Notas iniciais
Gente, aqui está o epílogo para encerrar a primeira parte da fic. Obrigada por me acompanharem durante toda essa história, e espero vocês na parte dois que logo vou começar a postar.
Amo muito todos vocês!

O grupo de soldados andava lento pela estrada de terra, o sol já dava indícios de querer aparecer por trás do grande campo de grama que havia em volta. Um dos jipes equipados com uma metralhadora de calibre alto fazia a frente do grupo, pois estavam cruzando uma fronteira extremamente perigosa.

E o homem pouco se importava, não seguia a posição padrão do grupo. Mantinha os olhos baixos enquanto caminhava, apontando o cano de sua arma para o chão. Sua atenção havia sido chamada diversas vezes, mas não fez questão nenhuma de ouvir.

O barulho de tiros havia sido ouvido durante toda a madrugada pelo grupo, sinal de que o exército americano já havia avançado o suficiente para dar cobertura ao grupo de Matthew, que realizaria uma missão de resgate.

O motivo estava na mídia, havia um superintendente americano no poder da Al Qaeda.

E por isso teve de voltar ao Oriente Médio. Matthew não suportava mais aquele lugar, já haviam se passado três meses desde que havia abandonado Huntington Beach e terminado com Amy. Sentia seu estômago rodar ao pensar no assunto, parecia fazer tanto tempo pela forma lenta em que os dias se arrastaram. Não tinha vontade de lutar, não tinha motivos para voltar para casa.

Matthew havia parado de conversar, havia se tornado um homem bem mais fechado do que era todas as vezes que voltara ao Oriente. Não tinha a mesma concentração, observava tudo com desdém, pouco se importando se sobreviveria ou morreria ali.

Levantou seus olhos para a lua que ainda se encontrava alta, torcendo o canto dos lábios em uma risada sem som. Ouvira novamente sua atenção ser chamada pelo Capitão e logo Brian que recentemente havia levado um soco de Matthew sobre o olho esquerdo lhe puxar de volta para a perto de si. Havia virado uma espécie de babá.

- Em suas posições... – indicou a contagem, e todos eles abaixaram-se para que o jipe desse cobertura. – Três... Dois... Um!

O grupo dividiu-se em dois: Matthew, Johnny e Zacky cercaram pela esquerda a pequena fortaleza construída de pedra, tentando achar vestígios de ocupação recente; e Arin, Brian e o Capitão deram toda a volta no terreno a procura de algo.

- Área limpa, esperando comando para avançar. – Matthew avisou sobre o rádio, mantendo seus olhos atento sobre qualquer movimento suspeito. O sol estava nascendo, agora todo o grupo podia ver com mais clareza o estado deplorável da fortaleza no meio do nada.

Johnny deitou sobre o chão, camuflando-se enquanto mantinha em sua mira a outra parte da equipe que explorava o terreno. Estava dando cobertura quando uma forte explosão ensurdeceu toda a equipe, fazendo com que todos os homens assustassem e corressem a fim de procurar proteção.

Uma alta fumaça subira e pelo grito estridente que pode ouvir pelo rádio, alguém havia se ferido gravemente. Matthew correu na direção do grupo, ignorando todos os treinamentos que havia feito sobre como agir em uma situação de perigo, a aflição de pensar em perder mais um amigo falava mais alto.

- Eu preciso de ajuda! Código 32, soldado ferido! – gritou Brian pelo rádio, e logo quando Matthew cruzou a fumaça, pode realmente ver a situação.

Procurou fôlego, sentindo uma enorme náusea vir lhe receber. Matthew havia visto de tudo, mas aquela visão era horrível. Seu capitão havia pisado em uma mina e, em consequência, a explosão havia amputado parcialmente sua perna deixando a carne e uma grande quantidade de sangue expostas no chão.

O homem chorava de dor, Brian implorava por reforços. Um cheiro de podridão invadiu o local, não sabia exatamente como explicar aquela situação, mas o pior estava ainda por vir.

Uma das portas que havia na fortaleza se abriram, despertando a atenção de toda a equipe que estava em pé. Os guerrilheiros saíram atirando, fazendo com que Matthew, Brian, Arin e Zacky se jogassem contra o chão para se protegerem dos tiros. Aquela missão havia sido um desastre e se o superintendente estava ali, achariam apenas o seu corpo.

Pôde ver o grupo por trás da fumaça que se extinguia, fazendo Matthew rapidamente juntar a arma em punhos e pressionar o gatilho em direção aos homens, procurando a cobertura de algumas pedras que estavam ali.

O jipe havia avançado e Johnny, que se manteve em posição de sniper, abatia inimigos de forma camuflada. Levantou-se do chão e correu na direção de Zacky que se distraíra por um momento, o mesmo estava atônito devido a rapidez que tudo havia acontecido. Nenhum dos homens ali teve seu tempo para pensar no que fazer.

Matthew deu as costas para a situação, sendo confundido com um guerrilheiro pelo soldado que operava a metralhadora do jipe. A mira focou em suas costas, e no exato momento em que Matthew tocou o ombro de Zacky, sentiu um projétil atravessar seu corpo, furando-o.

Não teve tempo de protestar, caiu de joelhos frente ao amigo. Estava usando colete, como aquilo havia acontecido? Matthew não conseguia respirar, o local queimava com uma intensidade sem igual. Apenas levou a mão sobre a barriga, sentindo seu corpo involuntariamente deitar-se sobre o chão.

Então, finalmente, aquela frase havia feito sentido.

“Então vá e morra naquela guerra, morra pelo seu país que não fez merda nenhuma por você”.

Matthew ouvia Amy gritar claramente, havia acontecido. Iria morrer pelo seu país que não havia lhe dado nada em troca, havia perdido seu pai, seu melhor amigo, Amy e agora sua vida. Estava destruído, mas no fim não havia motivos para viver.

Respirou com dificuldade pela boca, cuspindo sangue. Seus olhos perdiam o foco, não conseguia entender nada do que estava acontecendo. Sentia sua consciência lhe deixar e o logo seus olhos não responderem ao comando, fechavam-se sozinhos.

E, finalmente, a última figura que lhe veio à mente era a dela. Em meio a todo o caos, toda dor. Ainda a amava, disso tinha certeza. Afinal, acreditava que quando estava prestes a morrer, sua vida passava como um flash diante de seus olhos.

No seu caso, sua vida congelou em sua memória até Matthew apagar completamente, com um sorriso no rosto.

Ela ficaria bem sem Matthew, ele tinha sua última certeza.

Fim – PT 1.