Há Tempos

3 Currents swept you out again


Notas iniciais
Bem, olá! Queria dizer que ficou pequenininho, mas espero que vocês gostem. Quero pedir desculpas pela demora para escrever esse capítulo, mas de certa forma estou bastante satisfeita. Estou tentando montar um dreamcast como as outras pessoas fazem, mas não me inspiro em pessoas para fazer os personagens, sendo assim, é bastante difícil achar as pessoas perfeitas para fazer as personagens e ajudar vocês a imaginá-las. Eu irei editar as notas obrigatórias da história para ficar uma coisa mais organizada e, como a srta. Nikki Meyers e seu comentário gigantescamente maravilhoso disse, diminuir a sinopse para ficar uma coisa mais atrativa e menos enorme. Tenho ainda umas milhões de coisas para fazer para complementar a história, mas por hora, espero que vocês gostem! Quero agradecer a Mari, minha marida, e a Cassandra pelos favoritos ♥ Amo vocês, claramente! Comentem, deem criticas construtivas e sorrisos para mim! Qualquer erro, por favor me avisem. Eu estou sem Beta e SEM WORD, só sofro. Música do capítulo: This Love - Taylor Swift (1989). Beijus ♥

Há muitos anos, moravam na selva amazônica dois noivos apaixonados que sonhavam ser um casal. Ela vestia-se de prata e seu nome era Lua. Ele vestia-se de ouro e o seu nome era Sol. Lua era a dona da noite e Sol era dono do dia.

Havia um obstáculo para a namoro de ambos. Se eles se casassem o mundo se acabaria. O ardente amor de sol queimaria a terra toda. O choro triste da Lua toda a terra afogaria.

Apaixonados, se separaram e nunca puderam se casar.

Os noivos ficaram tristíssimos. A Lua, de prata e o Sol, de ouro.

No desespero da saudade, a Lua chorou durante todo um dia e uma noite. Suas lágrimas escorreram por morros sem fim até chegar ao mar. Mas o oceano, bravio, não queria aceitar tanta água. A sofrida lua não conseguiu misturar suas lágrimas às águas salgadas do mar e foi assim que algo estranho aconteceu.

As águas formadas com as lágrimas da lua escavaram um imenso vale, onde também muitas serras se levantaram.

Um imenso rio apareceu inundando vales, florestas e lugares sem fim. Eram as lágrimas da lua, que de tanta tristeza, formaram o rio Amazonas, o rio-mar da Amazônia.

✰✰✰

Ela estava de pé em uma das milhares de pedras espalhadas pela praia, grandes e pequenas. Conseguia ver toda a linha do horizonte daquela pedra alta. Aparentemente, não havia ninguém, e seu vestido longo e branco voava junto com o vento frio de inverno, moldando-se a ele. A maresia a acertando sem pena, como se a culpasse por todo mal que humanidade havia feito às águas dos mares.

Não a incomodava tanto quanto deveria; a sensação da ponta de seus dedos geladas e o vento frio cortanto sua bochecha não eram tão ruim. A pedra abaixo de seus pés era gelada também, esfriando a sola de seus pés e congelando seus dedos. O sol, mesmo o vento estando frio, brilhava enquanto se escondia atrás do mar, seguindo para o seu próximo destino, aonde quer que fosse.

Seus cabelos voavam para seu rosto e ela pensou em descer da pedra. O mar parecia sussurrar seu nome, chamando-a como um amante apaixonado. Queria correr, mas não conseguiria descer da pedrar sem ajuda. Uma mão surgiu ao seu lado, como se estivesse sempre ali, apenas esperando ela perceber aquilo.

Ao olhar os dedos calejados e as unhas ruídas, percebeu que também havia olhos a encarando, esperando-a com uma paciência imortal. Olhos de cimento, ela percebeu. Cinzas como a cor da parede de seu quarto, a cor das nuvens raivosas se aproximando, a cor de seu cabelo durante os dias frios. Eles olhavam como se estivessem a esperando, anos passando por eles. Olhos cansados, ela percebeu. Cansados do tempo.

Os cabelos escuros bem cortados e uma expressão de quem não sorria muito. A boca avermelhada e as bochechas pálidas; devia ter acabado de chegar ali. Como? Ela deveria perguntar, mas o que saiu de sua boca foi algo diferente.

