Gunslinger
8 Capítulo 07
Notas iniciais
O relógio de seu notebook marcava sete horas da noite, e a morena continuava concentrada em seu caderno, vez ou outra lendo algo na internet que tinha relação com a atividade que estava fazendo. Batia o lápis impaciente contra a folha metade escrita e sentia que não estava absorvendo nada dos estudos.
Levantou-se da cama e andou até a janela, arrumando a regata que subia por sua barriga devido a posição anterior. Observou como os carros lá embaixo moviam-se e algumas pessoas preferiam caminhadas sobre as estrelas.
Virou seu rosto na direção do criado-mudo, seu flyer repousava ali. Lembrou-se do convite de Matthew e não duvidara que uma hora dessas estaria começando a perder o inicio da diversão. Massageou seu pescoço e decidiu não pensar muito no que iria perder, voltou a deitar e puxar o livro debaixo de seu caderno para ler e fazer alguns exercícios.
Correu o lápis pelo papel e tentou concentrar-se novamente. Agora parecia render, pois o tempo passava e já duas folhas eram gastas com exercícios de literatura e interpretação. Uma fina dor de cabeça havia aparecido e Amy resolveu desistir de estudar porque parecia não ser seu dia.
Deitou-se sobre a cama, também havia acabado as chances de pensar em ir à festa, devido a dor de cabeça e ao fato que já ficava tarde. Recolheu seu celular e desbloqueou o mesmo, franzindo o cenho ao ver uma mensagem por ler.
“A festa começa daqui a pouco, realmente nenhuma chance de você desistir de estudar e ir? Matt”
Suspirou, a mensagem era de horas atrás. Àquela altura Matthew provavelmente já estava com a certeza de que Amy não iria, e não adiantaria mandar uma mensagem pois o homem não iria ouvir. Ou talvez não fosse tarde o suficiente, poderia encontrar Matthew lá e lutar por um pouco de atenção do homem já que estaria com seus amigos. Sentiu-se em um pequeno drama.
- Não custa – Disse para si mesma, levantando e caminhando em direção ao banheiro – Vamos lá, vai.
Estava um caco. Vestia pijamas de verão, andava descalça e seu cabelo estava uma bagunça. Em uma situação comum, tomar um banho e se arrumar de forma apresentável demoraria muito, nunca achara que faria aquilo tão rápido devido ao fato de que já estava atrasada.
Lavou seus fios negros e limpou todo o seu corpo sem muita demora, enxugando – se enquanto já pensava na roupa que iria usar.
Aquela era a pior parte.
Vestiu um conjunto de calcinha e sutiã de renda e abriu seu guarda-roupa atrás de algo que lhe agradasse e não parecesse vulgar. Puxou diversas peças, colocou frente ao corpo no espelho e rejeitou jogando sobre a cama.
Encontrou um vestido listrado em preto e roxo que de primeira vista realmente lhe agradou, mas parecia faltar algo. Vestiu o mesmo e ajeitou a manga comprida em seu braço, sentando-se na cama para pensar.
É claro que faltava algo.
Buscou no fundo da sua gaveta uma meia calça da cor preta, vestindo a mesma que ficara extremamente justa em suas pernas. Apoiou seu pé sobre o joelho, ajustando o tecido fino em seu pé.
Procurou sua bota escura e vestiu, checando seu visual no espelho que ficava a porta do guarda roupa, estava ótimo para uma festa. Ajeitou os cabelos e deixou os fios caírem por seus ombros, passando uma maquiagem um pouco mais forte do que geralmente usava.
Não se esqueceu de juntar o flyer e o dinheiro para o táxi e entrada, não havia necessidade de seu celular.
- x –
Desceu do táxi depois de pagar o homem, já podendo ouvir o som alto que vinha da parte de dentro. Para Amy, soava como shows de bandas pequenas que continha uma platéia até razoável e muita bebida alcoólica. De fato era mesmo, não havia lido o flyer direito.
Pagou sua entrada e ganhou um desconto por ser mulher, não muita coisa. O espaço era grande, mas a acústica do local não favorecia quem estava lá dentro. Amy da entrada tentou localizar o palco, mas estava do outro lado então não conseguiu ver qual banda tocava.
Caminhou entre a multidão, recebendo checadas e cantadas de homens levemente bêbados, odiava o fato de que apenas esses se aproximavam, cheirando forte a bebida e cigarro. Não estava lá para ficar com alguém, Amy não era uma pessoa de sair. Apenas queria encontrar Matthew e conversar sobre bandas, se o homem não estivesse bêbado. Ele era o motivo de ela estar ali.
