HL: Blue Skies
11 Nikolai
Alemanha — 1915
Henri e Michel, com muito esforço e tentando não serem pegos, levaram os corpos desacordados de Adrien e Nikolai para a casa onde estavam escondidos. Tentavam arrumar uma maneira de levarem Nikolai até a França sem que fossem pegos, e ainda havia o detalhe de que se o russo acordasse um desastre poderia acontecer.
Não demorou para que Adrien acordasse e ficasse confuso por algum momento, até que se lembrou de tudo e viu os amigos ali.
Então, os três viram Nikolai começar a abrir os olhos e ficaram apreensivos.
— O que vamos fazer? — Henri perguntou já prevendo que provavelmente uma luta aconteceria, até que de repente, Adrien bateu com uma pedra na cabeça de Nikolai, que desmaiou novamente.
— Não podemos ficar batendo na cabeça dele para sempre — Michel disse. — Precisamos resolver isso logo.
— Vamos sair daqui agora, quando estivermos perto da fronteira, o Michel — Henri olhou para o amigo. — Você vai chamar o James para nos ajudar.
— Tem certeza que isso é uma boa ideia? — Michel questionou e olhou para os amigos, aquela era a única escolha deles.
Assim, com uma carroça roubada, eles foram até perto da fronteira, que não era muito longe dali. Lá, Michel fez exatamente o que Henri lhe disse e levou James até eles, que ficou surpreso ao ver o Russo ali.
— O que estão fazendo? — James questionou achando aquilo muito loucura. — Eram para derrubá-lo, não para trazê-lo.
— Eu não vou matá-lo — Adrien tratou logo de dizer.
— O que meu amigo Adrien quis dizer é que o Russo é mais valioso vivo — Michel decidiu intervir. — Ele pode ter informações valiosas.
— Ainda acho que isso é loucura — James comentou.
Logo atrás deles, na carroça, Nikolai finalmente acordou. Sorrateiro, ele tentou sair dali, mas foi visto por Michel.
— Ele vai tentar fugir! — Michel gritou e correu para cima do russo, assim como Adrien e Henri.
— Por que vocês não amarraram ele? — James questionou vendo aquela cena, Michel, Adrien e Henri tentavam segurar Nikolai que facilmente conseguia se esquivar deles.
— Quer fazer o favor de parar de fazer perguntas e ajudar aqui? — Adrien pediu e levou um soco de Nikolai. Henri segurou um dos braços do russo, que com o outro braço livre, pegou Michel e jogou contra Henri, conseguindo se soltar.
James simplesmente suspirou cansado, pegou uma arma e apontou para Nikolai.
— Parado ou eu atiro! — James ameaçou, fazendo com que Nikolai parasse e levantasse as mãos. James entregou uma corda para Michel, que amarrou os pulsos de Nikolai.
Adrien estava achando aquilo estranho, sabia que se Nikolai quisesse poderia simplesmente tomar a arma de James e conseguir fugir, entretanto, estava ali, se rendendo. Algo estava errado.
Mesmo assim, eles levaram o espião russo até perto da trincheira, onde encontraram o general. Nikolai foi preso enquanto cada um dos soldados passou por um interrogatório.
Ao fim do interrogatório, Adrien, Henri, e Michel andavam pelos corredores do bunker quando encontraram o General conversando com James.
— Ah sim, vocês estão aí — O General disse. — Quero informar que estão liberados para voltarem as linhas de combate — O General avisou. — Exceto Adrien. — Olhou para ele. — Quero conversar com você.
Assim, o General e Adrien foram para uma sala para conversarem a sós.
— Tenho uma proposta para você, Soldado Adrien — O General disse. — Quero que trabalhe para mim.
— O quê? — Adrien perguntou confuso.
— Você tem potencial, fala outros idiomas, é esperto, preciso de pessoas assim ao meu lado.
— Senhor, eu sinto muito, mas continuarei nas trincheiras com meus amigos — Adrien decidiu, não entendia o porque daquela proposta, e preferia não entender.
— Tem certeza? Não terá outra chance.
— Tenho sim — Adrien permaneceu firme. — Voltarei para a trincheira com meus amigos e continuarei servindo lá, como tenho feito durante esse último ano.
