Gunslinger

10 Capítulo 09


Notas iniciais
Esse capítulo é enorme, realmente enorme mesmo. Vou ver se consigo postar inteiro, se não... Vou dividir em duas partes. Boa leitura, espero que gostem.

Matthew correu seus dedos pela lápide onde havia escrito o nome de seu melhor amigo, limpando a pequena poeira que havia se formado em um curto período de tempo, pois lá havia flores novas além das quais trouxe. Repousou as mesmas frente à lápide e manteve seus olhos presos nela, no nome que dificilmente lhe fazia cair a ficha.

- Você faz falta – Disse ele, apoiando um braço sobre a coxa, ainda abaixado – Você sabe, eu e os caras vamos voltar para a guerra. Sei que vê tudo aí de cima, amigão.

Engoliu a seco, movendo seus dedos ansiosamente, pensando se deveria continuar a falar e se realmente seu amigo lhe ouvia.

- Eu tenho muita coisa para te contar, cara. Dessa vez me sinto um pouco nervoso em voltar para lá, você nunca me viu sentir medo disso – Riu de forma triste, mantendo seus olhos abaixados, presos na lápide – Mas é que eu encontrei uma garota e ela é perfeita. Não quero morrer, não estou pronto. Quero me casar com ela e ter uma casa perto da praia, perto da minha mãe. Você acha que se eu apresentar Amy a ela, ela vai gostar?

Não ouviu nada, mas não esperava por respostas. Estava desabafando para o seu melhor amigo e isso já bastava.

- Deve estar me achando um idiota e que ela nem deve gostar de mim, eu sei. Brian tem me xingado como um filho da puta por dar tanta atenção a ela, mas ela é diferente de todas as mulheres, cara. Ela me entende e você ficaria orgulhoso.

Deslizou a mão pelo rosto, recolhendo de seu próprio suor. Tirou os óculos escuros, e brincou com o mesmo por não saber o que falar por um tempo. Queria acreditar que no dia seguinte ele lhe diria que estava bêbado demais e não conseguiu entender o que Matt dizia, para que o homem repetisse.

- Na segunda eu fui buscá-la na faculdade na hora do almoço e almoçamos juntos como duas crianças no Burguer King. Tiramos várias fotos no shopping antes de ela ir para o trabalho, e quando ela entrou, eu passei o dia inteiro com ela até a pausa dela para comermos juntos novamente – Suspirou ao recordar o dia anterior, o quão perfeito ele havia sido e o quanto Amy estava linda. – Me sinto um bobo apaixonado, mas é bom. Conversamos sobre a formatura dela e esperei no carro até ela terminar seu expediente, assim eu pude levar ela para casa e ficamos juntos novamente, assistindo um filme de comédia.

Voltou a vestir os óculos e deslizar os dedos sobre a lápide, abaixando o tom de voz.

- Ela dormiu nos meus braços, Jimmy. E... eu não consegui dormir, cara. Só tinha tempo para observá-la dormindo. – Sorriu triste para seu amigo que de algum lugar lhe observava, tinha essa certeza. – Sei que você deve me achar um bobo por não ter beijado ela ainda, mas tenho que esperar o momento certo — Fez uma pequena pausa, afagando as flores que já estavam ali, antes de levar mais algumas. – Posso te pedir um favor? Cuida dela por mim. Quando eu não estiver mais por perto, não quero saber que ela vai sofrer.

Manteve-se em silêncio um grande período de tempo, pensando se havia se esquecido de alguma coisa.

- Me perdoa, ela ainda não sabe de você. Mas eu prometo contar em breve, eu só sinto medo de como ela vai reagir em relação a tudo que aconteceu aquele dia... Que você partiu – Levantou-se e fez sinal da cruz em respeito ao amigo, engolindo a vontade de chorar. – Eu preciso ir agora, cara. Ela está me esperando no trabalho. Amo você, James.

Deu passos firmes, distanciando-se da lápide. Olhou para trás uma ultima vez e seguiu pensativo de volta para seu carro, iria encontrar Amy. Batia seus dedos contra o volante e preferiu não ouvir música durante o trajeto, sentia-se pesado e choroso, e se a vontade de ficar com Amy não fosse tão grande, iria para casar dormir.

Estacionou seu carro atrás da loja e andou lento até a entrada da Barnes & Noble Booksellers, afastando a pesada porta com facilidade fazendo o sino soar. Os olhos de Amy rapidamente procuraram Matt, sorrindo largo ao encontrar o homem que caminhava em sua direção. Terminou de contar o troco e entregou a seu cliente que era apenas mais um satisfeito com a simpatia da morena.

- Tá tudo bem? – Perguntou Amy, aproximando-se de Matthew para segurar seu rosto e limpar seus olhos de pequenas lágrimas, quase invisíveis. – Você tá com cara de bebê chorão.

- Tudo – A palavra saiu falha, e Matt forçou-se a rir com a comparação de Amy. A morena sorriu terna e beijou-lhe a bochecha por cima da pouca barba, soltando devagar o homem. – Eu vou te esperar ali, lendo um jornal – Disse Matt e Amy assentiu sem prestar muita atenção devido a outro cliente.

