Gunslinger

16 Capítulo 15


Notas iniciais
Então, chegamos ao capítulo 15. Foi mais ou menos onde eu parei quando comecei a postar, e agora eu vou estar postando os capítulos que acabei de escrever. Talvez eu demore um pouco mais para postar por causa disso, acho que de dois em dois dias, que tal? Espero que não desanimem da história se eu demorar um pouquinho mais. Obrigada, muito mesmo por estarem comigo e os comentários maravilhosos ♥

O apartamento da morena nunca pareceu tão vazio como estava sendo naqueles seis meses em que Matt estava no Oriente Médio. Pensava o quanto era ruim viver sem notícias, e como reler as cartas vindas de Matt não a tranquilizavam mais. Na maior parte do tempo, Amy tentava se manter ocupada, corrigindo e preparando aulas para suas turmas quando em casa, e fora isso, Cris tentava dar uma fugida de John para que Amy usasse a mulher como desabafo.

Sua tristeza era eminente, sempre lia as notícias e assistia ao jornal como se aquilo fosse um momento sagrado de seu dia, a maioria das vezes chorando frente à televisão. As cartas de Matt quando chegavam, chegavam erradas e com datas na maioria das vezes muito antigas, chegou a pensar que se talvez não o tivesse conhecido aquele dia no jantar de John sua vida não seria uma espera constante.

Mas lembrou-se do seu sorriso e das promessas nada falsas que trocaram no tempo em que passaram juntos. Embora Amy naquela época não tivesse certeza do que estava sentindo, sentia-se completa quando ele estava por perto, apenas para jogar conversa fora ou quando ambos dormiam junto em seu apartamento.

Quando o homem se foi realmente entendeu seus sentimentos por ele, estava apaixonada. Queria ter se dado conta disso antes, aproveitado ainda mais o tempo que passaram juntos, mesmo que tão curto como fora. Não sabia se sentia vontade de avançar no tempo ou voltar, reviver tudo tendo certeza sobre o que sentia.

Desperdiçou um grande tempo em sua cama, encolhida embaixo das cobertas sem a intenção de levantar para mais um dia de trabalho. Mesmo que gostasse de sua profissão, sua tristeza lhe derrubava todas as vezes que pensava sobre o assunto.

“É só preguiça, vou ficar bem” – Pensou enquanto saía da cama, arrumando seus longos fios de cabelo que lhe faziam parecer um leão e deslizou os dedos sobre o rosto, como se fizesse assim a preguiça lhe abandonar.

Tomou um banho quente, e demorou um tempo na tentativa de usar uma boa maquiagem e esconder a má noite de sono, acabando por se atrasar. Não enrolou no que vestir: apenas uma regata com uma fina blusa de frio aberta e jeans, prendendo os fios de cabelo molhados para que não a decepcionassem durante o dia.

Não havia esperado pela carona de Cris aquele dia, o que ocasionou a Amy chegar atrasada e encontrar sua classe em um completo caos. Demorou um tempo para retomar o silêncio, tendo que lidar com diversos constrangimentos devido a cantadas baratas.

E ainda tinha Alex Varkatzas, o garoto o qual Amy havia contado sobre Matt. A forma que o mesmo observava cada movimento da morena lhe deixava incômoda, lhe distraía. De fato, o que Alex havia dito lhe colocara para pensar de uma forma negativa, deixando Amy triste no final de tudo. Não era disso que ela queria lembrar, e sempre que seus olhos encontravam o de Alex, algo dentro de si não parecia certo.

Tentou manter sua cabeça baixa, corrigindo coisas pendentes e fazendo resumos desnecessários para não ter que fitar sua classe. Vez ou outra recebeu algum aluno com dúvida nas perguntas em sua mesa.

O resto da manhã não demorou a passar, uma vez que Amy sentia-se aliviada por deixar o mesmo espaço que Alex. Tinha uma sensação ruim crescente de si, que por mais problemas que tivesse para pensar, não conseguia deixar de ignora-lá.

Era uma sensação relacionada a Matt.

Apertou o ritmo dos passos e afastou a pesada porta da cafeteria próxima ao seu trabalho, pedindo um expresso enquanto sentava em uma mesa vazia e se perdia em pensamentos. Mal conseguiu ouvir a porta se abrir novamente, e o garoto loiro de horas atrás puxar uma cadeira para sentar-se a sua frente.

- Sozinha? – O garoto perguntou, apoiando seu braço sobre a mesa enquanto fitava a mais velha da mesma forma que fizera mais cedo, fazendo a mulher hesitar.

- Sim, mas já vou indo pra casa – Amy tomou um gole do seu café em um refúgio para não encontrar seus olhos. – Só parei pra tomar algo, não costumo fazer esse caminho.

- Eu posso te acompanhar se quiser, e pagar o seu café. – Alex deslizou as mãos pelos fios loiros e Amy apenas respirou de forma funda, deixando seu copo parcialmente vazio sobre a mesa.

- Não, eu não... Preciso, está bem? – Suspirou quando o garoto tirou uma nota do bolso e nem mesmo terminou de ouvir Amy falar. A morena apenas levantou-se enquanto terminava seu café, deixando o copo vazio no lixo antes de sair da cafeteria. – Porque você não me escuta?

- Estamos fora da escola, você não pode me dar uma suspensão aqui. – O garoto sorriu de uma forma que Amy nunca havia visto, sentindo-se um pouco mais relaxada na presença do mesmo, ainda tendo para si que o primeiro contato de ambos ainda doía. – Nós começamos errado, ok? Eu fui grosso aquele dia, eu sei. Só queria te pedir desculpas.