Pensou que aquele local talvez lhe despertasse a dor de cabeça, que para vir Amy tomou vários analgésicos. Vez ou outra franzia o cenho com o barulho da guitarra ou da bateria, levando a mão sobre uma orelha para abafar o som.
Encontrou o bar e lembrou-se que ainda tinha dinheiro, mas não beberia até ficar tonta. Andou em direção ao mesmo, passando cautelosamente por um grupo de amigos que pulavam já totalmente bêbados. Não entendia o que aquilo havia de atraente.
Rolou seus olhos pelo bar e pelo corredor do banheiro, forçando a sua visão para enxergar melhor. Deu um pequeno riso sem humor ao enxergar Matthew junto a uma loira um pouco menor do que ele. A beijava intensamente, ato que parecia fazer a loira gostar, não viu muito sentido em ficar olhando para o amigo, balançou sua cabeça e andou até o bar, sentando-se em uma cadeira livre enquanto pedia um drink.
Manteve-se distraída e de cabeça baixa enquanto ouvia um cover muito bem feito de Nine Inch Nails. Mexeu no canudo de sua taça que embora não o usasse, continuava ali. Movia seus lábios vez ou outra para cantar uma parte da musica apenas para si, pensando que talvez não fora uma boa idéia ter vindo a essa festa.
- Hey! – Sentiu um toque animado em seu ombro e logo Matthew sentar-se ao seu lado. Estava bonito como havia reparado anteriormente, também usava listras só que apenas em sua blusa e eram cinza e pretas. Não pôde deixar de sorrir não muito animada, apenas Matt pareceu animado. – Você veio!
- Sim... – Falou um pouco mais alto, inclinando-se para o lado para que o homem pudesse ouvir. Tomou outro gole do seu drink. – Mas você estava junto a uma mulher, eu não quis interromper.
Matthew tentou falar algo mas soou visivelmente desconcertado, Amy apenas sorriu e manteve-se na posição que estava antes de Matt chegar.
- Eu vim buscar dois drinks – O homem tirou o dinheiro do bolso e pediu a um garçom quando o mesmo ficou livre para ele – Eu vou levar um pra ela, e já volto aqui.
- Não! – Amy soou estranha, fazendo Matt afastar-se não muito. A garota tentou consertar, mas de fato queria a companhia do maior. – Digo, onde ela está agora? Você estava com ela, vá ficar com ela. Tudo bem.
- Retocando a maquiagem – Matthew disse, fitando a Amy e estranhando sua preocupação. De fato havia gostado de Val, mas nada mais do que isso. Não queria algo com a loira. – Okay, se você diz...
- Eu sou mulher, eu a entendo. Okay? – Deu uma risada sem humor, não entendia e não faria questão de entender. Mas colocou-se no lugar da loira e achou que aquilo não seria algo que realmente gostasse que fizessem consigo. – É a mesma? Que te ligou quando estávamos na Starbucks? – Matthew surpreendeu-se com o fato de Amy ainda lembrar, apenas maneou a cabeça e sentiu vergonha. Não acreditava que Amy estava abrindo mão de sua companhia, queria ficar ao lado dela. – Apenas um encontro, não é?
Talvez fosse o momento de se afastar e levar o drink a Val. Sentia-se estranho por estar com ela e querer estar com Amy. A indireta não lhe caiu bem, era como se tivesse uma pequena ponta de ciúmes na frase que acusava Matt. Mas sabia ele que Amy nunca havia dado a ele indireta alguma, talvez só estivesse com ciúmes da companhia.
Tirou a nota do bolso e pagou as bebidas, massageando sua nuca antes de direcionar um olhar a Amy e pegar as bebidas para sair. A morena suspirou, afastando sua taça e achando que já estivera na festa por tempo o suficiente.
Levantou-se para sair, mas alguém havia sentado ao seu lado e lhe direcionado o olhar. Amy entortou seus lábios, esperando o passo da pessoa a sua frente e não tendo certeza se deveria falar oi.
- Posso te fazer companhia? – Disse ele, mantendo os olhos fixos na expressão da morena – Vi que estava sozinha, podemos conversar.
- Eu estava de saída, mas ok – Amy ajeitou-se novamente no banco e cruzou as pernas, pedindo um segundo drink.
O homem insistiu em pagar, deixando Amy levemente aflita. O mesmo perguntou seu nome e Amy descobriu que ele se chamava Troy. Seus cabelos batiam no ombro e haviam a cor dos cabelos de Amy, o que lhe fez sorrir.
