Gunslinger
14 Capítulo 13
Notas iniciais
Ps.: Esse capítulo tem a introdução do Alex Varkatzas e espero que imaginem ele um pouco mais novo, para dar diferença de idade.
Amy não via a hora de o sinal local soar e lhe ensurdecer como fazia exatamente às 9:30 da manhã, para que seus alunos deixassem a classe vazia e então pudesse ter um pequeno tempo a sós. Não iria para a sala dos professores naquele dia, ficaria no mesmo lugar até minutos antes de terminar o intervalo. Estava mais triste e desanimada que o comum aquela manhã, faziam exatamente quatro meses que Matt havia ido embora e no dia anterior havia recebido uma carta lhe contando que até agora obteve sucesso em todas as missões que necessitou fazer.
Poderia lhe trazer alívio, mas não trouxe. As cartas de Matt eram escassas por mais que Amy escrevesse ao homem todas as semanas. Assistia ao noticiário e lia o jornal todos os dias e o clima de guerra com contagem de mortos lhe deixava aflita. Matthew tentou explicar em uma de suas cartas que a sua área era um pouco diferente do combate a fogo aberto o qual mostravam nos jornais, depois que Amy lhe escreveu chorando que necessitava de uma explicação onde exatamente o mesmo estava. Mas aquilo não a tranqüilizava, só a deixava com o coração ainda mais apertado em sua própria mão sabendo que poderia acontecer algo de ruim a qualquer momento.
Despediu-se da sua classe com um sorriso amarelo e voltou a sentar, mas não percebeu que um de seus alunos continuou no mesmo lugar. Apoiou o rosto em sua mão e continuou distraída, fingindo que corrigia alguma prova que nem sabia de quem era. O garoto de fios loiros arrepiados afastou sua carteira e tirou Amy do transe.
- Alex! – Disse ela surpresa enquanto o garoto se aproximava com uma expressão tão rígida que lhe fazia assustar-se, seus olhos acompanhando cada movimento. – Não vai lá fora?
- Não hoje – Disse ele interessado pelo que Amy pôde perceber, mas não sabia no que. Sentou-se frente à mesa da professora enquanto a mesma largava o lápis e cruzava seus braços, eliminando todas as possibilidades de ficar sozinha. Definitivamente não iria acontecer. – Percebi que estava meio longe hoje, o que aconteceu com você?
Queria contar, mas não queria. Era seu aluno, um ótimo garoto quando não bagunçava, mas ele não estava ali porque realmente se preocupava com ela, era porque estava interessado nela e isso era visível pelas indiretas e pelo comportamento dele. Mas precisava conversar a respeito com alguém que não fosse Cris, porque precisava de uma opinião diferente do qual sempre tinha.
- Alguns problemas, mas eu vou ficar bem. Obrigada, Alex – Disse Amy em uma tentativa de cortar a situação e tomar outro rumo no assunto. O garoto apenas balançou sua cabeça e Amy achou que o mesmo iria desistir e ir embora, mas estava muito enganada. Apenas segurou sua cadeira e trouxe para perto dela, lhe fazendo ficar incômoda com a proximidade.
— Eu tenho tempo.
- Eu não quero falar sobre isso – Amy desviou seus olhos e fitou o papel a sua frente, cruzando as pernas em um ato inocente que fez com que o olhar do garoto se fixasse ali, sobre a legging que Amy usava por baixo de um vestido. – Eu não gosto de falar sobre a minha vida pessoal.
- Você precisa de um amigo, eu posso te ajudar. – Amy quis protestar lhe dizendo que ele não era seu amigo, era seu aluno, mas seus lábios contentaram-se em fechar e sua perna balançar de forma ansiosa enquanto se via em um dilema.
- É meu namorado – Disse ela por fim, suspirando triste. Não era seu namorado, era quase. Mas não importava ali, não naquela hora. – Ele está no Iraque, o contato é pouco e isso me deixa aflita, nervosa porque algo ruim pode acontecer com ele a qualquer minuto. É isso, Alex.
O garoto pareceu interessado, mas deu risada quando Amy terminou, atraindo seu olhar e fazendo seu humor mudar drasticamente.
- Isso é fácil de resolver – Respondeu o garoto com seus olhos fixos em Amy, fazendo a mesma respirar um ar de forma pesada enquanto tentava não encarar os olhos de Alex. – Termine com ele já que ele não se importa com você. Fique com alguém que te queira.
- Como você sabe que ele não se importa comigo? — Debochou ela sabendo que isso não era uma verdade, Matthew lhe amava e sentia isso, não só nas cartas e na forma que ele havia lhe beijado quando partiu, sentia isso até dentro de si.
- Bem, ele foi para o Iraque. Se você importasse para ele, ele teria ficado – O garoto gargalhou e levantou-se, saindo da sala a tempo de não ouvir a resposta de Amy. Ele havia acabado com o dia dela, havia lhe deixado no chão.
- x –
Encolheu-se no sofá como uma criança, a almofada presa em suas mãos molhada de tantas lágrimas que já havia derrubado. A televisão ligada em um canal de noticias em um som extremamente baixo que chegavam a Amy como um sussurro, avisavam a morena de um atentado contra o exército americano que deixou feridos e mortos naquela mesma tarde. Não sabia mais se chorava por medo, pela notícia ou pelo que tinha ouvido de Alex aquela manhã.
