Há Tempos

4 And the story’s brand new


Notas iniciais
OLÁ, AMORZÕES ♥ Queria primeiramente agradecer as pessoinhas maravilhosas que comentaram mesmo eu tendo atualizado no mês passado, fazendo mais de um mês para escrever um capítulo meio xoxinho igual a este. MAS ELE É NECESSÁRIO, ENTÃO LEIAM! Agradeço a Lets que fez um comentário gigantescamente lindo para Há Tempos e ainda deu um favorito que eu estou amando até agora ~sentindo um orgulho inexplicável~, a Black Angel que FEZ UM COMENTÁRIO MUITO PERFEITO OBRIGADA AMOR DA VIDA PRA VOCÊX ♥ Agora, a Lay, porque a Lay é a Lay, e a Lay me ajudou muito corrigindo as coisinhas para mim, você vai estar em todas as dedicatórias que eu puder fazer enquanto estiver viva ♥3333333 O nome da música de hoje é Bravado, da rainha gótica indie da minha vida, Lorde. Não escrevi ouvindo ela, escrevi ouvindo Stay da Rihanna, mas eu tinha que colocar Lorde logo no começo por uma questão de necessidades fanáticas. Espero que cês gostem, não sei se ficou grande o bastante, entretanto espero que tenha ficado bom o suficiente para receber um comentário de cês! Podem ler enquanto ouvem Magnets da Lorde feat. Disclosure também. Amo essa música ♥ Boa leitura ♥

"Diz uma lenda que o Sol e a Lua sempre foram apaixonados um pelo outro, mas nunca poderiam ficar juntos, pois a Lua só nascia ao pôr do Sol. Sendo assim, Deus, na sua bondade infinita, criou o Eclipse como prova de que não existe no Universo um amor impossível."

☼☼☼

— Socorro! Socor... Ah. — a menina gritou e Guth sentiu logo uma mão pequena e com dedos longos segurarem seu braço, era Layadel apertando-o, suas unhas sendo enfiadas como pequenas adagas em seu antebraço. Os olhos azuis profundos dela estavam arregalados e sua respiração pesada.

Ele estava ali fazia vinte minutos, olhando a garota dormir como um anjo, apesar de parecer perturbada com alguma coisa, como se as paredes e cortinas brancas estivessem incomodando ela de alguma maneira, já que influenciavam a enfermaria a parecer um pequeno hospital. O cheiro de álcool era estranhamente agradável.

A enfermeira havia dito que eles estavam liberados das próximas aulas e pediu, com o olhar brilhante pelo fato de Guth estar na sala dela, que ele se encarregasse de levar Layadel ao refeitório, já que a menina havia desmaiado por não ter comido nada há muito tempo. Ele não queria (nem devia) ficar preocupado com a garota de cabelos brancos na sua frente, mas era quase instintivo. Na maior parte do tempo ele ignorava o "instinto".

Sua bunda estava começando a ficar dormente graças à cadeira de ferro desconfortável da enfermaria, entretanto, quando pensou em levantar, Layadel segurou seu braço, quase pulando da maca.

— Aonde estou? Que lugar terrivelmente iluminado é esse?

— Enfermaria, Bela Adormecida. — Lay estava coçando os olhos enquanto olhava em volta. Era bem provável que Guth estivesse com a marca das unhas dela no braço, mas para não ter que olhar naquela hora, só abaixou as mangas da camisa. — Parece que você teve uma bela noite de sono. Seus olhos estão lindos nessa luz.

— Cale a boca. Cadê a enfermeira Louise? — cruzando as pernas em cima da maca velha que fazia um rangido cada vez que ela se mexia, e fixando seu olhar tenso nele, ela parecia sua avó. Velha e nova, sábia e inocente. Na cabeça de Guth, desvendar Layadel era a mesma coisa que pedir para ser internado em um sanatório. — Você vai ficar me olhando ou vai responder? Tem tinta no meu rosto? Eu sabia que não era para ter ficado a noite inteira...

— Não, Aurea. Eu... eu só me distraí com uma coisa. Não tem tinta no seu rosto e a enfermeira foi tomar um café. Ela liberou nós dois e me pediu para te levar para casa.

— Para a sua casa? Não, obrigada. Alguém já falou com a Kayla? Me diga que não! Ela fica insuportável quando está preocupada, mas eu quase nunca desmaio. Já faz... Não deveria estar falando isso com você. Você tem merda na cabeça. Qual o seu problema? — ela era uma metralhadora. Guth enterrou seu rosto nas mãos e tentou pensar coerentemente enquanto ela falava, sua voz preenchendo todo o silêncio do lugar. Qual a resposta que daria a ela?

De certo, ele fora extremamente egoísta e não pensou direito nas consequências que as escolhas dele afetariam Aurea, mas ele não ligava mesmo. O filho da diretora podia ter o que quisesse, não é mesmo? Quem se importava com o que Layadel pensaria? Ou ela iria para a festa com ele, ou diria tchau para sua pouca vida social.

