Guerreiros intergalácticos
24 Invasão inesperada
Notas iniciais
002 e 006 procuraram num deserto gigante para escoltar essas naves desconhecidas. Os sargentos fizeram um circulo em redor, e 5 Chefes de Estado ficaram entre eles para receber as honras da ocasião. Aruma e Diana chegaram junto com Mitsuo, Ruth, Miguel, Zezé e Alessandro, pois em desintegração eram campeões, e ainda não se sabia se essas naves ficariam em pé, ou, não. A qualquer sinal de perigo essa nave faria fumaça no ar, e avisavam do fato aos mandatários. Zesé falava-lhes que estavam ali para protegê-los. A televisão ficou junto deles, com lentes de longo alcance para registrar a descida, a qual ocasionou uma nuvem de areia repentina e um vento assustador, afinal, eram 2 cargueiros gigantes que pousaram de barriga no chão.
Arethi ficou em casa assistindo tudo na televisão com Alberta e as noras, todas de chinelos nos pés. Guilherme com os gêmeos estavam mais atrás com um café nas mãos, e as gêmeas ao lado da sogra, com o filho de Alberta entre elas pedindo chamego. Era um guri sorridente, que achava as gêmeas lindas. Um robô circulava entre todos com o café da manhã, frutas, bolachas, servindo-os nas mãos, educadamente. Mas, assim que as naves pousaram o ritual foi suspenso e todos ficaram atentos de olhos arregalados, pois 5 robôs saíram das naves olhando ao redor, sem saber quem era quem. 002 e 006 os acompanharam, e lhes apresentaram as pessoas importantes desse planeta, os 5 Chefes de Estado, elegantemente vestidos para esse momento pomposo. E um deles abriu um envelope dourado, puxou uma carta escrita com um idioma esquisito. 002 ajudou a traduzir em frente aos jornalistas, que não perdiam detalhes de nada, para o mundo ver: — “Para esse povo de canibais, que chegou ao meu mundo a roubar meus animais e meus homens para comê-los como churrasco, envio-lhes uma dieta digna de todos vocês. Amon-rá, Comandante de frota”.
Imediatamente uma nave abriu as portas expulsando lixo putrefato, fedorento, com minhocas gordas se mexendo e alcançando os guerreiros na primeira fila, enquanto a outra nave fazia o mesmo, simultaneamente, lançando estrume de humanos e de animais.
Tudo desapareceu no ar, desintegrado pelos olhos de todos os guerreiros, mas ficou o fedor dilacerante, que misturado ao calor do ambiente fez muita gente passar mal. E como a televisão gostava de dar detalhes de tudo, filmavam as pessoas fazendo cara feia, outras vomitando, outras sentadas no chão, muitas delas rindo com histeria. Principalmente Alessandro e Miguel, que no passado nasceram nesse planeta distante. O bom humor e as brincadeiras desse mundo louco não haviam terminado, não. Mas, será que eles conheciam esse tal de Amon-rá?
Na mansão as risadas não paravam, pois os gêmeos Adão e Moisés também haviam nascido nesse mundo, e contavam para todos que junto com Aruma Junior viveram os dias loucos da juventude. Falavam que haviam se suicidado juntos, os três, numa viagem intergaláctica, pois decidiram seguir os pais nessa guerra. Guilherme falava: — não! Morreram para vir para cá, por vontade própria? Não... vocês são loucos...
E, para descontrair Alberta invitou a Dina e todos os amigos para o almoço.
Arethi entrou na banheira para relaxar, pois tudo havia sido surreal. Depois escolheu o vestido mais lindo, mais fresco, pois essa cidade era quente. Colocou chinelos de dedo, uma novidade que amou, pois eram macios, era como caminhar sem sapatos. Ficava mais baixinha, mas isso não importava mais.
E o almoço aconteceu em redor da piscina, em baixo da lona gigante, decorada com fino gosto, com comida vegana desta vez. E, em meio de tudo isso, as piadas. Ênio não parava de gargalhar ao lado de Diana, uma das que vomitou em frente da televisão, e os gêmeos engasgavam de tanto rir. E, na descontração, entre as garfadas e os brindes com vinho, pouco a pouco Zezé foi organizando o que todos desejavam fazer de ali em diante. Os gêmeos queriam ficar com Aruma jogando bola, Alberta desejava levar Diana e Ruth para que desfilassem, pois era amiga da estilista que costurava as mais lindas roupas desse mundo. Miguel e Ênio queriam ir para umas ilhas no meio do mar, aos convites de um Chefe de estado. No fim das contas, sobravam apenas Alessandro e Zezé para fazer companhia a Comandante nas viagens oficiais, pois todo mundo queria se divertir. E Arethi os aposentou, podiam ser felizes, pois ela dava conta sozinha.
