HL: Blue Skies
12 Verdun
1916
Adrien, Henri, Michel e James foram movidos juntamente de vários soldados franceses para defender Verdun, que estava sob o ataque dos alemães há alguns dias. As baixas haviam sido muitas naquele curto período.
Logo que os soldados chegaram já entraram em combate para salvar o que restava dos franceses que estavam lá. Aquela batalha era um grande massacre, mortos apareciam por todos os lados, assim como os bombardeios.
Adrien, segurando um riffle, juntamente de alguns outros soldados, atirava em qualquer alemão que tentasse se aproximar, usando o próprio terreno acidentado do lugar como uma espécie de barricada.
De início, Adrien e os atiradores próximos foram bem sucedidos e conseguiram derrubar vários alemães, mas logo essa situação mudou completamente. Os inimigos continuavam aparecendo e conseguiram acertar vários tiros nos atiradores próximos o que deixou Adrien sozinho naquela parte, ainda assim, ele continuou a atirar até que consequentemente, ficou sem munição.
Ele olhou em volta e viu Henri não muito longe dali, ele estava junto de Michel e alguns outros soldados. Para conseguir munição, ele precisaria atravessar a linha de fogo, não seria problema com os poderes dele, então apenas torcia para que ninguém desconfiasse.
Assim, ele correu no meio dos tiros, prestando atenção para conseguir desviá-los e ao mesmo tempo não chamar demais a atenção aos seus poderes. Com grande dificuldade e depois de quase morrer várias vezes por causa de alguns tiros que passaram muito perto, ele finalmente conseguiu chegar até os outros soldados, e assim como eles, ele se abaixou no chão ainda usando o terreno como barricada.
— E você achando que não podia ficar pior — Henri comentou entregando um riffle carregado para Adrien.
— Eu nunca disse isso — Adrien pegou o riffle e voltou a atirar.
No final do dia, conseguiram salvar os soldados dali, entretanto, próximo dali, os alemães haviam tomado Forte Douaumont, que era o maior forte no sistema defensivo de Verdun, então aquilo era muito ruim para os franceses.
No dia seguinte, havia sido decidido que as guarnições das fortalezas de Verdun tinham que receber reforços para formar os principais baluartes de uma nova defesa.
Uma estratégia de rotatividade de tropas havia sido adotada, assim as tropas francesas não se desgastavam e um ânimo era trazido, e de fato, aquilo havia funcionado.
Dias depois, mais um ataque germânico, novamente, era tudo caos, mortos para todo lado, mas aquilo não mais chocava, a morte já era bastante banal ali, era comum atirar com um morto ao seu lado. Naquele dia, conseguiram bloquear o ataque germânico.
No começo do mês seguinte, mais uma batalha. Pela vila de Douaumont. A vila estava completamente tomada pelos tiros, era o horror daquela guerra em seu ápice. Adrien e Michel corriam por algumas vielas, se esgueirando para não levarem tiros dos alemães. Em uma das vielas, alguns alemães os viram, atirando contra eles e fazendo com que tivessem que se esconder atrás de uma parede para se protegerem enquanto os inimigos continuavam a atirar.
Michel abriu uma granada e a entregou para Adrien, que rapidamente a jogou contra os alemães que estavam perto dali e virou o rosto, para se proteger da explosão que logo veio.
Após a explosão, Adrien, acompanhado de Michel, correu até os alemães que restavam e bateu na cabeça de um com o riffle, porém, outro alemão fez o mesmo com ele que deu alguns passos para trás tonto. Adrien logo se recuperou e atirou contra os alemães perto dele.
Mais alemães se aproximavam quando uma granada foi jogada ali perto e explodiu, não estava perto o suficiente de Adrien para machucá-lo, mas a onda de choque foi o suficiente para joga-lo no chão. Michel se aproximou e o ajudou a levantar e logo, eles conseguiram ver Henri se aproximando.
— Foi você quem jogou a granada? — Michel questionou.
