HL: Rise
2 Capítulo 2
Notas iniciais
— Para que a fantasia? — Jaime questionou ao ver a fantasia de Darth Vader que Cat segurava.
— Eu vou vender ela — explicou.
— E você sabe para quem vender? — Questionou.
— Sim.
— Quem?
— Uma moça que conheci no parque.
— E você vai simplesmente vender para ela? — Jaime estava desconfiado com aquela história.
— Sim — confirmou. — Por quê?
— Pode ser uma armadilha — alertou.
— Ela é uma cantora, por que faria uma armadilha? — Questionou.
— Pode ser um disfarce.
— Façamos um trato — Cat propôs. — Você vai comigo e se for uma armadilha, você me ajuda.
— O que eu ganho com isso?
— Te dou metade da grana.
— Feito — concordou e então notou que estava escurecendo. — Melhor a gente comer alguma coisa antes de nos escondermos.
— Esconder?
— Sim, de noite é quando ficamos mais vulneráveis — explicou. — Porque é quando enche de gente esquisita e todos aqueles tipos que eu falei.
— E onde você se esconde?
— Em um lugar seguro — respondeu. — E você?
— No primeiro lugar seguro que aparece.
— Ou seja, em qualquer lugar — deduziu.
— É, esse lance das regras ainda é meio novo para mim — respondeu.
— Você tem sorte de ninguém ter te pego ainda — comentou. — Está com fome?
— Sim.
— Eu preciso que me faça um favor.
— Depende de qual seja.
— Tem uma mulher que distribui sopas, ela não gosta de mim e disse que se me visse de novo, ela chamaria a polícia — O garoto explicou. — Mas ela não te conhece.
— Então quer que eu vá lá e pegue uma sopa — deduziu.
— Duas, uma para cada — corrigiu.
— Não acha que ela vai desconfiar se eu pegar duas? — questionou.
— É só você inventar alguma coisa, diga que é para um avô — sugeriu.
— Eu não acho que ela vá acreditar — Cat disse.
— O importante é tentar.
Após isso, eles caminharam até perto do local onde estava sendo servida a sopa quente.
— Agora é com você — Jaime deu um leve empurrão na garota e se afastou.
Cat respirou fundo e entrou na fila. Depois de algum tempo, chegou a vez da menina.
— Eu vou precisar de dois pratos — avisou.
— Posso saber o porquê? — A mulher questionou.
— Um para mim e o outro para o meu avô — mentiu.
— E onde está o seu avô — a mulher estava desconfiada.
— Ele está muito cansado e ai eu vim por ele — mentiu novamente. Mesmo desconfiada, a mulher entregou dois pratos de sopa para Cat.
— Espero que traga o seu avô na próxima — disse.
— Eu vou tentar.
Após isso, Cat se afastou até não estar sendo vista pela mulher e então entregou um dos pratos de sopa para Jaime.
— Eu disse que você conseguiria — Jaime disse ao pegar um prato.
— Eu quase fui pega.
— Então amanhã você pode ir disfarçada de velhinho — sugeriu.
— Para ela desconfiar de novo? — A garota não queria ter que fazer aquilo novamente.
— É melhor do que morrer de fome — O garoto disse enquanto provava a sopa. — Onde a moça que queria a fantasia disse que ia encontrá-la?
— No parque. — Depois, quando terminaram de comer, Cat continuou seguindo Jaime, já que ela não tinha para onde ir. — Para onde você vai?
— Já falei, me esconder — respondeu.
— E onde fica esse lugar?
— Por que quer saber, você vai comigo? — questionou.
— Achei que era para eu ir — respondeu e Jaime respirou fundo, ele não gostava de pessoas o seguindo, mas não podia deixar Cat sozinha.
— Está bem, você pode ir — permitiu.
Os dois continuaram andando até chegarem a um prédio abandonado.
— É aqui? — Cat perguntou em dúvida.
— Sim — Jaime respondeu e os dois entraram no prédio.
— Há quanto tempo está aqui? — Cat encarava o local, era grande, mas bastante empoeirado e velho.
— Algum tempo — Quando eles chegaram no segundo andar, Jaime mostrou algumas redes e entregou uma coberta para Cat. — Quando tiver sono.
— Obrigada — Cat agradeceu. — Não tem medo desse lugar ser mal-assombrado?