Em meio dessa confusão toda, 006 e Maristela, no maior chamego depois de dias separados, sentados num banquinho entre flores e passarinhos, decidiram unir suas vidas pela eternidade. 006 estava mais do que convencido que achara a mulher que o faria feliz em todos os sentidos, ela era meiga e o adorava, dava pare ver nos seus olhos essa paixão desmedida. E, como todo homem de um mundo superior, ele sabia que era uma vez na eternidade que se era amado dessa maneira. Maristela, que era uma solteirona empedernida, que nunca se apaixonara por ninguém além de seu trabalho, estava realmente derretida pelo homem mais belo que namorasse. Só havia namorado indivíduos que não chegavam à altura do tornozelo desse homem majestoso. E, de fininho, foram saindo dessa festa, dizendo adeus para os amigos, pois iam para a nave branca a casar em frente de “00”. Arethi lhes deu o tempo que quisessem para essa lua de mel, com um abraço carinhoso.
Enquanto isso, Diana soube finalmente o que era uma vida primitiva. Além de desfilar com a Ruth nas passarelas, ela foi jurada de concursos de “Misses”. Ter uma coroa na cabeça por causa da beleza era algo importante nesse mundo, pois havia escolas especializadas ensinando as meninas a caminhar como rainhas, falar como tal, sorrir encantadoramente, e desenvolver aptidões artísticas. Muitas seguiam a carreira de modelos de alta costura depois de uma disputa dessa magnitude. Diana sempre escolhia as mais talentosas, as mais inteligentes, e depois aplaudia em pé, pois essas cerimonias eram empolgantes. Como Aruma estava em campeonatos de futebol com os gêmeos, ela percorreu essa cidade palmo a palmo, fazendo propaganda de perfumes, dando entrevistas para jornalistas importantes, onde sempre lhe perguntavam dos porquês havia casado com um gigante tão escuro. Ela não conseguia convencer ninguém, que já era casada com ele de vidas passadas e que seriam marido e mulher pela eternidade. Isso sempre era seguido de risadas, pois nesse mundo poucos acreditavam que depois da morte havia um espirito que continuava a viver. Aliás, o que mais intrigava a imprensa escrita e falada era essa espiritualidade desses guerreiros, que eram superiores a eles na inteligência e nos poderes paranormais, mas que acreditavam nos anjos, e num tal “00” que era algo assim como o rei dos espíritos. Pouca gente em “Y” achava sentido nisso tudo. A física e as demais ciências explicava em detalhes como havia surgido o universo, a evolução dos animais, dos homens, e a crença de que deuses eram os criadores da existência, eram superstições superadas há milênios. Diana foi quem mais tentou explicar que a ciência explicava a origem da matéria, mas que o invisível, isso que os olhos não enxergam, existia tanto quanto o átomo, mas não se podia comprovar com uma máquina fotográfica.
As únicas viagens que Diana e Aruma fizeram juntos foi para as selvas desse planeta, rico em arvores, mais com apenas bichos miudinhos, lagartos, insetos, cobras pequenas, sapos, pois os homens haviam devorado os mamíferos aos milhares. E, por mais que a dieta vegana entrara com furor, ainda se comia coelhos, porcos e galinhas reproduzidos em fazendas. Diana se lembrou dos passarinhos de nutriente que se fazia em “X”, com saber de pássaro, forma de pássaro, quem sabe os carnívoros gostavam e deixavam as galinhas em paz. E com telepatia falou para Arethi:
— Faz contato com Enzo, e pede que nos envie a receita dos passarinhos de nutriente. E, vê se nossos químicos poderiam inventar algo que dê nojo ao comer carne. Um líquido sem sabor de nada. Estas selvas não tem futuro enquanto os mamíferos forem caçados. E eu queria ver os nossos bichos se multiplicando nestas selvas. O que achas?
— Vamos fazer uma coisa de cada vez. Gostei da ideia dessas formula que dê nojo, quem sabe jorramos nos rios que nutrem a água das cidades... seria bom demais... O pior é que a carne de porco é deliciosa. Vamos pedir para Enzo que os gênios em culinária nos inventem o file de porco.
— Ótimo! Envia-me um casal de veterinários. Tem uns macacos anões que com uma troca de DNA podem dar filhos maiores. Pede para 002 que compre uns 300 coelhos e manda junto. E exige para os mandatários uma proteção ambiental para estes matos...
— Isso eu faço já, já... vou também pedir que lancem frutas sobre as selvas, pois se os repteis se alimentarem melhor, elas também vão crescer...
