexus, Nêmesis e seja lá o que mais existir — respondeu.
— E por que você tem que fazer isso?
— Porque faz parte do meu trabalho — disse simples. — Eu sou um contrabandista e essa é a minha rota.
— Você é um contrabandista? — A garota estava surpresa.
— Por que acha que eu tenho tanta mercadoria na parte de trás da caminhonete? — E Cat percebeu que fazia sentido.
— E por que é um contrabandista?
— É sério que está perguntando isso? — Franziu a sobrancelha. — Eu não sou apenas um neo-humano, eu estou vivo há uns dois séculos. Vivo nesse país faz quase cem anos, antigamente eu arrumava empregos usando documentos falsos. Funcionava, ninguém desconfiava. Até consegui me alistar em dois exércitos diferentes com documentos falsos diferentes. Mas aí a Nexus começou, e também tinha FBI, CIA, NSA, Nêmesis e mais uma galera aí. Eles começaram a ir atrás de neo-humanos, investigando o passado de várias pessoas. Se eu entro em um emprego, logo verão minha documentação, com o tempo, isso chegará a Nexus ou a Nêmesis, que vão fazer uma pesquisa, descobrir quem eu sou e aí, ou a Nexus com toda a sua falsa benevolência vem tentar me ajudar ou alguma dessas merdas que eles inventam, ou então a Nêmesis terá um novo ratinho de laboratório. — respirou fundo. — Essa é uma das merdas sobre envelhecer devagar, com o tempo, não pode dizer quem você é.
— Algumas das duas já te pegou, Nexus ou Nêmesis? — ela viu que Ed não queria responder aquilo, sabia que a resposta era sim para uma das duas. — Você disse que é do Brasil.
— Sim.
— Como chegou nos Estados Unidos? — resolveu mudar de assunto.
— O Henry já te contou, no final da primeira guerra a economia deles estava em alta, sabe, American Dream — contou.
— Mas como vocês chegaram?
— Naquela época não tinha todo esse controle sobre a imigração e tal, o sonho americano estava em alta — explicou. — Perto do final da Primeira Guerra eu e o Henry conhecemos um soldado americano, eu queria sair da França por razões particulares, o Henry estava curioso sobre a terra das oportunidades, ai ele conheceu esse soldado que convenceu ele a vir para cá. Então o Henry me chamou para vir com eles no final da guerra, e quando ela acabou. Adeus França, olá Terra do Tio Sam.
— Tinham muitos imigrantes?
— Quase todos os meus vizinhos não eram americanos — disse. — Se bem que eu morava no lugar onde os imigrantes geralmente iam, então seria estranho se não fosse assim.
— Nunca teve curiosidade em ver a França de novo, ou o Brasil? — quis saber.
— Documentação — disse simples. — Para sair do país preciso disso, e se eu tentar vou ter problemas. Teoricamente sou um cidadão americano por estar aqui desde o fim da Primeira Guerra, mas eu sou um neo-humano de duzentos anos. Se eu tentasse pegar um avião, quanto tempo acha que demoraria para a Nexus chegar até mim?
— Horas?
— Exatamente.
— Mas naquela época já não havia um controle? — ficou confusa.
— Era mais fácil enganar qualquer um que desconfiasse, não dava para controlar a vida de todos — respondeu. — Agora todos têm um registro em algum lugar, o governo sabe tudo sobre você, mesmo se nem morar aqui.
***
O ônibus em que Lindsay estava finalmente chegou a cidade, a garota desceu e assim que saiu da rodoviária, ela se sentou na calçada, precisava pensar sobre o que faria, como procuraria Cat.
Enquanto isso, não muito longe dali, Ed e Cat andavam pelas ruas a caminho da caminhonete, Ed pretendia dirigir o dia todo, quanto mais rápido pudessem chegar a San Diego, melhor. Então uma explosão os assustou e uma correria desgovernada tomou conta do lugar.
— O que foi isso? — Cat estava assustada. Não demorou para que Ed entendesse a situação, Nexus.
