Gênesis
41 Chuunin Chiken - GUERRA - Collé au gris.
Notas iniciais
‟Quão frio eu me tornei?
Eu não queria te perder pelo que fiz
Preso às cinzas
Isto queima por um momento, mas
Mas logo isto lhe anestesia
Leva-o e deixa-o apenas
Preso ao cinzaˮ
~X~
Icon For Hire – The Grey.
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TRÊS HORAS ANTES.
Uma enorme bola de fogo iluminou aquela escura e fria noite, e ela vinha em sua direção. Com um selo de mão, ele cuspiu uma rajada de água, que quando em contato com a esfera de fogo, levantou uma densa nuvem de fumaça, impossibilitando a sua visão.
Mas Naruto não precisava dos seus olhos. Não quando ele conseguia sentir exatamente onde o seu atacante estava.
Em um shunshin, Naruto surgiu nas costas daquele pobre garoto da Vila da Chuva. Ele colocou a mão sobre a cabeça dele, o eletrocutando com um jutsu simples de Raiton. O garoto convulsionou, antes de cair no chão, com os olhos completamente brancos e arregalados. Ele estava morto.
Naruto sentiu o suor escorrendo pelo seu rosto. Ele estava tonto e a sua cabeça ainda doía como se fosse rachar. Os seus movimentos, sua velocidade e sua precisão estavam uma completa bagunça. Tanto que ele havia suado um pouquinho para derrotar um simples gennin da Vila da Chuva.
Ele ouviu o som de passos se aproximando. Nem precisou olhar. Sabia que era Kabuto.
O rapaz de óculos vinha caminhando calmamente em sua direção, arrastando dois corpos ensanguentados com os dois braços. O seu rosto, assim como o seu uniforme, estava completamente ensanguentado. O vidro de seus óculos e a sua pele branca estavam repletos de filetes de sangue.
Novamente, Naruto teve aquela estranha sensação enquanto olhava para ele. Na maior parte do tempo, Kabuto não aparentava ser grande coisa, mas...havia algo na expressão dele que deixava os sentidos de Naruto em estado de alerta. Como se ele fosse um lobo se escondendo em pele de cordeiro. Apenas à espera de uma oportunidade para cravar as presas nele.
Bom, mas é claro que tudo aquilo podia ser uma mera impressão sua.
Kabuto jogou os dois corpos aos pés de Naruto, antes de puxar uma kunai da sua bolsa. Naruto arqueou as sobrancelhas ao ver que ele havia cortado a garganta de ambos.
—Eu faço as honras...ou você faz, Naruto-kun?
Naruto olhou para ele entediado. Kabuto tomou aquilo como um não.
Ele se debruçou sobre os cadáveres. Depois de despi-los da parte de cima dos uniformes, ele segurou a Kunai firmemente entre os dedos. A garota foi a primeira. Kabuto não esboçou qualquer reação, enquanto fazia um corte perfeito na pele branca e tatuada ao redor do seio esquerdo dela, a arrancando logo depois.
Naruto apenas estalou a língua, enquanto via Kabuto fazer o mesmo naqueles outros dois. Aqueles Organizadores eram insanos. Obrigá-los a se esfolarem uns aos outros daquele jeito...
—Você já terminou? –Naruto sussurrou, entediado- Vamos logo...Pode ser que Risa e Akai não tenham tanta sorte quanto nós...Tem um chakra nos arredores que está me incomodando bastante...e está perigosamente perto deles...
Eles haviam se separado. Enquanto ele e Kabuto haviam se deslocado para aquela parte da cidade, Risa e Akai haviam ido em outra direção.
Kabuto levantou o olhar.
—Se você está preocupado...-Ele se levantou, a sua kunai estava completamente ensanguentada, e na sua outra mão, ele tinha três diferentes pedaços de pele, que pingavam gotas espessas de sangue no chão pavimentado daquela cidade- É porque deve ser grave...tome...
Naruto agarrou o pedaço de pele que Kabuto havia entregado para ele, ainda estava pingando sangue. Ele torceu o rosto, antes de enfiar na sua bolsa shinobi.
Ele viu Kabuto sorrir de canto.
—Bom...mas, você não precisa se preocupar – Naruto olhou para ele curioso- Apesar daquela expressão incrivelmente calma e alegre no rosto dele...Akai-kun é meio...cruel. Acho que...depois de você...ele é o gennin mais forte do nosso lado...não se preocupe.
Naruto olhou para ele, chocado. Aquele garoto era tão forte assim?!
—Isso é sério? -Kabuto assentiu. Naruto franziu o cenho- Não aparenta...quer dizer, a maior parte do tempo ele está...sorrindo e agindo que nem um retardado...
Kabuto apenas riu, caminhando ao seu lado.
—É o seu charme...E, sinceramente, é interessante até.
Naruto parou de caminhar. Olhando afiadamente para o sorriso estranho nos lábios de Kabuto, enquanto falava de Akai.
Podia ser...
Naruto ouviu repentinamente uma risada na sua consciência. Fechando os olhos, ele percebeu que era a muramasa, gargalhando dentro da sua cela escura.
‟-Do que você está rindo?!
