Notas iniciais
E quem é vivo sempre aparece XD Desculpem a demora, espero que o capítulo de hoje compense todo esse tempo

Cat continuava escondida debaixo da lona. Se perguntava se estava longe de Nova Iorque. Ela queria voltar, ver como Jaime estava. Embaixo da lona estava muito quente e muito sufocante, a menina começou a procurar uma saída de ar, qualquer coisa que a ajudasse a respirar melhor.

Ela conseguiu encontrar um buraco por onde conseguiu respirar, a caminhonete passou por um buraco e Cat acabou batendo a cabeça, aquilo havia doído, mas ela ficou em silêncio, para não chamar a atenção. Ed, que estava dirigindo, ficou preocupado com a carga e decidiu parar a caminhonete no acostamento para ver se estava tudo certo com as mercadorias.

Ele desceu, foi até a parte de trás da caminhonete, tirou a lona e acabou encontrando Cat ali, que assustada, se encolheu em um canto, a menina viu toda a sua vida passar, pensou que ou morreria ali, ou seria levada até a polícia, o que no final acabaria em Nexus, de qualquer maneira, estava ferrada.

— O que está fazendo aí? — Cat permaneceu em silêncio assustada. E se ele a matasse? E se a entregasse para a polícia? Ou para a Nexus? — Responde pirralha! — Ele segurou no braço dela, que reagiu o empurrando, logo ele percebeu que ela era forte demais para uma menina do tamanho dela.

Cat pulou da caminhonete e saiu correndo, porém, algo de metal agarrou-se na perna dela e a garota começou a ser arrastada, a menina olhou para o homem e percebeu que ele estava fazendo aquilo, ele também era neo-humano. Quando Cat estava perto o suficiente, Ed fez com que o objeto soltasse a garota, que conseguiu se levantar.

— Você é um dos neo-humanos que aquele policial estava procurando — ele deduziu que ela provavelmente havia se escondido ali para fugir da polícia. — A que fica invisível? Não, provavelmente deve ser o outro garoto. — Cat continuou calada. — Você é muda?

— Não — continuava assustada, ela havia sido pega e não tinha para onde ir, para piorar, um neo-humano, que poderia matá-la ali, naquele momento.

— Está fugindo de alguém — Ed tirou o chapéu e coçou os olhos. — Nêmesis?

— Não é da sua conta — disse ríspida.

— Realmente não é — o homem colocou o chapéu de volta e bufou antes de continuar. — Mas você estava na parte de trás da minha caminhonete, no meio das minhas mercadorias, então acho que pelo menos tenho o direito de saber o seu nome.

— Cat.

— Os seus pais sabem que você está pegando carona na caminhonete dos outros? — Questionou cruzando os braços e sendo um tanto sarcástico, ele sabia que a menina provavelmente nem tinha pais, ou que eles deveriam ser muito ruins, estava a testando.

— Eles não estão vivos para saber.

— Para onde pretendia ir?

— Qualquer lugar.

— Nunca diga isso para um desconhecido. Especialmente quando você é um neo-humano fugindo. — Ed começou a pensar. Não havia uma alma viva em quilômetros, se deixasse Cat sozinha ali ou ela morreria ou seria encontrada por quem não queria. — Eu não devia fazer isso, mas vou te levar até a cidade mais próxima. — Descruzou os braços. — Lá você desce e não será mais problema meu, certo? — A garota ficou em silêncio pensando se devia mesmo ir, ela havia acabado de conhecer Ed e ele a assustava, mas não parecia ter muita escolha. — Se eu quisesse te matar não teria me dado ao trabalho de perguntar seu nome, mas se quiser ficar, respeitarei completamente sua escolha.

— Eu vou — decidiu.

Ed cobriu as mercadorias com a lona novamente e deixou a garota ir na frente com ele. Enquanto ele dirigia, Cat ficou em silêncio por algum tempo e pensou, ele sabia o nome dela, talvez ela devesse saber o dele, para o caso dele tentar matá-la.

— Qual o seu nome?

— Ed — Estava mais preocupado em prestar atenção ao volante do que na menina ali do lado.

— Só Ed? — Questionou, mas ele continuou em silêncio. — Certo.

