Gunslinger

26 Capítulo 25


Notas iniciais
Hey galera, desculpa a demora. Mas cá estou com um novo capítulo que quase não sai se não fosse pela insistência da Maah linda ♥. Enfim, aproveitem isso e seria legal se voces deixassem pelo menos um comentário ok?Ok.

Parecia que Amy estava sentada há dias por causa do desconforto da viagem. Uma sensação ruim de atrofiamento havia lhe invadido e, por mais que se esticasse no banco, não parecia passar. Sentia medo de pedir para que Matthew parasse na estrada em um posto qualquer, pois o mesmo não havia trocado uma palavra com Amy desde que saíram da casa de sua mãe.

Permaneceu quieta, fitando a estrada sem qualquer tipo de atenção no caminho. Estava perdida em pensamentos, sentindo-se culpada por não ter impedido que Matthew presenciasse o estado deplorável de sua família. Seus olhos correram para o maior, que estava visivelmente chateado com a situação.

Matthew, por outro lado, sentiu a necessidade de parar no posto mais próximo, pois não havia dado tempo de descansar quando chegaram a Riverside. Agora estavam na metade do caminho de volta para Huntington Beach, e aquilo completava um bom período sentado, precisava comer algo e usar o banheiro. Amy fora a primeira a descer, fazendo com que o homem ficasse a lhe observar adentrar o restaurante enquanto enchia o tanque de combustível.

Sentia que algo estava errado, mas não sabia o quê. Seu peito estava apertado lhe causando uma dor desconfortável, não queria que Amy pagasse o preço de sua decepção com a família da morena. A mesma havia tentado lhe avisar, mas o teimoso havia sido ele. Suspirou derrotado, trancando seu carro para adentrar o restaurante atrás da morena. Seria a primeira palavra que trocaria com ela depois de um longo tempo.

- Desculpa a demora – disse ele, sem conseguir fitar os olhos da morena pela quantidade de homens que havia ali. Todos eles fitavam Amy de uma forma diferente, como se ela fosse algum tipo de comida jamais vista. Sabia da beleza de sua mulher e aquilo lhe causava uma ponta de desconfiança, um ciúme doentio. – Eu precisava dirigir, sempre me faz bem.

Amy apenas murmurou algo inaudível para ele, fazendo o homem deixar um beijo sobre sua bochecha e afastar os fios negros como um pedido de desculpas da sua maneira. Pediram um tipo de lanche natural para aliviar a fome que sentiam, e Matthew depois de uma cerveja anunciou que precisava ir ao banheiro.

Amy terminou o suco que bebia, juntando ambos os pratos para deixar no centro do balcão. Observou Matthew até o mesmo sumir de sua vista, fazendo um pequeno suspiro escapar, e antes mesmo que virasse seu rosto sentiu um toque masculino afastando seus fios de cabelo para trás. Sua respiração pesou em tensão.

- Gata, você é gostosa pra caralho... – disse um homem que aparentava bastante idade, tendo seus fios negros já com grandes entradas.Virou-se na direção do mesmo, se afastando devagar para o lado. Odiava aquele tipo de elogio, se é que poderia considerar aquilo como um. Aquilo era nojento e fazia Amy sentir-se suja. – Aquele veado é seu namorado? Merece um chifre.

O homem falou alto demais, fazendo seus amigos que estavam em uma mesa próxima gargalharem alto. Era um clube de motoqueiros, pôde perceber pelas jaquetas de couro que combinavam, assim como pelas barbas cultivadas e óculos escuros. O homem fedia a suor e Amy não via a hora de se livrar daquela situação.

- Nem se faltassem homens na Terra eu ficaria com você. – rebateu grosseira, sentindo que agora o homem segurava forte seu braço. O mesmo inclinou seu rosto para frente, tentando roubar um beijo de Amy que se debateu. – Pare!

- Trás ela aqui, cara... – incentivou algum da mesa que bebia, os amigos daquele homem. – A gente pode fazer um bom proveito dessa gatinha. – Amy sentiu seus olhos marejarem, desejando que Matthew chegasse logo e acabasse com aquilo. Fortemente o homem lhe colocou de pé, fazendo Amy se debater pela própria vida. – Segura ela como homem, porra!

