Gunslinger
11 Capítulo 10
Notas iniciais
A lonely road, crossed another cold state line
Miles away from those I love purpose hard to find
While I recall all the words you spoke to me
Can't help but wish that I was there
Back where I'd love to be, oh yeah
Foram várias estradas e aviões até finalmente todos os soldados desembarcarem na base do Iraque, e o sol brilhava intenso naquela tarde de domingo. Não parecia um desembarque comum como geralmente era junto a seus amigos e Jimmy, ele era a alma do grupo e fazia com que tudo virasse piada, até mesmo Johnny. Agora eram apenas quatro homens calados de uma equipe que já fora cinco.
Matthew manteve-se silencioso o resto do caminho até onde seguiriam de carro ao ponto onde a equipe de Matt ficaria. Trocaram-se para roupas ainda mais pesadas, joelheiras e colete balístico, recebendo seus equipamentos como arma primária e secundária. Matthew não conseguia tirar seu pensamento de Amy, talvez isso prejudicasse seu desempenho, mas não era o que estava lhe preocupando agora.
O grupo subiu para o posto no alto da torre junto a suas armas e foram obrigados a se posicionarem para as instruções do capitão. O mesmo estava junto a um soldado pequeno em relação a todos eles, menos Johnny. Era magro e tinha cabelos enrolados e longos até seu ombro. Estava assustado, Matt conseguia perceber. Lembrava muito a si e no seu primeiro contato com a guerra, pois fora difícil para ele também.
- Esse é o novo companheiro de equipe de vocês, Arin Ilejay – O capitão deu um tapa amistoso no ombro do garoto, empurrando-o para junto de Matthew e Zacky que estavam a esquerda. Matt também lhe recebeu com um tapinha, indicando para que Arin prendesse seu cabelo – Bem vindos de volta.
Aquilo soava para Matthew como ironia, porque não era ali que queria estar e nem mesmo ter voltado havia sido seu desejo. Ouviram suas instruções para a guarda do local e assumiram seus postos, e Matthew observava o chão, completamente distante em pensamentos.
Não acreditava que havia passado apenas dias desde que deixara Amy, parecia uma eternidade. Estava triste e pensativo, todos os seus amigos haviam notado. Falava pouco, se alimentava pouco e contava os dias com riscos em uma folha de caderno que estava sempre em seu bolso. Lembrou-se das palavras de Amy e do juramento que o sentimento da mulher não iria mudar, estava tão crente nisso que a qualquer outra pessoa poderia estar soando iludido.
Havia contado para seus amigos de Amy quando estava no avião indo para o Iraque, não estava mais suportando guardar. Ficaram felizes por ele, e lhe disseram que fariam de tudo para que Matt voltasse a salvo para Amy, e ele também faria de tudo para que seus amigos voltassem a salvo consigo. Eram como um, não perderiam mais ninguém, e aquilo estava decidido.
Seis meses, seriam seis meses de pura tortura. Quando a noite caía o calor era infernal, que se juntando a seus pensamentos não lhe deixavam dormir. Pegava-se pensando em como seria se estivesse com Amy naquele momento e o que sua garota estava fazendo, se também pensava nele. Virou-se na cama e anotou mais um risco em seu papel, pois mais um dia havia se passado.
- Vai dormir, cara – Disse Brian quando voltava do banheiro ao perceber que Matt estava acordado. – O dia é longo.
Dear God the only thing I ask of you is
to hold her when I'm not around,
when I'm much too far away
We all need that person who can be true to you
But I left her when I found her
And now I wish I'd stayed
Cause I'm lonely and I'm tired
I'm missing you again oh no
Once again
Esperava ansioso para cada desembarque do avião, esperando que trouxesse alguma noticia do outro continente e até mesmo cartas. Por dias a sua espera fora falha, sendo que seu único conforto seria lendo as cartas de sua mãe e de Amy.
- Nada hoje, Matthew. Sinto muito – Dizia Danny enquanto descarregava as caixas e Matt andava na direção contrária, pensativo como havia chegado. Anotava na sua folha um traço para cada respectivo dia que havia passado, circulando o dia treze de dezembro de uma forma especial, era o aniversário de Amy. Aniversário o qual não poderia aproveitar, nem mesmo mandar uma carta. Estava solitário, tinha a certeza de que Amy também, mas a única coisa que conseguia pensar era nela e que daqui seis meses tudo voltaria ao normal.
