Gênesis

69 Encontros predestinados.


Notas iniciais
Não demorei haha. Um capítulo...interessante, de fato. Quero agradecer aos comentários passado. Vocês são demais. Aproveitem.

Kakashi se movia como um borrão entre as chamas e fumaça. Sua costumeira máscara facial estava abaixada, e uma miscelânea de odores assaltavam seu olfato, mas ele estava focado em três aromas distintos. Cerejeiras e âmbar de mel. Canela e limões. Aço e almíscar.

Sakura. Naruto. Sasuke.

Não era fácil achar esses cheiros entre o aroma de cinzas, sangue, cadáveres e fumaça, mas de alguma forma, Kakashi conseguiu. Subitamente, um leve traço de Cerejeiras e almíscar assaltou seus sentidos, e fez com que seus passos se acelerassem. Quanto mais ele se aproximava, mais forte se tornavam aqueles aromas, e mais suas sobrancelhas se franziam. Ele podia sentir claramente...entre os cheiros de seus alunos...haviam um inconfundível aroma metálico. Sangue.

Kakashi quase congelou. De repente as ruas quebradas de Konoha se transformaram em uma caverna escura, com um menino soterrado debaixo de uma pedra gigante, depois uma floresta coberta de névoa, com uma menina com um buraco no peito, e por fim, um campo gramado com dois corpos estirados no chão, enquanto um recém-nascido gritava em um altar abandonado.

Obito. Rin. Sensei. Kushina-san.

Sua mão começou a coçar, e de repente ele teve um impulso gritante de lavar as mãos. Ele cerrou sua mão, e a dor surda o despertou de seus devaneios. Não. Ele não poderia falhar com seus alunos.

Ele se moveu com tanta urgência, que logo ruínas de um quarteirão destruído apareceram diante dos seus olhos, com a imagem de Sasuke e Sakura, cobertos de sangue, deitados nos escombros de uma casa. Seus olhos se arregalaram, enquanto ele se ajoelhava ao lado deles. Ele soltou um suspiro de alívio ao sentir a fraca respiração de ambos. Eles ainda estavam vivos.

Seus movimentos foram rápidos, enquanto ele fazia um clone das sombras. Os dois colocaram os seus alunos nas costas, antes de se moverem para o hospital.

Kakashi logo franziu o cenho, ao sentir o corpo pressionado nas suas costas. Era como carregar lava. A pele de Sakura parecia ter sido mergulhada em chamas, e um denso suor escorria da sua pele.

Ele estendeu a mão para o menino inconsciente nas costas do seu clone. Sasuke, por outro lado, tinha escoriações por todo o corpo, e sua pele estava pálida e fria. Ele logo percebeu uma pequena ferida, com bordas rochas ao redor. Sinais de envenenamento.

Kakashi logo franziu o cenho. O que havia acontecido com eles?

Ele se lembrou do local onde os encontrou. Haviam sinais claros de uma batalha em toda a cena. Com o cheiro de aço e sangue ao redor. Mas o pior de tudo...era um cheiro distinto que ele havia sentido, mas escolheu ignorar inicialmente. Entre o cheiro de aço e sangue, havia o nauseante cheiro de cobra.

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Hiruzen e Gai, acompanhados de um esquadrão de shinobis da Folha, se moviam por Konoha como cachorros enraivecidos, deixando nada além de cadáveres inimigos em seus rastros. Já havia um bom tempo que, depois dos outros Kages abandonarem a Vila e os civis finalmente serem evacuados, Konoha finalmente começou o processo de limpeza dentro da Vila.

Depois da longa batalha contra Ohnoki, o corpo envelhecido de Hiruzen se movia com cada vez mais dificuldades à medida que a noite avançava, e o sangue se acumulava no bastão em suas mãos. Mas ele não parou de o balançar com a graciosidade de um mestre.

Naquele momento, sendo rodeado de seus subordinados leais nas suas costas, e cadáveres de inimigos aos seus pés, ele se sentiu sendo transportado para décadas atrás, rodeado de seus companheiros de time, enquanto varriam os campos de batalha da Primeira Guerra Shinobi.