Ed continuou dirigindo em silêncio, enquanto Cat olhava pela janela, imaginando quanto tempo faltava para chegarem a cidade mais próxima. O veículo passou perto de um ônibus que tomava um caminho diferente. Depois de horas, aquele ônibus parou em uma rodoviária, ainda não havia chegado a seu destino final. Os passageiros desceram para poderem tomar água, ir ao banheiro ou lancharem alguma coisa.

Lindsay também desceu do ônibus e comprou um lanche. Logo estaria em Detroit, por onde começaria a busca.

***

Depois de horas. Finalmente a caminhonete parou perto de uma lanchonete em uma cidadezinha, com isso, Cat e Ed desceram.

— Chegamos — Ed disse aliviado por finalmente não estar mais com a responsabilidade de cuidar de Cat, ele não sabia porque estavam atrás dela, ou quem estava, mas sabia que tinha se arriscado demais ajudando ela. — Agora não é mais problema meu.

— Obrigada — se forçou a agradecer, mesmo Ed não sendo nada simpático, ele havia a ajudado. Ed pegou 20 dólares no bolso e entregou para a garota, que estranhou.

— Fique longe de confusão.

Os dois se afastaram um do outro. Ed entrou na lanchonete, e Cat, como estava com fome, decidiu entrar lá também, mas enquanto Ed sentou no balcão, Cat sentou-se em uma mesa um tanto longe.

— O que vai querer? — Uma garçonete sorriu simpática para a menina que estava em dúvida sobre o que pedir.

— Não sei bem — ela olhou o cardápio e aquilo apenas aumentou a dúvida.

— Posso sugerir algo? — A garçonete pegou o cardápio e apontou para um especial de hambúrguer com fritas. — É um clássico, mas acho que vai gostar.

— Então, acho que vou querer isso — a mulher anotou o pedido e se afastou da mesa de Cat.

— Ed — o atendente no balcão o abordou. — Quanto tempo!

— Fred — Ed deu um sorriso. — Como vai a Rosa? — Cat viu aquilo de longe e estranhou a simpatia de Ed.

— Ela vai para a faculdade — o atendente respondeu com um grande sorriso orgulhoso.

— Harvard? A que ela queria?

— Essa mesma — Fred pegou um bloco de papel. — Vai pedir alguma coisa?

— O de sempre — ao ouvir aquilo, Fred pegou uma cerveja para Ed.

— Não deveria beber tanto — aconselhou preocupado.

— Se eu não fizer isso, não haverá muito que posso fazer — respondeu enquanto abria a garrafa.

— Devia pelo menos comer alguma coisa — Fred ficou encarando Ed. — Não sei como seu fígado aguenta.

— Ele já passou por coisa pior — Ed deu um sorriso e tomou a cerveja. — Mas se insiste, eu vou querer aquele especial de carne que vocês costumam fazer. — Fred anotou e foi até a cozinha. Perto dali a garçonete foi até a mesa de Cat com o pedido dela.

— Aqui está — ela deixou a bandeja com um sorriso no rosto.

— Obrigada — Cat sorriu de volta para parecer simpática. A garota começou a comer o lanche dela enquanto no balcão, Ed continuava a conversar com Fred.

— Sabe, as vezes eu te invejo — Fred comentou.

— Não sei por que — Ed tomou mais um gole da cerveja. — Você tem uma família, um emprego estável, um lar perfeito, amigos fiéis, você tem tudo o que alguém iria querer.

— Ah, está falando sério? — questionou cético. — Você está sempre viajando por aí, devem ser tantas aventuras. Eu queria largar tudo e fazer mesmo, mas sabe como é. Estou preso demais para isso.

— Vou te dar um conselho, de um homem que já teve tudo, para outro que tem tudo — Ed largou a cerveja em cima do balcão. — Olhe a sua volta, sua vida é perfeita.

— Aqui está — uma mulher deixou o prato especial de carne para Ed. — Bom apetite, Ed. — Ela sorriu para ele, antes de voltar para a cozinha.

— Ela gosta de você — Fred comentou em tom de brincadeira.

— Então ela é muito sem sorte — Ed começou a comer a carne.

— Devia dar uma chance para ela — aconselhou. — Ela até que é bonita, e é legal.

— O que significa que ela merece alguém muito melhor.

— Ah Ed, eu realmente não te entendo — ele se afastou dali para atender outro cliente. Um homem entrou na lanchonete e sentou-se ao lado de Ed.

— Adrien — disse.

