(HIATUS) Helena.
11 Telhados são trampolins.
Notas iniciais
ESPERO QUE GOSTEM DO CAPITULO
- LUCAS! – Gritei me agarrando á camiseta branca que ele usava. – CARALHO EU VOU MORRER.
- Calma, é só não sair correndo e tomar cuidado quando for pisar em algum lugar. – Ele disse rindo da minha cara de pavor.
- EU VOU MORRER, EU TO MORRENDO, EU JÁ MORRI, EU QUERO VOLTAR! – Gritei em resposta e parei no meio do telhado da Casa dos Smith que nem uma retardada tremendo de medo de cair e morrer.
- SENTA. – Lucas gritou como se estivesse falando com um cachorro.
- Mas que merda Lucas?
- Só senta sua retardada. – Ele fez pressão nos meus ombros com as mãos, me obrigando a sentar cuidadosamente nas telhas que pareciam novas. – Você acha mesmo que eu vou deixar você morrer?
- Claro que acho, você me arrastou pra essa porcaria de telhado. – Respondi ainda agarrada na blusa dele.
- Cala a boca. – Ele disse rindo e então deitando o corpo sobre as telhas. – Deita.
- Nem morta. – Eu disse sem pensar, o que fez ele rir de novo, já que eu só estava falando de morrer e bla bla bla.
- Então pelo menos para de dar uma de mãe Diná falseta falando que vai morrer e olha pra frente.
Eu olhei. E fiquei olhando. Era lindo. Não eram nem três horas da manhã ainda, mas o céu estava escuro e cheio de estrelas explodindo em verde, azul, vermelho e prata. No fundo era possível ver uma linha fina e tênue impedindo o céu de colidir com o mar.
Aquela visão tirava todo o medo de ficar em um telhado de uma casa de três andares.
Mas é claro que eu quase morri de novo quando Pedro passou pela janela do sótão fazendo um barulho nada discreto.
- Cadê o Feh? – Perguntei quando o loiro já estava sentado do lado de Lucas, ou melhor, deitado.
- No quarto dele, cheio de birrinha. – Ele respondeu claramente irritado.
- O que é que você fez? – Lucas perguntou antes de mim.
- Nada! – Pedro respondeu deixando bem claro que ele tinha feito alguma coisa.
- Lucas. – Chamei pelo ruivo.
- Diga.
- Me ajuda a chegar até a janela do sótão sem cair do telhado. – Eu fiz uma cara fofa e pisquei os olhos trilhões de vezes na direção dele.
- Claro né. – Ele levantou habilidosamente no telhado e estendeu a mão numa tentativa de fingir cavalheirismo.
Ele me ajudou a passar pela janela do sótão sem nenhum grande risco de “Helenas caindo do telhado” e eu fui sozinha até o quarto de Felipe.
Bati na porta, mas não tive nenhuma resposta, por isso a abri lentamente.
- Feh? – Vasculhei o quarto á procura dele. O garoto estava sentado em uma bay window do outro lado do quarto. – Hey! Fala comigo! – Chamei mais alto por ele, que finalmente virou a cabeça para onde eu estava.
- O que? – Ele respondeu com um tom nada carismático como de costume.
- É que o Pedro foi pro telhado e você não e ele também disse que você não tava nos seus melhores momentos, então eu vim ver o que era. – Respondi meio acanhada. Quem diria que o Felipe poderia ter um olhar do mal.
- E por que você não vai lá pro telhado com o Pedro, será que é tão difícil ver que eu não to afim de ir? Você e o Pedro adoram encher o saco não é! Aproveite e fale pro Pedro se jogar do telhado, quem sabe eu não tenho a sorte dele quebrar o pescoço. – Ele virou a cara para o lado de fora da janela.
- Por acaso o Pedro fez alguma coisa? – Perguntei rapidamente antes que ele virasse o rosto de volta pra mim e me lançasse mais um olhar nada aconchegante.
- Caralho! Por que é que o Pedro tem que ter feito alguma coisa? Não pode ter sido outra pessoa? Tem que ser Pedro isso, Pedro aquilo, Pedro tudo. Será que você não pode deixar ele em paz? Você já não tem o Lucas? – Felipe gritou pra mim enquanto se levantava bruscamente.