Matt tentou ler, mas estava pensativo demais. Sentia grande necessidade de contar a Amy sobre Jimmy, mas ela era como seu porto seguro e por justamente ela não saber talvez fosse o motivo o qual não tinha pesadelos perto dela. Tinha medo de perder isso, mesmo que confiasse na morena.

Direcionou seu olhar para ela e pode perceber que ela o retribuía, parecendo analisar sua situação. Escondeu seu rosto entre o jornal, lendo a categoria de esportes. Seu pé apoiou-se sobre o joelho e se moveu ansioso, olhando por cima da folha para ver se Amy continuava a lhe encarar. Já não mais, agora estava a sua frente, abaixando o jornal como uma mulher mandona.

- Okay... Vá para casa – Disse ela, e Matthew franziu o cenho, deixando o jornal de lado, mal dobrado. Tinha problemas com arrumação. – Não agüento mais te ver nesse estado, Matt!

- Pensei que iríamos jantar juntos hoje – Disse ele, coçando a nuca quando levantou-se e Amy fora obrigada a se encolher, já não mostrando a autoridade de antes. – Você quer mesmo que eu vá embora?

- Não é isso. Vá para casa e tome um banho. Se você não quiser voltar, eu entendo, mas se voltar eu te espero aqui – Sorriu de leve por fim e Matthew pensou na possibilidade de tomar um banho, livrar – se um pouco do suor e se arrumar um pouco mais apresentável, sentia – se pesado devido ao clima do cemitério.

O homem apenas moveu seus lábios em um tudo bem mudo e segurou o rosto de Amy, que lhe fitou preocupada antes de sentir uma das mãos grandes tocar seu rosto e um beijo ser depositado tão próximo do canto de seus lábios, que Matt pode sentir o roçar macio e levemente úmido devido ao batom.

Sorriu para a mulher e andou até a porta, com sua blusa xadrez entreaberta por cima de uma ultima de sua banda favorita. Adentrou o carro batendo a porta e ligou o motor para começar a traçar seu caminho de volta para casa.

Dirigiu calmo, tirando o fato que acendeu um cigarro para fumar. Não era um hábito comum, fumava raramente apenas para aliviar a tensão e antes de chegar em casa, por isso estavam bem guardados em seu carro. Sua mãe fez uma careta brava com o cheiro de cigarro quando foi abraçá-la ao chegar.

Subiu as escadas de madeira fazendo cada degrau ranger devido aos passos pesados, e enquanto subia tirava suas roupas, chegando à porta de seu quarto apenas com a calça entreaberta. Jogou tudo sobre a cama e tirou seus sapatos antes de apenas abaixar a peça, mantendo-se de boxer para ir até o banheiro.

Fechou a porta atrás de si e deslizou os dedos pela barba, fitando sua própria aparência no espelho pensando se deveria fazer a mesma. Não estava grande, então resolveu deixar do jeito que estava. Escorregou seus dedos até a barra da boxer, e em um só golpe abaixou o pano justo, jogando-o dentro do cesto de roupas sujas.

Deixou a água em uma temperatura morna, mas para ele ainda estava quente. Deixou que caíssem pingos sobre seu cabelo, rosto e peito, deslizando sua mão pelo local forte para poder espalhá-la. Estranhou a si mesmo estar tão quieto e pensativo, lembrou que a momentos atrás havia cumprimentado sua mãe, mas pouco havia conversado e não procurou sinais da sua irmã, fora direto para o banho.

Pegou o sabonete sobre o suporte, não dando atenção ao cheiro ou cor do mesmo. Deslizou pelos seus braços e ombros fortes, correndo lento sobre o peito seguido de sua mão para fazer espuma. Para qualquer pessoa de fora que o visse, era uma visão extremamente sexy e tentadora.

Lembrou-se de Amy e que a morena de certa forma estaria lhe esperando, talvez não fosse algo bom lembrar-se dela enquanto tomava banho, soava estranho. Entortou seus lábios e levou o sabonete abaixo do seu umbigo, deslizando-o pela cintura e quadril, enxaguando em seguida.

Não demorou mais a sair do banho. Vestiu uma boxer limpa, jeans e uma blusa de manga longa devido ao vento que faria ao cair da noite. Vestiu seu boné e perfumou-se após colocar seus sapatos, descendo rapidamente as escadas pois sentia-se atrasado para ir buscar Amy.

- Matthew? – Chamou sua mãe da cozinha e o homem não hesitou em andar em sua direção, teria que avisar mesmo que iria sair. – Vai sair novamente? Para onde, filho?

- Ver uma amiga – Disse ele querendo soar sem interesse para que sua mãe não lhe fizesse perguntas, beijou a bochecha da mulher que segurou seu braço forte e o impediu de ir. Hora do interrogatório.

- Que amiga? É uma namorada? – Kim perguntou e Matt rolou seus olhos para a mãe como um adolescente teimoso.

- É apenas amiga, mãe – Disse, querendo negar e afirmar que realmente era sua namorada. A mãe sorriu terna para o homem, e o mesmo sentiu-se tão tímido que sorriu fraco e abaixou seu olhar.

- Você gosta dela.

