Gênesis
61 Interlúdio I - As cordas que controlam o mundo.
Notas iniciais
O som de passos ecoava pelo corredor de mármore. O piso estalava enquanto os saltos-altos o perfuravam com pressa. Os lustres de cristal pendurados no teto piscavam de forma trêmula, enquanto pedaços do teto caíam de vez em quando.
Kaneko estreitou seus olhos. Mesmo estando centenas de metros abaixo do prédio do Hokage, ela ainda conseguia imaginar o cheiro de sangue e o som de mortes na superfície.
Ela abandonou seus pensamentos, parando diante de um Quarto com portas evernizadas. Mesmo no meio do corredor, ela conseguia ouvir as risadas luxuriosas por dentro do quarto. Ela bateu levemente a porta, apenas para esta ser aberta por uma das ´´servas´´ do Daimyou, enrolada em uma roupa que deixava pouco do seu corpo luxurioso para imaginação. Suas pupilas escureceram enquanto ela entrava sem sequer pedir permissão.
Seus olhos verde-oliva se estreitaram na figura do homem de rosto enrugado e longos cabelos negros manchados de cinza sentado na cadeira mais alta de uma longa mesa. Ele estava bebericando calmamente uma taça de vinho, enquanto duas mulheres atraentes em roupas escassas levavam seus dedos esguios e delicados à sua boca, o alimentando com uvas. Azuka tinha um pequeno sorriso nos seus lábios manchados de vinho, enquanto seus olhos se fixavam em um grupo de dançarinas se contorcendo de forma hipnotizante no meio do quarto. Seus corpos estavam cobertos por finas sedas, que deixavam seus corpos atraentes envoltos em um mistério excitante, exceptos seus olhos brilhantes como safiras.
O som de risadas dos nobres sentados à volta da mesa, a névoa de álcool e o som de uma harpa tocando ao fundo, quase fazia parecer que eles estavam no meio de um banquete, se não fosse a forma como os lustres de cristais tremiam à cada explosão acontecendo nas ruas de Konoha, ou os fracos sons de gritos de agonia atravessando às paredes grossas.
Ao ouvirem o som agudo dos saltos de Kaneko estalando no chão de mármore, a maioria dos nobres voltou sua atenção na estilista de cabelos loiros-platinados caminhando em direção ao Lorde Feudal.
Todos eles viram a forma como os olhos de Azuka se acenderam de luxúria ao ver a forma como seu terno feminino e branco abraçava às curvas do seu corpo esguio e alto. Combinado com suas feições suaves, seus cabelos platinados presos em um coque e seus olhos verdes e resolutos, ela era a epítome de uma linda mulher madura. O tempo havia sido generoso com ela.
Ela parou ao lado do assento Daimyou, sua expressão esculpida em mármore não traía a mínima emoção.
—Precisamos conversar. –Ela passou os olhos para os outros rostos que a encaravam, antes de acrescentar — A sós.
A música parou de tocar, assim como o som de risadas. Olhos frios encaravam as costas de Kaneko, enquanto eles esperavam a resposta do Daimyou.
Os olhos de Azuka passaram pela figura dela, não parecendo esconder a forma como suas pupilas escureceram de luxúria.
—Claro. -Ele bebericou da sua taça de vinho, e logo o sorriso nos seus lábios manchados de vermelho aumentou. Ele fez um gesto desdenhoso com a mão – Nos deixem.
Apesar das expressões irritadas, todos apenas cerraram os dentes, antes de se levantarem e começarem a sair do quarto. As costas de Kaneko permaneceram retas, ignorando os olhares sobre ela.
Quando Sanji, o outro estlista em suas roupas coloridas passou ao seu lado, ele murmurou um pequeno ´´puta´´, antes de desaparecer com os outros nobres e as dançarinas.
O sorriso no rosto de Azuka continuou até o momento que a porta se fechou. Ele se levantou com movimentos suaves, antes de parar diante de Kaneko. Sua expressão era indecifrável, enquanto ele circulava a mulher alta no meio do quarto, como uma fera circulando uma presa. Ele estendeu a sua mão para os primeiros botões do terno dela.
