Gunslinger
27 Capítulo 26
Notas iniciais
Os dias avançaram para Amy e Matthew e o clima não estava ameno entre ambos. Amy com o passar dos dias estava chateada com algo que não quis contar para Matthew, fazendo com que a distância entre ambos crescesse consideravelmente no decorrer dos dias: já não trocavam carícias, não faziam sexo e Amy chorava quase todas as noites desde que tiveram uma briga sobre o clima que havia se instalado naquela casa. No mesmo dia Amy havia ido ao médico, e nem mesmo contou ao homem qual era o motivo de seus enjôos frequentes.
Aquilo tudo estava deixando Matthew insano. Sentia sua felicidade escapar entre os dedos e sua mulher lhe deixar a cada volta do ponteiro. Sentia-se com pouco tempo... Mas não entendia o que isso significava.
Amy continuava a passar mal durante as manhãs e aquele assunto estava preocupando o homem. Achara que depois de ouvir o desabafo de Amy sobre o seu passado, as coisas entre ambos melhorassem a ponto de reforçar a confiança que a morena tinha nele, mas aquilo não aconteceu. Matthew agora era um homem preocupado, e nem mesmo conseguia conversar sobre o que estava acontecendo.
Tinha pesadelos constantes, mal dormia durante a noite com medo de que algo acontecesse e não conseguisse acordar para socorrer a morena. Seu remédio havia acabado, e tinha receio de ter algum tipo de ataque na presença de Amy. Sentia sua fragilidade, e por mais que o clima estivesse ruim entre ambos, não conseguia parar de pensar em sua segurança.
Respirou fundo e observou a morena dormir ao seu lado, estava tão serena. Sentia uma enorme vontade de tocar Amy e todos esses dias tem sido um inferno sem a companhia dela. Pensou em recorrer a sua mãe por um conselho, afinal a mulher havia passado por um relacionamento sério com seu pai e provavelmente saberia como lidar com o assunto, mas queria resolver seu problema sozinho e se mostrar homem o suficiente como era no Oriente Médio.
Afastou as cobertas e sentou-se na beirada da cama, havia um sol tão lindo do lado de fora. Amy logo despertaria para ir trabalhar e Matthew não estava afim de uma caminhada aquele dia. Vestiu sua calça moletom em tom cinza e saiu do quarto para passar o café, desperdiçando um pouco do seu tempo para brincar e massagear os pelos de Hunter.
Não demorou a ouvir o barulho do chuveiro e de certa forma sentiu saudades do banho matinal que dividia com Amy, não entendia o motivo de tudo aquilo estar acontecendo com ele e com seu relacionamento perfeito. Pegou o jornal e as correspondências do dia e, logo quando subiu, pôde ver Amy já preparar seu café da manhã para ir trabalhar.
Ela estava tão linda. Sentia ciúmes de pensar que Amy se vestia tão bem apenas para ir trabalhar, ainda lembrava-se de Alex e mentalmente decidiu que iria buscá-la no trabalho para certificar-se de que tudo isso não estava acontecendo por culpa do garoto.
Aproximou-se da mulher e afagou rapidamente os fios negros a fim de lhe chamar atenção, deixando as cartas no balcão ao seu lado. Amy sorriu forçado, abaixando seus olhos de forma preocupada para as correspondências a procura de algo que Matthew não sabia o que era.
Amy estava nervosa.
Tentou beijar sua bochecha e Amy brevemente virou o rosto, dando uma desculpa inaudível para Matt. Seu peito pareceu apertar em agonia, como se seu coração tivesse falhado uma batida. – Amy... – Chamou ele em súplica, mas logo fora interrompido pela campainha que havia tocado.
Observou os olhos da mulher, tão opacos. Amy estava conseguindo esconder o que quer que fosse que estava por trás de tudo aquilo, por trás de seu nervosismo, por trás da sua falta de atenção com o homem. Ouviu a campainha tocar novamente para tirar Matthew do pequeno transe que se instalara assim que prendeu seus olhos nos de Amy.