Troy se mostrou extremamente gentil e divertido, não estava bêbado. Aos poucos começou a cativar Amy que retribuía a conversa de forma animada. Nem percebia o tempo passar. Teve o senso de parar de beber, não iria dar trabalho e nem mesmo cometer algum tipo de burrada.
Por outro lado, Matthew mantinha seus olhos fixos em Amy enquanto Val corria a ponta dos dedos sobre o peito do maior por cima da blusa. A sensação estranha ainda continuava e não tinha certeza do que realmente devia fazer. Observou Val que sorriu, a loira havia pedido para ir até a casa de Matt e ele sabia bem a intenção, mas não tinha vontade.
Apenas sentia vontade de continuar olhando Amy e a forma que a morena falava com o homem, lhe deixando tenso. Agora, o mesmo deslizava os dedos pelos fios da garota fazendo Matt fechar a expressão e sentir uma extrema vontade de andar até ali e lhe dizer o quão indelicado estava sendo.
Virou sua garrafa de cerveja de uma só vez, assustando Vallary. Segurou o rosto da mulher com cuidado e não ligou para o som grotesco da musica ruim que estava tocando.
- Você precisa ir agora – Disse ele, não era o tipo de homem gostava de brincar com mulheres, mas o caso era totalmente diferente. – Foi bom, mas acabou.
Levantou seus olhos novamente em direção a Amy, a mesma abaixou seus olhos como quem recebe um elogio, sorrindo de lado naquela forma fofa que Matthew geralmente a fazia ficar. Apertou seus punhos, sabia que iria causar uma briga e não entendia o motivo de tanto ciúmes.
- Matt... Eu achei que nós dois – A mulher protestou, mas o homem apenas beijou sua testa e a largou, perplexa, pisando forte em direção a Amy.
Bateu seu corpo contra diversas pessoas enquanto percorria o caminho, fazendo até mesmo algumas lhe xingarem de estúpido. Parou atrás da morena, fazendo Troy parar de rir e levantar seus olhos para o homem que mantinha uma expressão rígida de poucos amigos.
O moreno sabia que não conseguiria combater se dali saísse uma briga. Matt usava uma blusa de listras, mas devido aos seus músculos a mesma ficava justa. Podia perceber tatuagens que cobriam seus braços expostas, não pode deixar de fitar o homem. Estava nervoso e isso era visível.
Amy virou-se de costas, arqueando uma sobrancelha em uma expressão confusa ao ver Matt ali. Cruzou suas pernas e notou o quão rígida estava sua expressão, lhe deixando preocupada.
- Acho que você está incomodado – Disse Matt, em um tom firme para o rapaz. O mesmo deixou um riso de deboche escapar e Amy temeu. Seu punho fechou-se, deixando o nó dos dedos duros.
- Matt, eu acho que... – Amy levantou-se, levando a mão ao peito do amigo quando Troy se levantou também. Seria impossível Amy sozinha impedir que algo acontecesse, tentava afastar Matt, mas empurrava seu peito duro e sentia como se nada adiantasse.
- Nós estávamos de boa, cara. Não vi ninguém com ela – Troy deu de ombros, sarcástico, e Matthew avançou um passo. Amy de um soco não muito gentil no peito do amigo – Ela se divertiu, não estava incomodando.
- Mas ela está acompanhada e agora eu cheguei, porra! Você pode ir embora antes que eu acabe com esse seu rosto e o máximo que você consiga pegar seja um resfriado. – Amy tremeu diante das palavras, não entendia o motivo de o amigo reagir assim. Ele estava com outra mulher, era ok que Amy conversasse com outro cara.
Levantou seus olhos para Matt, nunca na vida o vira tão nervoso. Pensou que talvez o homem estivesse bêbado, mas suas palavras soaram agressivas demais. Franziu o cenho, virando-se novamente para observar Troy. Naquele momento, não era apenas ela que observava.
- Da próxima vez cuide melhor do que é seu – Troy piscou presunçoso para Amy e deu passos de costas parar sair do local. Matthew avançou em direção ao homem, esbarrando na cadeira e em Amy que deu alguns passos para frente e voltou a forçar Matt para trás.
- Matthew, chega!