— O quê?
— Bom, é um lugar bem antigo...
— Não sou criancinha, não acredito em fantasmas — Jaime afirmou. — O que aconteceu com a sua irmã?
— O quê? — Cat ficou confusa.
— Você falou que não sabe onde ela está — lembrou.
— Eu não sei exatamente — respondeu. — Um dia ela saiu e nunca mais voltou.
— Então, ela te abandonou? — questionou.
— Não, ela nunca me abandonaria — A hipótese de Lindsay tê-la abandonado parecia absurda para Cat. — Provavelmente aconteceu uma coisa muito séria.
— Então, ela morreu? — Jaime questionou novamente.
— Claro que não.
— Então, você não sabe onde ela está, não tem notícias dela, e acha que ela não te abandonou ou morreu? — O garoto não acreditava naquilo.
— A Lindsay é minha família, ela nunca me abandonaria.
— Já vi famílias fazendo coisas piores do que abandonar — Jaime comentou pensativo.
— Por que você fugiu de casa? — A menina decidiu o perguntar, o que fez um silêncio se instalar no local. — Desculpa. — Pediu ao ver que o garoto ficou incomodado com a pergunta.
— Antigamente, eu tinha uma família, com pai e mãe legais — Jaime explicou. — Mas aí a minha mãe morreu, e o meu pai mudou.
— Foi quando fugiu?
— Não — respondeu. — Eu fui morar com os meus avós. Eles eram bem legais. — Jaime sentia falta da época que morava com os avós, talvez porque aquela teria sido a época mais pacífica da vida do garoto. — Mas aí eles morreram e eu fui morar com o meu pai. — Continuou. — Ele no começo estava legal, então ele virou um monstro e eu fugi. — Cat não sabia o que dizer, achava a vida de Jaime tão complicada quanto a dela.
— Eu sinto muito — disse.
— Pelo o quê? Você não fez nada — respondeu.
— Há quanto tempo foi isso?
— Alguns anos atrás.
***
Cat estava no antigo quarto, ela mexia no computador, quando ouviu a voz de Zack a chamando. Ela desceu para a sala, mas não encontrou ninguém lá, foi quando se lembrou de tudo o que aconteceu. Zack não poderia tê-la chamado.
— Zack... — Chamou, mas por um tempo não obteve resposta.
— Cat — dessa vez a voz era de Lindsay.
— Lindsay — a garota correu pela casa, porém não encontrou ninguém. — Alguém?
— Cat — a garota virou e viu Zack ali.
— Zack? — Do nada, ele desapareceu, mais uma voz chamou pela garota, mas essa era difícil de reconhecer. Ela procurava pela origem da voz, mas não conseguia encontrá-la.
— Cat — era Lindsay dessa vez.
— Lindsay? — Cat viu a irmã na porta da casa. Lindsay se virou e andou para o lado de fora. — Lindsay. — Cat correu atrás da irmã, que continuou andando, do lado de fora, a menina viu que a irmã continuava seguindo seu caminho. — Lindsay! — Gritou e continuou indo atrás da mais velha, que parecia ser mais rápida que ela. Finalmente, quando conseguiu alcança-la, Cat tocou no braço da irmã, mas ao fazer isso, foi empurrada ao chão por Lindsay.
— Ela te abandonou? — Uma voz perguntou ao fundo.
— Lindsay? — Então Cat acordou.
Ainda estava de noite, e Jaime dormia quieto no canto dele. Com isso, mesmo com dificuldade, ela fechou os olhos e voltou a dormir.
Dessa vez estava em um lugar que não conhecia. Cat começou a andar por ele, para conseguir achar uma saída, até que viu a irmã lá.
— Lindsay? — A irmã permaneceu em silêncio. Ela não lhe disse nada. — Lindsay! — Cat se aproximou e pegou no braço da irmã, que nem se moveu. — Lindsay por que não quer falar comigo? — Questionou. — Onde esteve? — Lindsay continuava em silêncio. — Por que não voltou? Por que não mandou notícias? — Lindsay nem se movia. — Por que me abandonou? — O silêncio irritou Cat. — Por que não fala comigo? — Algo puxou Cat para o chão, e quando ela caiu, se viu submersa no meio do mar. Tentava lutar contra a corrente, mas essa era mais forte, a puxava para cima e para baixo, Cat não conseguia nadar, não conseguia subir para respirar, e logo ficou sem ar. Então as águas a levaram até as areias de uma praia, onde finalmente conseguiu respirar.