- Eu preciso ir, ela está me esperando no trabalho – Matt cortou a mãe sem querer, beijando-lhe a testa. Sabia o quão carente a mulher era e como ficaria feliz em saber que Matthew teria uma namorada, já que não havia dado certo com ninguém.

- Traga ela aqui, eu quero conhecer! – Disse sua mãe com um tom divertido enquanto Matt pegava suas chaves e celular e saia porta a fora. Adentrou o carro com pressa e dirigiu de volta para a loja, Amy já esperava a porta não acreditando muito que Matt voltaria. O homem nem parou seu carro, Amy adentrou o banco ao seu lado e sorriu largo ao sentir o cheiro do perfume de Matt ser a primeira coisa que lhe recebeu.

Amy percebeu que o homem ainda estava calado e suspirou desapontada achando que o banho havia lhe feito bem, estava esperançosa para ter um bom papo e não queria ficar calada com Matt.

- O que você fez antes de ir para a loja? – Perguntou Amy e Matt direcionou rapidamente seu olhar do trânsito para ela, pensando se realmente deveria responder. Coçou sua nuca e cedeu a pergunta.

- Fui visitar um amigo.

Amy pareceu surpresa com a resposta. Virou seu corpo parcialmente e tocou os ombros de Matt, sorrindo divertida.

- Porque não o trouxe pra eu conhecer? Você me disse que iria apresentar seus amigos – Não soube exatamente o que havia dito de errado, mas o clima pesou repentinamente. Matthew estava tenso ao volante, com expressão dura que se lhe desse um soco no maxilar quebraria sua mão. Não o chamou, apenas o observou em silêncio, penalizando-se.

- Ele faleceu há um mês e algumas semanas atrás – Disse Matt em um tom tão triste que Amy apenas pode deixar suas sobrancelhas caírem enquanto afagava a nuca do homem. – Por isso eu estou de licença.

Engoliu o que parecia um punho em sua garganta, virando seu rosto na direção da janela para ver as cores passarem rápidas demais. Não ousou pedir desculpas, ou lhe dizer alguma coisa de consolo, pois nada saía. Estava se odiando naquele momento.

Matthew manteve-se em silêncio, os lábios apertados um contra o outro e os dedos rígidos contra o volante, tentando respirar fundo com a sensação de que a ansiedade ameaçava aparecer em um momento não tão propício como aquele.

Amy, por falta de palavras, apenas ficou a fitar o lado de fora e as luzes que passavam rapidamente devido ao carro em movimento. Queria tanto confortar Matthew, odiava ver o homem triste, queria prometer que ficaria tudo bem mesmo não entendendo como era a dor de perder um amigo.

Amy tinha tanto respeito pela morte.

Matt engoliu seco quando aumentou a velocidade por uma rua reta, sentiu seus olhos fecharem por um breve momento e já não estava em seu carro ao lado de Amy. Seus dedos não pressionavam o volante, pressionavam o gatilho de uma arma semi-automática, atirando contra terroristas. O barulho de tiros era ensurdecedor, várias cápsulas de balas voando para o chão.

Apenas despertou de forma repentina e assustada quando Amy gritou em pânico.

- Matthew!

Girou o volante em um golpe de extrema agilidade, impedindo de subir com o carro em uma calçada. O peito de Amy subiu e desceu violentamente em tensão, já sentindo em seus olhos lágrimas de medo pelos segundos que acabara de passar. Matt estacionou seu carro e soltou seu cinto tão nervoso que não conseguia parar de tremer, arfou o ar perdido e fitou Amy com pena.

- M-me Desculpa... E-eu não sei o que aconteceu – Tentou pedir, mas Amy estava nervosa demais para perceber que o homem era quem precisava de cuidados um momento como aquele. Soltou seu cinto e limpou as lágrimas com as costas dos dedos, secando na roupa, não hesitou em segurar as mãos de Matt e lhe ajudar a se acalmar.

O homem na verdade sabia o que havia acontecido. Desde sua consulta com o psicólogo, há um mês atrás, não comprara seus remédios por achar que aquilo não iria lhe ajudar. Havia sofrido um trauma, estava com as conseqüências e era como se percebesse tarde demais que estava afetando a terceiros. Sua mãe todas as noites acordava na madrugada para lhe confortar, mesmo necessitando de todo o descanso do mundo.

Amy, sua irmã, estudava todas as manhãs e olhava para Matt com pena mesmo o homem sabendo que a loira não suportava Matthew passando mal todas as madrugadas. Não dava a ninguém uma boa noite de sono, no exército não era diferente. Seus amigos também sofriam.

E agora Amy, quase a envolveu em um acidente. Estava farto daquilo, mas não chorou, pois não queria demonstrar-se fraco perante Amy. A mesma deslizava a ponta dos seus dedos trêmulos sobre a mão do homem tão grande em relação a ela em um desenho imaginário, fitando terna seus olhos de forma que lhe fazia parecer sua mãe. A amava tanto, a mulher não tinha idéia.

- Vamos para a minha casa, huh? – Disse ela, afagando a nuca de Matt que sem pestanejar assentiu, voltando a ligar o carro. – Eu posso fazer algo para comermos e de lá eu ligo para o meu chefe, aviso que passei mal.