—Tem certeza que você deveria caminhar assim tão...calmamente?! Você devia se apressar, sabe...quer dizer...com aquele ferimento...Akai-kun não vai durar muito...
—Eu o curei com o chakra da Kyuubi...
A muramasa riu ainda mais.
—É mesmo?! Bom saber...bom saber...
Ela tinha um sorriso estranho no rosto, e tinha algo no seu tom de voz que fez os pelos de Naruto se arrepiarem. Mas Naruto decidiu ignorar, por hora. Ela devia estar querendo provocá-lo.
—Só...fique calada...ˮ
Quando ele voltou a realidade, Kabuto olhava fixamente para si.
—Por que parou?
Naruto deu de ombros, antes de continuar a caminhar.
—Nada...vamos...
***
—Nossa...que frio...-Akai sussurrou, abraçando o próprio corpo, enquanto caminhavam por aquelas ruas escuras e desertas- Esse uniforme poderia ser um pouquinho mais resistente, não?
Risa estalou a língua.
—Eu gosto do frio...
—Eu sei. E ambos sabemos o quanto você é estranha...
Risa parou de caminhar, e olhou para ele indignada.
—Eu sou estranha?!
Akai franziu o cenho, como se fosse muito óbvio.
—Seu primeiro beijo foi esse ano. –E depois um sorriso se esticou nos seus lábios- E eu tive que pagar o garoto...
Risa grunhiu de irritação.
—Não me lembre disso. Até agora não entendo por que você fez aquilo. Sério, que coisa terrível, fazer isso com sua melhor amiga.
—É exatamente por isso que eu fiz aquilo. -Ele riu- Você gostava dele. Você nunca tinha beijado. E...eu tinha mil Ryous, e zero ideias com o que gastar.
—Vai, se, fuder.
Ele apenas mostrou a língua para ela, antes de passar o seu braço pelo ombro dela. Ele se aproximou do seu ouvido:
—Isso me lembra de algo...eu vi um climazinho entre você e o garotinho Uzumaki...ou será que eu estou enganado?
Risa o empurrou, e caminhou alguns passos mais à frente.
—Não tem nada acontecendo. –Ela estalou a língua, mas depois riu- E, mesmo se estivesse, ele é só uma criança, céus...
Akai revirou os olhos. Antes de apertar o passo para estar ao lado dela.
—Se você gosta dele...de verdade, então diga...-Os olhos esmeraldas dele brilharam de uma forma estranha, quase como se...- as pessoas não devem ter medo de dizerem o que sentem...
Risa franziu o cenho, olhando atentamente para ele. Odiava quando ele se armava em conselheiro amoroso. Era sempre daquele jeito.
—Você é irritante às vezes, sabes? –Ela resmungou- Só mesmo o quatro-olhos maldito para aturar você...
Akai apenas sorriu de canto, com os olhos verdes brilhando de uma forma enigmática.
—Isso doeu. Um pouco. –Ela deu de ombros. Imediatamente a expressão de Akai se cerrou e os seus olhos escureceram- Silêncio...
Ela olhou para ele confusa, achando que ele estava novamente brincando. Mas não. A expressão dele estava tensa e séria, como mármore. Os seus fios loiros-acastanhados, presos em um rabo de cavalo, pareciam mais escuros, quando em contraste com a luz prateada da lua.
Os seus olhos verdes estavam sérios, quando ele fez um sinal para ela ficar em silêncio e o seguir.
Muito silenciosamente, eles se esgueiraram até um prédio vazio que havia na sua direita e, se agachando nas janelas do segundo andar, eles observaram o que acontecia em uma rua paralela à aquela.
Era uma cena bastante incomum.
Uma garota ruiva, com o uniforme da Névoa, no meio da rua pavimentada, sendo cercada por um quarteto de brutamontes da Vila do Som. Ela era pequena. Quer dizer, aparentava ser bem nova em relação aos outros concorrentes. Aparentava ter uns Onze anos.
Akai sentiu Risa ficar tensa no seu lado. Ele reconhecia melhor do que ninguém, aquele brilho que ele viu acendendo nos olhos dela. Risa não mudava, nunca. Sempre com o seu complexo de salvadora. Ela provavelmente queria...
Antes que ela se movesse, no entanto, Akai a parou.
—Espere...-a voz dele estava serena, mas o seu rosto estava estranhamente tensionado- Não acho que você deva fazer isso...Essa garota...o chakra dela...é insano. Ela provavelmente é...
—Não me importo –Ele ficou chocado quando ouviu Risa dizer aquilo- Não quero saber se o chakra dela é o mais poderoso do continente ou sei lá o que, foda-se. Ela...me lembra dela –Akai franziu o cenho, mas depois se lembrou que, pelo tom melancólico na voz de Risa, provavelmente estava se referindo à Karin, a menina também era ruiva, eram bastante parecidas, na verdade- Eu não posso...não posso decepcioná-la. Não novamente...
Akai viu o corpo dela tremer, como se de repente estivesse muito frio.
—Risa...
Antes que ele dissesse algo novamente, ela se jogou pela janela, aterrissando suavemente no meio da rua. A reação foi instantânea. Todo mundo focou o seu olhar na estranha garota que havia aparecido.
