Guerreiros intergalácticos
25 A CETA intergaláctica
Notas iniciais
Longe desses compromissos de Arethi, 006 foi chamado com telepatia para falar com Silvio através do “Espelho falante”. 006 estava casado, mas sem filhos, e por ser Espião estava liberado do compromisso do suicídio. Por tanto, podia fazer mais um roteiro intergaláctico.
E em frente ao “Espelho falante”, 006 esperou com paciência que Silvio aparecesse. Era a primeira vez que o veria depois de finado. Assim que a imagem ficou nítida, 006 perguntou-lhe se a vida de defunto era tão triste assim. E Sílvio falou-lhe:
— Para quem morre sozinho, sim, mas tem uns casados que ficaram por aqui, que não querem reencarnar nunca mais. Também tem os viúvos como eu, que só desgrudam da mulher enquanto elas trabalham. As naves estão cheias de falecidos.
— E o que queres de mim, afinal?
— Um favor. Na quinta Dimensão, há um mundo em perigo no Sistema CHI. Eu escutei com clareza uma Santa de “Z”, de um planeta que agonizava pela falta de tudo. Ela gritava por socorro e eu queria saber se te aventurarias a ir dar uma olhada.
— Mas, eu sou Espião, não sou jardineiro nem engenheiro.
— Mas tua mulher sabe tudo de geologia, agronomia, é especialista em recuperar jardins, matos, é só um palpite meu. Levem sementes de árvores fortes, de capim, larvas, ratos, cobras, baratas, aliás, Maristela gosta muito de bicho...
— Eu teria que desacoplar 3 cultivos completos. É possível, sim. Faço um comboio com uma lavoura encaixada na outra, com minha nave na frente puxando-as. Mas, não te garanto sucesso. Vai ser um tiro no ar.
— Sei disso. Depois, se não dá certo, pelo menos tentamos.
— Vou, sim... falo disso tudo para tua mulher?
— Ela já está sabendo, ela te dirá quais as hortas que podes desacoplar.
— Então, estou partindo... nem sei se nos veremos de novo....
— Acho que sim... eu vou para “A de ALPHA” e acho que tu também, quem sabe sejas meu neto...
E Silvio desapareceu como fazem os anjos, luminoso, lindo, cheio de estrelas no corpo todo.
Na saída do templo, Maristela deu-lhe um beijo e ficou esperando pelas novidades. Ela nunca espionava na cabeça de 006. Ele era um Espião, e embora fosse casada com ele, a hierarquia superior era dele. E escutou-o:
— Está pronta para ser a “patroa”, meu amor?
— Hum... vai rir de mim, agora?
— Falo sério, minha querida, vamos viajar numa missão suicida. Está pronta?
— Casei com você pensando ir para seu mundo, ter uns 50 filhos, e agora você me sai com essa?
— Amor, somos guerreiros. Se tudo der certo, vamos depois para meu mundo e eu encho sua barriga de filhos... mas, vamos no telescópio, temos que procurar um planeta que está morrendo com a falta de tudo. Ar limpo, selvas, comidas, tem uma “Santa” que pediu socorro para Silvio e vamos lá dar uma espionada.
— Amor, um mundo que agoniza dessa maneira explode como uma bomba. Podemos chegar à meio da explosão...
— Está com medo?
— Tó, na verdade sou bem covarde. Só cuidei dos cultivos até agora. Tirar presos das cadeias foi meu único ato heroico nessa guerra.
006 sentou na escada, puxou-a junto de si, deu-lhe um beijo doce, acariciou lhe os cabelos, enquanto Maristela continuava a conversa:
— Fala que é tudo mentirinha... vai...
— Não é meu amor... Mas, pode pedir o divórcio, fica nessa mansão de Saula, com a gatanhada, os cachorros, os periquitos e eu vou sozinho com um robô geólogo...
— E vou deixa-lo livre para uma mulher corajosa? Nem pensar! Vou para o massacre, morro com você, mas cuida de mim um pouquinho...
— Vou! Agora vamos trabalhar.
