Gênesis
42 Chuunin Chiken - FOME -Taub I.
Notas iniciais
“ E eu vi, e eis um cavalo preto; e o que estava sentado nele tinha uma balança na mão. E eu ouvi uma voz como que no meio das quatro criaturas viventes dizer: "Um litro de trigo por um denário, e três litros de cevada por um denário; e não faças dano ao azeite de oliveira e ao vinho. ”
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Hiruzen suspirou profundamente, sentindo o seu corpo afundando profundamente na sua cadeira. Ele levou os seus dedos enrugados e trêmulos até às suas têmporas, as massageando lentamente. Mas a dor de cabeça não passava, assim como os malditos pesadelos.
Morto. Yamanaka Akai estava morto. Ele ainda se lembrava da expressão no rosto de sua mãe, quando a mesma invadiu o seu gabinete há algumas horas trás. Olhos verdes e chorosos, carregados de ódio.
E, o pior. Era o que ela exigia. Morte à Uzumaki Naruto. Ou, como ela carinhosamente o chamava: Demônio Raposa.
Hiruzen suspirou novamente. Naruto já não era muito... popular. E as coisas que ele estava fazendo simplesmente pioravam tudo. Por um lado, tinha os shinobis. Todos eles estavam mais do que satisfeitos pelo desempenho do garoto no exame. Ou d´arma de Konoha, como eles diziam.
Quer dizer, ele havia dizimado um número assustador de gennins de vilas inimigas com uma facilidade desconcertante –gennins que, no futuro, poderiam se tornar monstros-. O Daymiou e os nobres particularmente haviam adorado o banho de sangue que ele havia proporcionado...
E depois, havia os civis. Estes, aparentavam estarem horrorizados com o fato de estarem vivendo na mesma vila que um ‟monstro sanguinárioˮ.
E, não tinha como censurá-los. Não quando, naquela arena, ninguém havia ceifado mais almas do que ele. O Sandaime já havia perdido a conta.
Hiruzen suspirou. Era apenas o quinto dia de exame, mas os pesadelos já estavam começando a aparecer. Primeiro foi Ino...a doce e inocente garota do clã Yamanka. Estuprada diante dos olhos do mundo inteiro. Dos olhos do próprio clã. Dos olhos dos próprios pais...
O Sandaime sentiu um arrepio, ao se lembrar do olhar choroso de Inoichi, enquanto a sua filha era...desonrada. Bem diante dos seus olhos. Ele implorava para ele parar aquele exame. Mas...o que ele podia fazer, quando o Daymiou, sentado no seu lado, com uma taça de vinho na mão, apenas gargalhava enquanto via aquela cena?!
Ele desviou o seu olhar para a enorme janela do seu escritório. Era quase meia noite do quinto, e último dia da Segunda Tribulação, Guerra. E faltavam menos de meia-hora para a próxima tribulação começar.
Só de imaginar, que no dia seguinte, ele teria que se dirigir novamente para aquele salão, sentar ao lado do Daymiou, e ficar assistindo ele se entupindo de bebidas e comidas exóticas, enquanto assistia aquela carnificina junto aos outros Kages, ele se sentia exausto.
Ele soltou um longo suspiro. Ele estava...cansado. Muito cansado.
Ele olhou para os rostos esculpidos no Monte dos Hokages, se perguntando o que o seu Sensei, Senju Tobirama faria naquela situação...
—Sem sono?
Hiruzen teve um sobressalto ao ouvir aquela voz próxima do seu corpo. Ele relaxou a sua expressão quando viu a forma translúcida e flutuante de Tobirama.
—Você quase me matou de susto, Sensei...-Ele vasculhou a sua secretária, encontrando o seu querido cachimbo, depois de colocar algumas ervas nele, ele o acendeu. Dando uma profunda tragada, ele finalmente se sentiu relaxando – O que aconteceu, Tobirama-sama? Você...quer que eu reforce o selo novamente?
Tobirama apenas balançou a cabeça.
—Não. Você já fez isso semana passada. Eu ainda tenho duas semanas, antes de ter que reforçar esse jutsu...enfim...-ele suspirou, os olhos castanhos-avermelhados parecendo cansados- Eu vim falar de outra coisa com você...
Hiruzen assentiu, se ajeitando melhor na cadeira.
—Estou ouvindo...