Seu pensamento inevitavelmente foi para seu mestre, Tobirama. Hiruzen se perguntava se ele havia sido bem-sucedido na sua missão fora da Vila. Por um momento, ele se perguntou se deveria usar o selo de Hiraishin em sua posse para chamá-lo, mas ele logo desistiu. A ressureição de Senju Tobirama deveria ser um segredo máximo, tendo em conta os inimigos que eles tinham que lidar. A menos que Konoha enfrentasse a absoluta ameaça de destruição, ele não deveria ser revelado.

A invasão, inicialmente desafiadora, finalmente havia sido estabilizada. Era só uma questão de lidar com os poucos inimigos remanescentes dentro de Konoha, e em seguida, organizar as tropas para varrer os milhares de inimigos fora das muralhas de Konoha. A situação dos shinobis de elite na linha da frente era preocupante, mas Nara Shikaku estava conseguindo lidar com a situação por enquanto.

Apesar de Hiruzen até agora não conseguir entender as motivações por detrás da Nuvem, Areia e Pedra, ele estava aliviado pela situação atual. O que poderia dar errado?

Um som estridente e ensurdecedor interrompeu seus pensamentos, enquanto uma coluna raios caía do céu, provocando uma enorme explosão.

Hiruzen arregalou os olhos, enquanto olhava para a coluna de raios no horizonte, bem nos arredores da Floresta da Morte. Mas não era isso que o chocou. Uma sensação de incredulidade e hesitação encheu seus velhos ossos enquanto ele sentia aquele chakra frio e vicioso emanando no local da explosão.

Aquele chakra bizarro, mas que enviava memórias conflituosas no seu coração...não haviam dúvidas.

Ele se moveu sem perceber, inconsciente do grupo de subordinados lutando para acompanhar seu corpo, enquanto ele se movia na sua máxima velocidade.

Quando ele finalmente chegou nos arredores da Floresta da Morte, inconscientemente, seu corpo travou. Sua visão foi preenchida de corpos de shinobis da Folha estirados no chão, enquanto um homem rodeado de raios estava parado no meio deles. Os olhos envelhecidos do Sandaime, porém, estavam fixos no outro homem sentado no topo das vedações que cobriam a floresta. Seu corpo alto e esguio estava coberto por um quimono branco e fino, que combinado com seus olhos indiferentes, evocavam uma sensação avassaladora de submissão. Cada um dos seus movimentos mínimos, tinham a graciosidade e frieza de uma nobre serpente, observando suas presas humildes no alto.

O homem, ainda apoiado nas vedações, apenas o olhou apaticamente, antes de se virar e correr para a floresta escura. Cada um dos seus movimentos tinha a graciosidade de um predador.

O Sandaime se moveu como um borrão, atravessando o campo gramado. Ele passou pelo homem coberto de raios, que o ignorou completamente.

Na floresta, a visão de Hiruzen logo foi coberta pelas costas dele, enquanto ele desaparecia entre as árvores escuras. Quando às árvores gigantes finalmente deram lugar à uma clareira, iluminada pela lua pálida, ele finalmente se virou, e sorriu.

Mas apesar dos seus movimentos familiares, havia algo errado no seu rosto bonito e coberto de cabelos escuros curtos e bagunçados. A metade inferior do seu rosto estava coberta de ataduras brancas, deixando nada além dos seus olhos ofídicos e amarelados visíveis.

Um turbilhão de sentimentos enchia Hiruzen. Não importava o quanto ele olhasse para ele, seu rosto continuava sendo substituído por outro. A imagem de uma criança gentil e curiosa continuava piscando diante dos seus olhos. O menino era apenas mais um órfão de guerra, mas sua genialidade e a culpa que Hiruzen sentia pela morte dos seus pais, fizeram com que ele adotasse aquela criança sob suas asas. Sua esposa Biwako sempre brincava que, antes do nascimento dos seus filhos, aquele menino foi o primeiro filho que eles tiveram. E ela não estava errada. Os dois amavam o menino ao ponto de prepararem um quarto adicional em sua casa, quando eles finalmente se casaram. Ele era...especial.