Pedro tudo? Eu estava ali porque queria saber de Felipe. E até agora quem estava falando “Pedro” era ele... Além do mais, o que o Lucas tem a ver com isso?
- Felipe... – Uma ideia meio maluca me passou pela cabeça. – Por acaso... – O Maximo que iria acontecer era ele gritar um não bem bonito e me expulsar do quarto. – Você é gay? – Sim, essa foi a primeira explicação que eu encontrei.
Me preparei para o não tão bonito que ele ia soltar, mas nada aconteceu. Quer dizer, alguma coisa definitivamente aconteceu, o rosto de Felipe ganhou uma coloração vermelha do nível tomate maduro misturado com pimenta e morango.
- O que? C-claro qu-e-e não. – Ele respondeu gaguejando e tremendo levemente nas mãos.
Bingo.
- Você é! – Um momento para a outra luz mágica que acabou de se acender dentro do meu cérebro. – Você gosta dele!
- Dele quem? Eu não sou gay, não gosto dele! – Ele respondeu meio que gritando meio que admitindo tudo.
- Você gosta do Pedro! – Quando eu soltei essa linda exclamação Felipe pareceu se dar conta do que eu tinha acabado de descobriu e então decidiu largar um pouco da vida e se transformou numa pedra. – Felipe?
Depois de muito tempo brincando de ser pedra ele finalmente voltou e começou a repetir:
- Você não pode contar! Você não pode contar! Você não pode contar! Você não pode contar! Você não pode contar! Você não pode contar! Você não pode contar! Você não pode contar!
- Ta bom! – Gritei fazendo um gesto com as mãos para que ele parasse. – Eu não vou contar! Meu Deus, não precisa fazer todo um escândalo e nem lançar mais um olhar do mal pra mim, já entendi.
Ele pareceu aliviado depois de ouvir isso.
- Desculpa. – Felipe disse me fazendo ficar muito mais do que confusa.
- Como assim desculpa? Pelo que? – Perguntei.
- Por ter jogado a culpa em você. – Ele respondeu enquanto se sentava no chão mesmo. – Depois que você e o Lucas se beijaram o Pedro me contou que ele gosta de você, então eu meio que fiquei puto. – Eu até poderia ter respondido, mas só então eu percebi que eu tinha beijado o ruivo algumas horas antes. – Helena?
- Hã? – Respondi inconscientemente.
- Sua cara ta mais vermelha que a minha. – Felipe disse antes de soltar uma risada. – Você gosta dele mesmo né?
- Cala a boca! – Agarrei a primeira coisa que estava na minha frente – que para a sorte de Felipe era um travesseiro – e joguei com um força tremenda contra o garoto.
- Calma! Não precisa me afogar em penas. – Ele respondeu ainda rindo.
- Eu falei pra calar a boca!!! – Continuei batendo nele com o travesseiro, mas de nada adiantou já que Felipe continuava a rir da minha cara de retardada.
*****
— Lucas! – Chamei pela janela do sótão. Em menos de 10 segundos ele já estava me ajudando a passar pelo buraco e ir até onde Pedro estava.
- AH! Libertaram a princesa do cativeiro é? – Pedro brincou em relação ao fato de Felipe estar ali também.
Pude ver as bochechas de Felipe corarem levemente, mas ele logo disfarçou.
- Ó meu querido príncipe! – Felipe começou a contracenar contra o nada. – Será que você poderia jogar essa bruxa má e capenga do telhado? – Ele apontou para Pedro que ficou com uma cara de bosta.
- A bruxa má capenga que vai te jogar do telhado! – E então em um piscar de olhos os dois estavam “ lutando” em cima do telhado.
Uma alfinetada na nuca me dizia que aquela não era uma boa ideia. Toda vez que eu tinha essa sensação na nuca alguma coisa acontecia.
E aconteceu.
Igualzinho da vez em que Lucas foi atropelado, tudo agora parecia estar em câmera lenta. Pedro e Felipe estavam brigando de mentira até que o loiro perdeu o equilibro e se agarrou em Felipe, mas os dois começaram a rolar pelas telhas e de repente, eles tinham sumido de vista.