— Estão tentando criar uma distração — deduziu. — Vamos! — Os dois correram na direção da caminhonete e não demoraram para chegarem lá. Quando Ed foi abrir uma das portas, Cat avistou a irmã correndo no meio de uma multidão.
— Lindsay? — Ela não conseguia acreditar. — Lindsay! — A garota se afastou de Ed e correu no meio da multidão para encontrar a irmã.
— Cat — Ed entrou na multidão para ir atrás da garota, mas a perdeu de vista.
— Lindsay! — A garota gritou enquanto corria tentando chamar a atenção da irmã. — Lindsay! — Gritou novamente e finalmente a mais velha conseguiu ouvi-la.
— Cat? — Lindsay se virou e viu a irmã perto dali, estava longe demais para toca-la, mas perto o suficiente para conseguir vê-la. Por alguns instantes, parecia que o tempo havia parado, Cat havia crescido, mas ainda dava para reconhecê-la. — Cat. — Antes que conseguisse ir em direção a irmã, uma multidão passou entre elas, impedindo que se vessem.
— Lindsay! — Cat tentou passar pela multidão e vê-la novamente, mas eles acabaram a arrastando.
Por mais forte que a garota fosse, eram muitas pessoas, desesperadas demais. Quando finalmente conseguiu ficar livre e subiu em uma calçada, não conseguia mais ver Lindsay, ou Ed, e também não sabia onde estava. Completamente perdida.
— Oi Caitlyn — Felícia tocou no ombro da garota que pulou assustada para trás. — Você finalmente encontrou a sua irmã, como se sente?
— Fica longe de mim — a garota estava bastante assustada.
— Ei, não quero te assustar — sorriu deixando a garota ainda mais assustada. — Onde você a viu? — A garota permaneceu em silêncio, estava assustada demais para conseguir falar. — Ei. — Tentou colocar a mão novamente no ombro da garota.
— Fica longe de mim! — Ela gritou novamente e deu um soco no nariz de Felícia, em seguida a garota saiu correndo e se misturou novamente no meio da multidão, precisava desaparecer.
Ela continuou correndo e estava sempre olhando para trás, se alguém estava atrás dela. Então viu uma van cheia de roupas perto dali, ela aproveitou a confusão e se escondeu no meio das roupas. Um rapaz fechou a parte de trás da van, entrou na parte da frente e dirigiu a van para longe da confusão.
Enquanto isso, Ed continuava procurando a garota no meio da multidão até que avistou Felícia de longe. Ele se escondeu atrás de um carro antes que ela conseguisse vê-lo e ficou lá por alguns minutos. Então saiu e continuou a procura até ver a garota para a qual Cat havia gritado, aquela deveria ser Lindsay. Com isso, ele foi na direção dela.
— Você é a Lindsay? — Ele perguntou e então segurou no braço dela. — Venha comigo!
— Não — ela se soltou. — Quem é você?
— Meu nome é Ed e eu conheço a sua irmã — disse. — Também sei que a Nexus está atrás de vocês e que eles estão aqui, então venha comigo agora.
— Onde a Cat está? — ela quis saber, então ele avistou Felícia de longe e puxou Lindsay para se esconder com ele atrás de um carro. — O que você está fazendo?
— A mulher de casaco — disse. — Ela é telepata e está com a Nexus.
— Onde está a minha irmã?
— Eu perdi ela no meio da multidão quando ela decidiu correr atrás de você — explicou. — Mas se eles ainda estão aqui, então ainda não a pegaram. Por enquanto. — Esperou para que Felícia sumisse novamente, e então os dois saíram de onde estavam escondidos. — Precisa vir comigo.
— Como sei que está falando a verdade? — ela estava desconfiada.
— Se eu fosse da Nexus, eles já teriam te levado — então percebeu que não era seguro que ficassem ali. — Vamos logo! — Os dois foram na direção da caminhonete e entraram lá. Cat poderia estar em qualquer lugar, e eles precisavam acha-la antes da Nexus. Era uma corrida contra o tempo.
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