— Hector — não estava nada entusiasmado com aquilo. — Pensei que estava em Houston.

— Tive alguns problemas por lá — fez uma expressão não muito amigável ao lembrar-se da "pirralha Nyx".

— Espero que não traga os seus problemas para cá — disse tomando mais um gole de cerveja.

— Você já foi mais bem-humorado — riu.

— E você já foi promissor — Ed devolveu. — Seu pai ficaria decepcionado em ver o que você se tornou.

— Cuidado ancião — Hector cruzou os braços e Cat o viu de longe. — Vai acabar entregando a idade.

A garota não podia mudar de forma ali ou acabaria chamando muita atenção. Assustada, ela se levantou e foi até a garçonete que havia a atendido antes.

— Quanto deu tudo? — A garota estava visivelmente nervosa e as mãos que tremiam involuntariamente denunciavam isso.

— Desculpa, você tem que pagar no balcão.

— Eu não posso — Cat olhou para Hector, que estava distraído demais para nota-la, e então ela voltou a olhar para a garçonete, que notou o que estava acontecendo.

— O encrenqueiro — Se referiu a Hector que já havia arrumado confusão por ali. — Ele fez alguma coisa com você?

— Eu preciso muito ir embora — o desespero ficava cada mais evidente.

— Se quiser posso chamar a polícia.

— Não — Cat sabia que se chamassem a polícia, logo a Nexus estaria ali atrás dela. — Só quero saber quanto eu tenho que pagar pelo lanche.

— Eu não devia fazer isso, mas vou deixar por conta da casa.

— Sério? — Arqueou a sobrancelha confusa. — Isso não vai dar problema para você?

— Depois eu acerto isso — A garçonete olhou para Hector e voltou a olhar para Cat. — Acho melhor você sair pelos fundos. — As duas saíram pelos fundos e Hector as viu.

— Pirralha Nyx.

— O que disse? — Fred perguntou confuso enquanto limpava o balcão.

— Nada.

— Vai querer alguma coisa? — Fred não gostava da presença de Hector ali.

— Não estou mais com fome — Hector saiu do restaurante ao mesmo tempo em que um homem entrou e sentou-se ao lado de Ed.

— Graças a Deus o encrenqueiro foi embora — Fred disse ao terminar de limpar o balcão e olhou para o desconhecido que havia acabado de entrar. — O que vai querer?

— Estou aqui a trabalho — O homem mostrou um distintivo da Nexus e Ed olhou de lado, não gostava muito dos agentes da Nexus, apesar de preferir eles do que os da Nêmesis. — Estou procurando uma garota desaparecida. — Ele mostrou uma foto de Cat, Ed viu aquilo e logo a reconheceu. Ele olhou em volta e viu que a menina não estava mais ali.

— Me parece familiar, mas acho que não vi — Fred se afastou para atender outro cliente e Ed não conseguia parar de olhar para a foto, o que chamou a atenção do agente.

— E você? — Se dirigiu a Ed, que ficou confuso por um momento.

— Não me lembro de ter visto ela — Terminou de beber a sua cerveja e levantou-se para ir embora.

— Alguns neo-humanos reagem assim ao nos ver — O homem também se levantou. — Como se fossemos do mal ou algo assim, mas não há verdade nisso. Ajudamos pessoas como você, Ed, ou melhor, Adrien.

— Não quero confusão — Ed disse.

— E eu só quero ajudar aquela garota, para que nada de ruim aconteça com ela.

— Já disse que não a vi — respondeu. — Mas se me der licença, estou atrasado. — Ed se dirigiu a saída.

— Sei o que aconteceu com a sua filha — Aquilo fez Ed parar e voltar até o agente.

— E onde vocês estavam quando isso aconteceu? — Perguntou com uma expressão sombria.

— Tentamos ajudar o máximo de pessoas que conseguimos — argumentou.

— Sim, e não me importo com isso — Ed saiu da lanchonete e quando chegou na rua, olhou em volta para ver se encontrava Cat. Em um primeiro momento, nada, mas logo conseguiu escutar a voz dela.

— Me deixe em paz — A menina gritou correndo de Hector, que parou ao ver Ed, que se colocou entre eles.

— Deixe a pirralha em paz!

— Sai da frente, Adrien! — Hector ameaçou fechando os punhos.

— Não quero ter que pedir de novo — Ed também fechou os punhos. — O que quer com a garota?

