Notas iniciais
E olha só quem chegou com capítulo novo o/ Quero agradecer a Marceline pelo comentário ♥ (toda vez que vejo o seu nome eu penso na princesa Marceline :p)

Estavam rodando pela estrada há horas e Cat já estava com fome. Depois de algum tempo, pararam em um restaurante e escolheram o que comer, sentaram-se a uma mesa e fizeram boa parte daquela refeição calados.

— Quanto tempo falta para chegarmos? — a garota quebrou o silêncio.

— Não muito — respondeu simples. E percebeu que a garota tinha mais perguntas. — Vá em frente, pergunte.

— Em que ano você nasceu? — estava curiosa.

— 1806.

— De onde você veio?

— Brasil.

— Por que está me ajudando? — viu o homem permanecer em silêncio por algum tempo.

— Henry iria gostar que eu terminasse isso. — Após isso, Ed permaneceu em silêncio por algum tempo, até que terminaram a refeição e partiram.

***

Base da Nexus

Carl estava na sala de interrogatório um tanto apreensivo. Pensava que provavelmente seria dispensado ou no mínimo, tirado de campo.

— Carl — a agente Grace disse ao entrar na fila. — Precisamos conversar.

— Sim, eu sei.

— Estou aqui apenas para entender as suas ações.

— A garota não queria vir e eu não quis obriga-la.

— A Nêmesis está atrás dessa garota, ela corre um grande perigo lá fora.

— Não acho que ela estaria segura aqui.

— O que? — o agente finalmente tinha percebido o que disse.

— A garota tem muito medo da Nexus, talvez haja uma razão para isso — tentou disfarçar.

— Está fazendo uma acusação muito grave.

— Não estou acusando, é só que... — Estava escolhendo as palavras com muito cuidado. — Talvez devêssemos investigar o que está por trás de tudo isso.

— Talvez esteja certo, Carl — A agente disse. — De qualquer forma, receio que será transferido, o que fez foi imprudente.

— Sim, eu sei — abaixou a cabeça. — Tenho consciência disso e arcarei com as consequências.

— Ótimo — disse. — Vou mandar que cuidem da sua transferência.

Em seguida, a agente saiu da sala e encontrou um agente no corredor.

— Precisaremos apaga-lo?

— Não, vou manda-lo para outra base e o colocar sob vigilância, se vermos que ele é uma ameaça daremos o mesmo fim que demos aos agentes Bennet.

— O garoto de Nova Iorque — Tentava lembrar o nome. — James...

— Jaime — corrigiu. — Não há nada que possamos fazer em relação a ele. Além do garoto ter feito amizade com a Pocket Girl, agora ele está com os Kane e tudo que não precisamos é deles nos investigando.

— Ainda acho que deveríamos comunicar sobre as garotas Bennet para "Ela" — sugeriu. — "Ela" com certeza daria um jeito.

— Não — recusou. — Cuidaremos disso nós mesmos.

— Mas ainda me preocupo — disse receoso. — Agora a Caitlyn está na companhia desse neo-humano, o que sabemos sobre ele além do fato de que tem duzentos anos?

— Houve um incidente dele com a Nêmesis no começo dos anos 2000 — lembrou. — Provavelmente a telepata que o Carl trouxe sabe muito sobre ele.

— Ela não parece confiável.

— Mas pode ser útil.

***

Cat e Ed entraram na loja de conveniência de um posto de gasolina. Enquanto Ed comprou alguns salgados, Cat teve sua atenção chamada para uma revista que tinha a Pocket Girl na capa.

"Pocket Girl e outros Vigilantes"

Curiosa, a garota pegou a revista e a entregou para Ed, que deu uma leve suspirada antes de pagar pelos salgados e pela revista. Em seguida, voltaram para a caminhonete e enquanto Ed dirigia, Cat lia a revista.