—É sobre o Naruto. Aquilo...está acontecendo mais rápido do que eu previa... –Hiruzen arregalou os olhos. – Ele já está...sonhando com aquilo.
—Impossível! –Hiruzen se levantou, exaltado- Nós deveríamos ter mais tempo, a menos que...-Os seus olhos se alargaram em choque, ele então entendeu, voltando a se sentar- entendo...
Tobirama assentiu.
—Sim...Hiruzen. Está acontecendo mais rápido do que eu previa. Prova disso, é a forma que ele reagiu a Muramasa...
O Sandaime suspirou.
—Você...acha que foi um erro colocar aquela espada na arena?
—Não. –Tobirama foi rápido em dizer.- Ele vai precisar daquela espada. Quanto mais cedo ele dominá-la, melhor. Eu só...não esperava que ele fosse de facto utilizá-la no meio do torneio...céus, ele matou um companheiro...
Hiruzen apenas ficou em silêncio. Não sabia o que dizer.
—Enfim...-Tobirama suspirou- Eu preciso verificar. Verificar se eles já estão se movendo. Verificar se os selos ainda estão ativos. Eu preciso que você faça aquele jutsu.
Os olhos de Hiruzen se estreitaram.
—Tem certeza? Eu vou... precisar de um sacrifício...ou seja, eu terei que matar alguém...
—Bom...-os olhos de Tobirama escureceram- Que tal...o inseto que está espiando você pela janela?
Hiruzen entendeu que ele se referia à um espião do Danzou. O Sandaime sorriu de canto, se lembrando da sua juventude. Naquela época, com seu Sensei, as coisas eram... interessantes.
XXXX
Sasuke era um Uchiha. O último Uchiha. O seu clã era um dos mais poderosos, se não o mais poderoso que já havia pisado o mundo Shinobi. Conhecidos pelo seu orgulho, tão forte quanto o vermelho que ostentavam nos seus olhos. Pelotões inteiros tremiam ao ver o brasão Uchiha cravado nas suas costas. Alguns os chamavam de anjos e, muitos outros, de demónios.
Sasuke sabia daquilo melhor do que ninguém. Mas...nenhum daqueles títulos importavam, aparentemente não para os seus companheiros.
Kiba e Shino eram...estranhos, na falta de uma palavra melhor. Particularmente, Sasuke não tinha problemas para lidar com Shino, o garoto do clã Aburame era quieto a maior parte do tempo, e só falava estritamente o necessário. E, além do mais, podia se contar com ele em campo de batalha.
Sasuke já havia perdido a conta de quantas vezes ao longo daquele exame, Shino já havia protegido às suas costas de um ataque sorrateiro. Ele era analítico e muito racional. O tipo de Shinobi que nunca se deixava levar pelas emoções. Ele era, aparentemente, perfeito como Shinobi. Sasuke gostava dele.
Mas então...havia Kiba. Ele era...incomum. Ele era do tipo distraído. O tipo de pessoa que seria capaz de esquecer o próprio nome, se ninguém o lembrasse a cada minuto. Mas...ao contrário do que Sasuke achava, aquilo mudava quando eles estavam em uma situação de combate.
Sasuke sabia que os Inuzukas eram...meio selvagens por natureza, afinal era naquilo que eles se baseavam em combate. Mas...mesmo para padrões Inuzukas, Kiba era...diferente. Os seus instintos eram mais afiados do que qualquer outro do seu clã. O seu chakra era...como de uma besta indomável, sendo impelida pelo simples desejo de estraçalhar e desmembrar.
Ele ainda se lembrava do estado em que os seus inimigos ficavam depois de enfrentá-lo. Um monte de carne dilacerada e irreconhecível.
Então, de uma forma estranha, eles eram...um trio interessante.
Mas tudo mudava quando não estavam lutando. A maior parte do tempo, Kiba estava falando coisas sem sentido, e Shino, com a sua lógica fria, sempre acabava debatendo com ele, por horas seguidas. E Sasuke só os assistia, enquanto era tomado por pensamentos suicidas. Como naquele instante.
Eles estavam na cobertura do edifício que servia como esconderijo para eles, apenas esperando os dois minutos que faltavam para tocar a meia-noite, e a próxima tribulação começar. E eles estavam discutindo novamente.
—Punho do macaco bêbado? –Shino franziu as sobrancelhas por detrás dos óculos escuros- Isso não existe...
