(HIATUS) Helena.
10 Uma virada de ano ao ritmo de Twist and Shout
Notas iniciais
Esse capitulo ta um pouco - bem - menor, mas é porque ele é só sobre a virada do ano e tbm nao era pra ter ele, eu que quis fazer de ultima hora e tive que encaixar tudo.
Espero que gostem.
Eu podia sentir o leve aroma de baunilha que exalava do cabelo flamejante do ruivo, podia sentir a força que ele fazia para se segurar enquanto me segurava delicadamente com as mãos, e mais forte do que todo o resto, eu podia sentir o leve toque dos lábios dele nos meus.
Não era um beijo ardente, feroz ou sensual, era um mero tocar entre os lábios e eu conseguia sentir meu coração insistindo em tentar sair do meu peito, minhas mãos tremendo levemente e meu rosto queimando.
Antes que o beijo se tornasse de fato ardente, feroz e sensual o ruivo se afastou e eu acordei com um sobressalto na minha cama bagunçada e no meu quarto vazio e bagunçado.
Meus cabelos desgrenhados, a respiração descompassada, a camiseta larga grudada as costas por causa do suor e uma sensação ardente na garganta.
Será que eu estava indo á loucura?
*****
Trinta e um de dezembro. Eu definitivamente não estava no auge da minha beleza ali, sentada no sofá com uma camisola laranja berrante de flanela, com os pés descalços, uma xícara de leite frio na mm mão esquerda e a mão direita apoiada bravamente na têmpora de um dos meus olhos que estavam cobertos por olheiras nada claras.
Durante as minhas maravilhosas noites que se passaram dês do dia de Natal e o encontro amigável de famílias no hospital meu sonhos com Lucas não pararam, na verdade se mostraram mais frequentes e incontroláveis e se continuassem eu definitivamente teria de ser internada em uma clinica com um maravilhoso diagnóstico de tarada.
O fato de que eu estive presa com os meus parentes que vieram no Natal e que não pude andar sem que algum deles aparecesse do meu lado não ajudou.
Eles não calavam a boca. Isso se mostrou puramente verdade quando graças ao falatório deles eu não ouvi a campainha tocar e só percebi que algumas pessoas queriam me ver quando três figuras altas de cabelos excêntricos — ruivo loiro e quase branco. — já estavam dentro da sala — presumindo que eles tivessem pulado o portão — e me olhavam com certo espanto.
- Helena! — Eles disseram em uníssono.
- Você esta horrível. -Disse Lucas depois.
- E de quem você acha que é a culpa? — Respondi deixando-o muito mais confuso e por fim me levantei para conduzi- lós para longe da minha adorável família.
*****
E mais uma vez eu me encontro imersa nos poderes de persuasão daqueles três idiotas. Ali estava eu, na praia. Apesar de não gostar nada daquele lugar, nesse momento não estava tão ruim, o cheiro maldito de sempre não impregnava o ar, todos ali estavam vestidos — ou quase todos- e era Ano Novo quase.
- AAH MORENA! SE ANIMA! — Um Pedro bem alegre e saltitante dizia enquanto chegávamos á praia minutos antes da virada do ano.
- Eu vou me animar não se preocupe. — Respondi sem muito interesse.
- QUANDO? — Ele perguntou sem perder o animo e a voz elevada.
- Depois que eu afogar você.
Ele não pareceu muito abalado com a minha ameaça de morte, então deixei pra lá.
Não me lembro do nome da praia onde estávamos, sei que estava bem lotada, cheia de figuras de branco fazendo simpatia á beira-mar, — pulando ondar e jogando rosas — brincando com crianças e alguns até já estavam bêbados de mais para conseguirem esperar o ano novo em pé.
Paramos no meio da multidão depois de um tempo, éramos só mais quatro pontinhos brancos quando a contagem regressiva começou.
Dez.
Felipe fez um gesto com as mãos indicando o numero dez, mas acabou saindo meio gay.
Nove.
Pedro continuava dando gargalhadas e pulando, será que ele estava bêbado também?
Oito.
Um cara que devia estar lá na casa dos trinta e era bem corpulento jogava a filha para cima do mesmo jeito que meu pai fazia comigo quando era pequena.
Sete.
Vi um casal se abraçando em meio á sorrisos do meu lado esquerdo.
Seis.
Senti alguma coisa cutucando a base da minha coluna e me virei na direção oposta ao casal.
Cinco.
Lucas tinha um brilho feroz nos olhos caramelados e me encarava profundamente.
Quatro.
Senti a mão esguia e fina dele tocar a minha bochecha esquerda e meu rosto ruborizar instantaneamente.
Três.
Ele riu da minha reação e segurou o outro lado do meu rosto.
Dois.
Meu corpo já tinha entrado em combustão e meu senso de realidade já tinha me largado á eras.
Um.
Ele se aproximou e eu sabia o que faria a seguir, mas isso não quer dizer que eu simplesmente explodi internamente assim que…
Zero.
Meu nome é Helena Cazeden, tenho dezessete anos, uma estatura média, cabelos pintados e passo as ferias numa cidade no litoral com minha família. Já fui beijada várias vezes. Mas hoje eu descobri o significado de uma frase que li em um slogan qualquer quando era pequena e que sempre me chamou a atenção.
“Um dia roubarão teu coração e ainda assim se sentira completa.”
Era o slogan de um boticário qualquer na época do Dia dos namorados.