Hiruzen mal tinha lembranças do seu próprio pai, morto durante os dias finais da Era dos Estados Combatentes. A figura mais próxima que ele teve de um pai na infância, eram o tempo passado treinando com seu mestre. Ele imaginava que a sensação de calor que ele sentia quando Tobirama bagunçava seus cabelos, era a mesma que ele sentiria se seu pai ainda estivesse vivo. Então, vendo um menino sem seus pais devido às suas decisões como Hokage, Hiruzen de alguma coisa queria transmitir aquela mesma sensação de calor para o menino. As horas passadas ensinando o menino eram uma das memórias mais felizes de sua longa vida. A forma como seus olhos infantis brilhavam à cada ensinamento que ele passava para ele, era como se ele tivesse nascido com uma fome inesgotável de conhecimento. Mas então, a imagem da criança inocente se desfez, sendo substituída pela de um homem com um olhar obcecado, rodeado por corpos mutilados, em um laboratório frio e macabro.

—Olá, Sensei.

Hiruzen cerrou os dentes, enquanto uma raiva e decepção avassaladora enchia seu corpo.

Orochimaru.

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O esquadrão de Shinobis da Folha, composto de oito shinobis, apenas assistiu o Sandaime se movendo até à floresta como um borrão. Apesar da sua idade avançada, sua velocidade ainda era algo que muitos shinobis não conseguiam alcançar. Mas aquilo não importava. Era o dever dos shinobis de Konoha garantir que seu senhor sempre estivesse seguro. Assim, eles escolheram ignorar o pequeno homem coberto de raios no meio do campo de corpos.

Inconscientemente, todos eles olharam para Maito Gai, que, sendo um dos mais renomados Jounnin de Elite de Konoha, era o líder não nomeado daquele esquadrão. Além dele, haviam apenas dois outros Jounnins, e os outros cinco eram Chunnins. Gai pareceu entender os pensamentos daqueles shinobis quando, com um gesto da sua mão, indicou que eles continuariam avançando. Com movimentos rápidos e erráticos, os shinobis se espalharam como uma teia, enquanto avançavam atrás do Sandaime.

Naquele exato momento, o homem parado frouxamente no meio dos cadáveres, abriu seus olhos vermelhos, e algo nele simplesmente pareceu mudar. Sua presença se alongou, como se tentáculos inexistentes se estendessem do seu corpo e cobrissem o lugar. A forma como os músculos magros do seu corpo pequeno se retesavam sob seu quimono branco, lembravam a forma como um felino se alongava, antes de afundar seus dentes na sua presa. E então, ele se moveu.

Tudo que os olhos de Gai viram foi um borrão, enquanto o corpo do homem piscava. Foi por puro instinto que Gai levantou seu braço, evitando que a perna dele se afundasse em seu pescoço. Mesmo assim, a perna magra parecia conter uma força esmagadora, quando o corpo de Gai foi enviado voando.

O Jounnin arrastou sua mão pelo chão, deixando marcas na terra coberta de grama, até finalmente parar de deslizar. Quando ele levantou seu rosto, uma incomum expressão séria podia ser vista na sua face. Seus olhos mal podiam ver seus movimentos enquanto o homem piscava entre o esquadrão de Konoha como um borrão, enviando corpos voando com cada ataque.

Em menos de dez segundos, tirando os Jounnins com alguns ossos fraturados, os Chunnins estavam deitados e respirando fracamente.

—Nenhum de vocês vai passar. Desapareçam.

Gai estreitou os olhos ao ouvir a voz daquele homem de cabelos brancos. Seu corpo inteiro estava coberto por bandagens brancas, escondidos sob uma túnica da mesma cor. Ao contrário do seu corpo baixo e magro, sua voz era estranhamente profunda, mas era impossível esconder o tom condescendente nos olhos vermelhos em seu rosto enfaixado. Era como se ele estivesse olhando para insetos.

—Esse cara...como ele pode ser tão rápido? –Um dos Jounnins ao lado de Gai sibilou, apoiando seu ombro quebrado. O rosto enrugado de Haru estava coberto de cabelos grisalhos, mostrando seu status como shinobi veterano da Segunda e Terceira Guerra — Mal consegui me defender.

—Eu suspeito que se trate de uma Kekkei Genkai... -O outro Jounnin, Ikki, tentou ajeitar seus óculos quebrado, e ao invés disso aumentou o número de rachaduras. — Mas concretamente...