Por quê Matthew não ficou?
Amy pensava como se Alex tivesse razão: se ele a amava, ele estaria com ela. Mas as coisas nunca foram fáceis para Amy como pareciam, sempre havia algum tipo de obstáculo para se impor frente a seu caminho. Não havia mais espaço para a saudade e o medo transbordava por seus olhos, na maioria das vezes estava sozinha sem ninguém para lhe consolar.
Puxou o telefone do gancho e discou o numero de Cris que de primeiro não entendeu nada do que Amy falava devido a sua voz chorosa, mas concordou com a última frase, implorando para que Cris fosse até seu apartamento. Voltou a deitar no sofá e prestar atenção na televisão enquanto limpava seus olhos e cobria-se, com uma dor de cabeça latejante.
Não demorou até a campainha tocar e Amy de pijamas ir atender a morena que não esperou resposta nem boas vindas, envolveu seus braços ao redor da amiga e por cima de seus ombros pode ler o noticiário e descobriu a fonte de tanta preocupação de Amy naquele momento.
Fechou a porta de forma suave e deixou com que sua amiga chorasse enquanto afagava seus cabelos negros de forma calma, voltando a lhe sentar no sofá como estava anteriormente. Manteve seus olhos presos sobre a expressão chorosa da amiga que de todas as formas tentava conter-se enquanto a mesma lhe explicava toda a história e o que estava sentindo desde manhã de manhã.
- Ninguém se importa, Cris – Disse ela, segurando uma das pontas do cobertor para cobrir parte do rosto. – Isso machuca.
- Eu me importo. – Cristina suspirou e tirou o celular do bolso para cancelar seu encontro com John, primo de Matt. Desligou o celular para que nada lhe incomodasse aquele momento e trouxe a amiga para deitar junto a si no curto espaço do sofá mantendo um carinho continuo em seus cabelos para que pegasse no sono.
Afastou-se de Amy e acendeu o abajur antes de desligar a televisão e apagar a luz da sala. Permitiu-se ir até a cozinha e preparar uma sopa para que Amy comesse e recuperasse suas forças quando seu sono terminasse, aí tentaria lhe ajudar.
Ficou a lhe observar comer, e quando seu prato acabou, o som do talher sobre o prato foi o único a quebrar o silêncio. Amy afastou o prato depois de comer uma boa quantia e Cris encarregou-se de levar tudo para a cozinha e voltar junto a Amy até o sofá da sala.
- Se sente melhor agora? – Perguntou Cris enquanto sentava-se de lado e deixava uma das mãos sobre a coxa pálida de Amy lhe atraindo o olhar. A mesma apenas balançou a cabeça de forma positiva. – Me escute, se algo ruim tivesse acontecido com ele, a mãe dele já estaria sabendo, conseqüentemente John. Amy, ele está bem. Notícia ruim é sempre a primeira que chega.
- Eu não sei o que pensar.
- Não se torture – Disse a mulher, rolando seus olhos pela sala a procura de algo que lhe ajudasse naquele momento. Acabou por achar o caderno de Amy sobre a mesa do centro junto uma caneta preta. – Aqui, escreva para ele tudo que você está sentindo.
Amy olhou a amiga sem entender de primeira, mas logo pegou a caneta e apoiou o caderno sobre as coxas enquanto Cris apenas lhe observava.
“Matthew,
Hoje completaram quatro meses que você se foi, e essa carta eu estou escrevendo como um desabafo, sendo quase obrigada por minha amiga a colocar tudo para fora em um papel, lhe escrever o que eu estou sentindo. Há um completo vazio dentro de mim, pensei que as coisas ficariam bem quando você se foi e que eu conseguiria esperar por você esse tempo em que você está fora, mas está difícil.
Não há outra pessoa em minha mente ou qualquer tipo de atração, eu só não consigo mais descansar sem saber como você está ou receber noticias suas. Nada consegue me acalmar, Matt... Nem mesmo meu emprego o qual lhe disse estar gostando tanto, não mais. Não agüento as pessoas me julgando pela escolha que fiz.
Mas dessa escolha eu não me arrependo. Eu decidi esperar por você, só não imaginava que seria tão difícil. Eu só queria mais cartas e noticias suas, saber exatamente onde você está. Para, pelo menos, acalmar meu coração.
Sinto a sua falta o tempo todo, eu suporto mais dois meses infernais se me prometer voltar a salvo, voltar para mim.
Amor,
Amy.
P.S.: Me envie uma carta quanto antes, por favor. Sinto saudades de ter algo de você perto de mim.”
Então Amy deixou o caderno de lado e limpou as lágrimas que se formavam no canto dos olhos, deitando sua cabeça no colo da amiga. Cris por sua vez apenas retirou o papel do caderno e com extremo cuidado dobrou na metade, deixando a mesma de lado sem sequer ler por respeito a Amy, e deitou-se ao seu lado, dividindo um curto espaço na tentativa de confortar sua amiga pelo resto da noite.
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