Caminhou em passos pesados em direção à porta. Quem quer que fosse receberia o mau humor de Matthew, afinal o homem necessitava de algo para descontar a frustração que sentia naquele exato momento. Abriu a porta de uma só vez, franzindo o cenho ao ver seus amigos parado a porta, fardados com o uniforme do Exército. Estavam todos ali, sem exceção: Zacky, Johnny, Brian e até mesmo o novato Arin.
Entreabriu seus lábios e fitou seus amigos de forma confusa, sentindo o breve tapinha de Zacky em suas costas. Não entendia o que todos eles faziam em sua porta, fardados.
- Hey cara, qual é? – questionou Brian ao fitar as vestes do amigo. Matthew ainda se encontrava de moletom e sem camisa. – Achei que você estaria pronto, te mandei a mensagem ontem.
Matthew entreabriu seus lábios, antes de dormir havia checado seu celular e não havia nada no aparelho. Aquilo não estava facilitando, e sentia que ao descobrir perderia seu chão. Virou o rosto para trás a procura de Amy, que rapidamente abaixou seus olhos para o copo de leite que estava tomando.
- Brian, eu não recebi nada. – disse convicto, observando Arin bater contra o relógio em seu pulso. Todos os homens entranharam a atitude de Matt, afinal todos eles haviam recebido a carta. – O que está acontecendo?
- Matthew, a carta, cara. – começou Johnny quando ninguém mais quis tomar a frente da situação. – Você recebeu, não recebeu? Todo mundo recebeu cara, nós temos uma reunião na base hoje... Vamos ter que decidir se nossa equipe volta ou fica.
O homem havia ficado sem resposta, não sabia o que pensar. Havia mil coisas correndo em sua cabeça ao mesmo tempo, seu coração martelava contra o peito e logo havia esquecido-se de como se mover. Porquê aquilo logo agora? O grupo se tocou do que havia acontecido e logo disseram que esperariam Matthew lá embaixo, mas Zacky nem mesmo fora ouvido pelo homem, Matthew estava atônito.
- Amy, eu... – tentou começar a explicar, mas nem sabia como. Matthew não sabia de nada daquilo. Levantou seus olhos para a morena, que olhava o homem em censura. Tinha a expressão rígida e severa, segurava-se para não demonstrar qualquer tipo de sentimento que lhe entregasse.
E, então, um choque de realidade atingiu seu corpo.
Amy sabia.
Pressionou seus punhos, sentindo seu corpo enrijecer em raiva. Então aquele era o motivo da distância? Das discussões, das malditas vezes em que Amy havia chorado durante a noite? Ele tinha o direito de saber, era a sua profissão, seu futuro. Não conseguia acreditar que Amy faria isso consigo, a morena parecia aceitar o que Matthew realmente era.
- Por quê? – começou baixinho enquanto se aproximava, sustentando seus olhos sobre os da morena a sua frente. – Por quê?! – vociferou, acertando de forma irritada a parede a sua frente. – Você não tinha a porra do direito de fazer isso, a carta pertence a mim Amy!
- E sobre mim Matthew?! – devolveu alterada, batendo os punhos contra o balcão da cozinha. Amy sentia-se nervosa e triste, segurando-se ao máximo para não chorar. A culpa não lhe deixaria em paz sobre o que havia feito, mas não fora apenas pensando em si. – Você decidiria ir pra essa maldita guerra e quanto a mim?! Vou lhe esperar por mais um ano? Dois? – seguiu o homem até o quarto, sentindo-se tonta. Não podia passar nervoso e apenas ela sabia disso.
- É quem eu sou! – gritou ele ao fitar Amy, sentindo-se vermelho. Queria distância da morena e tudo aquilo estava lhe machucando de forma infernal. – Eu achei que desde o início você compreendesse quem eu sou!
