Gunslinger
25 Capítulo 24
Notas iniciais
Agora juro que parei. Aqui vai ♥
Sentiu o frio na barriga tornar-se cada vez mais intenso enquanto Amy guiava Matthew pelas ruas de Riverside, o maior não conseguindo conter a alegria interna que sentia em finalmente conhecer os pais de Amy e fazer tudo certo. Queria pedir a mão da morena da mesma forma feita antigamente, queria ter uma relação baseada na de seus pais.
E sentia que conseguiria isso, por mais que Amy não estava confiante sobre esse encontro. Sabia se cuidar e também de que adorariam Matthew, ele tinha consciência de que era um ótimo rapaz para Amy.
A morena suspirou pesado quando pararam em frente à casa pintada de amarelo com um jardim mal cuidado e algumas plantas já secas. O homem sorriu confiante para a namorada, levando assim sua mão sobre a coxa de Amy para que a mesma lhe olhasse.
- Confia em mim – disse ele, sincero. Amy sentiu vontade de sussurrar que confiava e muito, mas não em seus pais. Seus olhos foram atraídos para o irmão que estava à porta da casa, fitando o carro curioso antes de entrar. – Vai dar tudo certo.
- Meu irmão provavelmente foi avisar meus pais que chegamos – disse ela em um tom pesado, não demorando a abrir a porta. – Vamos entrar, depois tiramos as coisas do carro.
Matthew apenas assentiu, faria da forma que ela quisesse, afinal era ela quem estava ali contra vontade. Viu uma mulher aparecer na varanda com uma criança de colo, tinha uma aparência cansada e usava roupas velhas. Levou um pequeno susto pela forma a qual a mulher fitava Amy e Matthew, parecia não gostar de ter ambos ali.
- Andem logo, entrem – disse ela, dando espaço na varanda para que ambos passassem e adentrassem a casa que parecia cheia. A mulher não disse nada direcionado a Matthew, apenas lançou a ele um olhar de censura. Seu tom de voz não era nada receptivo. Pelo contrário, a expressão estava fechada em uma carranca.
Adentraram a casa com cautela, Amy passando primeiro pela porta. Havia uma estante com várias fotos de família, Amy apenas pequena e jovem. Nenhuma delas mostrava uma Amy feliz e sorridente; apenas sorrisos forçados, e pela posição das fotos era como se depois de um tempo Amy deixasse de existir.
Uma delas lhe chamou atenção em especial. Amy parecia ter seus cinco ou seis anos de idade, ao lado de uma garota menor que tinha sua cara. Aquilo parecia curioso e Matthew rapidamente direcionou seus olhos para a sala cheia, a procura de alguma mulher que havia as características de Amy e sua idade.
Não encontrara nada, nenhum vestígio de alguém da sua idade. Ficara pensando se aquela irmã também teria ido embora, se aquele lugar era tão insuportável assim. Mas algo não parecia certo, Amy manteria contato com alguém tão parecida com ela.
A sala estava cheia, a maioria jovem ao redor de um homem com aparência mais velha e cansada, agora entendia quem a Amy havia puxado. A cor dos olhos, a expressão marcante e a forma de mover os lábios quando ele lhe disse boa tarde eram todos traços que havia reparado em Amy anteriormente.
Sentaram em dois espaços vagos que havia no sofá, Amy dando um leve sorriso e um aceno de cabeça enquanto cumprimentava cada prima e irmã. Sentia a forma que suas primas olhavam Matthew e aquilo estava deixando Amy visivelmente incomodada. Não era respeitada ali, e sentiu vontade de bater em uma das suas primas quando a mesma fez questão de se mover e sentar no braço do sofá ao lado de Matt.
Queria ir embora, correr dali o mais rápido possível.
A casa parecia pequena. O clima era desconfortável e o silêncio quebrado apenas pelo relógio antigo de parede deixava Matthew aflito. Estava empolgado para ter uma boa conversa e conhecer os pais da morena, mas aquilo não era o que havia planejado. Aquela situação era deplorável.
- Então... – Sarah, a mãe de Amy antes na porta sentou-se na poltrona ao lado do marido, fitando o casal como se fossem estrangeiros. Havia uma criança em seu colo e nem mesmo Amy sabia quem era ela, e o que mais havia lhe irritado era que ninguém se preocupou em pelo menos se arrumar para sua visita. Era como se não fosse digna de nenhum tipo de capricho, algo que deveria estar acostumada. – O que veio fazer aqui, Amy?
Matthew queria conhecer vocês – disse ela, tentando parecer empolgada sem obter sucesso. O homem por outro lado sorriu, levantando para apertar a mão de todos os presentes na sala. Nenhum deles lhe sorriu, exceto pelas primas de Amy que trocavam risinhos e mordidinhas no lábio. – Estes são meus pais, Sarah e John.
- Eu estava ansioso para conhecê-los – sorriu ele, juntando as mãos ao lado do corpo antes de sentar-se novamente, Amy sentindo pena pela forma a qual o homem sorria feliz. – Eu queria pedir de forma formal a Amy em namoro.