006 pegou-a no colo, subiu os últimos degraus dessa escada, sentou no assento mais alto, escudrinhando a escuridão, com Maristela em pé, abraçada nele, quietinha para não o distrair. Fechou os olhos, sentiu seu cheio de homem, e se disse a si mesma que nunca mais na eternidade conseguiria viver sem esse corpo junto dela. Apertou-o um pouquinho, e esperou com paciência que 006 terminasse sua visão universal, para beijá-la.
E ele viu finalmente:
Ao lado de uma constelação em forma de mosquito, 006 encontrou “Z de CHI”. Calculou a duração dessa viagem — pouco em tempos galácticos — e finalmente se virou para Maristela. Desceu desse assento, carregou-a fora desse telescópio e caiu na piscina com ela rindo, beijando-a, para descontrair dos dias futuros. Depois foram até a suíte, para continuar no chamego, ate que Maristela desmaiou que nem passarinho com a cabeça deitada no seu ombro. Deixou-a descansando e em seguida saiu a escolher as hortas.
A despedida de 006 e Maristela aconteceu na mansão de 002, com Guilherme, Bernardinho e Vitor de convidados com suas famílias, junto a todos os guerreiros dessa cidade. 004 deixou os Reis sozinhos naquele dia e foi se despedir do amigo, com o qual havia realizado o trabalho mais pesado de todos, espionar os 3 mundos e assessorar Arethi em tudo. Os três eram como uma família, e embora todos tivessem como planos para o futuro voltar para “E de ALPHA”, não sabiam se far-nos-iam nos mesmos tempos. Mas, numa outra vida porvindoura, em “A”, seriam com certeza amigos para a eternidade, e quem sabe irmãos verdadeiros. Afinal, “00” tinha por costume nunca separar a aqueles que se amavam de fato.
Maristela partiu com nariz inchado de tanto chorar. Além do que, deixou com Saula seus gatos, seu peixe Beta, a tartaruga que ganhara de Arethi, pois só podia levar para esse planeta moribundo o que havia nas agricultas, passarinhos polinizadores, abelhas, moscas, pernilongos, salamandras, iguanas, cobras, baratas, sapos, borboletas, gafanhotos, morcegos, e a lista de bichos microscópicos que ninguém se dava o trabalho de espionar, mas, que eram os guerreiros quando se tratava de ressuscitar uma terra infértil.
Ao amanhecer, um raio de luz desceu da nave preta, e eles subiram acenando para os amigos. Já nos comandos 006 organizou sua tropa composta de 3 robôs pilotos, 5 robôs demolidores de asteroides, um cozinheiro, um faxineiro, 6 agricultores, e os colocou a trabalhar. Depois se fechou na suíte com Maristela, pois era sua primeira viagem pelo espaço como homem casado. Como solteiro sempre viajara dormindo congelado qual picolé. Mas, como casado, ele faria três coisas intercaladas, namorar, dormir e comer, conforme o que seus corpos aguentassem, e para descobrir isso, colocou um cronômetro a funcionar para marcar os tempos. Deitou suavemente por sobre sua mulher, que ainda chorava que nem bebezinho, para grudar a boca no pescoço. Depois sentaram no assento erótico, onde balançaram até Maristela desmaiar. 006 observou as horas no cronômetro, o que deu 35 horas de amor, de acordo ao horário estelar. Programou esse cronômetro mais uma vez, e dormiu com ela abraçado, até que acordaram naturalmente. Ao acordar, examinou novamente esse medidor de tempo e percebeu que deram 40 horas de sono profundo.