Fez a sua guarda por dias, sem qualquer risco de perigo. Agora, todas as manhãs, participava de treinos que lhe fazia cansar e, de certa forma, distrair-se de tudo que estava em sua mente. Tomou uma água extremamente gelada, pois o sol era forte demais em quase todas as manhãs. Era dia vinte, provavelmente o dia em que Amy se formaria na faculdade e se tornaria professora, deixou um fino sorriso escapar. Não sabia se de tristeza por não poder estar com ela ou feliz por ter alcançado algo que era um objetivo.
Viu Tim correr em sua direção, apressado e com um sorriso largo em seu rosto. Deixou a garrafa de água sobre o banco ao lado de Zacky e andou em sua direção, estranhando a felicidade.
- Chegaram as cartas hoje – Disse o homem, batendo contra o peito de Matthew em alegria – Meu filho nasceu! Meu filho nasceu!
Gargalhou ofegante junto a Matt, enquanto todo mundo comemorava com Tim. Matthew abraçou os ombros do homem e lhe deu parabéns, imaginou como deveria ser a felicidade de ser pai mesmo em uma circunstância como aquela. Deixou os amigos comemorando e iniciou uma corrida até o outro ponto da base, subindo escadas e adentrando o refeitório, procurando a sala do correio. Estava nervoso, queria saber se tinha algo para ele.
- Sanders... – Procurou o homem, era uma infinidade de cartas pelo que Matt pode ver, ajudou o homem a procurar extremamente impaciente. – Achei! Matthew Charles Sanders.
Entregou a Matt uma carta com envelope branco e com pequenos detalhes em azul e vermelho. Checou o endereço do remetente apenas para confirmar que era de Amy. Deixou o local a passos largos, trombando com diversos soldados que passavam na área. O cheiro de comida no refeitório era bom, mas Matt não tinha tempo para reparar naquilo, queria ler a carta e nunca havia atravessado tão rápido toda a base como naquele dia.
Sentou-se sobre a sua cama e deslizou seus dedos sobre a letra perfeita de Amy ainda que por cima do envelope. Abriu com pressa, rasgando um pouco do selo e envelope antes de retirar o papel de dentro, derrubando algumas fotos.
As recuperou do chão rapidamente, sentindo uma extrema saudade quando fitou Amy junto a Matt, fazendo careta quando foram ao shopping. Demorou um tempo para lembrar-se que ainda havia a carta por ler.
Eu não sei como começar uma carta não formal, porque me sinto tímida em escrever para você essa primeira vez, nunca tive para quem escrever. Matthew, está sendo tão difícil suportar a falta que você me faz e esse sentimento que não para de crescer e pede por você a cada minuto.
Ontem foi meu aniversário e foi tão vazio, apenas meu pai me ligou para desejar parabéns.
Tenho agora 24, estou meio velha, não é?
Cris passou o dia inteiro comigo e vi seu primo também, mas ele foi embora rápido então apenas eu e Cris comemos o bolo que ela comprou. Conversamos sobre você e ela disse que eu pareço uma boba apaixonada, mas que preciso melhorar minha cara porque pareço triste.
E devo estar, não durmo muito bem porque estou preocupada com você e com a minha formatura que é semana que vem, acho que ninguém vai estar lá. Mas mesmo assim é algo que eu quero muito, eu amo crianças. Preciso te contar também que consegui um emprego em uma das pequenas escolas daqui e vou começar no inicio do ano! Eu mal consigo acreditar, vai ser um bom dinheiro e vai ajudar a me distrair.
Você faz uma falta tremenda. Sinto falta de você no meu trabalho e do resto das noites que você passava junto a mim, aqui em casa. Me deixava mexer em seu cabelo enquanto assistíamos televisão. Me desculpa por não ter dado conta antes que sentimento era esse, Matthew. Nós não escolhemos por quem vamos nos apaixonar e em relação você, sinto que apenas ganhei. Não consigo me arrepender, apenas me arrependo de não ter percebido antes e poder ter tido mais tempo com você.
Antes de dormir todos os dias eu peço tanto por você e que cuide de você onde você estiver e no que estiver fazendo. Eu conto todos os dias em um papel os dias que se passam, para logo eu poder ver você. Ah! Seu cheiro ainda está em alguns lugares da minha casa, passo a maior parte do meu tempo ali apenas para te sentir comigo em um pequeno conforto.
Então, para compensar, essa carta tem o meu perfume e também mandei uma cópia das fotos que tiramos aquele dia, no shopping. Você se lembra? Parecíamos crianças e infelizmente é a única foto que temos juntos. Mas lembre-se de mim todos os dias, e espero que isso ajude.