Akai suspirou. Risa era...doida como uma porta.
Sem escolhas, ele apareceu ao lado dela. Risa sorriu ao vê-lo.
Eles se moveram até a garota ruiva, que simplesmente olhava para eles de forma indecifrável.
—Quem...são vocês?
Risa tratou de esboçar o seu melhor sorriso gentil.
—Nós somos de Konoha...
—Konoha...?
Eles assentiram.
—Uhum, -Akai murmurou, mas depois deu um sorriso meio nervoso- e...pode parecer esquisito, mas... nós queremos ajudar você...
A garota abriu a boca, pestes a dizer qualquer coisa, quando aquele quarteto que havia a cercado se pronunciou:
—Mas que merda é essa?! –O que parecia ser o líder, esbravejou- Não se metam nisso, vermes da Folha. Isso é entre nós, e essa garota.
Risa cerrou o punho.
—Vocês não têm vergonha?! –Eles olharam para ela confusos- Quatro Shinobis, contra uma simples garotinha indefesa?
O garoto da Vila do Som olhou para ela chocado.
—Simples garotinha? Você ao menos sabe quem ela é? –Risa balançou a cabeça- Essa maldita é Terumi Akane!
Risa parecia confusa. Mas Akai arregalou os olhos. Aquele nome...Aquela garota era...
—Chega de conversa! –Eles sacaram as suas kunais e tencionaram os seus músculos- Vamos vingar os nossos companheiros, que foram mortos por essa cadela! Dois gennins há mais não fazem diferença...-ele sorriu, meio estranho logo depois de os analisar- Na verdade...vocês até são bonitinhos...O garoto também...já faz um bom tempo que eu não provo ‟outros saboresˮ ... –ele se virou para os seus companheiros- matem a ruiva, mas deixem esses dois...
Eles assentiram.
Imediatamente, a atmosfera mudou. Havia uma estranha nuvem de tensão permeando aquela rua escura e fria. Olhos dilatados. Músculos tensionados. Pelos eriçados. E havia o cheiro. Aquele cheiro maldito.
Cheiro do eminente sangue que seria derramado.
Eles três –Risa, Akane e Akai- estavam em uma espécie de formação triangular, de costas um para os outros, e quando aqueles quatro shinobis fizeram menção de se mover, Risa sacou uma kunai da sua bolsa shinobi.
Os gennins de Ottogakure foram se aproximando. Os rostos contorcidos em uma expressão de raiva e kunais tensionadas nas mãos, talvez pela adrenalina do momento, ela via tudo aquilo ocorrer em uma lentidão torturante.
Antes que Risa fizesse um movimento sequer, aquilo aconteceu. Foi rápido, muito rápido.
Ela viu Akane simplesmente suspirando e se colocando diante do seu corpo, antes que Risa dissesse algo, viu ela colocando a mão no cabo da Katana na sua cintura. E, imediatamente, a aura daquela pequena garota mudou.
Ela aparentava ser inofensiva, ela lembrava um gato preguiçoso, enrolado em mantas numa manhã fria de inverno, simplesmente ronronando, enquanto a neve caía lá fora. Mas...a partir do momento que Akane havia colocado as mãos naquela katana, o seu olhar e aura mudaram.
O seu olhar estava afiado como de um tigre, e a intenção assassina que ela exalava...céus...Risa imediatamente se lembrou de Naruto, enquanto fatiava os gennins da Pedra. Era densa, ao ponto de fazer todo mundo ao redor se sentindo pesado, como se estivessem tentando se mover no fundo do oceano, e a pressão estivesse os esmagando.
Aqueles quatro gennins simplesmente congelaram, com os olhos arregalados em puro choque, e então, aquilo terminou.
Em um piscar de olhos, os quatro caíram no chão, completamente fatiados. O sangue, e os pedaços dos seus corpos caíam lentamente para o chão, como se fossem chuva.
Risa e Akai olharam para aquela garota chocados, eles sequer...sequer haviam visto o movimento de saque da katana.
Akai sentiu uma gota de suor escorrendo pela sua pele, realmente, ele estava certo. Aquela garota era ´´Akai Kiri no hime´´ (Princesa escarlate da Névoa), uma garota prodígio que, mesmo sendo incrivelmente nova, havia lutado ao lado da Resistência da Vila da Névoa, o grupo que havia derrubado o regime ditador do Yondaime Mizukage, Yagura.
Ela era, a mais nova Shinobi a ser rankeada como nível S, no BINGO BOOK, e com uma recompensa simplesmente assustadora. Uma completa monstra, basicamente.
Bom, e agora ela olhava para eles de forma estranha. As pupilas dilatas e os músculos tensionados, como se estivesse avaliando se os matava ou não.
—Como vocês já devem ter notado...-A voz dela era fina e melodiosa, meio infantil até, mas os seus olhos âmbares eram tão assustadores, que passavam à sensação de ela ser uma gigante- Eu não preciso da vossa ajuda...
Akai notou o momento em que os dedos dela se tencionaram à volta da katana.
E, em um instante, ela atacou.