- Não é me pagando um café que você me pede desculpas. – Amy sorriu de leve, começando a andar ao lado do garoto. Vez ou outra virava seu rosto na sua direção para descobrir o rumo que seus olhos tomavam, descobrindo que não saíam de si. – Esqueça o que aconteceu aquele dia.

Embora fosse isso que Amy esperava de Alex, ela mesma não conseguiria passar em cima disso, sempre era a primeira impressão a qual ficava. O garoto havia lhe colocado para pensar e por um momento achara que o mesmo tinha razão, mas Cris estava lá para lhe confortar quando mais precisou.

- Você ainda está com ele? Digo, eu fui grosso eu sei... Mas pensou no que eu disse? – Alex colocou suas mãos no bolso da jeans, parando de andar em um cruzamento, pois não sabia a direção que a maior iria tomar. Sentia-se inquieto ao lado da professora.

- Eu pensei Alex, mas não me fez mudar de ideia. – Deu de ombros, segurando um de seus cotovelos enquanto fitava o garoto, franzindo o cenho. – Me escute, se você está fazendo isso só porque quer me chamar pra sair... Não vai dar certo.

- Porque não? Eu estou aqui e estou interessado em você. – O garoto tentou protestar e Amy apenas negou com a cabeça, não deixando o mesmo terminar.

Sabia que tudo aquilo chegaria a isso, mas não tinha o conhecimento que seria tão rápido. Tinha Matt, e mesmo que fosse tão difícil manter esse pseudo-namoro, não conseguia se interessar por outro alguém, ainda mais um aluno adolescente.

- Você é meu aluno, okay? Não vai acontecer. E eu também tenho o Matt, você deveria procurar uma garota da sua idade – Amy sorriu de forma fofa, tocando o ombro do garoto que apenas torceu a expressão e cruzou seus braços.

- Você está perdendo tempo com ele, não pense que eu acabei por aqui. – Alex apenas fitou a expressão de Amy, sabendo que a mesma não iria mudar de ideia por agora. Afastou-se sem se despedir e voltou a tomar seu caminho, deixando Amy parada no mesmo local, de braços cruzados e um pouco mais aliviada por tomar o controle da situação.

Respirou fundo e tornou a andar na direção contrária, voltando a pensar na sensação incômoda que se encontrava a manhã inteira. Sabia que era sobre Matt e na situação que se encontrava naquele momento, sempre esperava o pior. Seus passos tomaram um ritmo rápido como as batidas de seu coração, no desespero de chegar logo em sua casa.

Arfou por ar na euforia de continuar no mesmo ritmo, buscando seu celular no bolso da jeans para checar se não havia perdido nenhuma mensagem ou ligação nesse meio tempo. Lembrou-se de que notícias ruins sempre eram as primeiras a chegar, então sua amiga já teria ligado. Suspirou aliviada e voltou a retomar o ritmo, o fato de estar inquieta poderia ser ou não ser algo.

Queria acreditar que sim, pois já faziam seis meses.

– x –

Passara a noite inteira junto a Cris, comendo pizza e distraindo-se da sensação ruim que lhe acompanhara o resto do dia. Contou a sua amiga sobre Alex e a mesma mostrou a Amy o anel que havia ganhado de John. Estava, por um simples momento, feliz e sem problemas.

Beberam vinho pelo resto da noite, de forma que Amy nem mesmo conseguia lembrar de que horas haviam ido dormir. Acordara com uma dor de cabeça infernal, ao lado de Cris que estava mais confortável em sua cama do que si própria. Afastou o lençol e suspirou pesado, pressionando o canto dos olhos para que a dor de cabeça passasse.

Estava meio zonza por acordar tão cedo, ainda por cima de ressaca. Queria tomar um banho gelado, comer coisas fracas e ficar em sua cama o dia inteiro, o que sabia que não poderia fazer. Pensou em acordar Cris, mas a mesma dormia tão confortável e espaçosa, que a coragem foi embora ao ver a morena rolar de um lado para o outro.

Massageou seus fios negros enquanto andava pelo corredor, suspirando ao ver o quão bagunçada estava a sua sala, lembrando-se de alguns flashes da noite interior. Riu sozinha em meio aos seus pensamentos, e deu a volta no sofá para recolher as cartas jogadas há pouco pela porta de correio.

Retirou o elástico que envolvia todos os envelopes e olhou carta por carta, deixando todas as outras de contas caírem quando pegou em mãos uma carta do exército americano, extremamente diferente das quais recebia de Matt. Sentiu seu coração dar um salto e um desespero tomar conta de si, já esperando o pior.

Rasgou parte do envelope com demora, pois suas mãos tremiam. Podia sentir seus olhos marejarem sem nem mesmo saber o conteúdo da carta. Se Matthew estava morto, tudo havia acabado para ela.

Sentou-se no sofá para ler o comunicado formal, mal conseguindo se concentrar. Rolou seus olhos pelas letras e foi direto ao fim, procurando vestígios de más noticias. Levou a mão livre à boca, não conseguindo conter-se quando, por fim, leu a carta inteira com a data de retorno de Matt e o endereço ao final.

Riu alto em pura felicidade, sentindo o aperto em seu peito ir embora junto a qualquer dor e medo. Apenas guardou a saudade do homem, que agora veria novamente em breve.


And with all that we've been through
After all this time I'm coming home to you.