HL: Blue Skies
2 O Garoto e o Soldado
Notas iniciais
Rio de Janeiro – 1811
O Brasil era parte de Portugal. O Vice-Reinado do Brasil, diferente das outras colônias do continente, como as Colônias Espanholas, tinha a própria Família Real Portuguesa vivendo em seu solo. Eles haviam fugido da Europa, graças a ameaça de Napoleão Bonaparte, e se estabelecido no Rio de Janeiro.
Adriano e sua família, porém, não eram próximos a família real, não eram nobres e não tinham nenhuma ligação sanguínea com alguma família importante, pelo menos, nenhuma que soubessem, embora estivessem em boa situação financeira.
Era noite e Cecília colocava os dois filhos para dormir. Adriano, de cinco anos, e Carlos, de três. Antes de dormirem, porém, oravam ajoelhados ao lado da cama, enquanto a mãe segurava o terço que era branco, era assim todo dia. Quando terminaram, cada um dos meninos deitou em uma cama diferente e a mulher beijou os dois na testa, antes de sair e fechar a porta do quarto.
Na escuridão quase que total do quarto, o mais novo ficou deitado olhando para o teto, sem conseguir dormir. Ele costumava ter pesadelos que o amedrontavam, sempre que ia se deitar tinha medo de que tivesse sonhos ruins, o único problema é que cair no sono era inevitável.
— Adriano — chamou colocando-se de pé ao lado da cama do irmão. — Posso dormir com você?
— O papai já disse que não — O mais velho sentou-se na cama, não estava com sono. — É por causa dos sonhos ruins?
— Sim — Carlos sentou ao lado do irmão.
— São apenas sonhos ruins — segurou na mão do mais novo. — Sonhos são só sonhos, não são de verdade.
— Eu sei, mas tenho medo.
— Você não precisa, sonhos são criados pela nossa cabeça — Tentou acalmá-lo. — É só isso. É só você fingir que não sonhou com nada e tudo vai ficar bem.
— O que estão fazendo acordados? — O pai dos garotos os surpreendeu ao abrir a porta. — Carlos, vá para a sua cama!
— Sim, papai — O menino voltou chorando para a cama.
— E pare de choro, você é um homem — E o homem olhou para Adriano. — E você, não dê ouvido para essas coisas ou seu irmão vai acabar ficando mole.
— Sim, papai — Adriano concordou de cabeça baixa.
— E vão dormir!
***
No dia seguinte, os dois meninos levantaram bem cedo e tomaram café da manhã. Aquele seria um dia diferente, pelo menos para Adriano, que acompanharia o pai ao trabalho para aprender os ossos do ofício.
Logo que terminou o café, o menino acompanhou o pai ao trabalho, em um armazém. Aquele seria um típico dia quente, com sol escaldante e um céu azul límpido sem nem ao menos uma tímida nuvem.
— Está vendo aqueles sacos? — Apontou para um canto, onde eles estavam, eles eram grandes, provavelmente maiores que o menino.
— Sim.
— Coloque-os do outro lado.
— Parecem pesados — O garoto era baixinho e magro, sabia que teria dificuldades com a tarefa.
— Você é um homem, vai criar força com isso — então ele se afastou do menino que não teve outra escolha a não ser obedecer ao pai.
Adriano pegou os sacos e tentou carregá-los, mas eram muito pesados e ele não conseguiu. Por isso, decidiu arrastá-los e com muito esforço, ele conseguiu. Depois de horas, o menino conseguiu arrastar todos os sacos para o outro lado do armazém. Após terminar, ele caiu exausto em cima dos sacos, mas logo foi abordado pelo pai.
— Ei, não é hora para descanso — O homem disse em postura severa, e o menino imediatamente se levantou. — Vá atender os clientes, lembra o que ensinei sobre cálculos?
— Acho que sim — O menino estava confuso e cansado.
— Ótimo, vá ao balcão e atenda os clientes.
O menino o obedeceu, mas teve problemas logo no primeiro cliente. Ele não sabia como calcular aquilo, tudo havia sumido da cabeça do pequeno.
— Saia daí, moleque! — Então o homem tomou o lugar de Adriano e terminou de atender o cliente, após isso, dirigiu-se ao filho. — Não sabe fazer nada direito, garoto?
— Desculpa — E recebeu um tapa do pai que quase o derrubou.