—Existe sim, cara! Eu estou te falando. Dá pra matar um cara com um golpe desse estilo.
Shino ajeitou os óculos.
—Impossível...para tal feito, esse estilo deveria se basear em golpes extremamente potentes e-
—Foda-se os detalhes, mano. Eu conheço um cara...ele é da ANBU. Ele me disse que, em uma missão que ele teve no ano passado, eles acabaram enfrentando um monge que usava esse estilo. O cara matou um monte deles facilmente.
—Isso é impossível. ANBUS não podem revelar detalhes das missões...
—Ele me devia uma grana, cara! Mas, continuando... um golpe desse estilo é capaz de abrir o corpo de alguém ao meio, mano...tou te falando!
Sasuke apenas suspirou. Do que eles estavam falando?!
—Sasuke –Kiba se voltou para si- Você já ouviu falar desse estilo, não?
—Não.
Foi tudo o que ele disse, antes de voltar a prestar atenção na lua prateada.
Kiba continuou.
—Mas você é um Uchiha. –Sasuke olhou para ele irritado por ter mencionado o seu clã- Você devia manjar esse tipo de coisas.
Sasuke estalou a língua. Não estava com paciência para ouvir aquilo.
—Agora que você mencionou...já ouvi algo sobre...
Kiba sorriu.
—Viu, Shino? Eu estava certo.
Akamaru latiu, como se concordasse. O garoto do clã Aburame ajeitou os óculos, prestes a dizer algo mais, quando eles ouviram aquele grito novamente reverberando por aquela cidade.
Imediatamente, eles focaram os seus olhos nas letras brilhantes que foram aparecendo na cúpula.
Àqueles, que a marca da morte
Conseguiram coletar
Parabéns!
À quem, no entanto, esta não possuí
Um último suspiro, usufrui
Sasuke arregalou os olhos, quando viu aquela cidade tremendo.
—Se aproximem de mim!
Foi tudo o que Sasuke gritou, quando viu aquele gigantesco selo negro aparecer no céu. E, então, ouve um enorme clarão.
XXXXXXXXXX
“ E eu vi, e eis um cavalo preto; e o que estava sentado nele tinha uma balança na mão. E eu ouvi uma voz como que no meio das quatro criaturas viventes dizer: "Um litro de trigo por um denário, e três litros de cevada por um denário; e não faças dano ao azeite de oliveira e ao vinho. ”
Eles olharam fixamente para a frase estampada no céu daquele lugar doentio. Meio que automaticamente, Naruto moveu o seu antebraço diante do nariz, procurando abafar aquele fedor nauseante.
Aquele lugar...era horrível.
Eles estavam em uma gigantesca floresta, ou no caso, o que havia sobrado dela. A terra era completamente árida e estéril. As poucas árvores que haviam restado, eram meros galhos finos de tão secas que estavam.
Os rios estavam completamente secos e negros, e haviam carcaças de inúmeros animais no chão.
Mas o pior de tudo, era o fedor. Fedor de carne se decompondo. Fedor de morte, e o vento constante que trazia partículas daquela terra fétida para os seus lábios.
Aquela era a terra da morte.
‟Então...eles mataram eles...ˮ
Naruto olhou ao seu redor. Junto das carcaças de animais em decomposição, haviam alguns cadáveres há alguns metros de onde eles estavam. Analisando o fato de eles estarem usando uniformes de diversas vilas, e ainda não estarem em estado de decomposição...era óbvio quem eles eram.
Shinobis que não haviam conseguido coletar as marcas da morte.
—Céus...que cheiro horrível...
Naruto olhou para o seu lado. Sakura, abraçada à uma entorpecida Ino, é quem havia falado. Ele teve que concordar.
—Hinata...-foi tudo o que saiu dos seus lábios, a herdeira do clã Hyuuga virou o rosto em sua direção, indicando que estava ouvindo- Eu...preciso que você use o byakugan. Ainda está de madrugada. Tente ver um local ideal para nos instalarmos...
Ela arqueou as sobrancelhas.
—Não me lembro de termos elegido você como líder... quer dizer, pelo menos deveria haver uma votação sobre isso...
—Bom...-A expressão no rosto de Naruto continuava opaca e distante- Eu não disse que era o líder. Foi uma sugestão. Alguém...quer liderar?