— Essa pirralha me arruinou — aquilo deixou Cat com raiva.

Para ela, Zack nunca teria sido morto de não fosse por Hector. Ela tentou avançar na direção dele, mas foi contida por Ed, que a segurou.

— Sua vida já estava arruinada antes mesmo dessa garota nascer — lembrou. — Agora vá embora ou esquecerei a consideração que tenho pelo seu pai.

Hector pensou por um momento e olhou para Cat.

— Isso ainda não acabou — disse antes de ir embora, Ed olhou para Cat que estava um pouco confusa, ela não entendia o porquê do Hector simplesmente ter feito o que Ed disse.

— Obrigada — agradeceu a contragosto.

— Por que a Nexus está atrás de você? — Cruzou os braços.

— Como sabe disso? — Cat não se lembrava de ter contado isso para ele.

— Um agente apareceu atrás de você — aquilo fez Cat deduzir que o agente da Nexus provavelmente estava ali perto.

— Merda — E então os dois viram o agente da Nexus indo atrás deles.

— Não sai daqui! — Ed foi em direção ao agente.

— Preciso que entregue a garota.

— Não posso fazer isso — disse balançando a cabeça.

— A não ser que seja algum parente dela, não pode me impedir.

— A garota está fugindo, com medo — avisou. — Não posso entregar ela para vocês.

— Estamos tentando proteger ela.

— E quem me garante que não estão caçando ela? — Cruzou os braços.

— Não somos a Nêmesis.

— As vezes são muito parecidos — comentou. — Não vou entregar a garota, ela não vai querer ir com você. Quer mesmo começar uma luta com dois neo-humanos?

— As coisas vão ficar muito ruins se eu chamar reforços — alertou.

— Você quer mesmo o bem dela? — questionou. — Como acha que levando ela para um lugar desconhecido pode ajudar?

— Nós vamos protegê-la.

— Mesmo? — Continuava cético. — No entanto, ela está com medo da Nexus. Acha isso infundado?

— Ela é órfã, é normal que esteja assustada.

— Não vejo órfãos assustados fugindo como ela foge — descruzou os braços. — Acha mesmo que não tem nada errado nisso? — Aquilo fez o agente ficar pensativo.

— Terei problemas com meus superiores se simplesmente deixa-la com você.

— Nunca mentiu em um relatório antes?

O agente respirou fundo.

— Vá logo, antes que eu me arrependa.

Ed foi até Cat, que continuava no lugar em que ele a deixou. Ela estranhou ao ver o agente indo embora.

— O que disse para ele? — A garota estava desconfiada.

— Preciso que venha comigo — Ed disse indo em direção a caminhonete.

— Onde? — Cat continuou parada.

— Para um lugar seguro.

— Eu não vou com você — ela se recusou, pois mal conhecia Ed.

— Garota — ele respirou fundo antes de continuar. — Aquele era apenas um agente da Nexus, provavelmente virão mais atrás de você e eu sei que não serão tão compreensivos. Então ou venha comigo ou fique aqui para o próximo agente, a escolha é sua. — Depois de pensar um pouco, Cat decidiu ir com Ed.

***

O dia havia acabado de escurecer. Jaime havia saído de seu novo esconderijo para conseguir comida. Agora as coisas seriam mais difíceis do que antes, já que provavelmente a Nexus estava o procurando. No meio do caminho, ouviu uma gritaria e algumas sirenes.

— Corre!

Três garotos trombaram em Jaime enquanto fugiam de algo.

— Sai da frente, moleque!

Empurraram o garoto no chão e continuaram a correr.

Depois de voltar a si, Jaime levantou-se e notou uma arma caída no chão. Curioso, ele pegou a arma e ficou a encarando.

— Parado! — Um policial gritou e vários policiais apontaram as armas para ele, assustado, o garoto soltou a arma. — Você está preso.

— O quê? — O garoto ficou confuso até entender que estavam o confundindo com os fugitivos. — Não, eu não...

— Fique onde está! — Um policial gritou ameaçando.

— Mas eu... — Ninguém acreditaria nele, ninguém nunca acreditava. — Não preciso provar nada. — Jaime ficou invisível para o espanto dos policiais ali.

— Atenção, todas as unidades — O policial disse ao pegar o rádio. — Neo-Humano foragido, suspeito de assalto e assassinato.