Chamou o robô com um banquete de comidas, e jantaram em frente a uma janela contemplando a beleza universal. As luzes passavam uma trás outras, como uma festa popular com fogos de artificio. Adentraram na piscina térmica em meio dos corredores, onde se refrescaram, beberam vinho trazido pelos robôs, depois correram pelos corredores como guris, fizeram amor por sobre a mata de uma horta, como dois primitivos e jantaram sobremesas e gostosuras em tacas de cristal, que foi trazida pelo robô cozinheiro. 006 desintegrou as fezes de ambos colocando a mão na barriga. Depois foram ate a sala de pilotagem, para ver o trajeto. 006 corrigiu a direção, e regressaram para a suíte. Colocaram um filme na tela da parede, com um filme engraçado, uma comédia que os fez rir até engasgar. Deitaram na cama para dormir, e 006 viu que haviam transcorrido 60 horas desde que acordaram pela manhã. Programou desta vez um relógio despertador, para tocar após 40 horas noturnas, intercalando para um espaço maior de 60 horas diurnas.
O resto da viagem foi uma repetição disso tudo. Cada vez que sentiam o barulho desse relógio era para ir deitar, ou, era para acordar. Tinha vezes que ficavam às 60 horas diurnas acordados na cama. Faziam tudo ali. Comiam, namoravam, comiam, ou, simplesmente ficavam abraçados na cama, oras olhando televisão, oras só se beijando sem descanso. Era delicioso. Quando o relógio os enviava a dormir, eles fechavam os olhos e eram possuídos pelo devaneio. Quando o relógio tocava anunciando o novo dia, ele perguntava para sua mulher:- saímos da cama, ou não?
Longe dessa farra de volúpia interminável, os gêmeos Adão e Moises abandonaram os dias de bonança ao lado de Aruma, e regressaram com suas esposas para a Universidade de guerra para continuar suas funções de educadores. Já os Reis de “X” regressaram para seu planeta com 004 e Xixim, carregando presentes lindos desse mundo. Eram 5 limusines, que se podia usar na superfície do planeta, mexida com energia solar. Também 5 iates de passeio, pequeninhos, que poderia ser usado nos rios maiores. E muitas joias com pedras preciosas, apropriadas para a realeza.
Ênio ficou em “Y” na mansão de 002 assessorando Olaf e a China, que estavam entre os organizadores da CETA intergaláctica junto aos 50 estudantes de “X”. Ênio era consultado sobre tudo. Perguntavam-lhe sobre os esportes que estariam chegando desde “W” e também era invitado a supervisionar as instalações desses visitantes, dando algum conselho isolado, como, por exemplo, que em “W” se bebia café antes de dormir. Isso arrancava risadas dos organizadores, pois os universitários de “X” bebiam chã de manhã, ao meio dia, de tarde e de noite e em “Y” os jovens preferiam o refrigerante.
Além dos detalhes sobre os costumes alimentícios, o maior problema dos organizadores era que os 3 mundos praticavam esportes diferentes. Eles só empatavam no Box, natação, nas lutas livres, tiro ao alvo com dardos, além de corridas variadas. Cavalaria, voleibol, corridas de resistência, saltos ornamentais na piscina, ginastica artística, saltos de distância e de altura, só existiam em “W”. Kung fu, lutas de espadas, tiro ao alvo com arco e flechas, e karaté, só as havia em “X”. Futebol, tênis, basquete, golfe, lançamentos de discos, levantamento de pesos, só em “Y”. Então foram organizadas eventos de exibição para conhecer todas as modalidades, e os 3 mundos fariam concorrência entre todos nas lutas livres, Box, “tiro al alvo” com dardos e com arco e flechas, e corrida de 100 metros rasos.
Arethi, que sempre era informada de tudo através da telepatia, continuou na mansão ao lado de Alberta, junto com Diana fazendo coisas de mulheres ricas. Durante a tarde deitavam na beira da piscina tomando banhos de Sol, pois depois disso chegavam às massagistas, que as banhavam de óleos refrescantes, e davam massagem para modelar seus corpos, que já eram perfeitos, mas, que eliminavam gorduras na barriga e nas coxas. Iam para cabelereiros, geralmente quando havia um jantar com amigos, e acompanhavam os maridos ciumentos vestidas de rainhas. Afinal, Ruth ganhava dúzias de vestidos cada vez que subia numa passarela. Alberta escolhia os mais lindos, como guria ganhando brinquedos, e Arethi entrou na moda junto com elas, experimentando o que já possuía e o que era novidades. Invitava Miguel, para acompanha-la nessas festas regadas a vinho.