E as coisas foram acontecendo aos poucos, pois desta vez Arethi era apenas uma diplomata vindo das estrelas, e para convencer um mandatário a fazer alguma coisa era com paciência, com calma e com hipnoses quando via que nada daria certo. Ela convenceu muitos Chefes de Estado a espalhar com helicópteros as frutas e os legumes que os supermercados lançavam como desperdícios nos aterros da cidade. Em troca ela prometia trazer seus bichos que deambulavam nas suas naves, mas não para serem comidos, senão que para serem bem alimentados. E mostrava fotos dos cavalos brancos, magníficos, dos gatos manchados que corriam pelas naves aos cuidados de robôs, dos cachorros, das iguanas, das cobras da horta, dos patos, dos gansos, pois ela contava que quando um guerreiro se perdia na imensidão seus bichos os acompanhavam. Alguns para fazer a multiplicação das lavouras, pois os animais eram agricultores, responsáveis de enterrar as sementes no chão depois que as defecavam. Já outros para dormir na cama dos guerreiros. Como eles se multiplicavam, iam se espalhando pela nave aos cuidados dos robôs, que limpavam seus cocôs, lhes davam banho e os alimentavam.
Desta maneira, paralelamente, foi feita em “X” com empolgação a carne artificial, com gosto de galinha, forma de coxas de galinha, ou, metade de uma galinha, com moldes fieis a anatomia delas. Melhor ainda foi fazer o filé de porco, com gosto de porco, que frito na grelha dava água na boca. Quando esse material chegou a mãos de Arethi, ela escolheu dez empresários de fabricas de alimentos para fazer degustação, num almoço no hotel onde estava se hospedando. Depois ofereceu para os empresários uma troca, ela lhes dava a fórmula dessa comida, com a promessa deles cuidar de seus animais em meio do mato, com veterinários e alimento abundante. Dias seguintes caminhões para recolher legumes e frutas descartadas para consumo humano, foram enfileirando em frente aos supermercados e feirinhas de dez cidades, para lança-las nas selvas mais fechadas de “Y”.
Todos os animais das naves, com implante de lentes nos olhos para suportar a luz dos Sois, foram sendo trazidos aos poucos. Nas hortas das naves sobraram apenas os insetos, abelhas e alguns passarinhos. O mínimo necessário para a polinização. Os cavalos ficaram na empresa de cremes de Bernardinho e de seu sócio 002, lado a lado com os porcos que já deambulavam no ambiente. Também Saula fizera uma pequena lagoa onde ficaram nadando alguns cisnes, patos, gansos, e algumas galinhas próprias desse mundo. Afinal, nada mudara nessa empresa, os matagais da fazenda eram intermináveis, e com a chegada dos cavalos, das capivaras e das aves, estava mais para um zoológico a céu aberto.
Enquanto Arethi se dedicava aos cuidados de seus animaizinhos, os Reis de “X” percorriam países importantes, firmando tratados de paz, distribuindo convites para visitar seu mundo, e mostrando os avanços nas ciências, nas artes, através de documentários, revistas e fotografias. Os Reis enfatizavam que aceitariam de bom grado uma troca de estudantes todos os anos, pois esses mundos dali em diante seriam irmãos.
Mas, os mandatários de “Y” fizeram questão de fazer um simpósio mundial, para homenagear esses Reis saídos de contos de fadas, pois eles exibiram seu guarda-roupa de 80 visuais diferentes, em cada reunião com gente importante. E para isso eles organizaram um “Fórum mundial de nações” com Ênio como emissário do mundo de “W”, os Reis de “X” e Arethi como representante dos amigos das estrelas. Desta vez Arethi pediu a Fábio vir acompanha-la, com alguns professores da Escola de guerra, pois ele deveria articular como diretor dessa Universidade.
O simpósio foi aberto pelo presidente desse país anfitrião, falando que a guerra era sinal de tempos passados, quando os homens de “Y” eram cegos e desconheciam a confraternidade universal. Falou que desde esse dia em diante os 3 mundos seriam irmãos, unidos por ideais análogos e que o intercambio econômico, artístico e esportivo seria uma constante na vida de todos eles. Também falou sobre a “Escola de guerra”, primeira iniciativa que os havia unido definitivamente. Agradeceu a Arethi por tudo, engrossando a voz pelo sentimento e invitou que os guerreiros usassem a palavra.
Fábio discorreu sobre poucas coisas, apenas que sentia o coração leve pelos tempos atuais, com Reis e mandatários que antigamente eram inimigos, mas que agora se uniam como irmãos. Em seguida falou que os futuros guerreiros da escola, protegeriam a todos, como um povo só, e que a Escola de guerra estaria nessa Lua pela eternidade, sem armas, apenas com a destreza desenvolvida durante seu aprendizado. Ele foi aplaudido em pé.