Segurou o volante um pouco mais confiante e tentou concentrar-se no trajeto para o apartamento da morena, sentindo-se ok pelo fato de que ela deixaria seu trabalho para ficar com ele. Um mês e nunca a viu perder um dia de trabalho, sentia-se como um namorado orgulhoso, mesmo sabendo que não era um e havia poucas chances de ser. Era como uma meia mentira: Amy não havia passado lá tão mal, mas havia tomado um susto por sua culpa, e havia sido um mal bocado.

As ruas não pareciam vazias quando ele precisava, pegou trânsito. Estava cansado, sentia-se triste e queria de alguma forma deitar mesmo que fosse por um período curto de tempo na casa de Amy. Pareceu uma eternidade até que a fileira de carros andasse e Matt tomasse a rua certa.

Estacionou seu carro em uma das vagas frente ao prédio não muito antigo, ligando seu alarme quando ambos desceram. Matt subiu na frente seguido de Amy que apenas ficou para trás porque procurava suas chaves no bolso e levou um tempo para enxergar a certa até abrir a fechadura e adentrarem o local.

Era o mesmo ambiente e conforto que conseguia lembrar-se da sexta feira. A diferença era que os livros e notebook encontravam-se espalhados pela sala de Amy, no chão, sofá e mesa de centro. A mulher deu de ombros como uma desculpa tímida e desabaram a rir juntos.

Matthew podia sentir o cheiro do perfume de Amy no ar, uma fragrância doce e nada enjoativa. Diferente de qualquer pessoa em sua situação sentia-se extremamente confortável no apartamento da menor mesmo não estando tão freqüentemente ali. Reparava em tudo enquanto Amy discava, como se quisesse guardar em sua memória cada pequena parte.

Havia fotos sobre a estante da garota em sua adolescência. Segurou o porta-retrato em mãos e não pôde deixar de sorrir divertido, distraído. Se não fosse pelo cabelo mais claro, acharia a foto recente pelo fato de Amy não ter mudado nada. Apenas perdeu peso e escureceu seu cabelo. A próxima foto mostrava Amy ao lado dos pais e de quem julgou serem seus irmãos, pois pareciam um pouco com ela.

Amy não parecia feliz, era a única que sorria amarelo. Lembrou-se de si mesmo e de como nas fotos da escola os anos foram tirando seu sorriso largo. Repousou a foto no mesmo lugar, colocando na cabeça que era apenas problemas de adolescentes.

- Está tudo bem, ele mandou melhoras e disse que cobre meu tempo – Amy disse após desligar o telefone e seguir até a cozinha. Matt andou em silêncio atrás dela, lento e distraído por fitar tudo. A cozinha era do mesmo tamanho da sala, com balcões de madeira em um tom claro. Azulejos brancos com detalhes estavam pela parede, parte deles cobertos por um relógio, utensílios de cozinha e suvenir.

Apoiou seu corpo sobre um dos balcões e lembrou-se que havia sido em uma cozinha que conhecera Amy. A ouvia falar, mas não prestava atenção: deslizava seu dedo sobre o lábio inferior, fitando a forma como o corpo da menor se movia tão gracioso enquanto Amy recolhia itens da geladeira, armário e panelas. Prendeu seu cabelo para cima em um coque deixando sua nuca bem exposta, não podia acreditar que pequenas coisas lhe deixavam tão sexy.

- Não é? – Perguntou a morena por fim, tirando Matthew do transe. O homem riu sem graça, não sabia se deveria negar ou afirmar. Amy apenas assentiu com um sorriso e voltou a prestar atenção no que estava fazendo. Lembrou de seu pai e sua mãe, quando o homem estava em casa e depois de ler o jornal abraçava a mulher por trás enquanto a mesma preparava o café da tarde. Queria tanto isso para si, queria uma família e tinha 24 anos, já estava mais do que na hora de pensar sobre isso.

Mas necessitava tanto de alguém que entendesse seu dever e lhe aceitasse como era. Precisava de Amy e de sua compreensão. Como seu pai, não se via abraçando mais ninguém que não fosse a morena.

Amy não demorou em terminar a janta, havia feito bifes e Matthew deu sorte de ter a última cerveja de Cristina na geladeira. Conversaram amigavelmente, e Matthew não acreditou o quão leve caiu a comida de Amy já que era visível que o homem comia muito. Tinha um ótimo sabor, seu tempero era perfeito.

Ajudou Amy com as louças e foi para o quarto devido a sala estar bagunçada demais. Matt tirou seus sapatos e boné para deitar ao lado de Amy, ficaram conversando por mais um tempo enquanto assistia televisão, sentia-se muito melhor do que quando estava no carro. Não quis ficar de olho no relógio, mas era tão inevitável. Não queria perder a hora de ir embora.

Amy estava sonolenta, encostando-se no braço forte enquanto assistia ao programa. O coração do soldado batia tão forte que era capaz de saltar pela boca, manteve-se em silêncio, não queria estragar nada por falar algo errado. Encostou seus lábios na cabeça da mulher, sentindo o cheiro doce que seus cabelos exalavam.

- Eu preciso ir.

