Gunslinger

15 Capítulo 14


Notas iniciais
Me perdoem pelo dia sem postar denovo, gente. Tive uns problemas. Mas aqui vai o próximo capítulo, espero que gostem dele e que continuem acompanhando pois os próximos estão por vir!

Tivera que esperar até a noite cair para que cruzassem a nado o rio que ligava um lado ao outro, que era onde estava seu destino final. Sentia a água suja lhe invadir e molhar seu uniforme, o deixando ainda mais pesado do que costumava ser. Nadaram quase sem fazer barulho e lentos, demorando horas para não chamar atenção do farol.

Matt jogou sua mochila para cima e subiu ao chegar na galeria pluvial totalmente escura e deserta, seus amigos logo atrás lhe ajudando. Trouxe a arma junto ao peito e a mochila em suas costas mais uma vez, reunindo-se em circulo junto a sua equipe.

- Você sabe o que temos que fazer agora, Equipe Delta. – Começou o capitão enquanto todos ligavam suas lanternas e Arin aproveitava para matar uma barata. – Nós temos que capturar Yuri Petrov, ele é acusado de conspiração e de ter quebrado o acordo de paz feito com as forças Americanas.

- O rico faz a guerra, nós quem morremos. – Zacky disse em um tom levemente sarcástico, Matt o conhecia bem. Mas não podia deixar de pensar em quão verdade era tudo aquilo e em como estavam sujeitos a morrer por uma guerra sem fundamento.

Zacky apagou seu cigarro com a sola do coturno e a equipa voltou a se mover até encontrar as escadas que davam acesso ao fim da galeria. Matt empurrou Arin para subir, de certa forma enojado pois suas vestes e as de seus companheiros fediam devido a água que foram obrigados a atravessar.

Matthew desprendeu uma faca com um gume afiado de seu cinto, cortando a garganta do segurança que estava ao lado do portão. Rastejaram para não serem pegos e atravessaram o resto do caminho por trás de rochas, até conseguirem chegar a uma entrada. Johnny desativou algumas câmeras que estavam no caminho, e voltaram a caminhar em passos lentos, pois o piso do andar de cima era de ferro cruzado, dando acesso parcialmente a quem estava embaixo dos guardas.

- Shhh, os deixem passar. – Disse o capitão em um sussurro, Matt tentava segurar seu fôlego como se sua respiração pudesse estragar todo o plano. Teria de ser cauteloso, era sua última missão, estaria tudo terminado se passem por ali.

Cruzaram o corredor e eliminaram os guardas com armas silenciosas, subindo degrau por degrau da escada de ferro sem fazer muito barulho. Johnny engoliu a seco e afastou a porta logo depois da ordem de seu capitão, e tudo aconteceu em câmera lenta.

Johnny violentamente fora para trás e caiu por cima de Brian, por ser atingido com um tiro raspão em seu braço. Matthew recarregou sua arma e colocou-se a frente em tempo suficiente para puxar o gatilho da arma automática e, sem muita idéia de para onde estava disparando, matou seus inimigos. Jogou sua arma no chão e virou-se preocupado com o amigo, não estava pronto para perder mais um.

- Johnny! – Gritou Matthew assustado, seu peito subindo e descendo em desespero. Ajudou o amigo a levantar e logo em seguida Brian, fitando a peça de roupa levemente rasgada na parte do antebraço. – Filho da puta, não sabe o susto que me deu.

- É bom saber que se preocupa comigo. – Johnny riu alto, ganhando um soco sobre o colete balístico em seu peito que meramente o fez sentir. O capitão pegou a arma de Matt e empurrou contra seu peito forte, avisando que não tinham tempo e provavelmente Petrov estava prestes a fugir.

- Provavelmente já sabem que estamos aqui, estão armando para ele fugir. – Começaram a correr pelo longo corredor, explodindo a porta que estava fechada com segurança. – E eu quero esse homem vivo, ouviram? Capturem-no vivo, atirem em tudo que ver pela frente, seus malditos.

E a ordem fora seguida: não sentiram dó de guardas ou de gastar balas à toa, era como se o dedo indicador que segurasse o gatilho fosse pesado demais para tirá-lo dali. Matthew também estava lutando pela sua vida, e não se importava com o barulho de tiro ensurdecedor e com as cápsulas voando ao seu redor, daqui a algumas horas estaria livre e teria sua parte cumprida.

- Dez minutos, eu estou em posição.

- Estamos quase lá, Joseph! – Gritou o capitão e logo chegaram a ultima porta, onde estaria Yuri. – Suas costas, Brian!

Matthew tratou de colocar os explosivos sobre a porta enquanto terminavam de eliminar os guardas que apareciam no hall. Cobriram-se dando as costas para o explosivo, e Matt mentalmente contou até três, ouvindo o grande barulho seguido de muita fumaça e a porta caída. Adentraram atirando nos guarda-costas de Petrov, e Matthew foi rápido o suficiente para chutar o rosto do homem para tirar a arma de sua mão.