— Coloque aqueles sacos de volta no lugar! — Mandou e o menino, assustado, o obedeceu.
Assim, ele arrastou os sacos de volta para o lugar. Já muito cansado, tentou parar para descansar, mas o olhar repreensivo do pai o assustou ainda mais e o fez continuar, até que viu a mãe e o irmão chegando para levarem o almoço.
— Adriano — Ela disse sorridente ao ver o filho, que pensou em largar o saco, mas tinha medo do pai repreendê-lo. — O que está acontecendo aqui? — Ela notou que havia algo errado.
— Esse moleque é um inútil — O homem respondeu exaltado. — Espero que Carlos seja melhor ou nossa família estará perdida. — Após ele dizer aquilo, Adriano, exausto, desmaiou.
— Adriano! — A mulher preocupada foi até o filho e o pegou no colo. — Você é maluco?
— Ele é o mais velho, tem que aprender tudo desde já ou será um completo inútil.
— Ele é uma criança!
— Você está deixando essas crianças muito moles!
— Estou protegendo os meus filhos — Ela pegou as duas crianças e decidiu ir embora dali.
***
Em casa, depois de algum tempo, Adriano conseguiu acordar. Estava todo dolorido e confuso, além do cansaço, que era enorme, a cabeça doía bastante.
— Adriano — A mãe segurou a mão do menino, Carlos estava ao lado dela.
— O que aconteceu? — perguntou confuso, ainda vendo as coisas um pouco embaçadas.
— Como se sente?
— Minha cabeça está estranha — disse um pouco zonzo e se levantou. — Papai deve estar bravo.
— Não se preocupe que depois eu me entendo com ele — disse. — O importante é que você está bem.
1816
Era uma típica manhã ensolarada, o céu azul sem nenhuma nuvem. Adriano e Carlos se levantaram bem cedo e foram com o pai trabalhar no Armazém. Mesmo tendo dez anos, Adriano era mais magro e mais baixo que o irmão mais novo. Não parecia ter envelhecido muito desde os cinco anos.
Carlos cuidava dos serviços mais pesados, enquanto Adriano ficava no caixa, agora, mais velho, ela já sabia melhor como lidar com o dinheiro e com os cálculos.
Perto do meio dia, os garotos foram visitados pelo tio, que estava apenas de passagem pela cidade. Ele era o irmão mais velho de Cecília.
— Carlos — disse ao garoto que estava carregando um caixote. — Veja como está grande. — Então se dirigiu ao garoto mais velho. — Adriano. — Ele não sabia o que dizer, o garoto não havia mudado em nada. — Parece que eu te vi ontem.
— Olá, tio Eduardo — os dois garotos disseram juntos.
— Eduardo — O pai dos garotos o abordou, não muito amistoso, eles não se entendiam. — O que faz aqui?
— Estava passando pela cidade e reencontrei um velho amigo, que agora é um ferreiro — explicou. — Pensei em levar os meus sobrinhos para verem como é o trabalho dele.
— Eles estão trabalhando — O homem amargo interviu.
— Eu sei, mas também sei que pode sobreviver um dia sem eles — E foi até os garotos. — Vamos, antes que o Imperador da Terra dos Zangados decida nos atirar da torre mais alta. — Então ele saiu dali acompanhado pelos sobrinhos, sendo seguido pelo olhar raivoso do cunhado.
— O papai não vai gostar disso — Adriano estava preocupado.
— Não se preocupe, eu lido com ele depois.
Logo, os três chegaram ao local aonde o amigo de Eduardo trabalhava.
— Benito — chamou. — Estes são meus sobrinhos, Adriano e Carlos.
— Olá — disse sorridente. — Dá para ver que ficaram com toda a beleza da família. Deram mais sorte que esse aí. — Apontou para Eduardo.
— Fala a grande beleza italiana — riu. — Os garotos vieram ver como funciona o seu trabalho.
— Ah sim — Então ele começou a explicar tudo o que fazia. Carlos prestava atenção fascinado, enquanto Adriano se distraíra.
Ele se afastou um pouco dos outros e pegou uma pequena barra de ferro que lhe pareceu um pouco pesada. Então ele a segurou por um tempo até que percebeu que ela se dobrava quando ele mexia a mão. Achou aquilo estranho, mas também ficou fascinado, então continuou as mexendo até conseguir fazer um círculo com a barra.
