Gunslinger
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Haviam se passado três meses desde que chegou ao Iraque. Três meses de inferno e terror, de uma realidade que quando alistou-se não sabia que iria viver. Tinha uma visão distorcida do que era servir ao exército, e estava ali, no campo de batalha, pagando as conseqüências dessa sua decisão. Todas as noites suava frio e tinha pesadelos mesmo lendo todas as cartas de Amy antes de dormir, estava se tornando um homem calado com o tempo, pois em seus sonhos tudo o que via era morte – era ele morrendo nas mãos do amigo.
Recentemente havia recebido outra carta de Amy lhe pedindo para mandar notícias, pois suas cartas não chegavam. Era um inferno maldito, sentia como se todos os demônios complicassem as coisas tirando da forma que realmente era para ser. Sabia ele que escrevia todas as semanas, mas deveriam estar todas presas em alguma base da Europa. Matthew implorava para que chegassem logo até Amy e aliviassem a dor que a mulher estava sentindo, pois ele sabia que era grande.
Contava em sua carta que havia começado em seu novo emprego, uma escola de ensino fundamental e médio, com uma classe do quinto ano. Mantinha Amy ocupada o dia inteiro, preparando aulas e corrigindo tarefas, o que deixava Matthew de certo modo menos preocupado, apenas cheio de ciúmes pelos garotos do Ensino Médio os quais Amy descrevia em sua carta que lhe cantavam e enchiam de presentes.
Matthew não estava lá para dar essa atenção à mulher, estava longe e, por sua vez, não tinha quem lhe mimasse assim. Sentia-se mal agora, mas seu único alívio era sozinho e por um ato de necessidade acima do prazer. Era estranho pensar em Amy enquanto se masturbava.
Então fechou a carta que exalava o cheiro de sua mulher e guardou escondido, voltando a deitar-se seminu e coberto apenas no quadril sobre a sua cama, suando e imaginando como seria daqui para frente. Como seria o seu amanhã. Conseguia presumir que seria terrível, e estava certo.
Então logo de manhã vestiu seu colete balístico, seus óculos de proteção, joelheiras e coturnos para receber sua ordem e embarcar em um avião. Seus amigos estavam ao seu lado, mas aquilo não lhe ajudava a pensar positivo, tinha medo. A última vez que voltou de lá, seu melhor amigo estava morto, nunca mais o veria novamente.
Posicionou sua arma junto ao peito, e caminhou atrás de seus amigos não concentrando-se no que os mesmos conversavam. Apenas manteve-se de cabeça baixa até chegar junto a uma mesa cor verde musgo de plástico montada em uma tenda de lona feita no improviso.
Seu Capitão jogou um grande mapa sobre a mesa, e Johnny e Brian que estavam sobre a ponta logo trataram de esticar e deixar o mesmo perfeitamente a mostra. Com uma agulha de ponta colorida, marcou exatamente o local de objetivo.
- Nós temos que destruir o sinal que é transmitido nesse prédio, por essa torre – Indicou o homem, batendo o polegar sobre o mapa. – Brian, dê cobertura para o Arin. Ele é apenas um bastardo novato.
Johnny, Zacky e Brian riram, batendo com força sobre o ombro do garoto. Haviam mais instruções vindas do Capitão, mas Matthew estava tão perdido que as únicas instruções que ouvira fora que devia ficar logo atrás do homem, o seguindo. No mais, apenas cuidados extras caso houvesse civis.
Subiram mais uma vez sobre o caminhão, e lá terminaram de se equipar com granadas e bombas de flash. Matthew aproveitou para escolher uma arma secundária que acabou sendo uma semi-automática. Levantou seus olhos e pode encontrar um Arin tão aflito que lhe dava pena, sabia o sentimento. Bateu sem muita força sobre seu joelho e tentou lhe encorajar com o olhar.
- Você lembra muito a mim anos atrás – Começou Matt em um tom mais baixo, voltando a fitar agora o chão enquanto apertava o gatilho de sua arma ainda sem um pente de balas. – Eu não posso lhe prometer que vai ficar tudo bem, mas posso te garantir que vamos tentar.
O caminhão parou e já não era mais o mesmo Matthew que agora descia e deixava a arma carregada junto ao peito. Calou-se e tomou sua posição, disposto a matar qualquer um que se colocasse em seu caminho vestindo a bandeira do inimigo. O grupo avançou pelo primeiro prédio, correndo as ruas de terra batida em direção ao outro lado no local que no mapa haviam indicado. Matthew seguia seu Capitão e Arin, junto a Baker, Johnny e Brian vinham logo atrás.
De longe puderam avistar a torre e então Matt lembrou-se que deveria ser cauteloso, porque Zacky levava explosivos em sua bolsa. Tocou a porta grande e pesada em tom azul e afastou com cuidado, mirando junto aos seus amigos na direção agora do caminho livre. Subiram escadas de ferro tentando não fazer barulho, suas mãos por baixo da luva suavam e seus dedos apertavam sua arma com força enquanto pela mira examinava o local o qual percorria.