"Vigilantes pelo mundo"

"Pocket Girl: a heroína oficial de NY. Dentre seus vários atos heroicos, Pocket Girl salvou o natal no último ano, o que garantiu que ela ganhasse a chave da cidade. Ela está nos corações não apenas dos nova-iorquinos, mas de todo o mundo"

"Trajetória: a primeira aparição da 'Cavalaria' foi em NY junto com a Pocket Girl, depois de algum tempo começou a agir em Vivid City, na Inglaterra."

"Vigilante de Chicago: não se sabe muito sobre ela, apenas que age em Chicago."

"La Bruja: Essa é uma controvérsia, ela causou um incidente em um aeroporto, mas também ajudou e salvou várias pessoas, o debate sobre ela é muito grande, afinal, La Bruja, Amiga ou criminosa? ”

"Nyx: a heroína de Houston atuava regularmente, deduzimos com as imagens tidas dela que sua faixa etária está entre 11 e 13 anos. Mas ela sumiu há vários meses. ”

Aquilo fez a Cat fechar a revista de maneira repentina, a Nyx havia ficado para trás.

— Aconteceu alguma coisa? — Ed estava curioso.

— Nada — disse. — Apenas algo que li.

***

Felícia estava deitada olhando para o teto quando deu um sorriso ao perceber Grace na entrada.

— Creio que ainda não fomos apresentadas — Felícia se levantou a foi até a agente. — Você provavelmente sabe o meu nome, mas eu não sei o seu.

— Eu sou Grace — disse. — Tenho uma proposta para você.

— Sou toda a ouvidos.

— O que acharia de trabalhar para nós?

— Nexus? Desculpa, mas estou mais para vilã do que para Pocket Girl.

— Não é isso — aquilo chamou a atenção da telepata. — Para nós.

— E quem seria esse "nós"? — Estava Interessada.

— Isso eu não posso te contar — respondeu. — Mas saiba que seria muito bem recompensada.

— O que exatamente eu teria que fazer?

— Matar seu amigo Ed, ou seja lá qual for o nome dele — disse. — E trazer a Caitlyn até mim.

***

Cat continuava a ler a revista e Ed conseguiu ver um pouco dela de relance. Não podia desviar a atenção do volante então tudo o que tinha entendido é que era algo relacionado a Pocket Girl.

— É fã dessa Pocket Girl? — Ed ficou curioso.

— Mais ou menos — Cat tinha dúvidas quanto aquilo.

Por mais que gostasse da heroína, ela agora estava com a Nexus e a garota não sabia se a Pocket era tão diferente dos outros agentes da Nexus que havia conhecido. Então Ed parou a caminhonete na frente de um hotel.

— Passaremos a noite aqui e amanhã continuamos. — Os dois desceram e foram até a recepção. — Dois quartos.

— Sim — a atendente entregou duas chaves diferentes para os dois que seguiram caminhos diferentes para seus respectivos quartos.

Quando Cat entrou no quarto, ela trancou a porta. Lá ficou por longas horas, não conseguia dormir. Depois de finalmente perceber que não conseguiria dormir, a garota resolveu olhar pela janela e encontrou dois homens arrastando uma menina desacordada para dentro de uma caminhonete.

Olhavam em volta para checarem se alguém os observava. Com isso, ela se escondeu debaixo da janela. Depois de algum tempo, ela se levantou, olhou novamente e viu os dois homens discutindo fora do carro. Sorrateira, ela deixou o quarto e passou pela recepção sem ser percebida.

Do lado de fora, ela se escondeu atrás de algumas lixeiras e ficou escutando a conversa entre eles.

— Não acho que isso foi uma boa ideia — um disse receoso. — A gente vai acabar se ferrando.

— Cala a boca — gritou. — Precisamos dessa grana então vamos terminar o serviço, ok?

— Eu falei que isso não era uma boa ideia! Ela é uma criança!

— Não teríamos que fazer isso se você não tivesse perdido toda a nossa grana!