— Desculpa, aconteceu um erro de cálculo — Henri explicou, estava completamente nervoso, assim como todos os outros ali, aquilo era puro caos.
Mais alemães se aproximaram e Adrien e Henri atiraram contra eles, quase que em um impulso involuntário. Tiros começaram a ser lançados contra os franceses que correram para se proteger. Rapidamente, Adrien olhou para trás e conseguiu ver de onde vinham os tiros.
— Alguém tem uma granada? — Adrien decidiu perguntar, porém, todos próximos naquele momento estavam sem uma granada. Ele olhou para o outro lado da linha de fogo e viu um soldado francês ali. — Fiquem aqui.
Adrien correu na linha de tiro, foi até o soldado que estava do outro lado e conseguiu que ele lhe desse uma granada. Assim, ele pegou a granada e jogou contra o atirador, causando uma explosão e conseguindo livrar os amigos dos tiros.
— Por deus — Michel comentou impressionado com tudo aquilo. — Isso está virando uma bagunça.
— Virando? — Henri riu descrente e colocou uma mão sobre o ombro do amigo. — Isso já começou como uma bagunça.
Um soldado alemão mirou para atirar em Michel, mas antes que pudesse fazê-lo, Adrien conseguiu vê-lo e atirou contra ele. Adrien atirou contra outros soldados inimigos que estavam em volta, assim como Henri e Michel.
Nos céus, aviões de ambos os lados se enfrentavam, James estava em um desses aviões, atirando contra aviões alemães. Ele conseguiu atingir um piloto inimigo no peito e imediatamente o avião caiu.
De longe, no chão, Michel viu o avião alemão cair, enquanto o francês continuava a voar de maneira triunfante no meio do céu fumacento. A primeira reação de Michel foi gritar comemorando, mas logo foi puxado para trás por Adrien, que o salvou de ser baleado.
— Fique de olho na batalha aqui embaixo — Adrien o advertiu antes de voltar a atirar.
No final daquela batalha, os alemães tomaram a vila, mas eles também tiveram suas perdas, que eram tão grandes quanto as dos franceses.
Mais tarde na trincheira, Michel procurou por James e só o encontrou quando o viu conversando com alguns pilotos francês.
— James, podemos conversar? — Michel perguntou e então os dois se afastaram para onde não poderiam ser ouvidos.
— O que quer? — James questionou, estranhando aquilo.
— Você é um piloto respeitado por aqui, acho que poderia me ajudar — Michel disse. — Já fazem dois anos que me proibiram de pilotar, acho que se você intervir por mim, podem mudar de ideia.
— Não sei se eu sou a pessoa mais adequada para intervir por você — James respondeu.
— Por favor — pediu. — Você é minha única chance.
No dia seguinte, ao final de mais uma batalha, Michel encontrou James novamente, que não tinha boas notícias para ele.
— O que eles disseram? — Michel perguntou curioso, mas a feição de James não era boa.
— Foi o que eu disse, eles disseram não — James respondeu, mas não foi dificil para Michel perceber que o amigo escondia algo mais.
— James — Michel o chamou, um tanto preocupado. — O que eles disseram?
— Eu não deveria contar — James hesitava. — Mas você precisa saber.
— Saber o quê? — Michel perguntou incerto.
— Não te proibiram de pilotar por causa do incidente — James contou. — Existem ordens de alto escalão para que você não volte a pilotar.
— Ordens? — Michel questionou confuso. — De quem?
— Não importa — James tentou falar, mas Michel insistia em saber. — Do seu pai.
—Meu pai? — Michel não conseguia acreditar. — Ele não pode fazer isso!
Indignado, Michel começou a andar na direção do bunker dos oficiais, com James o seguindo. Ele simplesmente abriu a porta de uma vez e entrou, com James tentando o impedir.
— Então não posso pilotar um avião porque vocês tem medo do meu pai? — Michel questionou e os oficiais que estavam ali imediatamente olharam para James.