Seus dedos se moviam com a delicadeza de um pintor, enquanto ele desabotoava os dois primeiros botões da roupa dela, revelando a sua pele lustrosa e o começo dos seus seios pálidos. Quando seus dedos se moveram para o terceiro botão, uma mão em volta do seu pulso o impediu.
A expressão luxuriosa do Daimyou se transformou em uma de desinteresse puro, enquanto ele se jogava de volta para o seu assento.
—Você continua uma puritana, eu vejo.
Ela abotoou calmamente a camisa do seu terno, não parecendo abalada. Ela olhou para a névoa de álcool ao redor do quarto, e as roupas femininas espalhadas pelo chão.
—E você continua um degenerado libertino, Azuka.
Se qualquer outra pessoa ousasse o chamar pelo nome, ele teria sua cabeça pregada nos portões da capital do fogo, antes de toda sua linhagem ser executada. Mas diante do comentário de Kaneko, o Daimyou do Fogo apenas sorriu, antes de bebericar sua taça de vinho.
—Eu não diria isso. É tudo uma questão de imagem. Pense nisso como uma estratégia para se aproximar dos meus subordinados fiéis.
—Com álcool e putas?
—Com álcool e putas, de fato. Você ficaria surpresa sobre o quanto um homem pode ser leal, quando tem uma taça cheia de vinho, e a boca quente de uma garota bonita à volta do seu pau.
Sua única resposta foram os olhos frios de Kaneko se estreitando. A carranca dela permaneceu enquanto ela murmurava para o nada.
—Apareça.
A temperatura do quarto repentinamente esfriou, como se todo o calor fosse sugado, enquanto as luzes no teto piscavam, e as sombras do quartos se alongavam.
As sombras se contorciam, quase como se estivessem vivas, enquanto uma figura envolta em um manto negro surgia de joelhos diante de Kaneko.
Azuka continuou com seu sorriso costumeiro, mas era possível ver seus olhos escuros e seu rosto envelhecido se estreitando em uma expressão cautelosa, enquanto ele olhava para a figura envolta em escuridão no meio do quarto.
A Unidade das Sombras.
Um grupo oculto de Shinobis de elite diretamente sob o comando da Corte Imperial do País do Fogo. Excepto a Corte Imperial Celestial, eles não obedeciam à ordem de ninguém. Nem mesmo as suas, o Daimyou do País do Fogo. Todo trabalho sujo da Corte era feito por eles. Eles eram as lâminas no escuro da Corte Imperial. Os carrascos dos Celestiais, na opinião de muitos. Eles tinham as mãos manchadas de sangues. Muitas casas nobres que se opuseram à ascenção de Sua Majestade desaparecerem da noite para o dia por causa deles.
E essa bela mulher, que aparentava ser uma simples estilista aos olhos de muitos, era a líder deles. Seu rosto continuava com sua costumeira expressão condescendente, mas os olhos de Azuka brilhavam com uma pitada de cautela.
Sem proferir uma única palavra, a figura encapuzada e ajoelhada estendeu um pergaminho para as mãos de Kaneko, antes de desaparecer novamente no escuro.
As luzes no teto piscaram, antes de voltarem a iluminar totalmente o quarto. A expressão de Kaneko não mudou enquanto ela lia o pergaminho, mas foi possível ver uma pequena contração nas suas sobrancelhas.
Azuka abriu a boca. Suas palavras eram medidas depois de cuidadosos pensamentos. Ele não era servil, mas também não era autoritário, sua voz soava como se estivesse falando com um amigo de longa data. O que, considerando a relação entre ambos, era meio verdade.
—Esse pergaminho...
—Eu enviei uma mensagem relatando a situação de Konoha para a Corte Imperial.
Azuka franziu o cenho.
—Tão rápido?
—Eu tenho os meus meios.
Ela estende o pergaminho para as mãos de Azuka. Ele sentiu um frio repentino invadindo seu corpo quando suas mãos se tocaram, como se ele tivesse sido jogado no fundo do oceano. Ele escondeu sua expressão dolorosa, enquanto recebia o pergaminho, parecendo pensativo. Sua expressão só piorou ao ver o selo no lacre do pergaminho.