A garota acabou vomitando toda a água que tinha engolido e quando terminou. Viu os pais a olhando.
— Pai? Mãe? — Quando Cat se aproximou, eles desapareceram.
— Peguem ela! — A menina viu a mesma agente que tinha mandado matar Zack.
Assustada, ela começou a correr e foi perseguida por vários agentes da Nexus. Cat se aproximou de algumas paredes de madeira, e estrelas vermelhas estavam pintadas, preenchendo completamente as paredes. Um tiro a atingiu pelas costas e ela caiu. Fechou os olhos por um momento e quando os abriu novamente, ela estava em uma sala estranha. Cat se levantou e viu todo o chão ao redor dela sujo de sangue. Após isso, ela acordou.
Estava novamente no prédio abandonado, Jaime também havia acabado de acordar.
— Você acordou — o garoto disse.
— Bom dia para você também — Cat respondeu coçando os olhos.
— Dormiu bem?
— Eu dormi, é o que importa — Cat disse com certo cansaço na voz. — O que vamos fazer?
— Arrumar um café da manhã — respondeu.
— Eu tenho alguns trocados, acho que dá para comprar alguma coisa — Cat disse.
— A moça que disse que ia comprar a fantasia — Jaime lembrou. — Que horas que ela vai?
— No final da tarde, no parque — respondeu. Os dois saíram e compraram dois cachorros quentes, um para cada.
No final da tarde, como combinado, os dois foram até o parque e viram novamente a apresentação da cantora. Ao final da apresentação, a mulher guardou os instrumentos musicais e se aproximou de Cat.
— Você veio — E a cantora viu Jaime ali. — E trouxe um amiguinho.
— Esse é o Jaime, ele é...
— Sou irmão dela — Jaime interviu.
— Cadê a pessoa que disse que iria querer comprar? — Cat questionou.
— Ela não pôde vir, mas eu estou aqui por ela — respondeu. Jaime notou que havia alguma coisa errada. — Você deve estar muito longe de casa, Caitlyn. — Cat ficou paralisada ao ouvir aquilo, a mulher sabia o nome verdadeiro dela. — Fico feliz que tenha vindo, e que trouxe um amigo, dois é melhor que um.
— Você é da Nexus? — Cat questionou.
— Eu tenho cara de agente da Nexus? — A mulher questionou.
— Traficante — Jaime deduziu.
— Temos um espertinho — Alguns homens armados apareceram e apontaram as armas para Cat e Jaime. — Agora sejam bonzinhos se não quiserem se machucar. — Jaime segurou a mão de Cat e os dois ficaram invisíveis.
Os homens armados colocaram óculos de visão térmica e acertaram um tiro perto de Jaime, que voltou a ficar visível juntamente de Cat.
— Eles podem nos ver — Jaime percebeu.
— E agora?
— Corre — Os dois correram pelo parque enquanto eram perseguidos pelos homens armados.
Eles correram até chegarem em uma grande avenida, onde Jaime quase foi atropelado. Quando o motorista saiu bravo de seu carro, os dois voltaram a correr.
— Eles ainda estão atrás de nós? — Cat perguntou sem folego.
Jaime olhou para trás e viu que os homens ainda corriam atrás deles, até que uma viatura parou ali perto e eles desistiram.
— Acho que não — Os dois pararam de correr. Jaime notou que um dos policiais não paravam de olhar para eles. — Mas agora temos outro problema. — Cat também notou o policial.
Os dois voltaram a correr e o policial pediu reforços pelo rádio antes de correr atrás deles. Eles passaram perto de uma parede com alguns papéis colados e um deles chamou a atenção de Cat, que parou de correr.
— O que você está fazendo pirralha? — Jaime questionou ao ver que Cat parou de correr. Ela olhou o papel e viu uma foto antiga de si mesma, era antiga, mas ainda dava para reconhecê-la.
"Desaparecida"
"Caitlyn Bennet"
"Você a viu?"