Os seus olhos azuis-escuros passearam nas expressões de cada um que estava consigo. Sakura estava demasiado ocupada acalmando Ino dos seus ataques de pânico. Ela tinha um novo a cada dois minutos. Ela ficava tremendo como uma criança, com medo dos monstros horríveis escondidos em baixo da cama. Só que...infelizmente os monstros eram reais. Ino estava...bem, era complicado.
Hinata apenas estava olhando para ele de forma esquisita, e então, havia Shikamaru. Quieto como um cadáver, enquanto eles caminhavam por aquela terra estéril e moribunda. E não era pelo fato de terem arrancado a sua língua. Ele estava realmente quieto. Nem se podia ouvir o som da sua respiração, ou das suas sandálias se afundando naquela terra apodrecida. Era como se ele não existisse.
Hinata revirou os olhos.
—Céus...eu estava brincando...-Ela formou um selo de mão, enquanto estreitava os olhos. Imediatamente, veias pulsaram ao redor dos seus olhos perolados. Ela ficou tensa — Vocês querem as boas...ou as más notícias?
Sakura estalou a língua.
—Tem acontecido tanta merda. Acho que uma boa notícia seria bem-vinda...
Hinata apenas sorriu fraco.
—Bom...aparentemente, toda essa arena é uma terra estéril, sem rios, sem vida e sem cavernas sequer para se abrigar...
Sakura a cortou.
—Em que mundo isso são boas notícias?!
—Bem... felizmente, eles colocaram alguns bunkers subterrâneos ao redor da arena...e tem um há uns duzentos metros à frente.
Naruto desviou o seu olhar para Hinata.
—Entendo...-A sua voz não passava de um sussurro- E as más notícias?
Os olhos de Hinata escureceram.
—Eu...não consegui ver qualquer indício de comidas, ou sequer água nos arredores. Não há nada aqui. Literalmente... Só há morte e o cheiro de terra apodrecida.
—Era o esperado. –Naruto voltou a falar, e eles automaticamente olharam para si- Por hora, vamos só...achar um lugar.
Depois daquilo, ninguém mais falou nada. Eles continuaram caminhando. E, rapidamente, todos perceberam algo: Hinata tinha razão.
Ao longo do caminho, não importava onde olhassem, eles só viam morte. Carcaças se decompondo e corpos estirados.
Levaram cerca de cinco minutos para chegarem ao abrigo. Eles se entreolharam enquanto encaravam aquela porta de metal acoplada no solo. Naruto suspirou, antes de levantar a pesada porta de metal. Estava destrancada.
—Fiquem aqui...
Ele sentiu uma lufada de ar puro adentrar as suas narinas enquanto descia às escadas daquele lugar. As suas pupilas estavam dilatadas, tentando enxergar no escuro.
Ele tateou a parede áspera, até achar uma espécie de interruptor. Imediatamente, as luzes fluorescentes se acenderam.
Ele analisou o local. Não era muito...grande. Mas tinha espaço suficiente para eles. Era um cubículo de paredes ásperas e duras, com um beliche metálico no canto, uma cabeceira e sem quaisquer detalhes marcantes. Era incrivelmente monótono.
—Podem entrar!
Ele gritou. Imediatamente ouviu sons de passos descendo às escadas.
—Parece...aconchegante. –Sakura deu um sorriso nervoso- Pelo menos é...quente...
Hinata estalou a língua.
—Aconchegante? Não tem nada nessa porra. Quer dizer...há donzelas aqui. Eles poderiam pelo menos colocar um banheiro aqui, céus. Ou será que acham que somos animais?
—Nossa –Sakura abafou o riso.- Gente rica é complicada.
Hinata apenas mostrou a língua para ela. Naruto franziu o cenho. Elas haviam...se tornado próximas, aparentemente.
—Bem...-ele voltou a falar, mostrando uma mochila para eles- Essa foi a única coisa que encontrei aqui...
Hinata afiou os olhos.
—Tem...algum doce?
—Não tem...nem comida, nem água –A expressão de Hinata murchou- só encontrei alguns equipamentos shinobis e um saco-cama...
Sakura colocou Ino sentada na cama de baixo, ela tentou se levantar, mas a Yamanaka apertou o seu braço com força, ela suspirou, antes de se sentar também. Ela olhou fixamente para Naruto, parado no meio daquele bunker.
—Isso me lembra...-Sakura tornou a falar- nós temos que rever os nossos mantimentos e racionalizá-los. Não me parece que vamos achar comida nessa fase.
