HL: Rise
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Estava naquela estrada novamente. Os agentes seguravam a ela e Zack, ameaçavam atirar no homem se Cat não contasse o que sabia, o problema é que ela não sabia de nada.
— Não, por favor — A garota chorava assustada.
— Te chamo de Caitlyn ou de Catherine? — Grace se aproximou da garota. — Apenas diga o que queremos saber e deixaremos vocês em paz.
— O que querem saber?
— O que você sabia sobre o trabalho dos seus pais?
—Eu já disse, nada — respondeu. — Eles nunca falavam do trabalho.
— Você nunca ouviu eles comentando? — questionou a encarando.
— Não, eles nunca falavam disso quando eu estava por perto — respondeu ainda assustada, apenas queria que aquilo acabasse logo, queria paz.
— Olha, se quiser que te deixemos em paz, você precisa falar a verdade.
— Mas eu juro que estou falando a verdade — A garota queria apenas ir embora dali. Que tudo acabasse. Já não aguentava mais, aquilo já durava anos.
— Ela não sabe nada — um agente constatou e Grace ficou pensativa.
— Mas a irmã sabe, leva ela — ordenou.
Cat tentou se soltar, mas novamente não conseguiu.
— Você mentiu! — A menina gritou acusando.
— Eu disse que os deixaria em paz, não que os deixaria ir — Grace respondeu e se virou para o agente que segurava Zack. — Você já sabe o que fazer.
— Não, por favor! — A garota implorou enquanto chorava.
Ela tentou se soltar novamente, mas não conseguia ser forte o suficiente. Um dos agentes apontou uma arma para a cabeça de Zack e Cat gritava desesperada, já havia perdido os pais, não sabia nada de Lindsay, Zack era sua única família, não poderia perde-lo.
— Atire logo — ordenou. E então, o agente finalmente disparou.
Cat gritou ainda mais e chorou, Zack estava caído, não havia mais vida nele. Tudo o que Cat conseguia fazer era chorar.
— Não — gritava desesperada.
Estava vivendo tudo aquilo de novo. Era um pesadelo sem fim, primeiro os pais, agora Zack.
— Cat — Ouviu uma voz a chamando. Então os agentes desapareceram e Zack estava ao lado dela novamente.
— Zack? — Estava confusa.
— Não é a Nexus. É algo maior — Ele havia dito aquilo para ela antes. Ela ainda não entendia o que aquilo significava. — Precisa olhar para a imagem ao todo. — Então ele desapareceu.
A garota viu um lugar ao longe que lhe parecia familiar, curiosa, ela se aproximou e percebeu que aquele era o hotel de Henry. A garota entrou lá e encontrou as fotos que Henry lhe mostrara antes em cima do balcão.
— Eu encontrei isso na minha época na Nexus — lembrou da voz dele.
— A Nexus jamais faria algo assim — viu o mesmo agente da Nexus de antes, que havia a deixado fugir com o Ed duas vezes. Ele foi baleado e caiu, tudo o que a garota conseguiu fazer foi tapar a boca com as mãos, em choque.
— Eles falam demais — era Felícia. Viu Henry morto ali novamente. Aquela imagem com certeza lhe perturbava bastante.
Assustada, a garota tentou correr pelos corredores, mas uma dor de cabeça aguda lhe invadiu e a fez ficar de joelhos. Então viu Felícia se aproximar.
— Hora de terminarmos isso.
— Não! — Acordou gritando.
Ed, assustado, freou a caminhonete o que causou um arranco que fez Cat se segurar para não ser jogada, ela estava no banco de trás, enquanto Ed estava no volante e Nikolai estava no banco do carona.
— O que foi isso? — Ed perguntou ainda assustado.
— Desculpa... — A garota estava envergonhada, seus pesadelos quase causaram um acidente real.
— Ela teve um pesadelo — Nikolai explicou e Cat praticamente o fuzilou com os olhos, não queria que mais ninguém soubesse de seus pesadelos.
— Quase me matou de susto por causa de um pesadelo? — Viu que a garota não conseguia respondê-lo. — Se sente melhor?
— Sim — respirou fundo. Se sentia envergonhada, confusa, triste, com raiva. Tudo ao mesmo tempo. Sentia que ia vomitar, mas precisava parecer que estava bem. — Desculpa.
— Só não faça isso de novo, ok? — pediu, então a garota concordou com a cabeça.