— Parados — o policial disse ao alcança-los, ele apontou uma arma para os dois. Jaime segurou na mão de Cat e os dois ficaram invisíveis. O policial pegou o comunicador para pedir reforços novamente. — Preciso de reforços, dois neo-humanos suspeitos.
Perto dali, Jaime e Cat voltaram a ficar visíveis.
— Por que você fez aquilo? — Quando Jaime questionou, Cat entregou o papel para ele. — Desaparecida? Você disse que não tinha pais.
— Não são eles que estão me procurando — disse. — É a Nexus.
— Se você não tem pais, eles te entregariam para a adoção — Jaime deduziu, mas lembrou que Cat tinha uma irmã. — Mas a sua irmã, se ela for maior de idade, faria mais sentido te entregarem para ela. Então é a sua irmã que está atrás de você.
— Não querem me colocar na adoção e nem me entregarem para a minha irmã — Cat disse. — Querem me matar, e querem matar ela também.
— Por quê? — Questionou confuso.
— Eu não sei — respondeu. — Mas mataram os meus pais, mataram o Zack e agora estão atrás de mim!
— Quem é Zack — Jaime se lembrou do que Cat havia lhe contado antes, sobre o carinha que havia cuidado dela. — É aquele carinha, que você disse que cuidou de você? — Então, Jaime viu mais policiais indo na direção deles. — Eles não desistem. — Cat viu os policiais indo na direção deles, Jaime novamente segurou a mão de Cat e os dois ficaram invisíveis.
Os dois correram para dentro de um restaurante e acabaram derrubando alguns clientes e algumas mesas, como estavam invisíveis, todos ali estavam confusos tentando entender o que estava acontecendo.
Os dois conseguiram sair pelos fundos e voltaram a ficar visíveis.
— Eles não vão demorar para chegar — Cat estava com medo. — O que fazemos? — Jaime olhou uma caminhonete que estava ali e teve uma ideia.
— A placa diz San Diego, provavelmente vai para lá — Jaime disse.
— Então vamos sair da cidade? — Cat achou aquilo estranho. — Como?
— Não, não nós — o garoto deixou a amiga confusa com aquilo. — Você se esconde na parte de trás da caminhonete, eu distraio os policiais.
— Mas, isso não é certo — Cat tinha sérios problemas com aquela ideia. — Tem outro jeito. Tem que ter!
— Olha, eu faço eles irem atrás de mim e você vai para bem longe — Jaime explicou. — Não vão poder te achar, nem a polícia, nem a Nexus.
— Mas, e você? — Cat questionou preocupada.
— Eu já tô acostumado — Jaime respondeu.
— Mas... Isso não é certo — Cat disse.
— Olha, a polícia viu que você é a menina do cartaz — Jaime lembrou. — Provavelmente logo a Nexus vai saber também, você precisa ir.
— Jaime...
— Não temos muito tempo — Jaime ajudou Cat a se esconder na parte de trás da caminhonete, havia uma lona lá que a cobria e impedia que pudessem vê-la.
Enquanto isso, dentro do restaurante, um homem com idade próxima aos quarenta, se aproximou do dono do restaurante que estava ajudando a arrumar a bagunça.
— O que aconteceu por aqui? — O homem perguntou um pouco confuso.
— Eu não sei — O velho dono respondeu confuso.
— Parece ter sido uma bagunça — O homem ajudou o velho a levantar algumas das mesas.
— E então Ed, como andam os negócios? — Perguntou curioso. — Soube de alguns problemas em San Diego.
— Uma confusão lá que não entendi direito — respondeu. — Mas meus negócios estão bem.
— Para onde vai agora?
— O mesmo de sempre, vou até a fronteira, depois volto pelo país — Ed respondeu.
— Deveria se estabelecer de vez em Nova Iorque — aconselhou. — Ouvi alguns rumores preocupantes sobre traficantes de neo-humanos e Nêmesis.
— Sempre tem alguma coisa — Ed respondeu. — Mas preciso de dinheiro, então, haja o que houver, tenho que fazer o que faço sempre.
— Sabe que eu te daria um emprego aqui no restaurante — disse. — É meu amigo há anos, desde antes de se chamar Ed.
— É melhor assim — argumentou e um policial entrou ali.
— Senhor, viu dois jovens neo-humanos?
— Como eles são? — O velho questionou.
— São adolescentes, a menina é mais baixa que ele — O policial informou. — Um deles fica invisível.