O homem por fim pareceu notar que Amy estava ali, aflita. Sua expressão relaxou em pena, talvez tivesse agido muito por impulso, mas não estava suportando o que sentia ao ver Amy conversando com o homem. Sua noite estragou, de fato. Também deveria ter estragado a de Amy, mas não pode se controlar. Sabia ele que a mulher não era nada a não ser amiga, mas não era de hoje que sentia-se diferente em relação a ela.
- Por quê?
Matthew também não sabia o porquê. Entreabriu seus lábios para responder, mas nada saia. O som da musica não lhe ajudava. Amy abaixou seus olhos de forma triste, soltando Matt e andando para fora do clube, entre as multidões. O homem levou um segundo para notar que deveria segui-la, sua cabeça estava rodando.
Lembrou-se de que gostaria que seus amigos a conhecessem, mas havia estragado tudo. Massageava de forma nervosa seus pequenos cabelos, saindo do clube com dificuldade devido o tumulto e a bebida.
Embrulhou seus dedos sobre o pulso de Amy, que virou visivelmente triste. Segurou o rosto da mulher, queria lhe pedir desculpas, mas daquela forma era impossível. Murmurou algo, mas Amy entendeu.
- Não – Disse ela, firme. O homem tentou protestar, mas Amy levou as mãos ao bolso da calça justa que Matt vestia, tirando dali as chaves e carteira. – Eu te levo pra casa.
Fazia tanto tempo que havia tirado licença para dirigir, rezou mentalmente para que não houvesse esquecido. Matthew guiou Amy até o estacionamento, parando ao lado de um carro que a mulher pode reconhecer ser uma BMW pelo símbolo sobre o capô, mas não sabia o modelo.
Adentraram o carro e Amy certificou-se de que havia ligado tudo antes de pressionar com o pé o acelerador. Matt deslizou as mãos pelos fios de cabelo nervoso, e olhou para baixo como quem fosse vomitar. Amy apenas o fitou de relance, voltando a concentrar-se nas ruas.
- Podemos conversar agora, Amy?
- Não – Amy trocou de marcha e manteve o tom de voz duro, fazendo caminho a mais por estar nervosa e não lembrar qual era a rua certa para virar. – Você não vai embora nesse estado.
Estacionou o carro na entrada de seu prédio, descendo junto a Matt que agora dava uns passos errados devido a bebida. Ativou o alarme e fitou o homem, analisando se realmente teria de lhe ajudar a subir. Matt apoiou-se no corrimão da escada e nada falou enquanto subiam com o passo de ambos ecoando juntos.
Amy procurou em suas próprias vestes a chave de seu apartamento e demorou um pequeno tempo para abrir devido a pouca luz. Matthew demorou a raciocinar porque não conseguia tirar seus olhos de Amy e a forma graciosa que ela se movia, mesmo estando com raiva.
Matthew reparou que o apartamento era pequeno, mas visivelmente confortável. A sala tinha um clima levemente escuro devido aos móveis e tapete, mas as paredes eram brancas e o piso de madeira. Amy deixou todas as coisas sobre a estante, girando seu corpo para fitar Matt que levantou seus olhos na direção de Amy e manteve os ali, presos.
- Nós podemos conversar amanhã? Você dorme aqui, eu arrumo o sofá pra você – Amy apontou e Matthew fitou o sofá maior, sabia que aquele espaço não daria para uma boa noite de sono. – Acho que você não está em condições.
Matthew quis protestar, mas preferiu ficar quieto. Não estava tão bêbado como Amy pensava, conseguia raciocinar e lembrar-se de tudo que viu até ali. Queria conversar agora, mas o que lhe diria? Que teve uma crise de ciúmes por lhe ver conversando com outro homem e a partir daquele momento, não queria que mais ninguém se aproximasse?
Não era mentira, nem meia mentira. Estava se torturando por isso. Deu alguns passos pela casa e Amy apenas torceu a expressão, sumindo pelo corredor. Sentia-se pateta, não tinha o direito de fazer o que tinha feito. Estava com Val e Amy sozinha, mas havia lhe convidado. Também sentia-se magoado com Amy pela morena ter retribuído a conversa com homem, animada. Mas como iria falar aquilo? Ela riria na sua cara.
Não demorou a Amy aparecer com um edredom azul macio e travesseiros fofos que lhe cobriam parcialmente a visão por trazer no braço. Matt avançou para ajudá-la, esbarrando sua coxa contra o sofá que se moveu.
- Amy... – Chamou o homem, tirando as coisas de seus braços e lhe fitando incerto sobre o que pediria. Respirou fundo e Amy cruzou seus braços, não parecia brava. – O sofá é pequeno demais pra mim.