- Não! – Disse Amy levantando o tom de voz sem querer, virou-se apoiando o corpo sobre um braço apenas para fitar Matthew. – Fica, dorme comigo. Vai que acontece de novo e eu não quero ficar sozinha.

Era um pedido tão irrecusável, mas ao mesmo tempo, Matthew estava tão inclinado a recusar. Tinha medo de ter mais uma crise próximo a Amy e a mulher assustar-se como havia acontecido com o flashback que sofreu em seu carro. Não teve tempo de responder, Amy abraçou Matthew de uma forma que deixava o homem levemente desconfortável, mas manteve-se assim se estava bom para ela. Não demoraria para Amy levantar e se trocar.

Dito e feito. Amy levantou-se levemente sonolenta como já estava, e andou em direção ao banheiro com os olhos de Matthew bem presos sobre ela. O homem aproveitou para despir-se e se manter apenas de boxer, adentrando o edredom macio que Amy havia em sua cama. Estava levemente gelado, mas não importava, era a cama de Amy.

Não demorou a Amy voltar do banheiro, vestia pijamas de verão, mas não eram os mesmos que a morena costumava usar, eram mais justos e menores. Matthew sentiu como se fosse morrer. Amy desligou a televisão antes de deitar-se ao lado de Matt, apagando a luz e acendendo uma luz clara do abajur ao seu lado. Ficou de frente para o homem com os rostos dolorosamente a centímetros um do outro.

Mantiveram seus olhares fixos no outro por um tempo, sentiam uma química rolar. Deixaram um sorriso bobo escapar em seguida, Amy não hesitando em levar a mão à barba de Matt e a deslizar ali em um carinho.

- Sente-se melhor? – Amy perguntou em um sussurro, ganhando uma aprovação com a cabeça de Matt. O homem deslizou sua mão por baixo do edredom sobre a barriga de Amy, lhe fazendo arrepiar. – Isso é bom, que se sente melhor.

- Obrigado – Disse ele, sem desviar seus olhos tão bonitos, foi o que Amy reparou.

- O que você viu? No carro, àquela hora – Perguntou curiosa, sem deixar de mover seus dedos em um carinho lento que fazia Matt pensar em sono. Engoliu a seco e sem querer deixou o clima pesar porque não queria responder e ferrar com tudo devido ao seu drama.

Demorou alguns segundos os quais passaram como uma eternidade para Amy.

- Guerra. Eu vi guerra – Disse Matthew em um tom baixo e penoso. A mão da morena escorregou até seu peito nu e Matt a manteve ali, junto a sua que lhe cobria por inteiro. – Eu me vi no mesmo dia em que o Jimmy morreu.

Amy se manteve em silêncio, com as sobrancelhas baixas, tão triste pelo amigo. Não conseguia falar nada e para Matthew fez certo, o homem sentiu que era hora de desabafar.

- Eu arruinei tudo, eu o matei. Não fui rápido demais para defendê-lo, eu sei. Eu sinto tanta falta dele, Amy. Eu tenho o mesmo pesadelo constantemente e o que aconteceu no carro não é a primeira vez, há coisas piores que acontecem comigo e você nem sabe.

Amy engoliu a seco, correndo seus dedos pelo peito do homem como se aquilo servisse de conforto. Claro que não sabia, nunca tivera contato com um soldado antes. Matthew nunca havia mencionado que perdera um amigo e nem mesmo que se culpava por isso, imaginou o que teria de fazer para que Matt se sentisse bem.

- Eu estou assustado, não quero voltar – Confessou Matthew, e Amy podia perceber o quão sincero ele estava sendo, no fundo não queria que ele voltasse também. Tinha medo. – Vai ser pior, eu não tomei meus remédios que o psicólogo pediu e...

- Espera! Você não tomou seus remédios? – Amy levantou sua cabeça após interromper Matthew, que pensou antes de responder. Era o errado e não iria lutar contra isso.

- Eu achei que de nada iria resolver, são só remédios. Mas agora eu percebo o quanto meus pesadelos e minha crise de ansiedade têm afetado minha mãe e minha irmã. Eu não me perdoaria se algo acontecesse com você naquele carro, Amy.

- Você não pode ficar sem seus remédios – Amy segurou o rosto do amigo, olhando dentro dos olhos do homem de forma fixa, sua mão ainda junto ao peito forte – Eu vou comprá-los amanhã e você vai ficar bem, porque vou cuidar de você. Okay?

Matthew sentiu vontade de chorar, não conseguia acreditar no tanto de conforto que a morena lhe trazia. Empurrou lento Amy para deitar na cama e a morena pode sentir seu coração bater forte por achar que Matt de alguma forma iria investir e lhe beijar. Fora diferente, o homem apenas encostou sua cabeça no vale entre os seios de Amy, fechando seus olhos como uma criança carente.

Você e eu, não há nada melhor.

- x –

Para a agonia de Matt, os dias passavam tão rápido. Queria ter de alguma forma o controle sobre o tempo e fazer com que tudo passasse em câmera lenta, ou não passasse, pois todo o momento com Amy ele queria aproveitar. Amy não fora para a faculdade na quarta-feira logo de manhã, Matthew foi para sua casa buscar a receita de seu remédio que para achar o papel teve de revirar o quarto inteiro.