—Liberação da Velocidade...

Gai terminou, com um lampejo de emoções passando pelo seu rosto. Era impossível ele não notar os movimentos erráticos e extremamente rápidos do inimigo, e não se lembrar do seu aluno. Afinal, sua vida chegou ao fim nas mãos de uma Kunoichi com a mesma linhagem sanguínea.

Era o destino querendo zombar dele? O lembrar do seu fracasso como professor? Afinal, se ele não tivesse se identificado com o menino incapaz de moldar chakra e o treinado, Rock Lee teria sido expulso da Academia e se tornado um civil, mas pelo menos estaria vivo. Não seria o cadáver que é agora.

A dor surda em seu punho cerrado o despertou. Não era o momento apropriado para hesitação. Sua costumeira expressão determinada surgiu no seu rosto.

—Temos que continuar. Tenho um mau pressentimento sobre o homem com o Hokage-sama. Eu vou atrair a atenção dele, me cubram como puderem.

Haru e Ikki, ao lado de Gai assentiram, concordando com a sugestão.

Sem hesitação, Gai concentrou chakra nas suas pernas, atravessando o campo gramado como um borrão. Ele saltou, enquanto rodopiava sua perna como um borrão.

—Furacão da Folha.

Suas pernas poderosas cortaram o ar como espadas, antes de atravessarem o corpo do homem de branco, mas Gai franziu o cenho ao sentir uma sensação de vazio nas suas pernas. Uma miragem. A imagem pareceu borrar, enquanto um punho se movia para as costas de Gai.

Quando Gai estava prestes ser atingido, o mascarado pareceu travar por um momento, que o Jounnin aproveitou para se virar e receber seu punho com o antebraço.

Seus corpos se envolveram em uma dança mortal e afiada em que cada parte do corpo era usada como uma arma de assassinato.

Gai mal conseguia acompanhar seus movimentos, e simplesmente antecipava seus ataques pela sensação invisível do ar sendo cortado enquanto ele se movia. Isso apenas o permitia se defender passivamente de seus ataques afiados, o tornando incapaz de atacar. Ainda assim, havia alguns momentos em que ele estava perigosamente próximo de ser atingido, apenas para o mascarado hesitar, e Gai milagrosamente se defender.

A princípio o Jounnin não entendeu, até perceber Ikki fazendo selos de mão. Ele estava usando genjutsu no mascarado em momentos cruciais. Eram ilusões fáceis de quebrar, mas eram suficiente para atrasar o inimigo, e permitir Gai se defender.

As sobrancelhas do mascarado logo se franziram. Ele não era tolo e logo notou o esquema deles. Mas não havia nada que ele pudesse fazer. Toda vez que tentava se afastar e atacar os outros jounnins, Gai o impedia.

Gai cerrou seu punho, enquanto enviava um soco poderoso para o rosto do mascarado, quando ele estava prestes a se defender, dessa vez ele foi mergulhado em uma ilusão particularmente duradoura, e quando ele se libertou, o punho de Gai que estava prestes a atingir seu rosto se transformou em névoa, enquanto uma sensação pesada atravessava seu peito. Era como ser acertado por um martelo. Suas costelas quase cederam, enquanto ele era enviado para trás.

Ele cerrou os dentes, enquanto se curvava ligeiramente de dor. Era uma ilusão dupla lançada em conjunto com o outro Jounnin, o enganando com um ataque fantasma. Quando ele estava prestes a se reerguer, ele viu Gai fazendo sinais militares para os outros Jounnins, como se os transmitisse algo.

Haru franziu seu rosto coberto de rugas, e fez alguns selos de mão, antes de uma poça de lama engolir os pés do mascarado. Quando ele saltou para se libertar, muralhas de terra se erguerem da terra, o prendendo em um círculo de terra. Estando no ar, e sem rotas de fugas visíveis, o mascarado viu Ikki executando selos de mãos. Ele cuspiu uma boa de fogo enorme, enquanto Haru juntou as palmas da mão, lançando um vendaval que aumentou o tamanho da esfera de fogo.

Tudo era incinerado em seu caminho, enquanto a gigantesca esfera de fogo se aproximava. O mascarado sentia sua pele esquentando, como se o próprio sol estivesse se aproximando.