Em um milésimo de segundo, ele se colocou diante de Risa, com uma kunai entre os dedos. Ele rangeu os dentes ao absorver o impacto daquela katana. Apesar do seu corpo pequeno, ela tinha uma força assustadora.
Ele ficou surpreso ao vê-la retirando a sua espada, logo depois.
Com uma sobrancelha arqueada, apenas a viram balançar aquela katana ao ar, imediatamente todas as gotículas de sangue desapareceram do seu fio, mostrando o quanto aquela katana era...bonita. O seu fio refletia o prateado da lua, a levando à um tom quase azulado. Ela olhou para Akai, os olhos dourados dilatados em evidente interesse.
—Você...conseguiu ler os meus movimentos...-A voz dela havia voltado para aquele tom incrivelmente sonolento e preguiçoso- estou surpresa. Você é bom, garoto.
Akai apenas sorriu, de uma forma nervosa.
—Obrigado...acho...
Akane assentiu.
—Como vocês se chamam?
Akai, ainda olhando meio nervoso para aquela garota, resolveu suspirar. Inalando o ar que havia prendido, sem saber, de forma profunda. Ele tinha que se acalmar. Akai fez aquilo um par de vezes, até sentir os seus batimentos se normalizarem. Quando ele abriu os olhos, Akane ainda parecia esperar uma resposta.
Ele sorriu e, quando estava prestes a abrir a boca, ele sentiu algo quente escorrendo no seu rosto.
Chocado, ele levou os dedos até o seu nariz, sentindo eles ficarem tingidos com um líquido vermelho e com um cheiro metálico.
Ele...ele...ele estava sangrando?
Risa e a garota da Névoa apenas olhavam para ele confuso, mas antes que ele dissesse qualquer outra coisa sequer, ele sentiu aquilo.
Primeiro foi a sua cabeça, ela doía, muito. E as suas pálpebras ficaram de repente pesadas. Ele passou a ver tudo negro.
Akai assustou, quando percebeu que o chão estava cada vez mais próximo de si.
‟Eu...estou caindo? Estranho...por que estou caindo?ˮ
Risa arregalou os olhos, se movendo em uma velocidade que ela não achava que tinha, o impedindo de tocar no chão. Ela o segurou entre os braços.
Por mais que ela gritasse, por mais que sua voz estivesse ficando rouca, ele simplesmente não abria os olhos.
Só tossia um monte de sangue negro. Risa sentiu a sua respiração falhar. O que estava acontecendo?!
Risa levantou o olhar, olhando assustada para a garota da Névoa, mas o que ela viu a deixou estranhamente confusa. Por que...por que os olhos dela também estavam confusos? Como se ela não entendesse nada também?
Ela...ela era a culpada não?
Akane abriu a boca, prestes a dizer uma outra coisa, quando sentiu os pelos da sua nuca se eriçarem, em uma fração de segundos, ela sacou novamente a sua espada, e, girando o seu calcanhar, colocou à sua katana diante da espada que iria perfurá-la pelas costas.
—Oh...-ela murmurou, os olhos faiscando de um sentimento estranho- Uzumaki Naruto...
O olhar negro no rosto do loiro beirava a insanidade.
—Foi você...foi você que fez isso com ele?!
Akane não disse nada, apenas colocou mais força nos seus pulsos, Naruto sentiu o seu pé afundando no solo. Aquela garota...tinha uma força monstruosa.
—Eu...não sei...e se for?
Loucura. Ela viu a loucura refletindo naqueles olhos azuis.
—Então... eu vou despedaçar você.
—Já chega! –Risa gritou, com lágrimas escorrendo no rosto- Ela não fez nada, Naruto!
A fúria no seu olhar se apagou ligeiramente, ele guardou a sua katana.
Akane estalou a língua, parecendo irritada.
Naruto arregalou os olhos quando se aproximou. Céus...ele estava...
—O que aconteceu com ele?!
Kabuto perguntou, logo se agachando ao lado de Risa. Ela balançou a cabeça, como se também não entendesse nada.
Mas então Risa sentiu, os seus dedos que estavam sobre o abdómen de Akai, ficarem molhados por um líquido negro.
Com urgência, ela abriu o zíper do colete de Akai, e o que ela viu a deixou perplexa.
As faixas que haviam ao redor do seu tronco estavam...estavam uma mistura entre o negro e o amarelado, e um odor bastante nauseante era emanado.
Aquilo...não podia ser.
Naruto arregalou os olhos, ao ver aquele ferimento...aquilo era...
Ele ouviu novamente aquela voz na sua cabeça. Era a muramasa.
‟Sabe...Naruto-kun, ao longo dos séculos...eu já recebi muitos nomes. –Ela sorria daquela forma estranha, no meio da cela negra- Houve um tempo inclusive... em que as pessoas usavam uma expressão para me descrever...‟A lâmina de um corte. Uma morteˮ. A minha lâmina...ela não corta apenas o físico...mas também provoca um rasgo na alma da pessoa. –Naruto apenas olhava para ela, completamente paralisado- E, não vai ser uma bijuu enfraquecida que vai curar isso...
—Espere...eu...eu fiz isso?