Mas, a CETA intergaláctica mexeu com todos, pois foram chegando delegações de “W” e de “X”, que foram sendo instalados em Hotéis em bando, e todos os guerreiros tiveram que cooperar, principalmente na distribuição de colares tradutores de idiomas e nos transportes dos competidores entres os 3 mundos.
Os magnatas patrocinadores do acontecimento do milênio — Guilherme entre eles — supervisionaram a instalação das máquinas de “Y” para exposição em grandes galpões. Numa Galeria de 5 andares, colocaram obras de artes e deram a concessão para 50 restaurantes de prestigio para servir aos invitados, com compromisso de servir somente comida vegana. E em todo canto, eles instalaram máquinas caça-níqueis para recuperar parte do dinheiro investido em tudo isso.
Os empresários de “W e de X” foram os primeiros a chegar, trazidos por pilotos da frota de guerreiros. Todos com as máquinas mais modernas de seus mundos. Elas foram instaladas com a ajuda de um exercito de operários, que carregavam um colar tradutor de idiomas, e de Olaf , China e os universitários, que socorriam aos visitantes de “X”.
Mas, a maior atração foi à chegada dos atletas. Os guerreiros os faziam descer numa avenida grande, para que eles caminhassem até o estádio acenando para o público, o qual se apinhava nas calçadas em redor. Os jovens de “W” com seus cavalos arrancaram gritos e berros da multidão, pois os bichos eram diferentes aos cavalos brancos dos guerreiros, pequeninhos, gordinhos e de pernas peludas. Os cavalos de corrida eram gigantes esguios de pernas finas, pele brilhando, com selas por cima para montaria. E os cavaleiros vestiam roupas especiais, com boné na cabeça, e as mulheres mostravam longos cabelos trançados nas costas. E essa juventude de “W” era linda. Altos, esguios, magros, e solteiros em busca de diversão, ou seja, namoro onde for e com quem desejasse experimentar.
Os esportistas de “X” chegaram depois, a maioria trajando o quimono de karaté e de kung fu, com uma cinta na testa e uma faixa colorida na cintura de cores diferentes. Os demais atletas carregavam arco e flecha nas costas, com uniforme especial. Os lutadores de esgrima trajavam uniforme branco, uma espada pendurada na cintura e com um capacete embaixo de um braço. As mulheres foram as mais aplaudidas, baixinhas, olhos misteriosos, penteados artísticos, com uma flor acima da orelha.
Para que a juventude se conhecesse, foi instalado no estádio um salão gigante com baladas diárias até a meia noite, com luzes coloridas, músicas alegres para rebolar, e refrigerantes, pois beber cerveja estava fora de questão. Nos 3 mundos era proibido beber antes de qualquer competição.
E a CETA foi inaugurada com a “Feira de ciência” num grande galpão. Na entrada desse grande depósito, os Chefes de Estado de 50 países diferentes se posicionaram um ao lado do outro, e um deles falou em nome de todos, agradecendo a chegada das visitas de outros mundos, enfatizando da importância desse encontro. Em seguida, Arethi foi invitada a cortar uma faixa cor verde, com uma tesoura. As portas se abriram, e um mar humano entrou para ver os inventos que já conheciam, e aqueles que chegaram desses outros mundos.
No centro da feira estavam os robôs de “X”, lindos, menores, pois todos eles eram “babas”. Só serviam para trocar fraldas aos bebês, dar banho, brincar com os garotos maiores, e imediatamente começaram a arrancar gritos entre a garotada em redor. Eles tomavam meninos no colo, ou, sentavam-nos sobre os ombros e caminhavam com eles, ou, corriam atrás de um guri numa diversão eterna. Ao lado, estavam os robôs de Guilherme, servindo vinho em bandejas, pãezinhos com paté, bolachas, vestidos de Garção. Aruma, Miguel e Ênio ajudavam aos robôs trocando bandejas prontas, assinalando lhes as autoridades importantes, pois os Chefes de Estado estavam fascinados, ao lado de Alberta e Guilherme, querendo instalar franquias em seus países. Guilherme tinha uns 20 convites, de vários lugares do mundo, nas primeiras horas dessa exposição.