Infelizmente...ele segurou um sorriso sob as faixas cobrindo seu rosto. Quando a esfera de chama estava prestes a engoli-lo, ele estendeu a mão esquerda, onde havia um selo negro. Lentamente, uma fumaça negra começou a sair do selo, antes de se transformar em uma névoa negra que engoliu completamente a esfera de chamas, como se não existisse.

Meiton – Kyūketsukō. (Liberação da Escuridão – Boca Inaladora.)

Enquanto os Jounnins de Konoha arregalavam os olhos, ele estendeu a mão direita, onde havia outro selo negro. Fumaça logo a cobriu.

Meiton – Yami Jajimento. (Liberação da Escuridão – Julgamento Das Trevas).

Uma esfera de chamas negras, com o dobro do tamanho da engolida, logo foi libertada. A temperatura era tão alta, que mesmo a dezenas de metros, eles sentiram suas peles queimando. Quando ele a lançou, era como se o céu tivesse desabado, enquanto tudo no seu caminho era transformado em cinzas.

Todos eles saltaram para longe, mas quando a esfera de chama atingiu o local onde eles estavam, se espalhou como um núcleo de chamas, que logo os engolfou. Quando a esfera de calor finalmente desapareceu, uma grande cratera incandescente estava no meio do campo gramado.

O mascarado estreitou os olhos.

Eles estavam mortos?

Uma grande seção da terra incinerada se ergueu lentamente, mostrando os Jounnins de Konoha com uniformes chamuscados. Se não fosse o jutsu de doton de Haru os enterrando no subsolo, eles não teriam sobrevivido. Mesmo assim, a temperatura na superfície era tão elevada que eles ainda tinham queimaduras superficiais.

Suas expressões ficaram sombrias ao verem as cinzas que os cercavam. Felizmente, enquanto Gai estava envolvido com o mascarado, Haru havia enviado os Chunnins inconscientes com um grupo de clones para o hospital, ou eles teriam virado cinzas.

Gai e Ikki olharam para o experiente Jounnin veterano com gratidão. Foi graças à sua experiência ampla e rápida tomada de decisão que eles escaparam do ataque. Haru logo franziu o cenho.

—Que oponente assustador.

Eles viram a sombra de um sorriso sob o seu rosto enfaixado. Seus olhos escuros brilhavam de desdém.

—Se comunicando com sinais militares de Konoha na minha frente...que ridículo. Vocês acharam que eu não notaria o vosso plano? –Sua mão esguia e pequena se moveu até às faixas no seu rosto, os desenrolando lentamente. Sua pele pálida brilhava sob a luz da lua, Haru arregalou os olhos ao ver seu rosto andrógino e esculpido – Afinal...eu costumava ser um shinobi de Konoha...não é, Haru-Sensei?

O jounnin de cabelos grisalhos engasgou. Ele estava na casa dos sessenta anos. Na sua juventude como professor da Academia, ele ensinou diversas turmas, mas a mais memorável, era a Turma dos Sannins, também conhecida como a geração de ouro. Além do trio do impasse mortal, gênios como Hatake Sakumo, Katou Dan e tantos outros, também forma ensinados por suas mãos. Mas havia um aluno na mesma geração que eles...que tinha fama de ser o maior fracassado da história da Academia. Seu talento era inexistente, e se não fosse a eclosão da Guerra, que obrigou eles a formarem todo mundo com antecedência, aquela criança nunca teria se formado.

A imagem da criança tímida se sobrepôs com a do homem o olhando com desdém. O rosto permanecia jovem e sem rugas, mas o mais notável, era a sua boca completamente costurada. Ela mal se abria quando ele falava. Aquele homem era...

—Hiruko...eu ouvi dizer que você morreu em uma missão.

Hiruko riu, antes de abrir os braços.

—Você não está errado. A casca do velho e fraco eu morreu naquela missão, e foi substituído por...algo superior.

Haru franziu o cenho.

—Como você se tornou tão forte...? Como você adquiriu tantas linhagens? Você costumava ser um fracassado.

Uma carranca nasceu no rosto de Hiruko ao ouvir a palavra fracassado.