—Sim, Naruto-kun...-ela sorriu ainda mais- você fez...ˮ
Kabuto estava agachado ao lado de Risa, com a mão emanando um brilho esverdeado, enquanto tentava curá-lo. A mão dele tremia. Naruto nunca havia visto Kabuto com uma expressão tão...assustada?!
Não estava...não estava funcionando.
Naruto tentou se aproximar, mas o olhar que ele viu no rosto de Risa o fez congelar no lugar. Como se estivesse de repente preso em lama.
—Eu- Ele tentou falar.
—Cale a boca. –Foi tudo o que Kabuto disse, com uma expressão estranha no rosto- Só...cale essa merda de boca.
Risa entrelaçou os seus dedos com os de Akai. Kabuto tentava curá-lo ainda.
—Aguente firme...tudo...tudo vai ficar bem...
O garoto do clã Yamanaka, tentou abrir os lábios, tentando dizer algo, mas a única coisa que saíam eram uns sons engasgados parecidos à suspiros.
Risa sentiu um vento gélido atravessar o seu corpo, os seus pelos se eriçarem, e um estranho arrepio na sua espinha.
Não. Não podia ser. Ele...ele estava morrendo. Ela sabia. Ela simplesmente sabia. Assim como soube quando olhou para a sua avó, na cama do hospital. Assim como soube quando olhou para o seu tio, adoecendo dia após dia. Assim como soube...quando olhou para Karin.
Aquela sensação...era quase como se aquele som fosse o sussurro gélido da deusa da morte nos seus ouvidos...
Ela conseguia ouvi-la sussurrando:
‟Tic, tac, criança. O tempo urge...ˮ
Enquanto movia o pêndulo da vida, bem diante dos seus olhos arregalados... Tic, Tac.
As lágrimas passaram a deslizar pelo seu rosto com mais força, ela olhou para Kabuto, suplicante:
—Por favor...por favor Kabuto!
—Eu estou tentando, cacete! –A sua mão, assim como a sua voz também tremia- Eu...estou tentando...
Risa sentiu a sua visão escurecer, quando o viu dando uma lenta e profunda tragada.
‟O tempo acabou, criança.ˮ
E, de repente, tudo silenciou.
Todos os sons haviam desaparecido.
Não havia vozes sussurrando no seu ouvido. Não havia nenhum relógio se movendo. Não havia Risa gritando. Não havia Kabuto tremendo...Não havia Naruto se desculpando...E não havia Akai respirando.
Não havia nada. Só um silêncio sepulcral.
As mãos de Kabuto, lentamente, perderam aquele brilho esverdeado. Ele se levantou, ajeitando os óculos com uma expressão indecifrável.
—Risa...largue ele. Ele já...se foi.
—Não. –Não era possível ver a sua expressão, os seus fios azuis caíam como cascata ao lado do seu rosto- Ele não morreu. Ele foi assassinado.
Naruto sentiu, como se de repente, o seu próprio corpo fosse pesado demais. Ele caiu de joelhos. Seus dedos se afundaram nos seus fios loiros.
Ele..ele...havia assassinado Akai.
—Me desculpem...me descul-
—Pare...-foi tudo o que Risa sussurrou, enquanto se levantava- só...pare com isso...levante...
Naruto ergueu o seu rosto, vendo o olhar extremamente indecifrável no rosto manchado de lágrimas de Risa.
Mesmo sentindo os seus joelhos extremamente pesados, ele se levantou. Ele viu ela dando alguns passos, até estar diante de si. Eles tinham a mesma altura, mas Naruto simplesmente não conseguia olhá-la nos olhos, então baixou o rosto.
—Risa...eu-
Risa o interrompeu. O empurrando no peito, ele foi para trás. Ela o empurrou de novo, e de novo, até as costas dele baterem na parede de um edifício, ela começou a socá-lo no peito. Ela finalmente explodiu.
—VOCÊ O MATOU! VOCÊ MATOU A PORRA DO MEU AMIGO!
Naruto nada fazia, tinha a cabeça abaixada, os fios loiros caíam como cascatas douradas, escondendo a sua expressão. Ele não revidou, ou tampouco emitiu um gemido de dor.
Por mais que aqueles socos doessem, ele agradeceu até.
Porque era melhor se concentrar na dor física que os socos de Risa lhe proporcionavam, do que a dor no seu coração. Ele suspirou profundamente, se concentrando na dor. Naquela maldita e viciante dor.
Ele. Havia. Matado. Um. Companheiro.
—Chega, Risa!
Kabuto a arrancou de Naruto, ela tentou se espernear:
—Me largue, Kabuto! Me largue, caralho!
Kabuto a envolveu em um abraço. Risa arregalou os olhos.
—Eles estão...levando ele...estão levando o Akai...então...só olhe...
E, então, ela não falou mais nada. Ela não falou nada. Absolutamente nada. Apenas ficou olhando de forma indecifrável, enquanto o corpo de Akai, o corpo do seu primeiro amigo, era levitado por aquele selo dourado, enquanto ascendia lentamente para a cúpula. Para o céu daquela doentia cidade.
Kabuto apenas continuava com aquele olhar estoico, apenas abraçado à Risa. Nem um único som cruzou os seus lábios.