— Não me lembro de ter visto ninguém assim, mas aconteceram umas coisas estranhas aqui — informou. — As mesas caíram, alguns clientes disseram que uma força invisível os empurrou.
— Obrigado pela informação senhor, qualquer coisa que se lembrar nos avise — logo em seguida o policial saiu do restaurante.
— Neo-Humanos, faz sentido — Ed comentou.
— Eles me lembram alguém — O velho riu.
— Com certeza lembram — Ed também riu. — Agora tenho que ir.
— Tem alguma previsão de quando vai passar de novo por Nova Iorque? — O velho quis saber, ele se preocupava com o amigo.
— Não, mas se tudo der certo, logo — Ed saiu do restaurante, entrou na caminhonete, deu a partida e logo foi embora.
***
Jaime entrou no prédio cansado. Aquele havia sido um longo dia, ele torcia para que Cat estivesse bem, onde quer que ela estivesse. De repente, o garoto começou a ouvir barulhos estranhos. Pareciam passos, o que era estranho, já que ele estava sozinho, ou pelo menos, assim pensava.
— Tem alguém aí?
Ninguém respondeu. E nem responderia.
No prédio, oculta pela mesma habilidade de Jaime, uma agente da Nexus se esgueirava pelo local, aproximando-se do rapaz, embora desejasse dar um susto no garoto antes.
— Cat é você? Como conseguiu voltar?
Mantendo o silêncio como resposta, a agente jogou alguns jornais velhos para o alto e enroscou uma corrente na mão, fazendo-a ficar invisível também, enquanto a arrastava pelo chão.
— Cat, isso não tem graça, eu não vou cair nessa de prédio mal-assombrado. — O garoto estava assustado, mas tentava não parecer assim. — Você é doida de voltar assim? Se eles te pegam?
— Ninguém vai pegar ninguém, pirralho. Nós precisamos conversar. — Ela falou, jogando a corrente ao lado de Jaime.
— Quem está ai? — questionou.
— Sou eu. Sua amiga. — Ela zombou, aproximando-se dele. — Vim para brincar.
— Não sou criança, não gosto de brincar — disse dando dois passos para trás.
— Ei, ei! Eu não quero assustar você. — A agente riu baixinho, desativado a invisibilidade com um toque em suas luvas especiais.
Ela ergueu as mãos, mostrando que não queria brigas. A agente tinha a estatura baixa, cabelos e olhos castanhos, e usava um macacão preto e curto, com uma estrela de oito pontas no peito, símbolo da Nexus. Também usava uma máscara que tampava sua boca e nariz.
— Eu sou a Pocket Girl, agente da Nexus. Estou aqui para ajudar você.
Com isso, foi a vez de Jaime ficar invisível, por mais simpática que a Pocket parecesse, ela era da Nexus, o garoto não confiava em ninguém que fosse da Nexus.
— Jaime, não... Não faça isso! — Suspirou, tocando a orelha para tirar o comunicador. — Eu sei como você se sente. Acredite, eu fugi da Nexus por vinte anos! Mas ninguém vai machucar você ou sua amiga. Converse comigo. Só eu e você. — Com isso, jogou o aparelho no chão, pisando em cima dele. Apesar de ainda estar em dúvida, Jaime voltou ao estado visível.
— Como sabe o meu nome?
— Seu pai está procurando por você! Não exatamente, mas ele deu parte do seu desaparecimento quando você fugiu. — Explicou, cruzando os braços. — Houve uma movimentação de Neo-humanos por essa região e capturaram sua imagem por uma câmera de vigilância. Sabe, não é seguro um garotinho ficar por aí, sozinho. Você precisa de cuidados, escola... Um lar.
— Não sou um garotinho, e não preciso de nada disso — também cruzou os braços. — E também não preciso do meu... — O garoto não sabia como dizer pai, não o considerava assim, sempre o viu como um monstro. — Eu não preciso dele, nem de ninguém.
— Eu não sei o que ele fez, Jaime. Mas, sim. Você precisa disso. Qual o seu futuro aqui? Vai continuar roubando aquela velhinha todo dia oito? Ou vai continuar roubando comida no restaurante? Aliás, hoje você está com fome, não é? O restaurante não funciona nesse dia. — Ela suspirou, estendendo a mão. — Por favor, Jaime. Além de agente e heroína, eu sou professora. Me corta o coração ver alguém como você assim, sozinho no mundo. Deixe-me te ajudar.