— Você vai falar disso até quando? — questionou. — Eu já pedi desculpas.

— Bom, precisamos da grana então você vai ficar quieto e vamos terminar isso logo.

— Isso não vai dar certo — continuava com medo. — Esse tipo de coisa nunca dá certo.

— Ah, pelo amor de deus!

Então os dois ouviram um barulho atrás das lixeiras, Cat sem querer havia escorregado as mãos.

—Ai não, é a policia.

— Que policia, o quê!

— Eu disse que isso não ia dar certo, eu disse!

— Cala a boca — então os dois foram na direção da lixeira e encontraram Cat ali.

— Ah não, ela vai entregar a gente. Eu falei que esse negócio de sequestro não ia dar certo. Eu falei.

— Se você continuar falando, vou ter que te dar um soco.

— Por que estão levando a menina? — a garota os encarou.

— Somos amigos da família e levamos ela para passear — mentiu. — Agora vou levar ela de volta para casa onde os pais vão cuidar dela.

— Vocês pensam que eu sou burra?

— A gente tá ferrado!

— Cala a boca, ela é só uma pirralha — então olhou para Cat. — Saia do nosso caminho e não te machucamos.

— Que engraçado, ia dizer o mesmo para vocês — a garota cerrou os olhos o que fez os outros dois rirem.

Um deles tentou tocar Cat, mas a garota agarrou a mao dele e conseguiu torcer o braço do homem.

— Meu deus! — o outro estava chocado. — Essa garota não é normal, não. — Então Cat derrubou o homem no chão e correu em direção ao carro.

— O que você está fazendo aí? — O homem caído perguntou ao amigo que estava paralisado. — Vai atrás dela!

— Eu não vou lutar com uma neo-humana.

— Pela madrugada — Então levantou. — Eu tenho que fazer tudo aqui! — Então correu atrás da garota e tentou para-la, mas ela se virou e conseguiu dar um chute que o jogou longe.

Após isso, ela continuou correndo até chegar no carro, onde abriu uma porta e pegou a menina que estava ali.

— Parada — o medroso se interpôs entre Cat e o caminho de saída.

— Você quer mesmo tentar me parar? — o encarou.

— Não, mas se eu deixar você levar ela, ele não vai gostar.

— Então, você quer levar uma criança porque o seu amigo quer? — questionou cética.

— Bom, precisamos de grana.

— Um monte de gente precisa de dinheiro e nem por isso todos eles saem sequestrando crianças!

— Eles fariam se tivessem a chance.

— Pela última vez, me deixe passar — continuou o encarando.

— Ei — Ele foi abordado por um desconhecido. — Deixe a garota ir.

— Cala a boca — O outro homem, recuperado, tentou dar um soco no desconhecido, mas ele apenas moveu dois dedos e o homem foi jogado longe, sem nada tocar nele. Mais um neo-humano.

— Ah não — o outro estava assustado.

Quando o desconhecido se aproximou dele, ele saiu correndo. Após isso, ele olhou para Cat, que saiu correndo com a menina no colo em direção ao hotel. Mesmo ele tendo a ajudado, não poderia correr mais nenhum risco. Ao chegar na entrada do hotel, ela encontrou Ed, que procurava por ela.

— O que está fazendo? — ele perguntou confuso quando a viu segurando uma menina, que já estava acordando. Em seguida, o desconhecido se aproximou e Ed logo o reconheceu. — Nikolai?

— Você conhece ele? — Cat estava surpresa.

— O que aconteceu? — A pequena menina no colo de Cat perguntou confusa ao recobrar a consciência.

— Lily — Uma mulher gritou ao vê-la no colo de Cat.

— Mamãe — a menina desceu e correu até a mãe, que a pegou no colo.

— Lily — sorriu emocionada, então voltou a olhar para Cat. — O que pensa que estava fazendo com a minha filha.

— Eu...