Matthew ouviu a conversa alta enquanto fechava o zíper de sua jeans distraidamente, levantando seus olhos devagar para a situação. No exato momento sentiu seu sangue ferver, o punho fechou-se enquanto marchava em passos largos até a sua mulher. Furioso, afastou a mesma para trás enquanto observava o homem rir, acertando seu punho com força no rosto do homem que rapidamente cambaleou.

- Filho da puta! – vociferou, tornando-se vermelho enquanto segurava a gola da camisa do homem por baixo da jaqueta de couro. O mesmo estava meio tonto, mal conseguia se defender dos socos que eram deferidos rapidamente por Matthew em seu rosto. Conseguira retirar sangue da boca do homem, arrancando-lhe um dente. O mesmo logo caiu e o cuspiu. – Quem você pensa que é, seu desgraçado do caralho?

- Matthew, para! – implorou Amy aos prantos, segurando o braço do namorado enquanto tentava puxá-lo sem sucesso para trás. Os companheiros do homem haviam levantado e partiam para cima de Matthew que ousou enfrentar os outros três. – Por favor, para agora! Vamos embora... – pressionou o antebraço forte, fazendo que Matthew recuasse pelo menos um pouco.

O homem maior do grupo de pessoas derrubou uma mesa enquanto andava nervoso em direção a Matthew. Tinha o dobro de seu tamanho e o menor não viu quando o punho grosso acertou em cheio sua boca. Cambaleou para trás, não demorando a avançar para cima do homem que havia lhe batido. Chutou o meio das pernas do gigante, deixando uma joelhada em seguida sobre sua barriga que pareceu não ser sentida. Fora afastado do maior por um dos caras que lhe faziam companhia, sentindo sua boca arder devido ao pouco sangue que escorria do lábio aberto.

- Veadinho de merda, vou matar você e foder sua namorada! – vociferou o maior, acertando seu punho duas vezes seguidas no rosto de Matthew, que cambaleou e caiu para trás, fazendo Amy implorar para ir embora mais uma vez.

Adorava briga de bar, mas aquilo estava ficando sério. O ciúme havia o dominado e lhe deixado cego diante daquela situação. Aqueles homens nojentos teriam machucado Amy e se não tivesse chegado a tempo; nem conseguia imaginar o que poderia ter acontecido. Arfou enquanto levantava, segurando uma garrafa de vidro que havia sobre o balcão. O homem que havia apanhado primeiramente recobrava a consciência, retirando um canivete de dentro de sua jaqueta.

- Vem agora filho da puta, quero acabar com esse seu rosto bonitinho pra ninguém nunca mais conseguir olhar para você. – ameaçou o homem, limpando a boca enquanto se aproximava devagar de Matthew, que também estava armado.

- Se eu fosse você, tentava matar um soldado. – provocou Matthew com sua voz grossa e um sorriso debochado no canto dos lábios. – Sobrevivi ao Oriente Médio, você é fácil — Amy olhava a cena aflita, não demorou a intervir mais uma vez.

- Chega, por favor! – gritou desesperada, se colocando a frente do namorado. Não queria que o pior acontecesse.

Matthew quebrou a garrafa no balcão, fazendo o dono que antes estava no fundo do estabelecimento aparecer para impedir o pior.

- Hey, vocês! – gritou ele nervoso, retirando uma arma de trás do balcão. Amy sentiu que poderia desmaiar a qualquer momento de tanto nervoso que estava passando – Querem se matar, se matem fora do meu estabelecimento. Aqui não é lugar de vagabundos como vocês. Saiam agora! – vociferou ele, carregando a arma.

Matthew abandonou o pedaço de vidro, limpando o canto da boca enquanto direcionava seus olhos para o homem que ainda mantinha o canivete em punhos. Fitou Amy rapidamente, caminhando para fora do local em direção ao seu carro.

- Você é estourado, por quê você fez isso? – gritou ela, adentrando o carro que logo deu uma partida violenta.