Mesquinho, porém ele não ligava. Na sua cabeça e na sua realidade, Soler poderia fazer o que quisesse e ter o que quisesse, então era assim que deveria acontecer em todo o tempo.

— Você não escutou nada do que eu disse, não é? Bem, não me importo. Não quero que me leve para casa. Vou dirigir sozinha, não preciso de mais um idiota para acabar com o meu dia. Pode voltar para Thanerys, ninguém precisa se preocupar e eu não preciso aturar você por 6 horas seguidas. — Aurea disse isto enquanto se levantava e pegava sua jaqueta manchada no cabide e sua bolsa no chão.

Guth sorriu. Ele pensara que seria mais fácil que aquilo, mas também estava preparado para qualquer negação da parte dela. Tinha suas armas e esperava realmente que Layadel não o decepcionasse na sua pequena luta.

— Eu não quero ir com Thanerys. Você reconhece que será praticamente obrigada a ir comigo. Não quero que se sinta pressionada, mas sabe que no momento em que sair por essa porta sozinha, todos deduzirão que nós vamos juntos e eu estava dando meu precioso tempo do treino para te ajudar a se recuperar do seu pequeno desmaio, já que você não come nada a mais de nove horas. Saindo ou não comigo, você já está vendida, Layadel.

Os olhos turquesas estavam tão azuis que pareciam o mar em uma tempestade. Soler queria dizer que aquilo tudo era uma completa farsa e que ele nunca faria nada para que Layadel se prejudicasse, mas não poderia mentir tão descaradamente. Havia construído uma teia até aquele momento para que tudo ocorresse perfeitamente com Layadel, não esperava que nada desse errado.

Se a garota tivesse uma arma, com certeza usaria agora. Sua expressão fria fazia com que o ambiente parecesse mais escuro e Guth sentiu alguma coisa se inquietando dentro de si, um novo medo florescer. Mas medo de quê?
Parando a centímetros do seu rosto, com o hálito frio, Layadel começou a falar.

— Não espere que eu vá fazer tudo o que você quiser, Príncipe. Não sou Thanerys e nem suas vadias para que você ache que tem algum efeito sobre mim. Não pedi para que abrisse mão do seu “precioso tempo de treino”, muito menos para ficar aqui comigo. Que fique bem claro que você não sabe com quem está mexendo ou o que está fazendo. Quer brincar mesmo? Então aceite as regras do meu jogo.

Guth pensou em milhares de respostas para ela naquele curto espaço de tempo que ficaram parados, apenas se encarando. Pensou em rir, em levantar e ir embora e pensou em abraçá-la e dizer que era tudo uma farsa. Entretanto, tudo o que fez foi ficar ali parado, encarando seus olhos e tentando não se perder naquele labirinto.

— Vou te levar para a sua casa. Não para a minha. Na minha só depois do quinto encontro. — com nenhum meio sorriso, Layadel se virou tempestuosa e andou para a porta, sem nem chegar perto da sua bolsa e sua jaqueta. — Tudo bem, eu levo suas coisas, sem problemas.

— Não espere agradecimentos, não está fazendo mais que sua obrigação depois de toda a merda que me arrumou.

— Você tem a boca bem suja para uma menina.

— Agradeça a minha mãe por me ensinar a usá-la com quem merece.

— Da próxima vez que eu vê-la, pode ter toda a certeza que agradecerei.

Quando Aurea estava com a boca aberta para dar a ele a resposta que merecia, um vulto se mexeu na janela estreita que havia naquela sala, e uma lufada de ar fez a cortina leve se mexer. Como se fosse um imã, a visão dos dois virou para a janela na mesma hora, porém tudo o que havia do outro lado era a grama verde, amassada e mal aparada do jardim.

Antes de Guth dar o primeiro passo em direção a janela, Layadel já estava com metade do corpo projetado para fora da mesma. Resolveu ficar parado no meio da sala clara, esperando ela terminar de olhar para os lados.

Provavelmente era algum calouro do jornal da escola mandado para fazer o trabalho sujo de seus superiores.

— Não tinha ninguém dos lados. Estranho... Bem, eu estou morrendo de fome. Não espere que eu pague meu almoço também. Eu vou achar quem estava aqui nos olhando. Preste atenção também.

— Tudo bem, Sherlock.

— Não duvide dos meus dons, Watson. Você não me conhece.

— Desculpe, Demi Lovato. — com uma bufada, novamente tempestuosa, escancarou a porta e saiu.

☼☼☼

Enquanto andava pelo corredor, seguindo a cabeça branca de Layadel, pensava seriamente se havia tomado as decisões certas, afinal, Aurea era um mistério para todas as pessoas da escola. A quantidade de boatos que já ocorreram sobre sua verdadeira personalidade era a mesma das quantidades de vezes que Aurea chegava atrasada, o que não acontecia poucas vezes.

Ele provavelmente não seria a pessoa mais indicada ou estereotipada para andar na companhia de Layadel. Quer dizer que ele deveria simplesmente não se importar com os olhares de nojo, inveja, admiração e encanto enquanto passavam pelo corredor. Lay não era a garota mais famosa do lugar, mas conseguia roubar as atenções apenas piscando os grandes olhos turquesa.