Sarah balançou a cabeça em reprovação, e Amy apenas ouviu sussurros dizendo “ele não achou nada melhor?”. Aquilo havia deixado a morena magoada, mas nada preferiu falar. Estava literalmente se segurando para não chorar quando seu pai resolveu não tomar partido apenas por ficar quieto.
- Ela é maior de idade, ela faz o que ela quer – disse Sarah, entregando a criança para uma das primas de Amy antes de arrumar a larga blusa que vestia. Matthew riu sem graça, abaixando sua cabeça por um breve momento. – Aposto que você é rico, por isso ela está com você.
- Mãe, eu não... – Amy não pareceu achar forças para continua, recolheu-se da forma insignificante que estava sendo naquela sala, Matthew sentindo-se ofendido pela forma a qual a mulher falava da própria filha. Tentou quebrar a tensão, respondendo de forma calma.
- Eu sou soldado – o clima pesou novamente, fazendo Sarah rir em sarcasmo. – Estou no exército americano a alguns anos e era isso o que o meu pai fazia – disse orgulhoso, como se não tivesse sentindo-se incomodado ali. Realmente entendia o motivo Amy não querer que ele viesse, mas sabia se defender e faria a família da morena gostar de si.
- Soldado – ela rolou os olhos, John não parecendo ter nada a declarar. – Você sai pra morrer e ela fica com o seu dinheiro, é isso?
- Não! – disse ele, deslizando de forma nervosa os dedos sobre os fios pequenos de cabelo, não perderia a calma. A chave seria mostrar bom humor. – Amy trabalha, ela é professora.
- Ela tem um salário de merda – a mulher resmungou, fazendo Amy se encolher no sofá. – Nunca ajudou a gente, nunca prestou pra nada. Fico um pouco feliz em saber que não virou uma vagabunda.
- Ela nunca... — Matthew tentou protestar, achando tudo aquilo um absurdo e o fato de que o próprio pai havia se calado como se concordasse com tudo aquilo.
- Você sai pra guerra e nem tem certeza do que ela faz – a mulher riu, não dando importância alguma para o fato de que Amy ainda estava na sala. – Aposto que ela tem um amante, ela não liga pra você – Matthew respirou fundo, querendo responder a altura enquanto a mulher continuava. – O que você faz lá? Mata pessoas inocentes? Você tem cara de quem vai largar ela grávida.
- Chega, por favor! – Amy gritou, levando as mãos ao rosto enquanto deixava lágrimas grossas rolarem pelo seu rosto. Pressionou seus olhos e Matthew assistiu tudo aquilo indignado.
- Não, nunca faria isso! – vociferou mais alto, e aquilo pareceu virar uma disputa de quem tinha o melhor argumento. – Eu protejo esse país, é totalmente diferente do que você e sua mentalidade pequena acham do que é uma guerra.
- Não me interessa saber mesmo, sou contra vocês e quero que você saia da minha casa agora. – disse ela, ordenando enquanto Amy não pensava suas vezes em se levantar. Matthew segurou seu pulso para que ficasse com ela.
- Eu não mato pessoas inocentes! – protestou, quase partindo para cima da mulher. Amy não queria impedir, mas John achou melhor parar com tudo aquilo. Havia telespectadores demais julgando Matthew.
- Não admito você levantar a voz dentro da minha casa. – disse ele, olhando o rapaz mais jovem com certa raiva estampada em seu rosto cansado.
- Amy é sua filha, o senhor deveria defendê-la mas não faz nada – Matthew estava vermelho quando voltou sua atenção para John, Sarah começando a se levantar para colocar os dois indesejáveis para fora a poder de tapas. – Você deixa ela falar dessa forma da sua própria filha – vociferou mais uma vez, largando o pulso da morena para dar a volta no sofá e ir em direção a porta aberta. – Amy me disse pra não vir aqui, eu não tenho nada o que provar pra vocês.
Então Amy demorou a se tocar que deveria seguir o homem, levemente aturdida por tudo o que estava acontecendo. Limpou seus olhos de forma falha sabendo que tudo aquilo sobraria para si no caminho de volta.
- Porque sempre vocês estragam tudo? – perguntou entre o choro, parada a porta para ir embora e nunca mais voltar. Matthew já estava no carro e quase partindo sem Amy. – Vocês estragam tudo o que eu tenho, eu preferia que você tivesse me colocado em um orfanato quando eu nasci. – e afastou-se, tremendo na tentativa de limpar os olhos enquanto chorava alto.
Abriu a porta do carro e adentrou o mesmo, Matthew quase nem esperando Amy fechar a porta para partir cantando pneu. Amy tentou acalmar-se, mas nada parecia ajudar uma vez que o clima estava pesado e não tinha o conforto do homem. Talvez sua família tivesse lhe convencido que Amy não prestava, que todo o tempo que tivera para provar o contrário fora em vão.
Tinha medo de que a partir daquele momento tudo começasse a dar errado.
Fale com o autor