- Eles iriam estuprar você se eu não fizesse nada, era isso que você queria? – disse ele nervoso, e batendo forte contra o volante. Ainda sangrava e tinha uma visão danificada devido ao inchaço em seu olho. – Mas que caralho, eu quero voltar lá e matar aqueles filhos da puta. Filhos da puta. – repetiu ele, segurando-se para não dar meia volta. Ninguém mexia com Amy e saía impune, estava se sentindo um fracassado.

Matthew sentiu dor em seu rosto durante todo o caminho de volta para casa. O sangue ressecado na lateral da boca o incomodava; tinha seu lábio inchado e a camiseta cheia de sangue. Tinha ido a Riverside com uma boa intenção e havia voltado de lá sentindo-se um lixo.

Jogou água em seu rosto, limpando o restante do sangue que havia ali. Não ousou tocar os machucados, afinal, doíam. Caminhou até a cama e sentou-se sobre a mesma, visivelmente pensativo sobre tudo o que havia acontecido em seu dia. Mal percebeu quando Amy chegou com sua caixinha de primeiros socorros.

- Me deixa cuidar disso – sussurrou ela, ganhando a atenção de Matthew. O mesmo não relutou, porque seus machucados estavam feios a seu ver. Sentiu a morena sobre seu colo, de frente para si enquanto passava um algodão molhado com algo que fazia o corte de Matthew arder, o mesmo fechou a expressão como uma criança, causando a Amy uma risada.

Estava grata pelo namorado ter lhe defendido, por mais que havia sentido pânico no momento. Deslizou as unhas entre os finos fios de cabelo do homem, parando apenas para segurar sua nuca enquanto olhava fundo nos olhos verde-avelã que Matthew possuía.

- Você é meu herói sabia? – disse ela em um sussurro, beijando com cuidado a parte superior dos lábios de Matt que não estava machucado. – Obrigada por me defender.

O homem nada falou, sentia as mãos macias em seu pescoço, os olhos curiosos presos sobre os seus e o corpo tentador em seu colo. Não conseguiria ficar bravo com sua morena por muito tempo. E estava curioso quanto a um assunto que havia ficado pendente para ele.

- Quem era aquela garota na foto com você? – questionou ao lembrar-se de que não havia visto uma mulher da idade de Amy na reunião de família. – Parece ter a sua idade, a foto é de vocês duas pequenas e vocês pareciam muito.

Amy forçou a memória para lembrar, torcendo seus lábios e abaixando os olhos para não chorar. Aquela foto... Como Matthew conseguia ser tão observador? Teve tempo para reparar nas fotos que haviam na sala de sua mãe, e justo aquela havia lhe marcado.

- Bonnie... – disse ela em um sussurro, ainda com seus olhos baixos. Tinha pouca lembrança da irmã, mas suas memórias que viriam logo depois a marcara bastante. – Ela... Ela faleceu quando eu tinha seis anos. Era filha favorita da minha mãe, o tipo de filha de todo mundo gostaria de ter.

Sentiu uma lágrima rolar, mas Matthew foi esperto para limpá-la antes que caísse. Sentiu-se triste pela namorada, querendo falar algo que não saía.

- Minha mãe não era assim. Tudo mudou quando a Bonnie faleceu. – Amy encostou a cabeça no ombro do namorado, não conseguindo conter o choro alto. Matthew era a primeira pessoa para quem falara de Bonnie e aquele assunto ainda parecia doer. – Eu estava perto dela quando ela morreu, ela morreu Matthew. Eu juro que não fiz nada – disse entre soluços, sentindo o calor dos braços maiores ao seu redor. – Minha mãe precisava culpar algo ou alguém pela morte da filha preferida dela, ainda mais quando a causa da morte era incerta. Matthew, eu não fiz...

O homem não deixou a morena terminar, uniu seus lábios aos de Amy, sentindo o gosto das lágrimas salgadas enquanto aprofundava o beijo. Os braços ao redor de seu pescoço pediam consolo, colo como uma criança carente. Matthew queria tirar essa culpa de Amy, segurando a mesma em seus braços a fim de lhe transmitir segurança.

Tudo iria passar, era hora de deixar o passado para trás e recomeçar novamente.

Notas finais
Me façam feliz com reviews?por favor ): q