Ele não deveria se importar, porém de uns tempos para cá, havia desenvolvido algum tipo de TOC. Tudo a sua volta era como se estivesse ali para ser observado, como se seu objetivo fosse ficar vendo as pessoas fazendo coisas, observando as suas manias e segredos. Ah, os segredos... Guth sabia que daria toda a sua coleção de Star Wars para saber os segredos das pessoas.

A questão que tudo o que ele estava fazendo na última semana, sem se preocupar com seus amigos, sua irmã, Thanerys, ou com as líderes de torcida, era observar Layadel. Ele provavelmente sabia até o mínimo movimento com as mãos que ela realizava. Isso claramente deveria fazê-lo ser internado ou algo do gênero.

— Você não se incomoda com todas essas pessoas enchendo o seu saco o tempo todo? Olha só, parecem cachorrinhos sem dono. Observando você o tempo todo. — Guth foi obrigado a rir. Ela realmente achava que naquele corredor cheio de gente que não cuidava da própria vida, as pessoas estavam olhando para ele. Layadel não parecia perceber a atenção que chamava.

— Às vezes eu penso em adotar algum deles. Mas aí lembro que provavelmente irão comer meus sapatos ou quebrar algum vaso antigo da vovó. Então, eu apenas finjo que eles não estão aqui.

— Você chama a sua avó de vovó? Quantos anos tem? Cinco? — então, finalmente, ali estava o sorriso suave e irônico de Aurea que todos falavam, o sorriso que Colin, de O Teorema Katherine diz. Depois de dois anos, Guth finalmente entendeu o que ele havia pensado. — Enfim, pare de me olhar assim. Você está parecendo feliz demais.

Fechando a cara novamente, virou no corredor, sem andar mais rápido que ele, ainda ao seu lado. Logo estariam no refeitório e seria ainda pior que o corredor. Não percebeu que haviam virado no corredor oposto ao que dava ao refeitório quando já estavam quase na saída da escola.

— O que estamos fazendo, Aurea? — estava confuso. Ela havia dito que logo descobriria quem os estava observando, mas ele queria pelo menos comer pudim de chocolate antes.

— Estamos provando a minha capacidade de achar coisas que as pessoas não se importam em achar. Se deixar para depois eu esqueço.

— Deixando de lado sua outra capacidade incrível de ser metafórica com coisas insignificantes, aonde estamos realmente indo? — seu humor era bipolar. Ele fazia análise, mas apenas uma vez por semana disfarçado de curso de inglês. Era bem melhor do que ter surtos de bipolaridade na escola.

Não estava afim de entrar em uma de achar alguém que eles nem sabem quem é ou como é com Layadel. Ele queria mesmo era apenas ir ao Parque e comer cocada, depois levá-la para casa na esperança de que ela aceitasse ao seu pedido de ir buscá-la antes do jogo para tomarem milk-shake.

O fato era que ele não iria conseguir nada mais que comer uma cocada quando eles saíram para a manhã quente daquela segunda. O tempo estava reconfortante para Guth, apesar do seu dia confuso, aquele Sol fazia-o acreditar que em algum momento alguma coisa se tornaria boa. Algo em meio das suas decisões inexplicáveis iria fazer sentido para alguém.

— Você, de novo, ouviu alguma coisa que eu disse? — estavam parados na porta de entrada do Colégio. Ela aparentemente não sabia qual era o carro dele pelo visto, e ele não ouviu uma palavra do que ela havia dito naqueles últimos 5 minutos.

— Não, mas... — ela rolou os grandes olhos mais uma vez e começou a descer os degraus da escadaria. — Você tem que comer antes de sairmos na sua busca idiota e desnecessária.

— Vou fingir que não ouvi isso. Eu estou doando meu precioso tempo para você, depois de toda a babaquice de filhinho mimado da diretora, e você ainda chama isso tudo de idiotice. Se analise primeiro. — gesticulando com as mãos, ela parecia irritada com Guth, com o Sol, com a segunda-feira, com o planeta. Extremamente pálida e parecendo minúscula em meio aos carros e o portão de ferro, Layadel parecia que não se encaixava ali.

— Só... só me responda uma coisa, antes de nós irmos atrás dessa pessoa.

— Diga. — a garota disse enquanto passava as mãos nos cabelos, nervosa e impaciente enquanto Guth descia as escadas rapidamente. Parando na frente dela, segurou seus ombros e, olhando fixamente para os olhos azuis, tendo noção das pedras barulhentas do estacionamento debaixo de seus pés. — Alguém já te disse que você é muito dramático?

— Como você acha que vamos achar essa pessoa se nem ao menos vimos o rosto dela?

— Porque eu sei quem ela é e aonde ela está. Na verdade, não é ela, é ele, então, por favor, vamos logo com isso. Ele não vai esperar a manhã toda.

Notas finais
AI QUE AMORZINHO QUE FICOU
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.