Enfim, o General deixou que Adrien saísse da sala e andou por alguns corredores, até que sem entender direito o porque, passou perto de onde Nikolai estava preso, ele ficaria ali temporariamente.
— Deveria aceitar a proposta dele — Nikolai disse. — Qualquer coisa é melhor que aquele inferno.
— Meus amigos continuam lá, então eu também continuo — Adrien respondeu.
— Isso é muito nobre da sua parte, soldado.
— Qual o seu plano? — Adrien decidiu perguntar. — Sei que está planejando algo, deixou-se ser capturado, e não adianta mentir porque sei que poderia matado a todos nós e voltado para a Alemanha..
— Sim, eu poderia — Nikolai riu. — Mas para quem vai contar? Se descobrirem sobre mim, descobrirão sobre os seus poderes, e os poderes do seu amigo, e então, seremos três animais exóticos dissecados.
— Mas qual o seu plano? — Adrien questionou.
— Estou apenas servindo o meu país — Nikolai respondeu simples.
— Você traiu o seu país — Adrien lembrou.
— Sirvo o povo da Rússia, não o governo — Nikolai respondeu e percebeu como Adrien ficou confuso. — Eu não espero que você entenda, você não é russo. Sempre sofremos com fome, com a tirania de nossos governantes fracos, estou aqui para ajudar a dar um fim a isso, para ajudar a tirar a Rússia dessa guerra.
— Eu ainda não entendo bem.
— Como seus amigos franceses costumavam dizer, "Viva a Revolução".
Adrien ficou pensativo quanto aquilo, pensou que talvez fosse melhor não entender aquilo. Então lembrou-se que de alguma maneira, Nikolai e Jacques se conheciam.
— De onde você e Jacques se conheciam? — Adrien decidiu perguntar.
— Bom, essa é uma história longa e complicada — Nikolai suspirou. — Aquele garoto sempre foi um idealista, sempre tentando fazer a coisa certa e o pior... é que ele estava certo. — Respirou fundo. — Eu fui um péssimo pai.
— Pai? — Adrien ficou confuso até que entendeu, Nikolai era pai de Jacques, e por consequência, avô de Marie. — Como…
— Você sabe de onde vem os bebês, não preciso explicar isso para você, preciso? — Nikolai o interrompeu. — Mas talvez o melhor tenha sido eu e o garoto vivermos um longe do outro, sabe se lá que tipo de pessoa ele seria se tivesse me ouvido. — E olhou para Adrien, que ainda estava bastante surpreso com aquilo. — O nome dela é Marie, certo? — Nikolai perguntou deixando Adrien confuso por alguns instantes até finalmente entender a pergunta.
— Sim, o nome dela é Marie — Adrien confirmou.
— Fico feliz que o Jacques tenha sido um pai muito melhor do que eu fui — Nikolai comentou. — Bom, você tem uma trincheira para voltar e eu tenho que continuar sendo um prisioneiro. — Disse e respirou fundo, lembrando-se da história da infância de Adrien e de um livro que leu. — Sabia que a sua história parece a de um personagem de um livro que eu li uma vez.
— Que livro? — Adrien perguntou.
— Um livro infantil britânico — Nikolai tentou lembrar o nome. — Acho que se chamava Blue Skies, de um cara chamado Alguma Coisa Barkins.
— Nunca nem ouvi falar — Adrien disse e se virou para ir embora.
— É um livro bem idiota mesmo — Nikolai comentou, mas não demorou para que ele se desse conta de quem era J.M. Barkins, sua neta, Marie.
Perto dali, o General ainda conversava com James, mas dessa vez o assunto era outro.
— E ele recusou — James não estava surpreso. — Eu disse que ele não era um espião.
— E eu confiei em seu julgamento, mas agora tenho minhas dúvidas — O General disse. — Esse Adrien não parece patriótico, há algo errado com ele e quero que você o vigie, qualquer sinal de traição e acabo com esse rapaz.
— Sim senhor — James concordou, era sua única opção. — Senhor, desculpe perguntar, mas o que fará com o Russo?
— Isso é um assunto que eu não tenho que discutir com subalternos — O General se virou e foi resolver outros assuntos.
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