Amy fez questão de pagar o mesmo a Matt, já que há tanto tempo não pagava nada quando ambos saiam juntos. Trouxe-lhe água e os comprimidos para que tomasse a primeira dose do remédio, Amy prometeu que iria levar o homem tomar café logo em seguida, lhe fazendo sentir como uma criança.

Jogaram boliche naquela noite, no mesmo local que Matthew costumava ir quando jovem. Um de seus amigos ainda trabalhava ali, mas estava mais velho e carrancudo do que costumava lembrar. Velho Bill também se lembrou de si, o garoto Matt como costumava chamar, deixando Amy com um sorriso tão largo que mal cabia em seu rosto.

Ficava feliz em cada vez mais descobrir o passado de Matthew, porque de uma certa forma não havia tido isso. Foi sozinha toda a sua adolescência, com suas primas e sua mãe lhe depreciando a cada atitude. Diziam-lhe que era estranha demais para ter amigos, pois gostava de vídeo game e rock clássico. Vestia jeans e all star com blusas de bandas e uma maquiagem levemente forte, sua família desaprovava e tratava Amy como filha bastarda de John, que não tomava uma posição e não percebia o quão mal aquilo fazia para Amy.

Riverside era uma cidade grande, havia coisas para fazer e lugares para curtir, mas Amy passava o dia inteiro trancada em seu quarto. Quando formou-se no ensino médio, tratou de escolher uma universidade bem longe de seus pais, em outra cidade. Quando chegou a Huntington Beach, encantou-se. A cidade era maravilhosa e grande, Amy havia sonhado em morar perto da praia. Passou mais de dois anos em uma república estudantil e foi lá que havia conhecido sua melhor amiga e alguns colegas, mudando-se para um apartamento não muito grande logo depois que começou a trabalhar.

Matinha pouco contato com a sua família, mas também não sentia falta, não era ela quem havia negado todos eles, eram eles que haviam negado ela. E lembrou-se de quando suas primas lhe disseram que nunca teria um namorado, provou para elas que não, havia tido dois. Não muito bonitos, de fato, e relacionamentos não muito saudáveis, mas ainda sim eram dois namorados.

Havia contado isso a Matt quando o mesmo deixou propositalmente Amy ganhar no boliche, o homem sentiu-se estranho e levemente com ciúmes do passado de Amy. Estaria tudo bem agora, pensou ele. Poderia levar Amy para conhecer sua família caso namorassem e ela seria muito bem recebida porque conhecia o quão carente era sua mãe.

Voltaram para casa a pé tarde da noite em uma conversa amistosa e divertida. Amy implorou para que Matt tomasse seus remédios corretamente e o homem lhe deu sua palavra, fazendo assim que chegou a sua casa.

Não passaram a quinta feira juntos, para ambos fora tão torturante. Matthew ligou dizendo que deveria ficar junto à família, pois era seu último dia. Logo de manhã na sexta-feira iria para a base para no sábado se apresentar. Amy sentiu medo de não conseguir vê-lo antes de ir, mal conseguiu se concentrar em suas aulas. Não comeu e seu trabalho pareceu mais tediante, pois o tempo não passava e estava com a cabeça a mil.

Kim chamou a família inteira de Matt para a reunião enquanto o homem fazia sua corrida matinal na areia da praia. Chegou em casa morto de fome como sempre, tomando um banho antes de comer muito. Já sentia o cheiro de comida gostosa que pairava sobre o ar da cozinha. Seu tio que já estava em casa armava a churrasqueira com a ajuda de Matt que ia e vinha com carvão e o fogo.

Seus amigos também apareceram: Brian, Johnny e Zacky com vários engradados de cerveja cada um. Seria um ótimo dia se Amy estivesse ali também. Ficou o todo o tempo possível com a sua mãe, saboreou a comida da mulher como se fosse sua última refeição de toda a vida.

Não demorou em a campainha soar uma ultima vez, era John e sua namorada Cristina. Lembrou-se da Italiana e de quando conheceu Amy que estava junto a ela na festa de seu primo. A mesma sorriu tão animadamente para Matt, que fez ele desconfiar de que Amy havia contado dele para ela, e não estava errado.

Quis dormir depois do almoço, mas não podia. Não podia nem mesmo sair para ir ver Amy. Adorava reunião de família e seus amigos por perto, mas sentia tanta falta de Amy que não conseguia se divertir. Até lhe chamarem para jogar basquete.

A noite caiu e ninguém da família Sanders pareceu perceber devido ao fato de que a festa continuava animadamente. Seus amigos haviam ido embora ficar a ultima noite com a família e Matt foi para a piscina com seus primos, ensinar Sophia, de oito anos, a nadar. Sentia-se cansado, nunca quis tanto subir e jogar-se na cama como aquele dia, mas não desejava que chegasse logo amanhã.

Ainda não havia feito tudo que desejava.

Já era tarde da noite quando resolveram ir embora, todos os convidados passaram por Matt lhe cumprimentando e mandando forças com algumas palavras de incentivo. Aquilo fez seu coração aquecer e ter mais um motivo para não desistir. Ajudou sua mãe e sua irmã Amy antes de subir e tomar um banho quente. Suas costas estavam vermelhas do sol e doloridas por causa do basquete, mas não se importou, desceu até a sala para ficar com sua mãe e irmã.