—Claro que não...-Naruto sussurrou- Afinal, essa tribulação é baseada na fome.
Todos olharam para ele curioso. Até Shikamaru, encostado na parede, dispensou um olhar para si.
—Acho melhor...vocês se sentarem.
Naruto passou os minutos seguintes explicando para eles, o que ele já havia percebido daquele exame. As regras. As charadas. As tribulações...
Os olhos de Sakura se estreitaram no final.
—Então...as minhas suspeitas estavam corretas. Quando criança, eu já...tinha lido algo sobre esse conto na biblioteca...mas como não era detalhado, eu não tinha tanta certeza sobre.
—Claro que não –Naruto sussurrou- Somente os monges de alto escalão podem possuir uma cópia completa do Kojiki. Eles nos transmitiam o que lhes apetecia oralmente...
Hinata assentiu.
—Eu também. Quer dizer... sendo herdeira de um clã nobre...eu sempre tive aulas particulares sobre os ritos e tradições com um monge do templo de fogo. –Mas depois revirou os olhos.- Mas aquele velho ficava dormindo no meio das explicações...nunca realmente entendia o que ele falava...
—E...a menina rica ataca de novo....
Hinata olhou para Sakura, parecendo entediada. Ela apenas revirou os olhos.
—Enfim...-A Hyuuga voltou a falar- Então...o que aconteceu com Izanagi-sama? Digo...quando ele passou por essa tribulação?
Naruto soltou um suspiro.
—Desculpe...eu não-
Para a surpresa de todos, eles viram Shikamaru gesticulando com as mãos.
Hinata olhou para Sakura, procurando saber se ela entendia linguagem de sinais, mas ela também parecia perdida. Até que elas ouviram Naruto falando:
‟Eu...sei o que... aconteceu com ele...ˮ –Naruto murmurou, prestando atenção nos movimentos das mãos de Shikamaru – ‟Eles o fizeram ficar...cinco mil luas e cinco mil sóis...sem se alimentar...ˮ
Os olhos negros de Shikamaru olhavam para ele com interesse. Ele gesticulou novamente:
‟Você...entende o que eu estou falando...?ˮ
‟Sim. -Naruto sinalizou de volta.- No orfanato onde eu cresci...haviam algumas crianças surdas e mudas...então éramos obrigados a aprender...e você, onde aprendeu?ˮ
‟A minha avó... ficou surda devido um ferimento na segunda guerra shinobi. Ela me ensinou, quando eu era criança. Para que eu pudesse me comunicar com ela...- Mas depois gesticulou novamente, dessa vez parecendo um pouco irritado- E...eu não fiquei surdo. Você pode falar comigo normalmente!ˮ
Naruto soltou um suspiro profundo.
—Desculpe...
Foi tudo o que ele disse. Sakura e Hinata olharam para ele impressionado. Sakura perguntou:
—Você...entende ele? –Naruto assentiu- Incrível...
—Enfim...-Hinata suspirou- mas o que foi que ele disse?
—Bom...respondendo a sua pergunta...Izanagi-sama ficou cinco mil luas e cinco mil sóis, sem se alimentar...
—Espere...-Sakura estreitou os olhos- Não acho que nós vamos ficar aqui por esse período de tempo, é claro...mas devíamos procurar ver o que temos...
Eles abriram todas as mochilas e analisaram os conteúdos. Depois de um cálculo rápido, chegaram à conclusão de que, se fizessem ao menos duas refeições por dia, e cada um bebesse um cantil de água por dia, eles conseguiriam se manter por dois, três dias no máximo.
—Bem...-Sakura sorriu de forma nervosa- Acho que...podemos conseguir...quer dizer...cada tribulação dura cerca de dois à três dias...
Eles viram Shikamaru balançar a cabeça, ele começou a falar:
‟Impossível. Esse exame...nós temos que sobreviver por catorze dias aqui. A peste durou três, a Guerra dois, ou seja, ainda temos nove dias. Acho que...essa será a fase mais longa...preparem-se para o pior cenário possível.ˮ
Quando Naruto explicou aquilo para elas, elas suspiraram. Hinata franziu o cenho:
—Bom...temos que estar abertos à possibilidade de podermos ficar sem mantimentos...só espero que...eu esteja errada...
Eles suspiraram, todos pensando a mesma coisa: Aquilo seria...complicado.
Fale com o autor