E o que você está fazendo? Está tudo bem aí? Tente me mandar uma carta antes do natal, tudo bem? Se não der, eu entendo. Mas preciso muito de algo seu, para guardar pra mim.
Amor,
Amy.
14.12.2005
Leu e releu diversas vezes, aproximando o papel para sentir o cheiro tão doce do perfume de Amy, sentindo-se um pouco mais perto da morena ao deslizar seus dedos sobre o papel, sabendo que a mesma havia pegado nele. Naquele momento quis dormir, pois era o único momento em que se sentia feliz e saberia que duraria pouco. Queria dormir com a carta na mão.
Teve de comer e voltar ao trabalho, guardando a carta em uma pequena caixinha. Não conseguia tirar seu pensamento do papel e de Amy, a imaginava escrevendo e o que estaria fazendo nesse exato momento enquanto Matt segurava uma arma e vigiava o local. Não iria tardar para que fossem as ruas, fosse exposto ao perigo.
Naquela mesma noite, deixou de lado horas de seu sono enquanto, junto a uma luz clara, rabiscava uma folha de caderno branca no que seria uma futura carta. Sua letra não estava bonita, nunca foi.
There's nothing here for me on this barren road
There's no one here while the city sleeps
and all the shops are closed
Can't help but think of the times I've had with you
Pictures and some memories will have to help me through, oh yeah
Estava sem camisa e inclinava-se de forma que o caderno ficasse apoiado nas coxas, com sua mão por cima extremamente concentrado, escrevendo. Vez ou outra levantava seus olhos quando um de seus amigos se mexia.
14.12.2005
Pode considerar dia quinze, porque estou a tanto tempo escrevendo essa carta que já é madrugada e as palavras insistem em não sair. Na verdade eu tenho muito para falar, mas não sei me expressar e sou péssimo em escrever qualquer coisa para alguém. Não conte a ninguém, eu ia mal em inglês.
No Iraque faz um calor infernal e isso não me ajuda quando vou tentar dormir, penso em você todos os dias, todas as horas e no que você está fazendo ou se está pensando em mim. Ler a sua carta me lembrou o porque devo continuar e nossa foto juntos está sempre comigo.
É difícil estar no meio do nada, preso em uma base e não fazer idéia do que acontece com você. Não sei quando essa carta vai chegar e não sei quando eu vou ter outra sua para ler. Me desculpa, aqui as coisas são assim.
Feliz aniversário atrasado e espero que ainda esteja contando quando você ler. Queria lhe fazer uma festa surpresa se eu estivesse aí, nem que fôssemos apenas nós dois e não fosse tão surpresa assim, eu não sei. Eu só queria estar com você e completar esse vazio, fazer parte de mais um capitulo da sua vida.
Dia vinte é a sua formatura, não é mesmo? Você me contou na carta, necessito de uma foto se você tirar e quero muito saber como foi. Se divertiu? Voltou muito tarde? Eu quero que me conte detalhes e quero saber da sua roupa.
Você vai se tornar professora, o que sempre sonhou e não faz idéia do quão orgulhoso eu estou de você. Parabéns, se ensinar crianças é tudo o que você deseja eu estou com você e irei apoiar cada passo que você der daqui em diante. Se você me apóia eu te apoio, combinados? Então sim.
Sinto muito a sua falta, Amy. Sinto falta de lhe abraçar todos os dias e ver seu sorriso enquanto conversamos banalidades. Eu nunca confiei em uma mulher como confio em você, e nunca me apoiaram e me deram tanta força como você. Eu sou grato por te ter em minha vida e não quero que nunca mais saia.
Sou como um adolescente bobo escrevendo uma carta de amor, lhe dizendo que você é especial e que faço corações para você no canto da folha na classe de biologia. Parte disso é verdade, parte dos meus planos de adolescente bobo eu quero realizar com você. Casar e ter filhos, um carro e uma casa confortável e quem sabe um cachorro. Sei que a minha vida não pode ser normal, mas nós podemos tentar.
Não esquece de mim, tá bem? Continue a me escrever, sempre. Suas cartas me dão forças, e as minhas não são apenas cartas, são meus braços a sua volta por um pequeno momento.
Matthew Charles Sanders.
Pressionou a carta selada em seus lábios, fitando o envelope antes de guardá-lo embaixo do travesseiro e apagar a luz, já era hora de ir para cama e ter sonhos bons. Ter sonhos com Amy.
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