- Eu sinto orgulho de você. Mesmo temendo tanto e não dormindo direito quando você vai embora – Disse a mãe, movendo seus dedos carinhosamente sobre o cabelo de Matt. Quem o via pela primeira vez, não acreditaria se contasse que ainda era o garoto da mamãe. Até mesmo sua irmã tirava sarro.

- Obrigado, mãe – Matthew levantou seus olhos para a mulher que segurou os braços fortes.

- Você é igual seu pai – Ela sorriu largo, suspirando em saudades. – Em tudo. Na aparência, no jeito de pensar e nos ideais.

- Então eu preciso encontrar pra mim alguém como você – Retribuiu o sorriso da mulher que deslizou seus dedos cansados pelo rosto do filho, boba.

- Você já encontrou, não é?

Foi para a cama pensando naquilo, no que sua mãe havia falado. Sua mãe... Ela sempre sabia o que Matt estava sentindo sem mesmo o homem lhe falar. Era tão cuidadosa, havia feito Matt refletir.

E havia mesmo, quando pensava em amor, pensava em Amy. Lembrava de seus pais juntos, e da forma que Kimberly cuidava de seu pai, Gary. Era tão semelhante a Amy e em como os últimos dias lhe fizeram perceber que era junto a ela que queria passar o resto de seus dias. Já havia um pouco de certeza bem antes.

Pegou seu celular e havia uma ligação perdida de Amy, mas há horas atrás. Não ousaria acordar a mulher agora, mas sentiu tanta vontade de lhe dizer o que estava sentindo naquele momento, tinha medo de não ter mais nenhuma oportunidade. Selecionou a opção de mensagem e ficou pensando nas palavras que não vinham, odiava não saber se expressar.

Olhou para o lado do quarto e viu sua mala pronta, as roupas que usaria na manhã seguinte já penduradas. Voltou a olhar o aparelho e, sentindo-se idiota e incapaz de algo melhor, escreveu.

“Senti saudades de você hoje, todo segundo. Eu estou indo embora amanhã e queria ter me despedido melhor, me desculpa. Se cuida, por favor, até eu voltar e eu prometo que daí em diante quem cuidará de você sou eu.”

Enviou e não esperou resposta. Deixou o celular bem longe e tomou seu remédio para dormir, ou tentar. Com medo e se torturando pelo dia de amanhã.

- x –

Acordou cedo demais, mais do que deveria. Não havia raios de sol, estava tudo silencioso na casa. Demorou um tempo para se localizar no quarto levemente escuro e levantou-se, limpando o suor do corpo antes de ir em direção ao banheiro. Amy e Kim já estavam acordadas, não sabia diabos o porquê. Tomou seu banho sem muita demora e voltou para o quarto se vestir.

Colocou primeiro sua blusa justa verde musgo de mangas curtas e logo em seguida sua boxer. Vestiu a calça camuflada que ficara justa em seu quadril por conta do cinto e caía bem em suas pernas até os pés, o qual Matt vestiu as meias e o coturno padrão deserto que fazia parte do uniforme. Perfumou-se com pressa e tomou seu café em companhia de sua irmã e mãe enquanto o dia amanhecia, fazendo sua higiene antes de ir buscar sua mala e sua blusa.

Colocou um boné sobre a cabeça e óculos escuros, indo anotar o endereço de sua base no Oriente Médio para sua mãe. Copiou o mesmo endereço em um papel a parte, empurrando de forma amassada em seu bolso.

- Cuide-se, tá? Eu amo demais você – Disse Kim logo depois de despedir-se de sua irmã. Abraçou forte a mãe e tentou lhe passar tranqüilidade quando beijou sua testa. – Você está saindo mais cedo, Matt...

- Lembra do que a senhora me disse ontem? – Questionou com vergonha enquanto a mão de sua mãe lhe afagava o rosto. Ao ver Kim assentir, Matt continuou. – Eu a encontrei e tenho algo para resolver antes de ir embora. Quero me despedir.

A mãe sorriu terna e feliz pelo filho e Matt soube que naquele momento, Kim encontrou um espaço para amar quem fosse a namorada do homem.

- Eu quero muito a conhecer.

- Eu prometo que você vai, em breve – Abraçou novamente sua família antes de adentrar seu carro e dirigir rápido uma distância consideravelmente grande. Depois da casa de Amy, teria que ir buscar seu primo para que levasse Matt até a base e voltasse com seu carro.

Seu coração estava a mil, nem mesmo o vento que lhe soprava parecia o acalmar. Estava prestes a resolver sua vida ou arruinar uma amizade e um grande amor, mas sempre pensava tão negativo. Batia seus dedos contra o volante ansioso para que o sinal abrisse e pudesse avançar, estava perto.

Diminuiu a velocidade ao chegar a porta do prédio. Desligou seu carro e desceu em passo firme, tão nervoso que sentia como se pudesse ter um ataque cardíaco ali, nas escadas do local. Massageou sua nuca, tirou seus óculos para deixar guardado na gola de sua blusa e afastou a porta, adentrando o prédio tão silencioso e vazio.