- Então vá e morra naquela guerra, morra pelo seu país que não fez merda nenhuma por você. – devolve exaltada enquanto perseguia Matthew em direção ao quarto. O homem tinha todo o seu corpo rígido em raiva, ódio. Sempre fora estourado, Amy não conseguiu prender o choro que escapou alto, visivelmente desesperada e com medo. – Você não enxerga nada não é? Nada! – desabafou, levando ambas as mãos a barriga enquanto se permitia voltar a chorar.
Temia pelo seu futuro e pelo que estava prestes a acontecer.
Matthew jogou a mala sobre a cama, trocando de roupa em uma velocidade extremamente rápida, ficando de certo modo desajeitado. Abriu o guarda roupa com violência, jogando todas as suas roupas dentro da mala aberta. Não entendia o fato de tudo aquilo estar acontecendo, o clima pesado e mórbido que a casa havia adquirido. Não entendia o porque Amy demonstrava-se tão compreensiva quando na real não era, e muito menos entendia o porquê cobrava de si a atenção que havia tido durante todo esse tempo. Se tinha alguém que não enxergava nada era ela, pois aquela carreira era importante para Matthew.
- Cadê a porra da carta? – questionou o homem, tentando manter um tom calmo naquele momento. Fitou o estado de Amy, observando que a mesma em uma breve histeria começara a tirar as roupas de Matthew de dentro da mala. O homem segurou seus braços, afastando a mulher antes que perdesse a calma a lhe acertasse. – Eu preciso da carta, cadê a maldita carta?! – esbravejou furioso, sentindo o tapa que rapidamente veio de encontro a sua bochecha, fazendo o local arder.
- Eu queimei! – confessou, levando as mãos ao rosto enquanto chorava e se escondia da expressão furiosa de Matt. Queria fechar os olhos e acreditar que tudo aquilo não estava acontecendo, que não estava perdendo o amor de sua vida. Temia por Matthew, temia pelo que viria pelos próximos meses. – Eu queria que antes de tudo você pensasse em mim, em mim Matthew!
- Você não pensou em mim quando queimou aquela carta. – limpou seus olhos, logo fechando sua mala enquanto carregava a mesma para a saída do quarto. Não iria olhar para trás, para nada. Nem mesmo pegaria o resto das roupas que estava deixando ali.
- Você não percebe nada, Matthew! – tentou argumentar enquanto andava atrás do homem em passos largos, não conseguiria mais impedi-lo de ir embora. Queria contar a verdade, o porque havia feito aquilo... Precisava mais do que nunca do homem aqui. – Você não... Percebe.
Abaixou seu tom de voz enquanto abraçava seu próprio corpo. Não viu quando o homem saiu, foi embora para sempre. Matthew não iria voltar e Amy sabia disso, porque não ficaria para esperá-lo. Havia tomado a decisão errada e tinha certeza sobre isso, mas sabia que havia feito o melhor para o seu futuro e sofreria a partir de agora com o remorso de não ter contado antes.
Arfou devido a dificuldade de respirar, encolhendo todo seu corpo quando deitou-se no sofá. Não iria trabalhar, iria embora. Voltaria para a casa de sua mãe, de onde nunca deveria ter saído. Sentiu a tontura vir lhe receber novamente, massageando o pequeno inchaço em sua barriga de forma calma e terna, pois a partir de agora teria que continuar lutando por ele.
Seu pequeno.
- Eu queria que você soubesse... – sussurrou, na esperança que Matthew ainda pudesse lhe ouvir. – Nós vamos ter um bebê.
Manteve-se na posição, deixando que suas lágrimas caíssem para molhar o sofá. Hunter continuou ao lado da morena, sentindo toda a sua tristeza. Tinha consciência do que havia feito, mas não poderia abrir mão de Matthew. Formariam uma família.
Fale com o autor