Ele ligou a caminhonete novamente e voltou a dirigir. Um estranho silêncio invadiu o lugar, tudo o que poderia ser ouvido, além da respiração dos três, era o barulho das rodas e do motor.
— Quem é Zack? — Nikolai perguntou quebrando o silêncio.
— Estava espiando o meu sonho? — A garota não conseguia acreditar naquilo.
— Não é minha culpa se sonha muito alto.
— Nikolai — Ed chamou sem tirar os olhos da estrada. — Deixe a garota em paz.
— Desculpa — disse e encarou a estrada, antes de olhar a garota pelo retrovisor. — Sinto muito por ele, Cat.
A garota apenas lançou um olhar indiferente contra ele, antes de voltar a olhar pela janela, queria evitar ao máximo dormir de novo. De repente, vários carros fecharam a estrada, obrigando Ed a parar o carro.
— O que é agora? — Ed já estava cansado daquilo. Então Cat olhou pela janela e conseguiu ver quem estava nos carros.
— Nexus — ela disse e todos eles conseguiram ver os agentes da Nexus descendo e para o espanto deles, Felícia estava lá. — O que fazemos agora?
— Aquela moça está tentando entrar na cabeça de vocês — Nikolai avisou apontando para Felícia. — É a Felícia?
— Sim — Ed respondeu não muito confortável.
— O que a gente faz? — Cat perguntou novamente.
— Nikolai e eu damos um jeito neles — Ed avisou destravando a porta.
— E eu? — Cat quis saber.
— Você fica aqui — Ed e Nikolai saíram dali deixando Cat inconformada. Ela não aceitava apenas ficar ali, observando tudo. Precisava fazer algo.
Enquanto isso, do lado de fora, Nikolai e Ed foram em direção aos agentes.
— Como nos velhos tempos — Nikolai riu.
— Sim, você estava do outro lado — rebateu.
— Achei que fosse o contrário — Também rebateu e os dois pararam de andar. — A garota não vai querer ficar no carro muito tempo, sabe disso.
— Só preciso que ela fique tempo o suficiente — Ed respondeu e levantou as duas mãos, com isso, os carros começaram a flutuar, assim como as armas dos agentes, então ele fechou a mão esquerda e as armas explodiram no ar. Em seguida, ele abaixou a mão direita e os carros começaram a cair como se fosse uma chuva de carros, o que fez com que os agentes corressem para se proteger, o que não evitou que alguns deles fossem atingidos.
— E eu achava que você estava enferrujado — Nikolai ironizou. Ed movimentou os dois braços fazendo com que os carros saíssem do caminho, em seguida, os dois correram de volta para o veículo e Ed tentou liga-lo, em vão.
— O que é agora — frustrado, bateu as mãos no volante.
— A Felícia está impedindo que você ligue o carro — Nikolai explicou e então mais carros e agentes chegaram. — Foi um bom plano.
— Consegue derruba-la? — Quis saber.
— Eu não sei, ela é bem forte — Os dois saíram novamente do carro e ficaram frente a frente aos agentes e Felícia. Cat tentou sair, mas viu que as portas estavam travadas. — Entendo porque tenha se interessado nela. — Disse olhando para a mulher que estava perto dali.
— Podemos não falar nisso? — pediu. — Eu cuido dos agentes e você da doida.
— Fechado — Nikolai seguiu em direção a Felícia, enquanto Ed usava os poderes para movimentar todos os carros ao mesmo tempo fazendo com que os agentes tivessem que correr para todos os lados. — Então, Felícia?
— Nikolai, certo? — ela deu um sorriso irônico.
— Você sabe o meu nome — debochou.
— Em outra situação... — ela o olhou de cima a baixo. — Não devia ter se metido nisso.
Ela tentou entrar na cabeça dele, mas Nikolai a bloqueou. Então ela usou um impulso telecinético que o jogou longe.
Enquanto isso, dentro do carro, Cat estava inconformada por ter que ficar lá dentro. Então ela conseguiu destravar uma porta e saiu de dentro da caminhonete, ela se aproximou de onde acontecia a luta. Um agente tentou pega-la, mas ela conseguiu vê-lo e empurrou um carro contra ele.
— O que está fazendo aqui? — Ed perguntou ao vê-la.
— Me deixar lá não funcionou da última vez e não vai funcionar agora — ela disse.
— Volta para lá — apontou para a caminhonete.
— Não!