—Falando tão casualmente daquele perdedor do passado...você realmente não teme a morte, Sensei. –Ele parou de caminhar, enquanto retesava seus músculos — Pois bem, vou matar você primeiro, como comemoração do nascimento do meu novo e perfeito eu.

Suas mãos se movem rapidamente.

Ranton Raiunkūha – (Liberação da Tempestade — Onda Interna da Nuvem Tempestuosa)

Estendendo as mãos, Hiruko exalou uma grossa nuvem negra carregada de eletricidade. A nuvem se espalhou ao seu redor, como se arrastada pelo vento. Gai e ikki conseguiram saltar e desviar dos fios elétricos, mas o corpo envelhecido de Haru reagiu tarde demais. Ele sentiu seu corpo desacelerar ligeiramente quando coberto pela nuvem negra.

Hiruko ataca em um borrão. Seus movimentos eram nada mais do que miragens. Sua mão atravessa o peito de Haru, apenas para vê-lo se desfazendo em um clone de lama que o envolveu em um casulo. Logo, Ikki lançou um dragão de chamas que endureceu à lama à sua volta. Hiruko apenas grunhiu, enquanto o selo em sua mão brilhava, e começava a engolir a lama endurecida que o prendia.

Enquanto isso, os dois Jounnins se afastaram dele com um salto, enquanto Haru emergia através do chão.

O rosto envelhecido de Haru estava franzido, enquanto sua respiração estava ofegante. Era óbvio que suas reservas de chakra envelhecidas estavam acabando.

—Ele é mais problemático do que pensávamos. Com sua Liberação da Escuridão, ele pode absorver quaisquer ninjutsus, com sua Liberação de Tempestade, ele pode nos atacar de qualquer distância, e com sua Liberação de velocidade, é impossível vencer ele em Taijutsu. Ele não tem qualquer fraqueza?

A expressão de Gai ficou séria.

—Não. Ele tem uma. –Haru e Ikki olharam para ele atentamente – Ataques físicos funcionam, desde que sejam capazes de superar a sua velocidade. Não podemos perder muito tempo aqui. Hokage-sama precisa de nós.

Enquanto Ikki ajeitou seus óculos de forma confusa, Haru arregalou os olhos.

—Não me diga que você...

Gai apenas assentiu. Haru franziu o cenho, antes de fazer um gesto para Ikki recuar. O jounnin pareceu confuso, mas logo se afastou com o veterano. Nesse exato momento, a névoa negra ao redor de Hiruko já havia absorvido quase que completamente o casulo de pedra.

Maito Gai inspirou profundamente, enquanto cruzava os braços diante do rosto. Lentamente, seu cabelo escuro começou a balançar, enquanto uma aura esverdeada o rodeava.

—Keimon...Kai...

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Olhos vermelhos se abrem dentro de um grande cubículo de vidro. Um corpo estava mergulhado dentro de um líquido esverdeado.

‟Essas memórias...”

O resistente vidro começa a rachar, enquanto uma enorme pressão de chakra era emanada do corpo no cubículo. Alguns segundos depois, com um estalo nauseante, o vidro se quebra, enquanto a água esverdeada jorra como uma enchente. Uma mão pálida arranca a máscara de oxigênio no rosto do corpo encharcado.

A figura inala uma grande lufada de ar, enchendo seus largos pulmões de um ar rançoso e mofado. Imediatamente, o cheiro de produtos químicos e desinfetantes encheu suas narinas. Seus olhos vermelhos passearam pela sala escura recheada de equipamentos médicos. Era um cheiro bastante apropriado para um laboratório.

Muito lentamente, ele saiu do cubículo quebrado. Seus pés descalços estavam ilesos enquanto ele caminhava sobre os cacos de vidro no chão. Ele estalou seu corpo enquanto andava de forma cambaleante, como uma criança se acostumando a andar. Ele parou diante de um outro cubículo de vidro vazio, e observou o seu reflexo refletido no vidro esverdeado. Um corpo alto e pálido, coberto de músculos magros e bem delineados, com cabelos brancos cobrindo um rosto inexpressivo. Mas o mais atraente, eram os olhos vermelhos como sangue. Eles continham uma indiferença hipnotizante, como lagos manchados de sangue de milhares de corpos.