- Eu não tenho outro lugar pra você dormir, Matt... – Amy deu de ombros, observando tudo a sua volta enquanto voltava a falar – Só meu quarto, mas não tenho colchão reserva.
Houve um denso silêncio e Amy pareceu compreender o que Matthew falava. Franziu o cenho pensando na possibilidade do amigo alterado dormir consigo e no que havia acontecido há um tempo atrás.
Relutou em meio a pensamentos, mas resolveu ceder enquanto indicava para Matthew o corredor antes de apagar a luz. O homem pôde reparar o quarto da morena, que estava levemente bagunçado com seus livros e notebook sobre a cama, mas estava um pouco alterado para se importar. Amy guardou tudo embaixo da sua cama e deixou o notebook desligado sobre a poltrona ao lado. Matt sentou-se sobre a cama e começou a despir seus calçados enquanto Amy indicava o banheiro.
- Eu já volto.
Retirou sua blusa justa e deixou sobre o chão junto ao tênis, pensando se deveria fazer o mesmo com a jeans. Deu de ombros, e rapidamente abaixou a calça, adentrando o edredom que Amy provavelmente usava para se cobrir. A morena também não tardou a voltar ao quarto, vestia pijamas de verão e nem havia se ligado que Matthew havia tirado suas roupas.
Não estava completamente nu, usava boxers. Esperava que aquilo não fosse um incômodo e que não lhe atrapalhasse no meio da noite porque achara o pijama de Amy realmente sexy. O short vinha acima do meio da coxa e era justo, com uma regata branca que deixava a cintura exposta, sua pele extremamente branca. Virou-se para o lado contrário, não queria ficar observando.
Amy apagou as luzes e tocou amigavelmente as costas do amigo, inclinando-se para beijar sua bochecha. Sussurrou algo que para Matt deu a entender um “Amanhã a gente conversa” e deitou-se novamente para o lado contrário.
Não sentia sono e nem mesmo tonto devido a bebida. Ficou preso em pensamentos e em como se sentia nervoso na presença de Amy. Queria virar e pedir desculpas por ter feito a noite da menor terminar tão depressa.
Sentia seu coração bater forte quando estava a sua companhia, não tirava seus olhos da expressão da mulher, de seu sorriso confortável e dos seus olhos bonitos que, para Matt, transbordavam paz. Como voltar para casa depois da guerra.
E de tão pouco tempo para cá se tornaram tão próximos, não sabia exatamente quando Amy tornou a ser seus pensamentos freqüentes e quando a saudades reclamava e lhe empurrava para ir vê-la em seu trabalho.
Respirou fundo, não queria dormir. Teria pesadelos e uma crise de ansiedade lhe faria estragar tudo, já que o clima não era dos melhores com Amy. Ficaria pensando, e nem se aquilo lhe matasse devido a confusão, não iria adormecer. Talvez estivesse apaixonado, mas seria um ato tão bobo justo agora, próximo de voltar ao Oriente Médio.
O talvez, pensando bem, tornava-se uma certeza, pois sentia todos os sintomas de uma paixão. O ar em seu peito pareceu faltar ao tomar um choque de realidade, mas como iria confessar seu sentimento? Amy parecia interessada em sua amizade, não conseguia notar sinais de um sentimento recíproco.
Torceu os lábios e virou para a direção de Amy na cama confortável. Fitou a mulher de costas e pôde ouvir o quão pesada estava sua respiração, já havia caído no sono. Sentia tanta vontade de abraçá-la e dormir junto a ela de forma que o ritmo de ambas as respirações tornassem um só, sentia falta disso. Nem mesmo com Val, com quem encontrou-se duas vezes, ficou para dormir.
Sentiu o cheiro dos fios negros e macios, correndo as costas dos dedos pelo quais estavam jogados sobre o travesseiro. Amy havia um perfume inebriante natural, não era de seu xampu ou de seu perfume, era de sua pele. Ousou o toque, correndo hesitante pela parte de trás do seu braço nu, jogado sobre a barriga. Não acreditava que estava deitado ao lado de um ser humano tão bonito.
Era como olhar para Amy dormindo e acreditar na existência de Deus, porque era tão perfeito.
Sentiu-se tão inferior, com medo devido ao pouco tempo que lhe restava ali, logo teria de voltar para a guerra. Tinha medo de não dar tempo de lhe dizer o que sentia... Nunca mais ter a oportunidade.
Em meio a pensamentos, dormiu. Sem pesadelos, sem sonhos ruins. Estava ao lado dela.
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