Qualquer um que achasse que ele era o governante supremo do País do fogo, não estaria errado, mas também não estaria necessariamente certo.
O País do Fogo, assim como a maioria das Nações Elementais do continente, eram Países Feudais, com o Daimyou sendo o lorde feudal supremo, responsável pela administração total do País. Isso significava que ele teria um grupo de nobres vassalos administrando as diferentes províncias da Nação do Fogo em seu nome, enquanto ele tomava decisões sobre o território como um todo e muito raramente, ele se reportava à Corte Imperial. Ele era essencialmente, o rosto do país. O representante da voz da Corte Imperial. Isso era verdade, porque a Corte Imperial geralmente se afastavam das decisões mundanas, e deixavam o Daimyou gerir o território como quisesse.
Mas haviam duas pessoas acima dele. Primeiro, havia o Xogun, o comandante militar supremo do País do Fogo. Cada um dos milhões de Soldados do País do Fogo poderiam ser mobilizados por uma única palavra sua. Todos os generais e milhões de samurais do Exército do Fogo estavam sob seus comandos, enquanto que Azuka, o Daimyou, lidava e orientava os Ministros, Governadores e a restante nobreza no geral.
Geralmente, isso significaria que o poder político estaria dividido praticamente entre os dois, O Daymiou e O Xogun, e o Imperador seria apenas um fantoche, um governante no nome, sem qualquer poder real.
Isso seria verdade...se as famílias Imperiais nesse mundo não fossem tão aterrorizantes.
Os seis maiores e mais poderosos Países do continente, todos usavam um Sistema Imperial Semelhante.
País do Fogo, País do Trovão, País da Terra, País da Água, País do Vento e País do Ferro.
Um título único foi criado para os Seis Governnates, dos Seis maiores e mais poderosos países do continente.
Tennou. Imperador Celestial.
Abaixo dos céus, somente eles reinavam Supremos.
Cada palavra de um Imperador Celestial era como uma lei divina. Qualquer um que recusasse, era como um herege blasfemando contra os próprios deuses. Azuka sabia disso, porque ele próprio era um descendente de um ramo lateral da Família Imperial. Ele cresceu com seu pai contando histórias assustadoras para ele. Mesmo com sangue diluído, e com ele sendo um descendente inútil tão fraco quanto um plebeu, ele ainda era um Hinokami, por isso conseguia manter o cobiçado cargo de Daimyou por mais de quarenta anos. O sangue do deus Sol também estava correndo pelas suas veias. Quem no País do Fogo se atreveria a tocá-lo? Isso era o quão aterrorizante o Sobrenome Hinokami era.
Ele olhou para o selo no lacre quebrado do pergaminho. Uma fênix mergulhando em um sol gigantesco. O símbolo da família imperial Hinokami. Isso significava que o próprio Tennou do Fogo havia redigido aquelas palavras.
Haviam apenas palavras curtas no pergaminho, mas o conteúdo da mensagem ainda fazia Azuka sentir que algo estava errado.
Ele tinha o cenho franzido, enquanto devolvia o pergaminho para Kaneko.
—Essa decisão...está realmente certa?
Os olhos verdes dela pareceram hesitar por um momento, antes de ela simplesmente assentir. Alguns segundos depois, Kaneko abriu a boca.
—Ordens são ordens. E... não há necessidade de se preocupar. Afinal, nós temos o ser mais forte desse mundo do nosso lado...
Se fosse qualquer outra pessoa dizendo isso, Azuka o ridicularizaria, a chamando de tola esperançosa. Mas ao ouvir as palavras dela, ele se lembrou da pessoa sentada no trono Imperial do Fogo, com olhos de um intenso laranja, como um sol morrendo e uma eterna expressão de calma no rosto... o chamado ser mais forte do continente...
Azuka bebericou seu vinho, secretamente escondendo uma careta...aquele maldito monstro...
Próximo: Interlúdio II – O Monstro sentado no Trono.
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