Quando Akai finalmente desapareceu, eles ouviram aquele som de explosão reverberar por aquela rua com um silêncio sepulcral.
Um morto. Akai estava morto. Ele tinha desaparecido. Simplesmente deixado de existir. Nunca mais tocariam o seu rosto. Nunca mais ouviriam a sua voz. Nunca mais ouviriam notícias dele.
A morte era estranha. Morrer era estranho, Risa pensou.
Quando ela percebeu aquilo, apenas riu sem graça, como se de repente se lembrasse de todas piadas ruins que já havia ouvido na vida. Sim, aquilo era uma piada ruim. Uma piada muito ruim. Nada mais do que isso.
Sem dizerem nada, eles começaram a caminhar.
Naruto apenas estava apoiado naquela parede, ainda estático. Como um boneco. Um expectador. Um nada.
Ele era patético. Completamente patético.
—Gomen...
Naruto sussurrou, mas estava tão silencioso naquela rua escura e fria, que pareceu que ele havia gritado.
Risa parou de andar. Ela olhou para ele espantada, como se realmente não acreditasse.
—Você... ainda quer...pedir desculpas?!
—Se...eu puder fazer algo eu...
Ela tinha um olhar completamente insano e negro, mas depois, pareceu perceber algo, e se acalmou. Ela sorriu para si, um arquear dos lábios, que fazia as suas covinhas aparecerem no canto da boca.
—Tá tudo bem, Naruto-kun...-e acrescentou, ainda com aquele sorriso gentil- — Eu não quero muita coisa...eu só... nunca mais quero ver essa sua cara, ouviu?! Nunca mais.
O garoto de óculos apenas olhou para Naruto uma última vez. Os olhos dele, por detrás das lentes, estavam assustadoramente frios, era como se...
E então Naruto entendeu.
Ele havia passado a maior parte da sua infância sozinho, então ele era observador. Um exímio observador, na verdade. Do tipo que conseguia facilmente enxergar o que as pessoas estavam pensando só de olhar alguns minutos para elas.
Na maior parte das vezes, Kabuto parecia estar atuando, sempre usando uma máscara de sarcasmo e indiferença. Parecia ser o tipo de pessoa que abandonaria um companheiro à beira da morte, sem pensar duas vezes. Mas...havia algumas poucas vezes que ele demonstrava emoções reais nas suas feições. E aquilo só acontecia quando o garoto do clã Yamanaka estava envolvido... Aquele tipo de frieza no seu olhar...Como se Naruto fosse o pior dos monstros... Eles dois eram...
Estranhamente, tudo finalmente fez sentido na sua mente quebrada.
—Passar bem...Naruto-san... –Foi tudo o que Kabuto sussurrou-...Risa, vamos...
Naruto estava com os olhos completamente abertos, nem um único som saía dos seus lábios. Era como se ele fosse incapaz de emitir qualquer som.
Ele havia assassinado Akai.
‟Gaki...-ele ouviu a raposa sussurrar, na sua mente- Não foi sua culpa...não tinha como você prever isso...não se martirize...
Ele soltou uma risada sem graça.
—Eu peguei a espada... EU! Eu fui atrás dos gennins da Pedra... EU! Eu tentei matar a Risa... EU! Eu matei Akai... EU! Eu sou culpado... EU!
A Raposa milenar apenas suspirou profundamente. Céus...como...como consolar alguém com um olhar tão...quebrado?ˮ
Quando ele processou toda aquela situação, Naruto sorriu. Um simples repuxar dos lábios, sem nenhuma emoção.
E, no final, ele estava novamente sozinho.
Akane apenas assistia a àquilo tudo com uma expressão indecifrável no rosto. Não era da sua conta, é claro...mas...ela não conseguia evitar sentir os seus pelos se eriçando, e as suas pupilas se dilatarem, vendo toda aquela cena...
Como ela adorava o cheiro que havia se impregnado naquela rua. Cheiro de morte. E o som...o som era ainda melhor para os seus ouvidos. O som do sofrimento...era tão...prazeroso.
Ela sentiu a katana na sua cintura se aquecendo. Ela sabia o que aquilo significava. Ela queria sangue. Sangue daquele garoto.
Ela ouviu a sua katana sussurrando. Eles estavam sozinhos. Só eles dois. Ninguém saberia de nada. Ninguém veria nada.
Ninguém.
Seria só um corte, rápido. Nada mais.
Ela sentiu a sua mão se movendo até sua cintura, a caminho da sua katana, mas então... ela suspirou, quando sentiu aquela presença surgir ao seu lado. Haku.
—Você demorou...
Foi tudo o que ela disse. Haku nada falou, os seus olhos estavam arregalados na figura do Uzumaki, que sorria como se tivesse enlouquecido.
—O que...aconteceu com ele?!
Akane no princípio achou estranho o tom de voz de Haku, mas depois se lembrou que eles eram meio que...amigos.
—Bom...digamos que...ele está...em um outro lugar...
O garoto apenas suspirou, enquanto caminhava em direção ao loiro.
—Céus...cara, o que aconteceu com você?