— Tenho certeza que tal informação de natureza confidencial não deveria ter chegado a você — Um oficial disse ainda encarando James, que resmungou algo em inglês. — Independente da natureza desta decisão, não pode ser revertida.
— Então é isso? São covardes? — Michel questionou e James tentou tira-lo dali, em vão. — Estão com medo do meu pai que nem ao menos é algum general?
— O seu pai tem amigos no alto escalão, generais — O oficial justificou. — Não há nada que possamos fazer.
— Sim, amigos generais que parariam tudo o que tem que fazer em uma guerra apenas para ajuda-lo e impedirem um piloto de voar — Michel ironizou.
— Garoto, saia daqui antes que vá parar em corte marcial — O oficial disse, mas Michel continuou ali, irredutível.
— Essa é uma guerra, eu sou um soldado servindo a França. Meu pai não tem autoridade nenhuma aqui e suas ordens não deveriam ser levadas em consideração — Michel respondeu. — Mas se quiser mesmo levar isso a Corte Marcial, pode ter certeza que não pensarei duas vezes antes de repetir tudo isso em Corte.
Os oficiais respiraram fundo e se entreolharam.
— Soldado James Orwell, por favor saia — Um dos oficiais pediu e James nem ao menos hesitou antes de deixar o local.
Do lado de fora, não demorou para que James encontrassem Henri e Adrien, que haviam ido até ali após ouvirem da confusão que havia acontecido com Michel.
— Onde está o Michel? — Henri logo perguntou.
— Lá dentro — James apontou para o bunker.
— Vão leva-lo para a Corte Marcial? — Adrien questionou preocupado com o amigo.
— Eu não sei — James suspirou cansado. — Ele é maluco.
— Completamente maluco — Adrien concordou.
De repente, eles viram Michel sair do bunker e rapidamente foram até ele.
—Nunca mais faça uma coisa dessas, idiota — James disse dando um soco fraco no ombro de Michel.
— O que aconteceu? — Henri perguntou curioso.
— Adivinhe quem vai voltar a pilotar? — Michel perguntou animado surpreendendo aos outros ali.
— Você conseguiu? — James não conseguia acreditar. — Não, não pode ser.
— Bom, eu consegui sim — Michel confirmou.
Mais lutas aconteceram depois daquele dia. Eram batalhas sangrentas e muitos morriam em ambos os lados. Adrien e Henri lutavam nas trincheiras, enquanto Michel e James “lutavam nos céus” com os outros pilotos.
James tentou se juntar a Esquadrilha Lafayette, mas eles já haviam parado de aceitar novos pilotos, por isso, o rapaz decidiu se juntar a Lafayette Flying Corps.
Naquele dia, ocorria mais uma batalha em Verdun. Adrien estava se protegendo atrás de uma barricada quando foi atacado por um alemão que rapidamente conseguiu desarmá-lo. O alemão pressionou Adrien contra a barricada, que olhou para a arma ali perto. Com calma, ele viu a arma "andar" sorrateira pelo chão até começar a levitar e ficar apontada para o alemão, que nem percebeu.
O caos ali era tanto que ninguém via a arma levitando. Então, a arma disparou derrubando o alemão e espirrando sangue no rosto de Adrien, rapidamente ele pegou a arma, olhando em volta para ter certeza de que ninguém havia visto aquele "truque".
Ele correu para se proteger atrás de outra barricada, com Henri próximo a ele, embora não o notasse. Adrien estava completamente ofegante, com a cabeça girando, com o rosto completamente sujo de sangue.
Antes que percebesse, um gás começava a se espalhar rapidamente pelo ar, era gás fosfogênio, tinha cheiro de feno mofado. Os franceses tentaram correr do gás, o nariz deles estava completamente irritado, assim como a garganta e os olhos.
Tentando correr para escapar do gás, Henri acabou caindo cansado e quase sufocando, Adrien então parou e voltou até o amigo, estava devendo aquilo a ele, por todas as vezes que Henri salvara a vida dele. Adrien começou a arrastar Henri para longe do gás, aquilo estava o fazendo ficar um tanto lento, além de estar sofrendo com os efeitos do gás. Ele o arrastou até ficarem atrás de uma árvore, onde o largou e caiu cansado, sabia que não poderiam ficar muito tempo ali. O gás poderia alcançá-los, ou pior, alemães.