— Você pode me ajudar a descer? — Layadel perguntou. Não deveria falar com estranhos, mas ele era o único que podia ajudá-la ali. O jovem apenas estendeu mais uma mão para ela segurar, sem falar nada. Parecia que havia tantas coisas a serem sentidas quando Layadel escolheu segurar suas mãos.

Ela tentou ao máximo não se machucar. Assim que chegaram em uma parte escorregadia, ele segurou-a pela cintura firmemente até pousar suavemente na areia fofa.

Ele era dois palmos mais alto que ela. Era forte e esguio, com a delicadeza de um beija-flor e a suavidade de uma pétala de rosa. Estava sendo difícil processar as coisas. O que era real? O que não era?

— Preciso chegar no mar. Pode me acompanhar? — Mais uma vez não respondeu, apenas assentiu com a cabeça, oferecendo a sua mão. Layadel não sabia o que estava acontecendo, então apenas aceitou.

As pedras pareciam brilhar a luz já fraca do pôr-do-sol. O vento se acalmara, mas Layadel ainda sentia o vento frio chicotear nas costas nuas dela enquanto andavam pela areia.

Como se estivesse em casa, Aurea sentiu-se completa ao chegarem na areia umida pela maré subindo. Olhando em volta, percebeu que a Lua estava no mesmo céu que o Sol. Como quando amanhecia. Layadel olhou paro o garoto ao seu lado, que apenas olhava para o Sol.

— Eu acho que esse é o segundo momento em que eles podem se encontrar no dia. A única oportunidade de realmente se verem, mesmo que seja de longe. Os amantes que apenas se unem durante os Eclipses. Quando amamos uma pessoa, sempre desejamos passar o amanhecer ou o pôr-do-sol com ela. Sonhamos acordados com o dia em que isso, de fato, vai acontecer. Mas não vemos que, a realidade disso, é que são nesses únicos momentos que a Lua e o Sol compartilham o mesmo céu. — ele a olhava com um olhar de centenas de décadas de vida. Como se já tivesse visto de tudo, mas não entendido aquilo que estava falando.

— Quem é você? — perguntou, um sussurro entrecortado em meio as ondas que quebravam. Aurea riu e pulou uma, e depois outra, e a seguinte, logo formando 7 as ondas que ela pulava e logo se desfaziam.

— Dizem, que quando pulamos as sete ondas durante a noite de Ano Novo, nos dá sorte. Não acredito nisso. Por que podemos apenas pulá-las no Ano Novo, mas não nos dias normais? E se eu não puder estar na praia durante o Ano Novo? Como resolvo isto? Não é, de fato, justo. — ela não podia descontar suas insignificantes preocupações em um soldado. Sim, Layadel achava que ele era um soldado. Única e irrevogável explicação.

— Não respondeu a minha pergunta.

— Não tenho uma resposta para ela. Meu nome é relativo, e quem eu sou também. Depois de todos esses anos de vida, não acredito que não saiba que isso não é o que realmente importa.

— E o que realmente importa? — não perguntou como os olhos dele o entregavam, como os seus anos transpareciam por eles. Ela pensou bem antes de responder, mas bem mesmo. Ele não se deixava molhar, por isso, estava distante. A água estava tão quente. Não entendia porque ele não entrava.

—O vento. Ele é o que realmente importa. O vento é como o amor: você não pode ver, mas pode sentir. E acredita nele. Sente ele. Não damos a verdadeira atenção para o que realmente importa, talvez isso o que nos faz humanos. — com os cabelos meio molhados e a água até a cintura, ela respondeu. A água esquentava a ponta de seus dedos frio e, antes de dar o primeiro mergulho, olhou para o jovem, cada vez mais longe. — Verei você de novo? — olhou para Lua quando sussurrou isso. Não esperava uma resposta; não era possível ele a ouvir de onde estava.

Mesmo assim, de alguma forma, quando mergulhou na água quente, ouviu a resposta, suave e rouca, vindo de todos os lugares.

— Sinta o vento, então eu estarei lá.

Notas finais
Espero que gostem, raios de Sol!