Gunslinger
12 Capítulo 11
Notas iniciais
Na véspera do Natal, Amy encontrava-se sentada sobre a areia da praia, fitava o mar como quem esperasse que Matthew passasse novamente e ambos se acertassem sobre a semana anterior o qual o homem morreu de ciúmes de si. Esperava que corresse molhado, despertando desejo das outras mulheres e até de Amy se o visse novamente naquela situação.
Estava tão próximo de completar um mês e a saudades de Amy não diminuía, nem mesmo o aperto do seu coração de medo, do que estava fazendo naquele momento em um lugar tão perigoso e tão longe dela.
“Não são apenas cartas, são meus braços a sua volta por um pequeno momento”
Lia a carta de Matt todos os dias, quando acordava e antes de ir dormir. De certa forma lhe dava forças em continuar acreditando no homem e esperar pelo dia que o mesmo chegasse e lhe surpreendesse. Fazia sempre as mesmas coisas, passava pelos mesmos lugares quando estava com Matt e aquilo não lhe trazia consolo, só queria deixar a memória viva como se aquilo tivesse acontecido ontem.
Colocou a segunda carta no correio antes mesmo da primeira de Matt chegar, não tinha certeza se chegaria antes do Natal e nem mesmo antes do Ano Novo, mas havia mandado e mandaria outra no dia seguinte, que era o dia de Natal. Iria passar a data sozinha, mas não estava ligando muito para isso, Cris estaria com a família de Matt, pois agora namorava o primo dele e não viria para a sua casa na véspera, apenas no Natal mesmo para uma rápida passada e troca de presentes.
Ligaria para a sua família e desejaria boas festas com a desculpa de que não tinha dinheiro para viajar. Sua família não se importaria mesmo, era tratada como a filha bastarda e nem se quer vieram em sua formatura da faculdade.
Limpou a areia de sua roupa ao levantar, vestindo seus sapatos antes de andar de volta para casa, atraindo olhares de alguns corredores pela areia. Não era nem meio dia quando chegou em casa e se jogou no sofá, sem acreditar na bagunça que havia em sua casa: havia bolinhas de papel por toda a sala que indicavam cartas que havia escrito errado ou não estavam saindo muito bem.
Puxou para perto o caderno em branco que havia sobre a mesa do centro e, junto à caneta, rabiscou a folha em alguns desenhos sem sentido enquanto pensava em algo para escrever, seu pensamento não lhe dava uma trégua – só sabia pensar em Matt.
Matthew,
Hoje é véspera de Natal e eu não sei se a segunda carta já chegou, mas estou escrevendo mais uma que não tenho certeza da data que será entregue a você.
Estou me sentindo sozinha e carente novamente, algo que há muito tempo não me sentia. É difícil estar sem você, eu faço todos os caminhos que percorríamos todos os dias para, de alguma forma, sentir como se você estivesse aqui comigo. Leio as suas cartas, lembro de você e tento me aquecer com a idéia que a cada dia que passa é um dia mais perto de ter ver novamente.
Mas eu luto contra o medo, medo de te perder e de por dias não ter notícias suas. Vejo as reportagens na televisão ou leio o jornal matinal todos os dias, isso não me acalma. Me deixa ainda mais aflita.
Huntington Beach está tão linda nesse Natal, adoraria que você pudesse vê-la. Há enfeites natalinos por todos os lugares e passei em uma praça em que havia um coral de crianças cantando músicas para quem passava por ali. Eu amo crianças, já te disse?Eu quero muito ter filhos.
Trabalhei poucos dias dessa semana, o que me fez sentir o dobro de solidão e pensar em arrumar um animal de estimação para me fazer companhia. Cristina e John passarão o Natal com a sua família, me chamaram para ir, mas eu não consigo mesmo aceitar essas coisas, desculpa. Eu poderia dar notícias suas a ela se você não está escrevendo.
Eu não sei o que eu farei para comer essa noite, não é muito animador passar o Natal sozinha. Tenho que ligar para os meus pais, mas sinto um desconforto enorme, me sentindo hipócrita por esquecer as mágoas que ambos me causaram apenas nessa data do ano.
Enfim, como você está? Me diz o que achou das fotos de formatura, tudo bem? Eu tentei usar um vestido que lhe agradasse antes de tudo, pensei nas fotos para você. Eu sinto muito a sua falta, quero que esses meses passem logo para estarmos juntos novamente. Você, são e salvo em meus braços. Quero aproveitar mais dos nossos momentos juntos.
Tenha boas festas se for comemorar com seus amigos em sua base, e lembre-se de mim, por favor. Feliz Natal novamente, eu te amo muito.
Sinto saudades, tentarei escrever para o Ano Novo também.
Amor,
Amy.
Deixou a caneta junto ao caderno na mesa de centro, afastando as almofadas para deitar-se e se perder em pensamentos. Seus olhos pesaram e seu último desejo foi acordar no dia seguinte, quando já fosse Natal.
Ou quando já estivesse Matthew junto a si. Seguro, para matar as saudades.
Então passou o Natal, passou o Ano Novo. Tão rápido e tão perturbador que deixara em Amy marcas, olheiras fundas por não conseguir direito um tempo de sono ou notícias de Matthew, pois não havia chegado carta alguma.
Mas não parou de escrever, escreveu a Matthew todas as semanas com seu peito apertado em dor e as saudades transbordando pelos olhos, molhando a fina folha de carta que inúmeras vezes esteve em seu colo. Tentava desabafar como se sentia naquela época e a tortura que estava sendo seu dia a dia deixando claro que não desistiria tão fácil de ter uma história junto ao homem, se o destino lhe permitisse.
Pensava nisso todas as noites antes de fechar os olhos tão cansados quanto quando acordou. Ele iria permitir.
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