Nos céus, James voava com a Lafayette Flying Corps, enquanto Michel voava com outros pilotos franceses, todos eles com o mesmo objetivo.
Um dos pilotos olhou para um pequeno espelho que carregava consigo e conseguiu ver aviões inimigos, o que o fez acenar para os outros pilotos, os avisando.
Os aviões inimigos foram para cima deles com tudo, atirando de suas metralhadoras. James teve que girar o avião para não ser atingido enquanto era perseguido por um alemão. Michel, ao ver aquilo, jogou o próprio avião para perto deles e conseguiu acertar um tiro no inimigo, o derrubando.
Outro avião alemão começou a perseguir Michel e a atirar contra ele, de início, o rapaz conseguiu fazer algumas manobras para se desviar, mas logo alguns tiros atingiram o avião e um o atingiu, fazendo-o perder o controle e começar a cair. Perto dali, James conseguiu ver o avião do colega ficar cada vez mais próximo do chão.
Já lá embaixo, Adrien, que continuava escondido atrás de uma árvore, com Henri ao lado dele, também conseguiu ver o avião caindo, embora parecesse que alguém ainda tentava controlá-lo.
— Henri — Adrien olhou para o amigo, que ainda tentava se recuperar do gás. — Não saia daqui.
Mesmo sabendo que poderia ser visto pelos alemães, Adrien correu em campo aberto e usou os poderes para ajudar o avião a aterrissar de forma que o piloto ainda estivesse intacto quando a aeronave atingisse o chão. Quando isso aconteceu, os trens de pouso foram perdidos, mas nenhum impacto maior havia sido feito.
Adrien se aproximou dos destroços e conseguiu ver Michel ainda preso à cadeira dele, se esforçando para respirar. Ele ajudou o amigo a sair do avião, mas logo ele caiu, em dor, agonizando.
— Michel, aguente firme — pediu. — O levarei as tendas médicas, você vai ver, logo estará voando de novo.
Adrien tentou pega-lo para carregar, mas Michel segurou no ombro do amigo quando este se abaixou e balançou a cabeça negativamente, não daria tempo de salva-lo, seu destino final era iminente.
Michel continuou a respirar por alguns longos segundos agonizantes, antes de finalmente sucumbir e cair sem vida. Adrien fechou os olhos e balançou a cabeça em negação. Pensou que aquilo não poderia estar acontecendo, que não poderia ser real. Porém, quando abriu os olhos, viu o amigo morto.
Alguns tiros passaram bem perto de Adrien, que se lembrou que estava no meio de batalha. Ele se virou e viu alguns alemães se aproximando, prontos para atirar novamente, ele estava sozinho, se tentasse lutar, morreria.
De repente, sua tristeza virou raiva, já não se importava mais. Ele levantou as mãos e fez com que as armas dos inimigos que estavam próximos dali saíssem de suas mãos e apontassem contra eles, que ficaram confusos e aterrorizados. Sem pensar muito, Adrien fez as armas dispararem, imediatamente matando todos eles. Após isso, sem remorso algum naquele momento, ele olhou para o céu, vendo a batalha aérea que ainda acontecia.
Nos céus, James ainda estava em choque com a queda do colega, mas tentava manter-se concentrado ali, por mais dificil que fosse, ou seu avião seria o próximo a cair. O americano começou a perseguir o avião alemão que havia derrubado Michel e atirou contra ele, conseguindo atingir sua asa e o fazendo cair também.
Outro avião tentou derrubá-lo, mas dessa vez, bem mais facilmente, James conseguiu atirar no motor, fazendo-o explodir em pleno ar. Então ele viu outro avião inimigo passar por perto e começou a persegui-lo enquanto atirava contra ele.