- Filho da puta, covarde, desgraçado – Empurrou sua cabeça contra o chão e o segurou pela gola do terno fino que já era manchado por sangue. Tinha o homem sobre a mira de todas as armas, e já podia ouvir o barulho do helicóptero de Joseph, enfim havia terminado.

- Nós o capturamos. – Disse o Capitão pelo rádio enquanto abria a janela para expor a entrada do helicóptero. Matt empurrou o homem para próximo a janela com um sorriso vitorioso em seu rosto, mas logo o mesmo desmanchou-se ao olhar a situação logo abaixo de si. – Joseph!

- Não, não! – O helicóptero tentou se afastar de forma falha ao ser atingido por um míssil em sua hélice. Matt empurrou Yuri para deitar sobre o chão, e fez o mesmo sobre ele na tentativa de proteger o homem enquanto a parte de baixo de todo o prédio era destruída pelo avião.

- Joseph, Joseph! – O Capitão gritou enquanto todos os outros levantam-se e tossiam devido a fumaça. – Filho da puta, não morre agora. Nós precisamos de reforços, ouviram? Equipe Delta precisa de reforços. – Matt empurrou o homem para andar enquanto todos recarregavam suas armas. – Vamos resgatar o Joseph, ou ver se ele está vivo.

O homem sentia seu estômago rodar pelos próximos momentos os quais poderia não sair vivo, a cada piscar de seus olhos conseguia enxergar o helicóptero de minutos atrás tão perto, via o fim de sua missão que acabara por escorrer entre seus dedos, estava de novo preso em uma realidade infernal.

Levou a mão livre frente ao rosto protegido, tentando não afogar-se com a fumaça enquanto tossia devido a dificuldade de respirar. Brian lhe ajudou com alguns tapinhas em suas costas, tomando o refém de Matt enquanto o mesmo ajoelhava-se para remover escombros.

Desceram as escadas de forma cautelosa, cada arma apontando para um lado, cobrindo as costas. Arin parecia choroso devido ao medo de não sobreviver e, embora Matthew tentasse não demonstrar, sentia-se da mesma forma. Apenas era mais experiente.

- Nada aqui – Zacky disse pelo rádio enquanto brigava com um dos grandes blocos sobre a porta de vidro agora destruída. Brian achara graça na situação, pois sua risada pode ser ouvida. – Deveríamos procurar no andar de baixo, sir.

- Entendido. Equipe Delta necessita de reforços, repetindo. Equipe Delta precisa de reforços... – Matthew empurrou o homem para andar, que não parecia satisfeito quando o mesmo deixou o cano de sua arma contra a nuca coberta pela blusa social. O que Matt mais queria era atirar, descontar toda a sua raiva e aquele era o real motivo de o cano estar ali naquele homem, pois parte de seus problemas eram culpa dele.

Johnny fora o primeiro homem a descer as escadas, mas todos viraram-se cautelosos quando novos barulhos de tiro puderam ser ouvidos vindo do lado de fora, extremamente altos. Desceram as escadas de forma rápida, e Zacky havia acertado em relação ao local, estava todo destruído e parte da escada também, impedindo que continuassem seu decida pelo meio mais fácil.

- Você primeiro, gordinho. – Brian zombou na tentativa de descontrair, fazendo com que Zacky apenas retribuísse a brincadeira com uma careta. Jogou sua arma mais pesada sobre o térreo e sentou-se sobre uma grande parte de concreto que ameaçava ceder. Tirou a arma menor de seu bolso e apoiou sua mão para jogar o corpo para baixo em uma queda alta, fazendo com que o impacto fosse ouvido de cima.

- Zacky? – Matt gritou para checar o amigo que andou alguns passos até que sumisse de sua vista. Arin fora o próximo a pular, caindo desajeitado.

- Limpo. – Disse ele enquanto Matt posicionava Yuri para descer. De seu lugar podia ouvir uma voz chorosa chamando por socorro e teve a certeza que era o piloto. – Ele está aqui, sir! Nós o encontramos!

Matt sentiu-se ansioso para descer, mas teve que esperar a forma lenta que o homem despreparado descia. Quis chutar suas costas e fazer com que caísse de cara sobre o concreto para que ficasse deformado, mas lembrou que deveria levá-lo vivo.

- Anda logo, filho da puta. – Gritou logo depois que o homem caiu, sendo segurado por Arin com a arma tão próximo ao seu pescoço que o cano da de Matthew parecia apenas lhe causar cócegas.

Correu na direção do amigo quando conseguira descer o andar com um pulo que levemente lhe fez machucar o joelho. Seu amigo sangrava quando se inclinou para perto do mesmo, Zacky chamando reforços pelo rádio.

- Consegue andar? – Perguntou Matt enquanto tirava de sua bolsa uma faixa para estocar o sangramento na perna de Joseph, logo também lhe entregou o cantil com água, ajudando o mesmo a beber. – Você me deu um susto, amigo.