— Como fez isso? — Benito ficou pasmo, assim como Carlos, e Eduardo, que rapidamente, tirou as crianças dali e as levou de volta para casa, onde encontrou a irmã e o cunhado.
Eles deixaram as crianças no quarto, para que não pudessem ouvi-los. E após isso, os adultos discutiram na cozinha sobre o que havia acontecido.
— É nisso que dá criar filho de outro homem — O homem estava bravo. — O garoto é uma aberração, igual o pai.
— Aquele garoto é meu filho — Cecília não suportava ouvir o marido chamar Adriano daquele jeito.
— Mas algo é certo, ele é como o pai — Eduardo interviu. — Ele não está crescendo e isso com o ferro... logo irão perceber.
— Eu quero esse moleque fora daqui! — O patriarca gritou, não gostava de Adriano e naquele momento, apenas o odiava ainda mais.
— Eu não vou abandonar o meu filho!
— Os dois, se acalmem! — Eduardo gritou no mesmo tom. — Os meninos podem ouvir.
— Que escutem, que o maldito bastardo escute!
— Não fale assim do meu filho! — Cecilia gritou.
— Eu falo do jeito que eu quiser do bastardo — Ele tentou bater na esposa, mas foi impedido por Eduardo de tocar nela.
— Não ouse tocar na minha irmã — disse entre dentes.
— Saia da minha frente — Ele tentou empurrar Eduardo que conseguiu resistir por ser mais forte.
— Posso não ter conseguido impedir que você se casasse com ela, mas toque um dedo nela e não terá mais dedos!
— Os dois, parem — A mulher pediu. — Por favor.
— Desculpe, Ceci — disse olhando para a irmã e então respirou fundo. — Precisamos resolver isso.
— Vamos jogar esse moleque na rua.
— Se você não parar de falar assim do Adriano... — Cecília interviu, jamais deixaria que o marido ou qualquer outra pessoa machucasse seu filho.
— O que vai fazer?
— Ela não vai, mas eu vou — Eduardo interviu. — Não vou deixar que faça algum mal ao meu sobrinho.
— Espero que deem um jeito nele ou eu o farei — Em seguida, ele se retirou.
***
Após ter todas as suas coisas colocadas em uma mala e se despedir da mãe, Adriano andou com o tio para fora da cidade até chegarem a uma fazenda, onde encontraram um velho que trabalhava ali e morava em um pequeno sítio naquela propriedade. Era final de tarde, o céu assumia um tom alaranjado, com o sol, aos poucos, sumindo no horizonte.
— Geraldo — disse e então mostrou o garoto. — Precisamos conversar. — Então os dois se afastaram de Adriano para que o menino não ouvisse a conversa. — O garoto é como o pai.
— Certeza?
— Sim — confirmou. — Não está seguro na cidade, então eu queria saber se ele pode viver aqui, com você? Ele pode ajudar nos afazeres.
1914 – Paris – França
Aliste-se! A França precisa de você!
Anúncios como aquele estavam por toda a parte. A Guerra havia começado há pouco tempo, um simples evento como o bater de asas de uma borboleta havia virado um furacão. Quando viram, a Alemanha estava invadindo e a França estava em guerra.
Adriano, agora usando o nome Adrien, estava incerto se queria lutar. Guerras são terríveis, ou pelo menos era o que ele havia ouvido falar, mas pessoas inocentes estavam no meio do fogo cruzado, pessoas que ele poderia salvar.
Adrien tinha 108 anos, mas aparentava no máximo 23.
Aquele era mais um dia comum. Ele acordou bem cedo para trabalhar em um comércio próximo dali. Pouco antes de chegar conseguiu ouvir alguém gritar "Aliste-se! Defenda a França".
O azul do céu poderia ser visto no meio de algumas nuvens que apareciam pouco a pouco, era um dia um tanto quente para os padrões europeus, embora estivesse muito longe de ser o dia mais quente da vida de Adrien, que na infância se acostumara a dias muito mais quentes.
Então logo que chegou, seu patrão abordou ele e outros funcionários. Não estavam todos ali porque alguns já haviam se alistado.
— Como vocês devem saber, nosso país está em guerra — disse. — Eu fui convocado e pretendo ir, para defender o nosso país dos malditos alemães. Com isso, terei que fechar a loja.