Uma mão gigante apertou meu coração e parecia não ter a intenção de soltar. Lagrimas começaram a descer pelo meu rosto e eu tremia muito mais do que quando subi no telhado.
- Hey, calma, ta tudo bem. – Senti Lucas me abraçar de lado.
- Tudo bem? – Disparei aos berros. –Eles acabaram de cair do telhado e você me diz que ta tudo bem? Como é que pode estar tudo bem! – Eu gritava a plenos pulmões e me chacoalhava freneticamente tentando sair do aperto de Lucas. – Era o seu irmão e seu amigo! Como é que você pode simplesmente falar que..
- Helena, cala a boca! – Lucas disse seriamente cortando minhas falas com um baque surdo. – Escuta...
Escutar o que? Ele parecia nem se importar!
Eu ainda podia escutar as vozes de Pedro e Felipe se xingando no fundo da minha mente, elas iam ficando mais altas a cada instante e mais reais também. Um pouco reais de mais.
- Você sabia que tem uma piscina nessa casa? – Lucas disse no tom de sempre e então aquela mão que até agora estava tentando fazer suco do meu coração finalmente afrouxou. – Confia em mim? – Lucas perguntou. Eu assenti com a cabeça e então tudo rodou.
Ele tinha me puxado e estávamos rolando o telhado a baixo exatamente como Pedro e Felipe.
Tentei gritar, mas não consegui fazer com que nenhum som saísse da minha boca, minha respiração estava meio ruim, minha visão meio embaçada e minhas roupas.... completamente molhadas.
Senti alguma coisa me puxar pra cima e o ar voltou completamente aos meus pulmões.
- Faz muito tempo que não pulamos do telhado não é? – Ouvi a voz de Felipe um pouco a minha esquerda e me virei desesperadamente.
Ele ria ao lado de Pedro.
Minhas roupas ainda estavam molhadas. Mas é claro que estavam.
- Eu aqui achando que vocês tinham morrido e vocês simplesmente deram um pulinho na piscina! – Comecei a dar tapas bem ardidos nos dois idiotas e depois me virei para Lucas. – E você! EU quase morri agora, por acaso seu hobby é jogar pessoas do telhado?
Eles continuavam rindo, não importava o quanto eu xingasse. No fim eu acabei rindo também, mas por dentro eu estava bem aliviada pelo fato de ter uma piscina na casa dos Smith.
*****
Ir andando até a sua casa em uma roupa completamente encharcada definitivamente não é o que eu queria fazer no primeiro dia do ano. Mas eu supero essa.
Por sorte eu já estava no portão da minha casa e em alguns minutos eu poderia colocar uma roupa seca e me jogar na minha cama, me sentia exausta.
Lucas tinha me acompanhado até em casa só pra garantir que nenhum velinho tarado com fetiche com meninas encharcadas tentasse me seqüestrar e agora ele estava apoiado na mureta da minha casa de praia enquanto eu abria o portão.
- Então eu vou dar uma dormida até 2014 e depois a gente se fala ta? – Eu disse já adentrando o quintal.
- Helena. – O ruivo me chamou e antes que eu pudesse me virar completamente para ele uma sensação quente já tinha tomado conta do meu corpo e já estava rolando mais uma festa dentro do meu estômago.
Senti os lábios dele se separarem dos meus mais eu ainda explodia por dentro em milhares de fogos de artifícios e confetes.
- L-lucas! – Protestei levando as mãos até a boca.
- O que? Até parece que eu não vou fazer isso milhares de vezes agora. – Ele disse casualmente fazendo com que meu rosto queimasse mais forte que o Sol.
- Mas eu tava desprevenida! – Tentei arranjar uma desculpa para estar tão envergonhada quando uma garota que acabou de dar o primeiro beijo.
- Ok então, se prepare! – Ele disse e então se aproximou novamente tomando meus lábios por um tempo. – Quando acordar me avise!
Ele acenou com a mão enquanto virava a esquina e me deixava sozinha.
Fechei o portão e fui rapidamente á procura de uma toalha e de roupas secas.
Notas finais
@_anajvargas
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