Em um determinado momento, James parou de atirar e manteve-se focado na mira, esperando o avião inimigo ficar bem no centro dela antes de voltar a atirar, atingindo o inimigo em cheio e o derrubando de vez.
Após isso, eles começaram a jogar bombas sobre a artilharia inimiga, destruindo o que restava dela e fazendo o inimigo recuar.
Ao fim da batalha daquele dia, assim que pousou o avião, a primeira coisa que James fez foi procurar por notícias de Michel, mas ninguém sabia lhe informar claramente de qualquer coisa.
Ele continuou procurando por notícias até finalmente encontrar Adrien, que caminhava sozinho pela trincheira, de cabeça baixa, olhar inexpressivo, distante, algo não estava. Nada nunca estava bem naquele lugar, mas daquela vez, James sabia que era pior.
— Adrien — James o chamou e se aproximou. — Tem notícias do Michel? — Então ele viu a respiração de Adrien tornar-se mais pesada. — Adrien?
— O Michel… — Adrien tentou falar, mas as palavras não queria sair, ele não queria dizer aquilo em voz alta. — Ele…
— Ele não conseguiu — James deduziu, nem ele queria dizer a palavra morto, mas sabia o que tinha acontecido. — Sinto muito.
— Sim — Adrien disse aéreo. Sentia-se culpado, sentia que se tivesse se esforçado mais, Michel poderia estar vivo.
— Onde está o Henri? — James decidiu perguntar, embora tivesse medo da resposta.
— Na tenda médica — Adrien contou. — Estava indo para lá agora.
Assim, James acompanhou Adrien até a tenda médica, onde encontraram Henri, sentado em uma maca. Ele parecia melhor naquele momento.
— Henri — James chamou o amigo ao vê-lo. — Como está? O que disseram?
— Não foi nada demais — Henri contou. — Disseram que já posso voltar ao front.
— Que bom que você está bem — James disse, aliviado em ver o amigo bem.
— Onde está o Michel? — Henri perguntou. — Aposto que ele está se gabando por causa de algum avião inimigo que ele derrubou. — Henri olhou para os amigos e os viu ficar em silêncio, como se não quisessem lhe contar algo. As piores hipóteses começaram a passar pela cabeça do soldado. — Oh deus. — Então ele se lembrou dos momentos que ainda sofria com o gás, quando viu Adrien se afastar após um avião cair. — Aquele avião que caiu, era ele, não era?
— Sim — James respondeu simples, embora aquela parecesse ter sido a resposta mais dificil que já dera a alguém.
— Pobre garoto — Henri resmungou. — Era tão jovem.
— Sim, ele era — Adrien disse em voz baixa, quase inaudível para os amigos.
Dias, meses, se passaram, e mais batalhas aconteciam o tempo todo, para qualquer cristão fervoroso que visse aquilo, Verdun era o inferno na terra.
Após meses de batalhas, parecia que aquela seria a última, pelo menos em Verdun. Uma batalha final e definitiva, almejada desde o início do ano. E finalmente, ela estava próxima. Os alemães já estavam bastante fracos ali, já haviam perdido bastante com aqueles longos meses de batalha. Os franceses também haviam perdido, mas estavam em uma situação melhor que a do inimigo.
Naquela batalha final, os soldados corriam na terra de ninguém, tentando não serem pegos por tiros inimigos, Henri e Adrien estavam entre eles. Ambos corriam de esconderijo em esconderijo, eventualmente atirando em alguns alemães e e seguida avançando e repetindo tudo de novo.
Logo, Adrien e Henri saíram de onde estavam escondidos e correram mais um pouco, com snipers tentando atingi-los. Eles novamente se esconderam atrás de outro monte de terra e Adrien conseguiu ver de onde um dos snipers estavam atirando.
Com isso, Adrien saiu dali, correu mais um pouco e novamente, se esconder atrás de um monte de madeira, com seu foco ainda estando no sniper.