Aquele corpo.... a sensação de força e vitalidade era idêntica ao seu corpo original aos vinte anos. Ele não se sentia assim desde a Era dos Estados Combatentes. Depois de tantos anos cultivando aquele clone com suas células, ele finalmente...

Uma brisa fria o lembrou que seu corpo estava coberto por apenas uma calça preta encharcada. Balançando a cabeça, ele se moveu até uma mesa no canto do laboratório. Uma muda de roupa estava cuidadosamente dobrada sobre ela.

Ele concentrou chakra Katon nas suas calças encharcadas, evaporando a água nelas até ficarem completamente secas. Em seguida, ele colocou um colete azul sobre uma regata preta. O colete flexível era bastante semelhante ao da ANBU, mas era de uma cor azul escura. Ele colocou um par de sandálias negras, antes de se cobrir com uma capa da mesma cor. Ele olhou para a máscara branca de forma pensativa, antes de guardar ela dentro da sua capa.

Seus passos eram lentos enquanto ele subia as escadas na saída do laboratório. Quando ele conseguiu finalmente visualizar um céu noturno, um frio intenso abraçou o seu corpo.

Um branco imenso cobriu sua visão. Duas figuras, olhando para o céu escuro, enquanto uma grossa neve branca caía sobre elas. Seus passos eram inexistentes, enquanto ele se movia pela neve espessa, mas quando meros passos o separava das duas figuras, uma delas virou o rosto em sua direção. Uma mulher loira, com olhos claros cor de mel, se virou em sua direção, com um cigarro aceso no canto da boca.

O homem franziu o cenho quando o cheiro nauseante de nicotina o atingiu.

—Tsuna, eu já falei para você parar de fumar.

Ela deu um sorriso fraco, antes de jogar o cigarro na neve e o apagar com suas sandálias.

—Desculpe, Ojii-san. Como está seu corpo?

Sua mandíbula bem desenhada estava franzida.

—Bom. Suas habilidades médicas...se tornaram realmente notáveis com o passar dos anos. O título de melhor médica do mundo...não é exagerado.

A loira apenas grunhiu em reconhecimento, antes de falar.

— Como eu suspeitava, possuir um corpo geneticamente compatível é bem melhor do que ocupar à força corpos de estranhos. O corpo que você estava possuindo anteriormente...estava em um estado preocupante. Quanto tempo esse corpo vai durar?

— O suficiente para a nossa missão.

Tsunade apenas suspirou ao ouvir a palavra missão, e não perguntou mais. Chamar aquela viajem suicida de missão...era um eufemismo. A mulher de cabelos escuros ao seu lado olhou para eles com apreensão.

—Não seria melhor...partirmos ao amanhecer, Nidaime-sama?

Tobirama não a respondeu imediatamente, ao invés disso, olhou para a lua cheia no alto. Um tom escarlate a cobria. Aquilo fez seus olhos se estreitarem perigosamente. Ele quase conseguia imaginar a lua zombando dele. Suspirando, ele se virou para Shizune.

-Você está com o mapa?

Ela assentiu, antes de tirar um pergaminho da capa negra que a envolvia. Ela o abriu, e logo a lua iluminou o esboço desenhado no frágil pergaminho. Era um mapa do continente das Nações Elementais.

—Nós estamos aqui – Shizune apontou para um pequeno pedaço de terra à Oeste do País do Vento e da Terra, bem próximo à borda do continente. Ela moveu seu dedo para Oeste – Teremos que percorrer o restante do continente, até o Porto de Hanji. Lá, pegaremos uma embarcação até o Arquipélago do Caos. Nessas Ilhas, teremos que achar uma tripulação louca o bastante para atravessar o Mar Sereno, até as Ilhas Sem Nome. O último pedaço do Mundo conhecido, e depois-

—É o suficiente –A voz fria de Tobirama a cortou- Precisaríamos de semanas para percorrer essa distância, mesmo com a nossa velocidade. Sem falar que temos que nos certificar de não deixar eles descobrirem nosso objetivo. Por isso estamos disfarçados de ANBUS, e por isso estaremos viajando exclusivamente à noite. Você entende agora?