Avistaram um sinal para parar e abaixaram-se. Arin fora o único que deu mais que um passo, sendo jogado para o outro lado por Matt que lhe obrigou a abaixar. Haviam homens armados até os dentes e já estavam frente a uma sala de controle, não era a principal pois não havia muita segurança. Tiveram de esperar por algumas horas e receberam a noticia pelo rádio que teriam que executar a tarefa e logo, tempo é dinheiro e dar tempo ao inimigo é pedir para que o mesmo se fortaleça.
Viram um segundo sinal indicando a quantia de pessoas na sala e que apenas Arin, Matt e Brian avançariam com ele. Johnny cobriu as costas de Zacky, que se manteve junto à arma o tempo todo, observando com atenção a cena que veio logo a seguir.
O ataque posicionou-se em pé e adentrou a sala já atirando. Havia pego todos de surpresa, Matthew matou o primeiro homem gastando apenas duas balas e Brian nenhuma, pois avançou pelas costas e cortou a garganta do homem mais alto. Abaixaram-se para se proteger enquanto uma troca de tiros iniciava, demorando longos minutos até que todos inimigos estivessem mortos. O sistema de alarme fora ativado devido às câmeras na sala de controle. O capitão chutou a próxima porta e Matthew fez sinal para que Johnny e Zacky avançassem.
- Limpo – Disse o Capitão enquanto os alarmes soavam altos por todo o prédio. – Mantenham as posições – Seguiram o Capitão por vários corredores vazios, matando homens na escada. Arin, o novato, trocou de arma para uma mira de longa distância, matando de longe todos os inimigos que estavam sobre as escadas dos próximos andares. O garoto tinha talento.
Mas o alarme continuava a soar alto. Agora havia exército por todo o prédio, e não havia espaço para avançar sem que atirassem e matassem soldados. Criaram uma linha de fogo metros antes de chegar ao topo do prédio. Estavam protegendo-se por algumas mesas, então Matt se escondeu quando ouviu o plano de dar cobertura a ele enquanto o mesmo subia as últimas escadas.
- Me dá a bolsa, Zacky! – Gritou Matt em meio a tiros enquanto retirava a sua própria e jogava em direção ao homem. – Anda logo, porra!
- Não, vá se foder. Eu não vou deixar você morrer, porra! – Gritou Zacky em resposta, levantando-se entre tempos para atirar na direção do inimigo. Matthew empurrou o homem para sentar novamente.
- É a porra de uma ordem! – Gritou mais uma vez, e Zacky trêmulo lhe entregou a mochila carregada de explosivos. Matthew vestiu a mesma e indicou que iria sair.
Houve uma pequena contagem, Matt pôde ver quando todos levantaram para lhe cobrir a guarda. Pegou sua arma a qual deixou junto ao peito e correu, correu até as escadas subindo a mesma de dois em dois degraus. Podia ouvir o barulho de tiro lhe ensurdecer e algumas balas acertarem o corrimão da escadaria, a parede e menos ele. Era de fato um homem de sorte.
Ao chegar ao terraço livre das balas, viu-se obrigado a chutar a porta para abrir, os explosivos sobre a mochila em suas costas pareciam pesar mais de cem quilos. Apontou a arma para a frente enquanto andava para a esquerda em um ponto mais protegido por latões cheios de algo que Matt não fazia idéia do que eram, teve de levantar-se para matar um dos soldados que protegiam a escadaria e jogar uma bomba do outro lado, a qual explodiu alta e fez o alarme do local parar de soar.
Seus companheiros chegaram e tomaram a sua frente, eliminando todos que estavam ali e os quais chegavam As mãos de Matt tremiam enquanto abria o zíper de sua bolsa cheia de explosivos quando o local estava limpo.
- Dez minutos, Shadows. – Disse o piloto do helicóptero que agora fazia barulho por estar tão próximo do terraço do prédio que poeira podia bater em seu rosto e lhe cegar se não usasse proteção. Instalou a bomba sobre a torre com mais tempo do que haviam lhe dado, encaixando fio por fio, sendo apressado pelo rádio de forma que suor já surgia em seu rosto.
Afastou-se e deu início a contagem enquanto um por um pulava do terraço para o helicóptero. Matthew pôde ver um segundo helicóptero chegar a sua vista, e não era de reforços. Jogou-se de qualquer jeito sobre o mesmo e virou-se para ver Arin pular de forma falha e arrastar-se na tentativa de se segurar para não cair.
A torre começou a sua explosão e o helicóptero fora obrigado a se afastar para não ser atingido. Matthew agiu rápido junto a Zacky e ambos seguraram Arin, que agora estava pendurado no helicóptero.
- Me puxa! – Gritou o garoto em desespero enquanto tiros altos podiam ser ouvidos ainda que por cima do barulho das hélices, o helicóptero que perseguia começou a abrir fogo. – Matt, eu vou morrer.
- Cala a boca, maldito – Disse o Capitão enquanto segurava a arma automática do avião, mirou sobre o outro logo atrás e abriu fogo enquanto todos os outros seguravam Arin de forma firme e lhe ajudavam a subir, mesmo com as manobras que o helicóptero era obrigado a fazer para livrar-se das balas.
Estavam, enfim, salvos.
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