— Você a pegou? Eu vou ligar para a polícia!

— Não, ela não pegou — Nikolai interviu. — Dois homens estavam tentando levar ela, mas eu e meu amigo, Edward, achamos isso estranho e resolvemos intervir. Conseguimos tirar a garota deles e pedimos para que ela. — apontou para Cat. — Trouxesse a pequena para cá, onde era seguro.

— Isso é verdade? — Ela olhou para Ed.

— Sim — Ele concordou.

— Ah, me desculpe então — Ela disse olhando para Cat. — É que minha menina desapareceu e eu tinha ficado tão desesperada.

— Está tudo bem — Cat sorriu fraco.

— Eu nem sei como agradecer.

— Eu sei...

— Apenas ficamos felizes em ter ajudado — Ed interrompeu Nikolai.

— Sim — Nikolai sorriu de maneira forçada.

— Mamãe, estou com frio — Lily disse.

— Já estamos indo, Lily — então olhou para os supostos salvadores da filha. — Eu tenho que ir, mas mais uma vez, obrigada.

— Disponha — Ed respondeu.

— É, disponha — Nikolai sorriu de maneira maliciosa, mas logo foi repreendido por Ed, que o deu uma cotovelada fraca. Em seguida, a mulher saiu dali.

— Qual é o seu problema? — Ed perguntou para Cat após a mulher estar longe o suficiente. — Sabe o problema em que teria nos colocado se ela tivesse chamado a polícia?

— Eles estavam levando a menina, eu precisava fazer alguma coisa — justificou.

— Depois eu converso com você — E olhou para Nikolai. — O que você está fazendo aqui?

— E quem é você, afinal? — Cat quis saber.

— Sou o Nikolai, Cat — disse.

— Como sabe o meu nome? — estava surpresa.

— Ele é telepata — Ed explicou.

— Mais um amigo telepata? — Cat não gostava daquilo. — Ele vai tentar me sequestrar que nem a outra?

— Outra? — questionou. — Até a pirralha conhece a tal Felícia e eu não.

— Você ainda não me respondeu — Ed estava impaciente.

— Eu só estava passando por aqui e vi a garota discutindo com um cara sobre ele estar sequestrando uma criança — explicou. — Daí eu decidi intervir e por alguma razão ela fugiu de mim.

— Desculpa se eu estou cansada de telepatas tentando me matar — A garota sorriu de maneira irônica e Nikolai olhou para Ed.

— Gostei dela.

— Vocês podem por favor tentarem não arrumar confusão? — Ed pediu olhando para os dois. — Eu não estou afim de encontrar com a Nexus.

— Porque eles estão tentando matar a garota? — Nikolai apontou para Cat.

— Quer fazer o favor de parar de ler a minha mente? — A garota pediu.

***

Em Houston, Lindsay foi ao endereço que estava nos registros, e ao chegar lá, teve uma surpresa nada agradável. Tudo o que encontrou foram ruínas do que já teria sido uma casa. Parecia de alguma maneira, ter sido queimada em um incêndio, mas já fazia algum tempo.

Preocupada, ela entrou no terreno, após o incêndio, toda a estrutura da casa havia caído e tudo o que restava era praticamente entulho. Ela não conseguia acreditar, em um momento, estava perto de encontrar a irmã e no outro, não fazia ideia se poderia estar viva.

Então, o pé dela pareceu afundar no entulho, assustada ela conseguiu tirar o pé dali, mas não antes de notar que parecia ter pisado em algo de papel. Curiosa, ela se ajoelhou e colocou a mãe dentro do buraco que havia feito com o pé, e assim, conseguiu pegar um papel. Então ela o tirou dali, se levantou e olhou para ver o que era.

Era apenas um desenho. Uma garota de cabelos castanhos vestida como uma super-heroína, provavelmente havia sido feito por Cat. Na qual não fazia ideia de onde poderia estar.