HL: Nyx
1 Capítulo 1
Notas iniciais
2013
Detroit
Já era tarde da noite e Caitlyn, de dez anos, ainda estava mexendo no notebook. Em outros dias, a menina teria levado bronca dos pais, mas naquele, estranhamente, nem foram ao quarto dela reclamarem. Enquanto mexia no notebook, a garota ouviu um barulho estranho vindo do lado e foi até a janela verificar.
Na janela, a guria viu carros da Nexus parados do lado de fora da casa, o que lhe chamou a atenção, mas ela não teve muito tempo para pensar nisso. Logo, a irmã mais velha dela, Lindsay, de dezesseis anos, entrou no quarto e trancou a porta.
— Cat, arrume suas coisas, nós temos que ir — Lindsay avisou e começou a colocar as coisas de Cat dentro de uma mochila. A menina estava bastante confusa, não entendia o que estava acontecendo.
— O que está acontecendo? — perguntou enquanto também colocava roupas dentro da mochila. — Tem a ver com os carros lá fora? O que a Nexus quer?
— Apenas ande logo! — pediu.
Elas terminaram de colocar as coisas na mochila e saíram do quarto, elas estavam prestes a descerem as escadas quando ouviram um barulho de tiro e olharam pelo corrimão da escada e ficaram horrorizadas ao verem os pais mortos.
— Mãe! Pai! — A menina gritou em choque. Os agentes da Nexus tiveram suas atenções chamadas para as duas garotas na escada, com muito esforço, Lindsay conseguiu levar Cat de volta ao quarto e as duas se trancaram por lá. — Por quê? Eu…
— Cat, presta atenção — A mais velha pediu. — Nós precisamos fugir.
— A mamãe e o papai…
— Cat, por favor — pediu.
Lindsay abriu a janela e a mais nova entendeu que teriam que fugir por ali.
— Isso não vai dar certo.
— Nós subimos na árvore, vamos até a casa da árvore e de lá pulamos para a casa do vizinho — disse.
Cailtyn não conseguia gostar daquele plano, era arriscado demais, e ao mesmo tempo, ainda estava em choque pelos pais.
— Isso não vai dar certo — repetiu.
— É melhor do que deixá-los nos levar.
Mesmo com medo, Caitlyn segurou na mão de Lindsay e as duas saíram pela janela e subiram em cima do galho de uma grande árvore que havia no terreno da casa. Elas se arrastaram no galho tomando cuidado para não caírem e puderam observar os agentes entrando no quarto e procurando por elas. Elas tentaram fazer o mínimo de barulho possível para não chamar a atenção dos agentes, até que finalmente, conseguiram chegar na casa da árvore.
— E agora? — A menina perguntou nervosa, queria chorar e ao mesmo tempo gritar, mas se fizesse qualquer barulho chamaria a atenção dos agentes.
— Temos que nos separar, assim será mais fácil para os despistarmos — Lindsay respondeu.
— Não, eu não quero ficar sozinha — Já era dificil demais ficar sem os pais, sem a irmã seria ainda mais desolador.
— Está tudo bem, nós vamos nos encontrar — A adolescente tentou acalmar a irmã mais nova, ela estava muito abalada pela perda dos pais, mas precisava parecer calma ou Caitlyn acabaria perdendo o controle.
— Não — A menina estava com medo. — E se eles me pegarem? E se eles te pegarem?
— Eles não vão — garantiu. — Use seus poderes, finja ser um deles e quando conseguir, fuja e me encontre na praça que costumávamos ir quando você era menor.
— Você tem certeza que isso vai dar certo? — Mesmo não gostando daquela ideia, Cat confiava na irmã, naquele momento, era a única coisa que ela tinha.
— Vai dar certo — a mais velha garantiu.
Caitlyn entregou a mochila para Lindsay e usou seus poderes de mudar a própria forma e a mudou para a de um agente da Nexus. Em seguida, ela desceu da árvore e se misturou aos agentes. Os agentes ficaram por horas procurando pelas meninas e só então, finalmente desistiram. Após isso, Caitlyn se afastou dos agentes e quando estava bem longe de casa, ela voltou a sua forma original e foi até a praça onde deveria encontrar a irmã e a encontrou lá. — Alguém te seguiu.
— Não — Caitlyn respondeu. — Para onde vamos agora?
***
Dois meses depois...
Caitlyn estava escondida com a irmã em um dos vários prédios abandonados em Detroit. Lindsay havia saído para conseguir comida e Caitlyn estava sozinha e escondida. Ela não podia ser vista por ninguém.
Naquele dia em especial, a mais velha estava demorando bastante, o que deixou a menina preocupada. Mais tarde, Caitlyn ouviu algumas pessoas entrando no prédio e por isso ela se escondeu embaixo de uma mesa de escritório que estava abandonada ali.
Eram três homens que haviam decidido que iriam se esconder ali e Caitlyn sabia que aquilo poderia ser um problema e por isso continuou escondida até saber melhor o que faria. Ela estava com muito medo, sozinha e com desconhecidos que poderiam descobri-la a qualquer momento. Depois de algum tempo, Caitlyn decidiu que precisaria sair dali, mas como? Aqueles homens não sairiam dali e ela não queria chamar a atenção. Sem querer, ela fez um movimento brusco o causou um barulho que foi ouvido pelos homens, que foram até a mesa e a encontraram ali, foi quando Cat saiu debaixo do móvel.
— O que está fazendo aqui, pirralha? — Um dos homens questionou. Mesmo com medo, a garota respirou fundo e respondeu.
— Eu já estava aqui, cheguei primeiro!
— Bom, então vai ter que arrumar outro lugar, porque este é nosso!
— Não, não é, chegamos aqui primeiro!
Ela não tinha para onde ir, estava só. Se ao menos a irmã tivesse ali, mas ela não estava, Cat teria que se defender sozinha.
— "Chegamos"? — Um homem questionou. — Não estou vendo mais ninguém aqui.
— Vão embora!
— Ou o quê? Vai fazer o quê pirralha? — Um deles questionou e Cat pegou a mesa bem facilmente com as mãos e a bateu na parede com tanta força, que a mesa se quebrou.
— Vão embora!
— Olha só, temos uma aberração aqui — Um dos homens debochou. — Isso é interessante.
— Saiam! — gritou novamente e um deles pegou um pedaço de madeira que estava jogado ali, mas Cat não havia prestado atenção naquilo.
— Você acha realmente que nos assusta?
Após isso um deles bateu com o pedaço de madeira por trás, na cabeça da menina que caiu desacordada. Antes que eles pensassem em fazer qualquer coisa com a garota, a polícia invadiu o local e eles fugiram dali e deixaram Cat desacordada e sozinha ali, até que uma policial a achou.
***
Caitlyn acordou em uma espécie de quarto, ela não sabia exatamente onde estava, se sentia confusa, preocupada, queria saber onde a irmã se encontrava. Ela se levantou e após fazer isso, uma mulher de terno entrou no quarto.
— Onde eu estou?
— Abrigo para menores.
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