— Volta! — continuava apontando para a caminhonete e ao mesmo tempo tentando manter a confusão entre os agentes.
— Eu não vou voltar para lá! — Se recusava. — Eu quero ajudar!
— Não vai ajudar se levar um tiro.
— Eu não sou frágil — disse. — Pare de me tratar como se eu fosse.
— Não, você é uma pirralha teimosa — Alguns agentes tentaram avançar para cima dos dois, mas Ed moveu um carro que atropelou eles, o que deu uma ideia para Cat. — Volta.
— Cala a boca.
— Eu mandei voltar para lá.
— E eu mandei calar a boca — gritou. — Tive uma ideia.
Enquanto isso, Nikolai lutava com Felícia e estava perdendo. Por mais forte que ele fosse, ela era mais rápida e mais esperta. Ela viu Cat correndo na direção oposta de alguns carros caídos.
— Foi bom enquanto durou, mas tenho trabalho a fazer — Após Felícia dizer aquilo, um impulso telecinético derrubou Nikolai no chão, e então Felícia correu na direção de Cat e um novo impulso telecinético derrubou a menina no chão. — Você atirou em mim. — Encarou a garota que não conseguia se mexer. — Isso não é legal.
— Você matou o Henry, isso também não é legal — A garota rebateu.
Uma faca voou na direção da cabeça de Felícia, que a segurou antes que conseguisse atingi-la, e então ela olhou para Ed.
— Estou decepcionada, Adriano.
De surpresa, um impulso telecinético atingiu Felícia que caiu, atrás dela, Nikolai estava em pé e sentindo-se triunfante. Antes que Felícia pudesse reagir, Cat conseguiu se mexer e a socou de maneira bastante forte na cabeça, deixando-a desorientada, e enfim, a menina se levantou.
— Agora, Ed — Cat gritou.
— Corram, os dois — Ed também gritou.
Então Nikolai leu a mente do amigo e entendeu o plano. Ele e Cat correram para longe dos carros caídos, quando estavam longe o suficiente, Ed movimentou as mãos e usou os poderes dele para fazer os veículos no local, exceto a caminhonete dele, explodirem. Aproveitando a distração, Ed, Cat e Nikolai entraram na caminhonete e logo Ed dirigiu o mais rápido que conseguiu para ir o mais longe possível.
— Você devia ter ficado na caminhonete — Ed repreendeu a garota enquanto dirigia, o tempo todo ele olhava o espelho retrovisor, checando se estavam sendo seguidos.
— Foi o meu plano que nos salvou — a garota lembrou.
— Ainda foi arriscado — ele disse. — A Felícia poderia ter conseguido leva-la.
— Mas ela não conseguiu — rebateu. — Eu não sou estúpida, e nem fraca.
— Eu não estou dizendo que você é — argumentou. — Mas caso não tenha percebido, sua cabeça está a prêmio e agir por impulso não ajuda nem um pouco.
— Eu não teria que agir por impulso se você me deixasse ajudar.
— E como você pode ajudar? — questionou cético. — Hoje demos sorte, amanhã poderá ser ainda mais agentes e outros neo-humanos além da Felícia.
— E como eu ficar aqui poderia ajudar? — a garota não conseguia acreditar.
— Com você no meio da luta tenho que me preocupar em não deixar você ser baleada ou algo do tipo e ao mesmo tempo derrubar agentes.
— Não sei o que é mais preocupante, sua falta de fé em mim, ou o excesso dela em você mesmo — ironizou. — Não preciso que você me proteja.
— Posso falar uma coisa? — Nikolai finalmente interviu. — Já tentaram fazer um plano de antecedência ou trabalharem juntos? Adriano, você já foi um soldado, e a pirralha até que tem talento.
— Cat — corrigiu.
— Cat — repetiu em um tom debochado. — Você tem que parar de fugir de todas as lutas, Adriano. Elas sempre acabam te encontrando de um jeito ou de outro.
— Sou eu quem sempre fujo? — Ed questionou de maneira irônica. — Evitar lutas é uma maneira mais segura de viver.
— Então por que ajudar alguém que está sendo perseguido pela Nexus? — questionou e Cat também ficou curiosa para saber a resposta. Ed respirou fundo e pensou um pouco antes de respondê-lo.
— Façamos um trato, todos ficam calados até chegarmos a alguma cidade próxima e em troca ninguém é jogado para fora — E então sua atenção continuou no volante.
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