— Ajudar? Como ajudaram a Cat? — questionou. — Não preciso de ajuda, não preciso de você, não preciso de ninguém!
— Cat? É a Nyx, sua amiga? — Questionou. — Uma amiga minha a conheceu e pessoas muito ruins estão atrás dela. Se você quer ajudá-la precisa confiar em mim! Precisa da minha ajuda! — Se aproximou, ainda com a mão estendida.
— Ela disse que a Nexus estava atrás dela, que mataram os pais dela — respondeu. — Você é da Nexus.
— Eu não posso dizer que a Nexus não erra ou que, talvez, os pais dela não tenham merecido. Eu não tenho um nível alto para conhecer alguns casos. Mas hoje, aqui e agora, eu estou aqui para ajudar vocês. — Suspirou, antes de tirar a máscara, revelando seu rosto para a garoto. — Me chamo Alice. Lice, para os amigos. Sabe o quanto eu estou me arriscando com esse gesto, apenas para que confie em mim?
— O que você quer? — Deu mais dois passos para trás.
— Eu já disse. Eu quero ajudar você a ter uma vida melhor! Você tem poderes! Pode ser um herói, ajudar pessoas, assim como eu faço. — sorriu. — Confie em mim. Só quero o melhor para você.
— Mas eu mal conheço você.
— Eu sei! Eu... Você é bem espertinho. — Ela riu, levando as mãos até a cintura. — Bem, eu sou a Pocket Girl! Qual é, nunca ouviu falar de mim?
— Você é um dos heróis — disse. — Geralmente os heróis não gostam de mim.
— Por que você é um ladrão? Relaxa. Eu também fui. Por isso sei distinguir tão bem os que merecem ir para a prisão e os que merecem uma segunda chance. — Assentiu, sentando em uma lata velha de tinta. — Você não vai aceitar meu convite, não é?
— Não faço o tipo heroico — respondeu.
— Eu entendo, mas não posso desistir de você. Obriga-lo não é uma opção. Mas sabe qual o procedimento padrão?
— Me colocar em uma prisão?
— Nop. Devolvê-lo para o seu pai e conter seus poderes. — Ergueu as sobrancelhas, observando sua reação. — Mas hoje é seu dia de sorte.
— Como assim?
— Eu sei como é ter um pai que não merece esse nome. Seja qual for o motivo pelo qual você fugiu, não vou entregá-lo. — Levantou-se, entregando para ele um cartão. — Outras pessoas podem te procurar e não serão tão amigáveis e compreensivas se você resistir. Mantenha-se escondido e seguro, e me ligue se precisar de ajuda, um lugar para ficar ou uma amiga apenas.
— Obrigado — o garoto estava bastante confuso. — Alice.
— Agradeça pensando no assunto. Converse com sua amiga também. Quero ver os dois na escola, buscando uma vida melhor. — Ela sorriu, arriscando colocar a mão no ombro do garoto um pouco maior do que ela. — Eu vou voltar quando puder. Se você estiver por aqui, o que eu duvido muito, conversamos mais um pouco.
— Ela foi embora, deve estar bem longe.
— Não precisa mentir, Jaime. Sei que quer proteger sua amiga. — Alice suspirou, colocando a máscara. — Saiba que pode contar comigo, garoto. Fique tranquilo.
— Certo.
***
Lindsay estava em uma fila para entrar no ônibus em uma rodoviária. Ela tinha muitos documentos falsos com ela, não podia se dar ao luxo de ser pega pela Nexus.
Logo ela entrou no ônibus e se sentou em uma das poltronas, que ficava do lado da janela. Ela se perguntava como Cat estaria, se ela tinha mudado muito, fazia quatro anos que não via a irmã, sabia que a menina provavelmente deveria ter crescido pelo menos um pouco. Talvez tivesse dificuldades de se lembrar da irmã mais velha.
Lindsay sabia que jamais deveria ter deixado Cat, e esperava que a irmãzinha estivesse bem, que estivesse segura. Provavelmente ela estaria com Zack, que deveria estar cuidando bem dela. Pelo menos, assim ela esperava.
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