Ele mal parecia ouvi-lo, nem mesmo quando ele colocou as suas mãos no seu ombro. Só dispensou um breve olhar para si.
—Haku...é você?
Foi tudo o que ele sussurrou. E por mais coisas que ele lhe perguntasse, Naruto simplesmente não reagia. Os olhos dele continuavam vazios. Ocos. Como se estivesse preso no seu próprio mundo sem cores.
E então Haku se lembrou de algo...
Enquanto ele se movia para aquela parte da cidade, ele havia sentido o chakra de Sakura. E ela parecia estar com problemas...
Ele suspirou. Era a única forma de trazê-lo de volta à realidade.
—A Sakura...ela... ela está com problemas...
Os seus olhos azuis se arregalaram.
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Estava frio, e era quase meia-noite. Hinata, estava sentada nas escadas da entrada daquele edifício, quando sentiu aquele cheiro adentrar as suas narinas. Canela e limão.
Ela levantou o rosto, tendo o vislumbre dele se aproximando. Ele havia desaparecido por cerca de três horas, e vendo o estado dele, ela entendeu.
—Isso é...
—Eu fui...espairecer a mente...
Hinata olhou para o sangue na katana nas suas mãos e a bolsa ensanguentada. Ela entendeu. Ele havia ido...coletar as marcas da morte, aparentemente. Ela e Sakura só haviam conseguido uma.
Se bem que...Naruto provavelmente havia usado aquilo como desculpa para descontar a sua raiva...Shinobis eram...complicados.
—Entendo...-foi tudo o que ela murmurou, abrindo em seguida a pesada porta daquele edifício- vem comigo...
Ele a seguiu até o banheiro, e colocou as suas mãos no lavatório, enquanto Hinata abria a torneira. O loiro não disse nada, enquanto Hinata lavava as suas mãos.
Alguns minutos depois, elas estavam limpas.
—O cheiro...não sai...
Hinata olhou para ele confusa.
—O cheiro?
—O cheiro de sangue...não sai das minhas mãos...
Ela apenas suspirou. Os olhos dele estavam...opacos. Completamente sem vida. Naruto estava aéreo, como se a sua mente não estivesse realmente ali. O que havia acontecido com ele?
—O colete, Naruto-kun...
Naruto sentiu um frio atravessar o seu corpo, enquanto abria o zíper daquele colete e o entregava para Hinata.
Ele não falou nada enquanto a via mergulhar aquilo no lavatório, com uma expressão para lá de concentrada. Naruto apenas se apoiou na parede fria do banheiro, e ficou encarando aqueles azulejos na parede como se fossem a coisa mais importante do mundo.
Ela concentrou chakra katon no tecido do colete, e ele soltou um leve vapor enquanto secava.
—Pronto...pode vestir...
Enquanto Naruto colocava aquilo de volta, ouviu-a falar.
—Como você...se feriu? –Vendo a expressão confusa dele, ela se aproximou dele e, traçou, com a ponta do dedo todo o contorno da fina e longa cicatriz que atravessava o seu tronco- Essa cicatriz...
Naruto levou um longo minuto para responder. Ele terminou de vestir.
—Uma missão.
—Entendo...-Foi tudo o que ela sussurrou-Você...tá com fome?
Ele balançou a cabeça negativamente, e ela apenas suspirou.
—Mesmo assim...vem comigo...
Naruto só percebeu onde estavam quando sentiu aquele vento gélido na sua face. Eles estavam na cobertura daquele edifício. Ela se sentou na beirada da cobertura, e fez um sinal para que ele se sentasse ao seu lado.
—Você...vai cair...
Ela revirou os olhos.
—Deixa de ser bobo...vem...
Naruto prendeu a respiração com a visão que teve, quando se sentou. Apesar daquele tom doentiamente cinza-escuro no horizonte, a visão daqueles enormes edifícios, ajudava a acalmar um pouco o seu coração.
—É lindo, não?
Ela murmurou, Naruto assentiu, sem saber o que dizer.
Ela revirou a sua bolsa, puxando duas barras de chocolate. Ela entregou uma para o loiro.
—Não conte para Sakura. Ela vai querer confiscá-los...-ela piscou o olho para ele, como se fosse um grande segredo, o canto dos lábios de Naruto se arqueou- Uau, você sorriu.
—Não. Foi impressão sua...e, Hinata, doces à essas horas, sério?
Ela apenas mostrou a língua para ele, enquanto abria o seu e dava uma mordida.
—Não é doce. É chocolate.
—Um dia isso irá matar você...
Ela deu de ombros.
—Mas vale morrer de diabetes, do que ser decapitada em uma missão. Não sem antes ser estuprada, é claro.
Naruto deu uma mordida na sua barra, ao ouvir aquilo. Era...comum ela falar aquele tipo de coisa.
Hinata sempre teve um senso de humor particularmente mórbido. E só piorava quando ela estava preocupada com algo.
—Então...-Naruto murmurou- como...como eles estão?
Hinata teve que fazer um esforço para conseguir ouvi-lo. Ele sussurrou tão baixo, e ela estava demasiado ocupada mastigando.
