Gunslinger
1 Prólogo
Notas iniciais
"A guerra é linda aos olhos daqueles que nunca a presenciaram"
O homem andou cauteloso seguindo seu Capitão. Abaixou sua arma, posicionando-se ao lado da parede já marcada de balas, o chão cheio de escombros e poeira. Não era um cara religioso, mas fez o sinal da cruz para se garantir. Em uma guerra de fato valia tudo, até acreditar em religiões.
Seu time chegou logo atrás. James, Zackary, Brian e Johnny. O mais alto de todos eles, James lhe deu cobertura para avançar uma pequena distância, o chiado do rádio agora lhe incomodava, lhe fazendo suar em nervosismo.
- São sete – Disse o homem cujo estava na liderança da equipe. Fez um sinal com os dedos bem observado por Matthew, que indicava dois a porta e cinco mais atrás, dentro da sala. – Não vou fazer tudo sozinho, ouviram?
Matthew suspirou e voltou a deixar a arma posicionada a sua frente, vez ou outra fitando a mira enquanto sua equipe se movia, lenta. Já podia sentir seu suor por baixo da roupa escorrer, devido ao nervosismo e ao calor do Oriente Médio. Nunca fora um homem medroso, havia medalhas para lhe confirmar, mas o local lhe deixava apreensivo, mais uma escola destruída pela guerra. Ali não era um local para soldados.
- No três – Disse o Capitão. Matthew apertou a arma automática, concentrando-se quando já ouvia a conversa em outro idioma ser abafada pela contagem. – Um... Dois...
James esbarrara em si, havia percebido. O homem estava mais nervoso do que todos os outros cinco, pois era o único que guardava as costas. Desperdiçou o ultimo segundo para rolar os olhos pelos companheiros já posicionados, um passo e... – Três!
Não ouve mais barulho nenhum a não ser do fogo aberto, o grupo avançou e Matthew estreitou seus olhos para atirar, precisamente acertando um dos seus inimigos. As cápsulas vazias de bala saltaram da arma automática e homem cessou fogo ao ver a porta abrir-se, era grande e muito, muito mais homens do que apenas cinco.
- Maldição! – Gritou seu Capitão, enquanto voltavam a se esconder atrás da parede. Matthew ainda mais nervoso do que quando chegara. Zacky e Brian apertavam o dedo sobre o gatilho, escondendo-se entre tempos.
- Informação errada, sir – Disse Johnny, abaixando-se ainda mais. Matthew desprendeu uma granada de forma falha de seu cinto, puxando o pino com a boca. Seus dedos levemente trêmulos arremessaram a mesma contra a sala, indicando a sua equipe para que recuasse.
Tudo pareceu acontecer em câmera lenta: Brian puxou James para correr enquanto o mesmo de costas começava a atirar, o homem soltou sua arma para juntar-se a uma menor que lhe desse tempo de correr mais rápido. Virou-se para trás a tempo de ver um desgraçado atirar contra o chão, quis rir por um pequeno momento.
Mas sua vontade logo passou ao ver que o homem havia atirado sobre o pé de James. Seu melhor amigo havia caído sobre o chão de terra e, desprendendo-se das ordens de seu Capitão, deu meia volta.
A sala havia explodido enquanto voltava, mais escombros caíram enquanto mirava sobre o peito do homem e apertava o gatilho sem qualquer tipo de piedade. O tempo não fora o suficiente para impedir que o homem atirasse mais vezes em James, que caiu de joelhos.
Deixou suas armas no chão quando a área já estava limpa e debruçou-se sobre o peito do amigo, que por baixo do colete a prova de balas sangrava. Sentiu sua pulsação e detectou que não havia.
- James, filho da puta. James! – Gritou, massageando o peito do amigo enquanto tentava ouvir novamente sua pulsação. – Cógido 32, soldado ferido. Repito, código 32, soldado ferido.
Suas mãos tremiam enquanto rasgava o uniforme do amigo, seu peito subia e descia em desespero, agonia enquanto arfava. James não podia morrer, seus amigos aqui eram sua única família.
- Matthew! Volte para base agora, é uma ordem – Gritou seu capitão pelo rádio e sentiu vontade de matá-lo naquele momento. Tanto seu ódio que suas lágrimas começaram a lhe cegar, a vingança estava feita, mas James estava morto.
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