- Matt...- O homem gemeu devido a dor latejante em sua perna, engolindo a seco. Seus olhos fecharam como se aquilo amenizasse a forma a qual aquilo ardia. Matt jogou sua arma sobre o chão e retirou a bolsa pesada de suas costas, segurando a mão do amigo enquanto virava-se e lhe segurava sobre as costas, com ambas as mãos sobre seus ombros. Sentia o peso do homem maior que lhe fazer inclinar-se quando conseguiu se por de pé, mas era o único preparado para aquilo.

“Eu apenas preciso sair daqui” – Pensou, lembrando seus reais motivos e suas promessas que iria retornar vivo, para sua família, para Amy. Estava mais perto agora, mas seu coração martelava forte a cada segundo que se passava.

- Me deixa aqui, vão embora – O homem sussurrou enquanto o grupo voltava a andar, Matt respirando pela boca na tentativa de acompanhá-los, levou uma de suas mãos até a parte de trás sobre uma das pernas de Joseph, segurando-o firme como se levasse em suas costas sua própria vida.

- Eu já perdi o Jimmy, se lembra? Não deixaria que isso acontecesse com você – Observou seus amigos abrirem caminho enquanto escondia-se sobre os escombros afim de uma segunda ordem para avançar. Seu exército estava em batalha e sua equipe em meio a fogo cruzado, sendo que tudo aquilo era apenas o começo do fim. – Você precisa comer menos.

Seu capitão avançou com um gesto para que o grupo lhe seguisse. Estava tão perto de escapar quase ileso, que seus braços pareciam ter uma força desconhecida a fim de resistir a aquele final. Pôde ver Johnny e Arin serem os dois primeiros a avançar rapidamente junto ao refém para o resgate, retirando de seus ombros um grande peso.

Sua missão estava cumprida, poderia morrer agora. Morrer com Brian, Zacky, seu Capitão e Joseph, o que havia de ser feito, acabara ali.

Mas havia uma missão pessoal a qual não podia desistir, mesmo vendo que parte do resgate já havia partido, tinha de sobreviver. Sabia que jurou sacrifício ao seu país, mas aquela não era a sua hora.

- Nós precisamos ir, se não vão nos deixar aqui – Gritou Matt, sentindo o suor escorrer pelo seu rosto devido à tensão. – Peça uma posição mais favorável! Eles sabem que o líder já partiu, não têm mais nada a perder!

- Precisamos de uma posição mais favorável para avançar, repito. Estamos a quinhentos metros do reforço, sem artilharia. Precisamos de uma posição mais favorável para avançar... – Seu Capitão gritou pelo rádio enquanto Brian e Zacky abriam fogo, Matt quase incapaz de se mover.

Matt deu passos para trás, apertando os ombros do amigo. – Não desiste, cara. Não somos nada sem você, pensa no seu filho agora.

Joseph deu a Matt um resmungo como resposta e então o homem pôde perceber sua salvação recuar. A equipe de resgate estava mais perto agora e tudo a sua volta pareceu sumir devido ao fato, tinha de chegar sobre aquele carro o mais rápido o possível, parcialmente ileso.

Não esperou ordens, avançou.

Seus dedos estavam segurando Joseph tão forte que seriam capazes de perfurar o homem, seus pés correndo como se não existisse a tensão, seu corpo rígido devido a ela, o peso do segundo corpo que carregava. O barulho de tiros soando como uma canção de adeus a Matt, a voz de seu capitão gritando sobre o rádio era algo que, para Matt, parecia longe o suficiente para não atender.

Controlava sua respiração, mesmo a cena parecendo acontecer em câmera lenta. Seus pés tocaram o chão próximo à roda do carro, e apenas uma sensação lhe invadiu por completo.

Dor.

Seu braço pareceu perder a força no exato momento em que tocou o chão em segurança, caindo de costas junto ao seu amigo Joseph por não ter conseguido suportá-lo por tempo suficiente. Levou a mão ao antebraço que pulsava de dor extrema, e contorceu-se sobre o chão querendo gritar.

Mas estava livre, havia terminado e voltaria para casa. Aquilo era como uma alta dosagem de morfina. Veria Amy novamente.

Sentiu que alguém pressionava seu ferimento, lhe segurando com ajuda de outro alguém para ser colocado dentro do carro espaçoso e bem coberto com um arsenal de armas. Sua visão escureceu quando Brian adentrou o mesmo em um pulo, extremamente nervoso.

- Filho da Puta! – Gritou enquanto seu punho encontrava de forma forte o rosto de Matt, sendo salvo pelo capacete que o mesmo vestia. Suas vestes foram apertadas e o homem apenas riu com extremo humor enquanto apanhava de seu melhor amigo, nunca sentiu tanto conforto em sentir dor em sua vida, estar feliz por estar vivo.

Iria agora para casa.