Subiu as escadas pensando em recuar diversas vezes, mas manteve-se firme e continuou. Engolia a seco e sua mão suava, era como um adolescente prestes a dar o primeiro beijo na garota mais bonita de sua escola. Já havia feito isso, mas o sentimento não era tão bobo.

Chegou frente a porta do apartamento de Amy, que sabia ele, estava dormindo. Tentou manter-se firme, pois seria patético bater a porta e Matt estar derretendo quando Amy abrisse. Era um homem feito, não um adolescente.

Tocou a campainha e sentiu a respiração pesar, não obtendo resultados de inicio. Tocou mais uma vez e mais uma vez, soando impaciente. – Já vai, inferno.

Ouviu Amy gritar e sorriu mais largo do que era capaz. Os passos ecoavam, Matt podia sentir no chão. Amy reclamava alto e até mesmo ele reclamaria se alguém lhe acordasse àquela hora.

- Espero que tenha um ótimo motivo para me acordar uma hora dessas porque tive uma péssima noite de sono e...

Não teve tempo de reagir, nem mesmo de gritar quando destrancou a porta e sonolenta demais se esqueceu de olhar o olho mágico. A madeira afastou-se e braços grandes evolveram sua cintura lhe puxando para perto. Seus corpos juntaram e Amy sentiu o tecido grosso da calça e em seguida o algodão da peça que cobria o peito forte o qual Amy apoiou sua mão.

Foram segundos até ambos os rostos tomarem o mesmo rumo, sentiu o toque quente do nariz de Amy sobre o seu e em seguida os lábios mornos, levemente úmidos e pequenos em relação aos seus.

Era o paraíso, tudo havia sumido e Matt perdera o controle do seu corpo no encanto de Amy. Moveu seus lábios ansiosos pelo primeiro contato contra a maciez dos seus e pediu passagem para a sua boca, julgando-a tão doce como mel.

Era um beijo tão intenso que não necessitava de palavras para ambos terem certeza que estavam apaixonados. Amy havia cedido completamente a Matt, seus braços envolveram os ombros largos quando o homem inclinou-se, o beijo era, de certa forma, desconcertado por ser o primeiro contato.

Matthew iniciou uma busca incansável até encontrar a língua de Amy, controlando sua respiração. Todo o local inédito até então pareceu melhor do que como sonhava. Uma dança de ritmo imaginário começou e perderam-se totalmente entre o contato, não tinham controle do tempo que ficaram ali, se beijando.

O contato cessou e Matt subiu as mãos pela lateral de Amy ainda que por cima do pijama, encontrando o olhar da morena, extremamente bobo. Os dedos menores afagaram sua nuca, sem saber o que falar primeiro.

- Eu achei que você iria embora sem se despedir – Disse Amy em um sussurro para Matthew que não conseguia tirar seus olhos dos lábios da mulher levemente avermelhados devido ao beijo. Era hipnotizante a forma que eles se moviam e não quis responder, beijou Amy novamente, agora de forma mais ávida.

Matthew não queria soar como uma despedida, estavam se entendendo e agora sabia que o sentimento de Amy era recíproco. Levou a mulher até o sofá e deitou sobre ela no local macio, sentindo o cheiro de seus fios negros e do perfume que sua pele exalava antes de voltar a beijá-la. Havia viciado e Amy nem tentou protestar, apenas retribuiu em um perfeito encaixe de ambos os lábios.

- Eu não consegui vir antes – Disse ele, segurando a nuca de Amy enquanto procurava uma posição confortável no sofá por ser grande demais. – Eu desejava isso há muito tempo, mas tinha medo da sua reação.

- E foi ruim?

- Não – Disse ele em tom baixo, fazendo Amy corar. Seu sorriso desapareceu quando se deu conta das roupas que ele vestia, segurou a blusa cor de verde musgo que cobria seu corpo e puxou de leve para baixo – Você já está indo...

- Não vai mudar, eu prometo. Nada – Matthew depositou diversos beijos sobre os lábios macios de Amy que lhe trouxe para mais perto. – Não se esqueça de mim.

- Nunca, vou lembrar de você todos os dias até você voltar – Sorriu contra seus lábios, um sorriso sincero tentando esconder o medo. – Mas eu não queria que você fosse.

- Eu não esperava que fosse te encontrar. No momento, eu também não estou desejando ir, eu estou com medo e não quero que esse sentimento passe. Da sua parte... – Amy fez questão de interromper.

- E não vai.

Voltaram a se beijar como se fosse fazer a saudade futura diminuir. Doía como o inferno deixar Amy ali e ter de voltar para a guerra sem a certeza que iria sair vivo. Tudo que queria era parar o tempo naquele momento, e formar uma família com Amy. Apenas ambos, mesmo sendo tudo tão recente.

- Promete que vai me escrever? – Perguntou ele, tão carente que Amy deixou as sobrancelhas caírem quando recebeu o papel todo amassado do bolso de Matt. A mesma o fitou por alguns segundos, guardando a expressão do homem em sua memória, a sensação de tocar sua barba e olhar em seus olhos. – Promete, por favor.

- Eu vou, eu prometo. Milhares de cartas, até você voltar.

Letters keep me warm, helped me through the storm.