Gunslinger
2 Capítulo 01
Notas iniciais
O frio de Huntington Beach soprou as bochechas da morena como um beijo não muito bem recebido, pois a mesma levou a palma da mão coberta pela luva sobre a pele. Tomou mais um gole do seu café quente e balançou inquietamente seu pé, esperando pelo próximo tempo de aulas.
Cursava Letras, não era grande coisa em uma cidade como Huntington Beach. Desejava ser professora mesmo que os tempos para essa profissão não fosse dos melhores. Adorava crianças, adorava ensinar.
Sentiu um leve toque em seu ombro por cima das roupas pesadas e não hesitou em olhar para trás e encontrar Cristina que logo lhe abraçou os ombros e deu a volta para sentar-se ao lado dela.
Amy inclinou sua cabeça para o lado, sorrindo fofo. A amiga levou a mão sobre a coxa, ficando de lado para observar Amy de forma empolgada.
- Antes de qualquer coisa, quero que diga que sim – Disse Cris. Amy apoiou seu copo de café quente sobre a coxa, segurando-o. Entreabriu seus lábios para falar, sendo impedida pela amiga que continuou – É sério, eu preciso de você.
- Talvez... – Murmurou a mulher, tirando um suspiro desapontado de sua amiga. De fato adorava Cris, mas a mulher era péssima para escolher lugares para ir ao final de semana. Haviam se conhecido da faculdade, a mulher italiana dividira o quarto da república com Amy quando se mudou. – Você sabe, eu tenho que estudar...
- Não, você não tem – Cristina cruzou seus braços, fingindo irritação. Amy não pôde deixar de sorrir divertida. – Amy, eu realmente preciso de você! Sabe, é o John... Ele me chamou para jantar na casa dele, com alguns amigos mas eu não conheço nenhum. Não quero ficar sozinha – Amy riu levemente ao perceber o quão boba Cris soou ao falar do ficante, sabia de todos os detalhes do relacionamento, pois sua amiga nunca deixara de contar. – Vamos?
- Eu vou pensar, posso?
- Não!
- Porque?
- Eu preciso de você! Eu vou estar sozinha e com certeza John vai dar atenção aos amigos. Amy, por favor! – A amiga havia fechado a expressão de forma triste, algo que Amy de fato não conseguia resistir. Maneou a cabeça, confirmando que iria com a morena que sorriu largo e voltou a falar. – Você também pode arrumar um namorado, não é? Quem sabe...
Amy não pode deixar de corar. Não era uma pessoa que gostava muito de sair e conhecer pessoas, em toda a sua vida teve apenas dois namorados. Ben e Shaun, cujo o ultimo não havia sido uma boa experiência. Shaun pareceu perfeito nos primeiros meses de relacionamento, logo depois se tornou abusivo por causa da bebida e das drogas.
Mas sentia-se bem sozinha agora, era como sua mãe e suas primas lhe falavam, nunca encontraria alguém porque era estranha demais. Não gostava de sair e não pensava em casamento, príncipes encantados não existiam. Seu gosto musical, segundo sua mãe, era horrível e muito barulhento.
Então convenceu-se que ficar sozinha seria o melhor para si. Não haveria alguém que lhe faria mudar de idéia.
- Okay... Quando é? – Seu tom de voz pareceu mais baixo que o normal, fitara o copo que descansava sobre sua perna, deslizando seus dedos cobertos pela luva sobre o mesmo. – Eu vou com você.
- É na sexta. Nós podemos ir ao shopping comprar um vestido decente – Cris soou mais empolgada do que deveria. Amy suspirou, levantando seus olhos para a amiga que lhe sorriu em reação.
- Eu trabalho, não vai dar tempo de irmos ao shopping – De fato trabalhava em uma livraria não muito longe dali. Nas quartas e sextas apenas meio período, tempo que usava para estudar. – Mas você deveria ir, eu tenho roupas.
Levantou seus olhos, ignorando o que sua amiga falava. O grande relógio na parede do prédio de Letras indicou que estava em cima do seu horário, lhe fazendo levantar-se, deixar o copo parcialmente vazio na mão de sua amiga, beijou – lhe a pontinha do nariz e segurar em mãos seu material – Eu preciso ir agora, a gente pode terminar de combinar mais tarde!
Acenou de longe, apertando seu passo em direção ao grande prédio. Não se surpreenderia com sexta, pois o máximo que a noite poderia lhe trazer seria uma conversa entediante com uma pessoa qualquer.
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