Depois falaram os Reis de “X”, enfatizando que as magoas eram coisas ultrapassadas. Um Rei falou que em seu mundo a “pobreza” era coisa do passado, pois nesse exato momento caminhavam para um futuro onde todos os homens seriam iguais. Trabalhariam por amor ao conhecimento, a sapiência, e não mais pela ganancia, nem pelo desejo de ter mais do que o vizinho. Pois o que se pretendia com as reformas econômicas eram que todos os homens fossem ricos. E faziam questão de mostrar essa sociedade sem dinheiro, para quem quisesse ir os visitar. Um “UAUUUU” saiu da boca de todos em uníssono. Depois foram aplaudidos por longo tempo.
E, para encerrar Arethi, que derramara lágrimas de emoção, ficou em frente a esse público enorme tentando se acalmar. Disse para quebrar o gelo: — nós tampouco trabalhamos pelo dinheiro. E em seguida falou que no dia que saíra de seu mundo, achava que seu papel seria assessorar o marido, o verdadeiro Comandante da frota, mas, que o destino, que está além da vontade de todos os homens, a havia colocado no comando dos guerreiros, e a única coisa que havia escutado durante esses últimos anos era seu coração. E que essa voz que vem do interior a haviam guiado durante os combates, onde infelizmente não conseguiu salvar a vida de todos os homens. Falou que os tempos de paz havia lhe mostrado que a diferença entre os seres humanos, seja na primeira, seja na oitava dimensão, eram mínimas. Todos possuíam a imagem e semelhança de “00”, o Nº 1, o primeiro na criação universal, diferentes na cor – riu dela mesma, por ser escurinha – e no tamanho, – apontou para Fábio ao lado e para ela mesma – mas que todos eram iguais, com os mesmos anseios de paz e de amor. Disse que em seu mundo eles gostavam de fazer festas, namorar muito, beber um bom vinho, comer até enfartar, e que havia descoberto que nesses 3 mundos as pessoas gostavam das mesmas coisas. Depois agradeceu essa homenagem, esse dia maravilhoso de convivência, e terminou acrescentando que no dia da partida iria feliz com a sensação do dever cumprido. Assim que terminou de falar seu informe branco se encheu de tantas estrelas, que mais parecia vestido de carnaval.
Depois de aplaudir Arethi por longo tempo, a festa mudou de lugar, para um salão com um banquete fantástico. Os Reis de “X” com 5 estrelas no peito cada um, perguntavam para Arethi o que isso significava. E ela contou-lhes rindo: — encrenca, vão ser promovidos para meu mundo. Com certeza vão ser guerreiros. Ênio, que carregava 5 na gravata, riu ao lado dos Reis e disse: — eu também vou para lá, e não sei se estou gostando disso, não...
Durante o banquete tudo foi alegria. Guilherme e 002, sempre entre festas importantes, sentaram ao lado de Arethi, acompanhados das esposas, pois se falava que o banquete seria vegano, mas diferente. E foi assim mesmo. A entrada era uma casquinha de massa de milho, com uma bola de maionese agridoce por cima. Arethi mordeu a casquinha, gostosa, que desmanchava na boca, junto à maionese que em nada se parecia à maionese dos robôs. Em seguida foi servida uma pequena coxa de galinha asada, com um molho escuro por cima, derramado em forma artística, com uma flor comestível. No prato seguinte, foi servida uma bisteca de porco, com 3 batatinhas douradas, miudinhas, e molho agridoce enfeitando o prato. Seguiram na sequência um prato com 3 medalhões de massas recheadas com cremes, e 3 sobremesas, uma mais gostosa que a outra. O sabor e a textura da carne de porco e de galinha eram tão fiéis, que custou acreditar que isso não passava de “alguma coisa” inventada pelos guerreiros de Arethi.
Arethi estava com estômago estufado. Colocou uma mão na cintura, e com cuidado desintegrou metade do comido. Depois bebeu o champanhe, delicioso, que só a faziam pensar em seu amado. Afrodisíaco. Levaria uma garrafa para a suíte. Guilherme, ao lado dela, sem desintegrar comida nenhuma, bebendo mais do que de costume, falava no ouvido de Alberta que sairiam dali direto para um motel. Fazia tempo que não davam uma fugida, e ele estava com apetite de chamegos. Alberta o beijou na boca, para fazê-lo calar e não passar vergonha. Os Reis de “X” estavam com medalhão tradutor no pescoço, e podiam ouvir tudo.
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