Todos ali comentaram sobre aquilo. Não era surpresa, a maioria ali ou seria convocada ou se alistariam em breve. Aquela já era uma notícia esperada. Adrien pensou naquilo, talvez devesse entrar na guerra, ajudar as pessoas, ou talvez devesse fugir dela.
Após o fim do dia, foi embora para o apartamento onde morava na cidade, no meio do caminho encontrou um amigo, Jean, que partiria na manhã seguinte, ele havia se alistado.
— Jean — o cumprimentou.
— Adrien — devolveu. — Como vão as coisas no trabalho.
— A loja será fechada, Fiore foi convocado.
— Ah sim — disse. — Talvez essa seja sua chance.
— Que chance? — Ficou em dúvida.
— Esse é o destino te chamando para se alistar.
— Eu não sei — estava receoso. — Não sei se eu seria um bom soldado.
— Todo homem pode fazer a diferença no campo de batalha — disse inspirado. — Sei que você fará também.
— Ainda não sei se é uma boa ideia
— Pense no número de pessoas inocentes que podem morrer se os alemães conseguirem o que querem, pode ser muito pior do que o que houve na Bélgica. — Aquilo realmente fez Adrien pensar, embora visse mais de um lado da guerra. Pessoas inocentes morreriam dos dois lados. Se lembrou de alguns amigos alemães do passado, eles poderiam morrer pelos franceses, ou pelos ingleses. — Essa é a sua chance de ser um herói, de ajudar pessoas.
***
Algum tempo depois...
Adrien estava junto dos outros soldados na trincheira, os ajudando, como sempre fazia ali.
Enquanto isso, um piloto chamado Michel estava tendo problemas. Deveria partir em missão para reconhecer o campo inimigo, embora o céu estivesse limpo, sem nuvens que pudessem atrapalhar ou tempestade a vista, um rapaz, que sempre partia com Michel levando uma câmera, havia ficado seriamente doente e Michel não poderia ir sozinho.
— Vá logo de balão então! — O Velho Oficial lhe ordenou.
— Não vou em um balão, não sei lidar com eles.
— Ah, pelo amor de deus, deixe de tanta frescura! — Já estava ficando sem paciência até que viu Adrien ali perto. — Soldado! — Gritou fazendo com que Adrien se aproximasse.
— Sim, senhor.
— Sabe tirar fotos?
— Sim, senhor... — Estranhou a pergunta.
— Ótimo, ele o acompanha, Michel — estava decidido.
— Acompanhar em o quê, exatamente?
— Michel sairá em missão de reconhecimento no avião e você irá com ele para tirar as fotos do lugar.
— De avião?
— Não, irá em um cavalo alado — respondeu sem paciência. — Claro que é de avião! Agora vão logo! — Ordenou e saiu de perto para resolver outros problemas.
— Sou Michel, e você?
— Adrien — Os dois foram em direção ao avião. A Adrien foi entregue uma câmera um tanto pesada e para a surpresa dele, uma arma e uma granada. — Para que a arma e a granada? — Ficou confuso. — Achei que fosse apenas uma missão de reconhecimento.
— É para o caso de encontrarmos um avião inimigo — explicou. — Mas não se preocupe, é só em último caso, é pouco provável que encontremos um deles.
— Ah sim — Adrien tentou parecer calmo, mas era visível que estava nervoso. Os dois subiram no avião, Michel ficava na parte do piloto, enquanto Adrien ficava na parte de trás.
Assim que estava tudo pronto, Michel, com muito esforço por causa do peso, decolou com o avião e não demorou muito para que passassem sobre território inimigo. Adrien precisava tirar as fotos das posições dos inimigos, embora estivesse com as mãos tremendo.
— Primeira vez de avião? — Michel perguntou enquanto pilotava.
— Sim.
Aquilo era evidente. Mesmo tentando se concentrar para não deixar a câmera cair, Adrien sentia um forte frio na barriga, no qual nunca havia sentido antes. E não era o único lugar em que sentia frio. Lá em cima era bastante gelado.
— Tente aproveitar o momento, Adrien — disse rindo. — Um dia poderá contar aos seus filhos que voou em um avião de guerra.