Eu sentia que meu coração tinha decidido me abandonar para ter maravilhosas conversas com um ruivo problemático e destrambelhado e mesmo assim eu tinha uma sensação de preenchimento em todo o meu corpo. Aliás, eu desconfiava novamente de que estavam promovendo uma festa de arromba dos anos 60 dentro do meu estomago e que todos dançavam como se não houvesse amanha ao ritmo de Twist and Shout.
Não sei se consigo explicar exatamente o que eu sentia ao ser beijada por Lucas, mas era alguma coisa do tipo aquela cena em Nunca fui beijada aonde Drew esta no meio do campo de beisebol e o professor chega e lasca um beijo um pouco mais do que romântico nela. Só que multiplicado milhões de vezes.
Não sei quanto tempo se passou naquele beijo, mas quando finalmente me afastei de Lucas pude ver que todos na praia já estavam bebendo alguma coisa para comemorar e que Pedro e Felipe nos encaravam.
Eu me sentia dura como pedra e minha cara deveria estar mais vermelha do que os cabelos do ruivo, por sorte ele fez um sinal com a cabeça para os dois que logo após isso nos deixaram á sós.
Só então percebi que o rosto de Lucas também tinha ganhado uma coloração coral que encaixava nele misteriosamente.
Meu corpo finalmente descongelou e eu pude soltar uma risada gostosa milésimos antes de me jogar para frente e abraçar Lucas violentamente, o que deixou o garoto um tanto muito surpreso, mas ele relaxou completamente e retribuiu o abraço logo após que sussurrei no ouvido dele, o mais baixo possível, fazendo o oposto ao que ele tinha feito.
- Eu te amo.
Senti a cabeça dele encaixar no vão entre meu pescoço e meu ombro e a respiração fraca bater contra a minha pele.
Afastei-me bruscamente com uma sensação crescendo dentro de mim.
- Helena? — Ele perguntou totalmente perdido.
Merda.
- Meu pescoço… — Não consegui terminar a frase, pois tive que puxa-lo para mim e beija-lo novamente.
Só consegui parar depois que aquela maldita sensação quente na minha garganta foi embora.
Olhei culpadamente para o ruivo que parecia surpreso, mas ao mesmo tempo satisfeito e então ele concluiu a frase que eu não tinha terminado.
- É o seu ponto fraco.
*****
Linda. Ela estava linda, aliás, ela é linda. Usava uma bata branca que tinha a cintura marcada com um cinto acoplado cheio de estrelas que aparentemente eram cadentes, um short jeans claro aparecia logo após o final da blusa e ela estava descalça.
Antes que eu percebesse a contagem regressiva para a virada já tinha começado e já estava no 7, por um impulso cheio de vontade, dois segundos depois de me dar conta da contagem estiquei o braço e cutuquei a base da coluna de Lena — esse era o apelido totalmente fofo que eu tinha dado para ela mentalmente — onde eu sabia que havia uma marca de nascença que se você virasse a cabeça se parecia muito com uma tocha, o que chegava a ser bem curioso já que o nome Helena significava coisas do tipo; luz, tocha, luminosidade e etc. A marca era bem mais clara que a pele dela e quando a garota se sentava era possível ver a marca conforme a blusa levantava.
O rosto dela tinha os traços incrivelmente cativantes, a boca meio avermelhada e as covinhas mais marcantes do lado esquerdo, o lápis preto em volta dos olhos médios realçava os cílios grandes e o cabelo pintado parecia meio azulado por causa de todas as luzes que iluminavam a praia.
Ela estava vermelha até demais quando eu toquei um dos lados de seu rosto e isso só piorou quando segurei o outro.
Ela é linda. Demais, mesmo toda corada.
E eu já tinha esperado tempo demais — ou não -.
Puxei-a delicadamente para perto e a beijei.
Tive um forte impulso de me afastar, porque eu não conseguia nem respirar direito só de encostar meus lábios nos dela, mas a vontade de tê-la era muito maior e naquele momento eu deixei o ato de respirar de lado e aproveitei o gosto de pasta de dente de menta e o cheiro do perfume de Helena. Lembro-me de quando estávamos andando por ai e ela apontou para um boticário e gritou: Meu perfume!
Era uma embalagem escura com a tampa meio acobreada e se chamava Coffee, o cheiro vinha fortemente dos cabelos dela e me inebriava completamente.
Depois de segundos — ou muito minutos — nós nos afastamos e senti que meu rosto queimava. Pra falar a verdade, Helena era a única pessoa que conseguia me fazer corar.
Os dois intrometidos nos encaravam com ansiedade, mas num gesto simples eu os tirei de lá.
Eu estava morrendo de vergonha graças a ela, mas não queria que ela percebesse e foi por isso que no momento em que ela disse: Eu te amo. Logo apos ter se jogado nos meus braços, eu afoguei meu rosto na curva do pescoço dela, aproveitando para sentir o perfume mais um pouco.
Senti a pele dela se arrepiar assim que soltei o ar que segurava e ela se afastar bruscamente com uma cara meio confusa e um olhar desconhecido para mim.
- Helena? — Perguntei em entender.
- Meu pescoço…
Ela me surpreendeu mais uma vez quando me beijou, cheia de avidez e vontade.
No começo eu não entendi e demorei um pouco pra responder, mas no momento em que ela se afastou eu pude entender que aquilo que brilhava nos olhos dela um tempo atrás era desejo, e eu tinha provocado.
- É o seu ponto fraco. — Confirmei minha teoria e me derreti mais uma vez pela garota na minha frente.
Notas finais
E FELIZ ANO NOVO PRA TODOS - ou nao -
Adios
@_anajvargas
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