Sendo encarada pelos olhos intensos de Tobirama, Shizune se sentiu desconfortável. Olhando para aqueles olhos escarlates, ela quase conseguia enxergar a pilha de cadáveres mergulhados naqueles lagos de sangue. Ela só fez uma pergunta, por que ele tinha que olhar para ela como se fosse matá-la?! Shizune desviou seus olhos para sua mestra, tentando pedir ajuda, apenas para vê-la a ignorando como se fosse ar. Ela quase engasgou. Que mulher pouco confiável. Ela claramente tinha quase cinquenta anos, mas ainda parecia uma criança com medo de ser repreendida pelo avô. Nem beber e fumar ela podia na presença dele.

Vendo a decepção e o desdém cada vez maior nos olhos de Shizune, Tsunade pigarreou.

—De qualquer forma, devemos partir.

—E quanto à esse laboratório?

Ela parou por um momento ao ouvir a pergunta de seu avô. Tsunade se virou e olhou para o alçapão aberto no meio do vale coberto de neve. Ela ergueu lentamente seu pé, antes de baixá-lo com um movimento suave. Fissuras se formaram a partir dos seus pés, até engolirem completamente o laboratório. Ele desabou sobre si mesmo, como se um terremoto tivesse passado.

Tobirama juntou as sobrancelhas. Por que sua sobrinha-neta continuava com suas tendências violentas e destrutivas, mesmo na vida adulta? As horas passadas a treinando na infância sobre as sutilezas de um ninja foram em vão? Ele apenas suspirou.

—Você não precisava desse laboratório?

Ela deu de ombros.

—Esse esconderijo é uma das inúmeras casas seguras que tenho espalhadas no continente. Perdi a conta de quantos esconderijos criei enquanto aprendia ninjutsus médico nas minhas viagens ao redor do mundo. Não se preocupe, todos os documentos de pesquisas importantes estão guardados no meu laboratório principal na Floresta Shikkotsu, e não existem nada além de equipamentos antigos aqui.

Tobirama assentiu, entendendo sua explicação. Ele pegou a máscara branca e fria na sua cintura, e a colocou no rosto, antes de cobrir sua cabeça com o capuz da capa negra. Ele se parecia com qualquer ANBU de Konoha, se não fossem a máscara branca com o rosto de um Onin desenhado por linhas azuis.

Tsunade e Shizune estavam vestidas de forma semelhante, com apenas as máscaras delas tendo detalhes dourados e roxos. Sem sequer trocar uma palavra, eles desapareceram do vale coberto de neve.

Eles não correram mais do que alguns minutos, antes de Tobirama parar. Tsunade se virou em sua direção.

—Qual é o problema?

Seus olhos claros como mel estavam fixo em Tobirama. Havia algo perturbador na máscara demoníaca e inexpressiva cobrindo o rosto de seu avô. Seus olhos escarlates pareciam ainda mais assustadores.

—O selo desapareceu.

Tsunade inclinou o rosto mascarado de forma confusa.

—Qual selo?

—É o selo que deixei com ele. Isso não deveria acontecer, a menos que seu coração parasse de bater.

Suas expressões escondidas finalmente mudam. Apesar da máscara no seu rosto, era possível sentir as emoções na voz do Nidaime. Shizune nunca pensou que aquele homem frio pudesse esboçar esse tipo de emoção crua.

—O exame chunnin já terminou, e ele não deveria ter ido em nenhuma missão. Algo aconteceu com Konoha. Eu tenho que-

Tsunade o cortou.

—Nós vamos com você. Afinal, esse menino é o sangue dela.

Ele parou por alguns segundos, parecendo pensar, antes de assentir. Ele fez um selo de mão, antes deles desaparecerem do vale como se não existissem.

Em um piscar de olhos, o trio surgiu na montanha dos Hokages. Eles olharam solenemente para a fumaça espessa cobrindo sua visão, e o cheiro de sangue espesso no ar.

—Konoha...está em chamas.

Notas finais
Para quem não sabe, Hiruko é um vilão de um dos filmes de Naruto shipuuden. Decidi canonizá-lo. A essa altura, muitos devem estar um pouco confusos com esse capítulo, outros já devem ter pegado as pistas do que realmente está acontecendo. Tudo ficará claro nos próximos 3 capítulos. Prometo. Comentários são bemvindos, como sempre.