Ele pegou uma granada, a abriu, e rapidamente, a jogou para onde o sniper estava, que nem ao menos teve tempo de pensar antes da bomba explodir. Com isso, Adrien correu até onde o sniper estava, entrando na trincheira inimiga.
Adrien andou um pouco até se assustar ao ver um alemão com máscara de gás que parecia estar pendurado ou encostado a parede, imediatamente, Adrien apontou a arma para ele, que nem se moveu. O rapaz se aproximou e ousou tocar a ponta do riffle no inimigo, finalmente percebendo que ele estava morto.
Logo, mais soldados franceses entraram no local, e andaram por ali para terem certeza de que estavam todos mortos.
Nos céus, a batalha estava tão intensa quanto em terra, com aviões se enfrentando em algo que se visto de outra maneira, pareceria um espetáculo, mesmo com os pilotos atirando um contra o outro, na esperança de derrubar o inimigo.
James viu que um alemão o perseguia, e por isso, colocou o nariz do avião para baixo e começou a descer em alta velocidade, com o inimigo em seu percalço fazendo o mesmo. Quando estava quase atingindo o chão, James conseguiu virar o avião e recuperar a altitude, enquanto o inimigo não teve tanta sorte, ele tentou se recuperar, mas não foi rápido o suficiente e bateu direto no chão, matando o piloto no mesmo momento. James assistia o avião inimigo em chamas no chão enquanto recuperava altitude.
Já no chão, Adrien ouviu passos atrás de si, imediatamente ele pegou o riffle, se virou e apontou para quem se aproximava, até que viu Henri, que levantou as mãos, assustado.
— Ficou maluco? — Henri questionou vendo o amigo abaixar o riffle.
— É você quem está maluco — Adrien disse. — Não deveria se aproximar assim, pensei que fosse algum alemão. — Ele então olhou em volta, parecia que estava acabando, pelo menos a batalha. — Ganhamos?
— Acho que sim — Henri respondeu, embora estivesse receoso.
Finalmente, aquela batalha chegava ao fim, mas não a guerra.
Pouco tempo depois, após o fim da batalha. Adrien estava na trincheira, um pouco afastado dos outros soldados, encarando o terço que sempre carregava escondido na roupa, o terço que carregava desde que saiu do Brasil. Muita coisa havia acontecido, muito havia mudado, ele só tentava entender o quanto havia mudado.
Ele viu Henri e James caminharem em sua direção e rapidamente guardou o terço novamente.
— Estava rezando? — James questionou.
— Eu parecia estar rezando? — Adrien questionou de volta.
— Não sei, não entendo muito essas coisas católicas — James disse e se lembrou de uma notícia que havia chegado aos oficiais. — Tenho notícias do front.
— Qual deles? — Henri perguntou.
— Lembram do russo maluco? — James perguntou, mas os outros dois ficaram em dúvida. — O espião que vocês deveriam ter matado.
— O que tem ele? — Adrien perguntou estranhando aquilo. — Ele não estava preso?
— Pensei que já estaria até morto a essa altura — Henri completou.
— Não, ele está vivo até onde eu sei — James contou. — Ele tinha feito um acordo com os britânicos e estava trabalhando com eles, por consequência, estava do nosso lado.
— Estava? — Henri questionou cético.
— Ele desapareceu — James contou. — E sabendo do histórico dele, dá para afirmar que ele fugiu e mudou de lado de novo.
— Não estou surpreso — Henri comentou. — Tenho para mim que existe algum tipo de plano maior por trás dele, ou ele é maluco.
— Não duvido que seja a segunda hipótese — James também comentou. — Esses russos parecem malucos, qualquer dia desses conto algumas histórias que ouvi sobre eles.
Adrien estava pensativo e não prestava atenção no que os amigos falavam, ele lembrou do que Nikolai havia lhe contado, sobre para quem trabalhava. Chegou a conclusão de que Nikolai fazia parte de algum plano maior e complicado, provavelmente tudo o que havia feito até aquele momento era jogar, mas Adrien não conseguia entender o objetivo final daquele jogo e quem poderia estar por trás de Nikolai.
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