— Para isso eu teria que sobreviver para ter filhos — Aquilo fez com que Michel risse incessantemente. — Não devia rir tanto. Se continuar rindo vai acabar nos matando.
— Se continuar tremendo não conseguiremos os dados sobre o inimigo — argumentou.
— É justo — Adrien continuou tirando as fotos até que Michel avistou um avião inimigo que estava em missão parecida.
— Ah não.
— O que foi? — Adrien então conseguiu avistá-los. — Você só pode estar de brincadeira.
— Certo, Adrien, hora de usar a granada.
O piloto do outro avião pegou uma pistola e começou a atirar contra os dois. Adrien pegou a granada e tentou jogar contra eles, mas errou.
— Merda, Adrien.
Os dois continuaram a dar voltas com o avião e usaram suas pistolas para tentarem acertar os que estavam no outro avião. Foi quando o avião começou a cair.
— O que está acontecendo? — Adrien estava desesperado.
— Eu tenho tudo sob controle — Michel disse mexendo nos controles tentando estabilizar o avião.
Era óbvio que Michel não tinha nada sob controle, mas precisava manter o avião no ar. Adrien não queria morrer, não naquele momento, não por aquela razão. Fechou os olhos e usou os poderes, conseguindo fazer com que o avião levantasse novamente.
— Não falei que tinha tudo sob controle. — Michel riu, embora estivesse nervoso.
— Ainda tem uma granada aí? — Adrien perguntou tendo uma ideia em mente.
— Sim — Então Michel a mostrou.
— Se conseguirmos nos aproximar, consegue jogá-la no outro avião?
— É arriscado demais.
Adrien fechou os olhos e continuou se segurando, então o avião começou a mexer-se e Michel não conseguia controlá-lo, o avião foi na direção dos inimigos que continuavam atirando, mas suas balas se desviavam de maneira estranha. A aeronave continuou agindo de forma estranha até que ficou próxima o suficiente.
— Michel, essa é a sua chance!
Michel pegou a granada e jogou no avião inimigo que nem conseguiu reagir, foi tudo muito rápido, a explosão e a queda deles. Haviam conseguido, haviam escapado.
Após aquele incidente, voltaram para a base, já tinham dados suficientes e não queriam encontrar outro avião inimigo. Assim que voltaram a base, foram abordados pelo superior deles, que queria saber sobre as localizações.
— Como foi a missão?
— Por pouco não fomos derrubados pelo inimigo — Michel informou.
— A câmera?
— Aqui está, Senhor — Adrien disse entregando o equipamento.
— Certo, soldado — conferiu o equipamento. — Volte ao trabalho.
— Ainda não — Michel interviu. — Preciso conversar com o soldado.
— Ande logo, há muito a ser feito — disse e então se afastou.
— Há algo a mais em que posso ajudar? — Adrien quis saber, havia se arriscado demais usando os poderes daquele jeito e ele sabia disso.
— Como fez aquilo? — Michel quis saber, parecia fascinado. — Não havia nenhum controle em sua mão, entretanto controlou o avião.
— Não sei do que fala — Adrien tentou disfarçar.
— Também desviou as balas do inimigo? — Estava impressionado, Michel sabia que nenhum ser-humano conseguiria fazer aquilo, chegando à conclusão de que Adrien não humano, pelo menos não um humano comum.
— Michel...
— Os superiores precisam saber disso — Michel tentou ir na direção de onde os superiores ficavam. — Podes ser uma arma valiosa.
— Não, não faça isso! — Adrien pediu fazendo-o parar e voltar. — Eu lhe peço.
— Mas por quê? Entendes o poder grandioso que tens?
— Eles vão me matar se souberem.
— Por que fariam isso? — Michel não entendia. — Você poderia ajudar tanta gente, ajudar a acabar com essa guerra.
— Acha que eles não tentariam me dissecar como se fosse algum bicho esquisito? — questionou. — Poderiam achar outros como eu e fazerem o mesmo.
— Há outros? — Michel ficou impressionado.
— Apenas escute, quer ser responsável por algo assim?
— Mas Adrien...
— Michel, há uma razão para que eu esconda os meus poderes — Adrien respirou fundo, assim como Michel, que ficou confuso quanto aquilo. — Eu te peço, não conte a ninguém.
— Ainda acho que é besteira, mas não quero te colocar em problemas — decidiu. — Não falarei nada.
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