—Bom...-ela engoliu o pedaço que tinha na boca- A Ino... acordou. Embora esteja tão aérea, como se não estivesse realmente aqui, sabes? Ela...entrou em pânico quando Shikamaru tentou abraçá-la...provavelmente temendo...-ela sentiu um arrepio- enfim...só se acalmou um pouco quando Sakura a abraçou. Acho que ela é a única capaz de chegar até ela no momento...Shikamaru está inconsolável...apesar de entender que ela está passando por algo...indescritível... é difícil não ficar magoado...-Por um motivo estranho, os seus olhos perolados se moveram até o rosto indecifrável de Naruto- não quando a pessoa que amamos está sofrendo, e nós simplesmente não conseguimos fazer nada, a não ser olhar. Como se fôssemos meros expectadores...
Naruto não pareceu notar o olhar dela, no entanto. Hinata deu uma risada seca. Ele nunca notava. E ela não disse mais nada. Ficaram em silêncio. Simplesmente apreciando aquela vista.
—Você...não vai me perguntar nada?
Ela semicerrou os olhos. De novo aquele tom incrivelmente baixo. Claro que ela queria perguntar um monte de coisas. Mas...
—Quero. Mas...eu conheço você. Eu sei que você não quer falar. Pelo menos não no momento, então...tá tudo bem. Só... fique aqui sentado, e pegue um resfriado comigo...
Naruto sentiu um sorriso a caminho da sua garganta. Mas não conseguiu sorrir. Naruto olhou para ela finalmente.
—Os seus olhos mudaram...
Hinata olhou para ele, os olhos estreitados.
—Como assim?
—Esse brilho nos seus olhos...É o mesmo que eu tenho nos meus. Você...viu o mesmo inferno que eu. E isso me deixa triste. Eu gostava dos seus olhos.
Os olhos dela lacrimejaram ligeiramente.
Sim, ela havia visto o próprio inferno. E o seu, em particular, se chamava Naomi. Ver Ino daquela forma...a trazia de volta para aquela caverna. Aquela maldita caverna.
Ela voltou a morder o seu chocolate.
Quando tocou exatamente meia-noite, eles ouviram aquela música tocando novamente. Aquela maldita música.
Então aqueles rostos foram passando, um por um. Ela viu o rosto do garoto de Suna que ela havia assassinado, e um monte de rostos estranhos passarem, mas então...ela arregalou os olhos quando viu o rosto daquele garoto. Ele era de Konoha, assim como eles. O seu nome era Akai ou algo parecido. Ele havia...morrido?!
Estranhamente, ela viu a expressão de Naruto, ao seu lado, mudar. Estava profundamente triste.
—Naruto...
—Não foi nada...-ele ainda continuava com aquela expressão- Você...devia ir dormir...
Ela suspirou. Ele amava mudar de assunto repentinamente.
—Não posso...
—Mas...-ele reparou nos enormes círculos escuros ao redor dos seus olhos- você parece tão cansada...
—E realmente estou. Não durmo há mais de três dias...mas, não é que eu não possa, não consigo. Não sem meus remédios...
—Remédios...?
—Sim...desde...desde aquela missão...eu não consigo dormir. Não sem tomar os meus remédios –ela deu uma risada sem graça- Ou ela...ela vai aparecer nos meus sonhos. E eu não...não quero vê-la. Não hoje. Eles não me deixaram vir com eles então...sim, eu estou enlouquecendo...
Naruto bateu a mão na própria coxa. Ela olhou para ele confuso. Ele suspirou.
—Deite aqui...
Ela imediatamente se lembrou de quando eles eram criança. Eles faziam muito aquilo. Mas eles não eram mais crianças. Não mais.
—Nós não temos mais oito anos, Naruto...
—Só faça isso logo...
Ela suspirou, antes de deitar a sua cabeça sobre a sua coxa. Imediatamente, ela sentiu os dedos dele se afundando nos seus cabelos, fazendo uma pressão ligeira. Era uma sensação muito boa.
Sem perceber, ela ouviu aquilo saindo da sua boca:
—Quando...quando foi que a nossa vida ficou tão...-ela pareceu pensar bastante em uma palavra- Complicada?
Complicada. Um completo eufemismo para a incrível merda que estava acontecendo.
—Não sei...Não sei...
Foi tudo o que ele disse, com aquela voz incrivelmente profunda. Ela se concentrou na sensação dos dedos dele se passeando pelos seus fios. Era...relaxante. E quando, ela menos percebeu, as suas pálpebras começaram a pesar.
Os seus olhos se fecharam, e ela adormeceu.
Naruto ficou observando enquanto o céu lentamente clareava, enquanto o tempo passava, até ver o sol tentando nascer naquele horizonte cinza.
Ele achava o nascer do sol... como sendo algo profundamente triste. Possuía a escuridão da noite que morria, e a claridade do dia que nascia. Não era nem um, nem outro. Era...como o limbo. Ou a cor cinza. Nem preto, nem branco. Nem luz, nem sombras. Um completo nada.
Ele arregalou os olhos. Era exatamente como ele. Sim, ele era como o limbo. Ele era como o cinza. Ele era como o nada.
Ele era um nada.
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