Mas o setor que enlouqueceu a mulherada foram os eletrodomésticos. Os fogões de “W” eram lindíssimos, alguns eram movimentados com eletricidade, já outros com gás. Mas os de “X” eram mágicos, ascendiam colocando um dedo sobre a boca, pois uma chama azul saia como mágica, e não queimava a mão de ninguém. Era uma luz fria. As geladeiras funcionavam da mesma maneira, nenhuma energia a vista, pois elas se alimentavam da força que saia do corpo de todos os homens. E nessa feira estava cheio de gente espalhando sua energia. Foi onde Olaf e a China mais trabalharam, pois as pessoas perguntavam sobre tudo, e a China mais prática, fazia funcionar liquidificadores com sucos, que os jovens de “X” repartiam, sorrindo. Já outras vezes as meninas faziam funcionar uma torradeira, preparavam sanduiches, que os rapazes distribuíam entre gente alvoroçada. Pelo menos 60 engenheiros de firmas importantes, de “W” e de “Y”, se interessaram em viajar a esse planeta para aprender essa tecnologia excêntrica.
Entre a exposição de “de tecidos e confecção”, os desfiles de moda chamaram também muita atenção, pois as roupas dos 3 mundos eram diferentes tanto nas telas de confecção como no designer. Os adereços como bolsas, luvas, chapéus, sapatos, eram também diferentes tanto no material como na criatividade. Em “W” se usava o couro de animais, e o couro artificial, tanto de bichos peludos como daqueles com escamas. Havia couro de vacas, couro de cobras, lagartos, jacarés, que nos tempos modernos eram na maioria imitação artificiais, por causa dos guerreiros, que choravam em público cada vez que eles olhavam nas ruas um casaco de pele de urso, ou de bisão. Agora, em “Y” tudo girava em torno das fibras naturais, como algodão, linho, linhagem e outras fibras desconhecidas, além da borracha. A linha “exercito” chamou atenção, pois os antigos uniformes de solados viraram malas para viagem, bolsas, cortinas, tapetes, colchas, que eram mostrados num Stand da fábrica de Guilherme. E em “X” a seda era a que reluzia e encantava nas vestimentas, pois nunca se vira algo tão delicado. Mas nos tênis esportivos, e nos sapatos femininos de “X” predominavam as fibras de plástico biodegradável e de borracha.
As modelos de passarela de “X” eram sensuais, luziam saias com cortes para mostrar a perna ao caminhar, flores artificiais enfeitando roupas, colares, cabeças, pernas, ou braços. Penteados volumosos, diferentes, armados com encanto, cheio de brilhos, coroas, enfeites diversos ou flores. As roupas de “W” eram as mais simples, e havia pouca diferença entre as roupas masculinas e femininas. As mulheres usavam terninhos, também se usavam minissaias com botas altas, e as bermudas em ambos os sexos. Os homens luziam muitas camisas floridas, com coletes por cima, lenços ao pescoço, mas num estilo mais para esportivos do que para elegantes. Já as roupas de “Y” eram um encanto. Nos homens ternos, camisas e gravatas com o rigor da elegância, e as modelos usavam vestidos esvoaçantes, cheios de babados, brilhos, a meia perna. Decotes sensuais insinuando os seios, ou, com um braço sem manga, ou decotes caídos. Os penteados artísticos as transformavam em rainhas da beleza. Poderia se disser que em “W” as mulheres eram lindas por natureza e que em “Y” eram belas pela produção e capricho na moda e na maquiagem. Já em “X” eram lindas por serem bonecas luxuosamente vestidas. Pelos menos, era os que os críticos de moda escreveram nas revistas mais importantes do mundo durante a CETA.
Ruth foi à modelo mais aplaudida na passarela mostrando as roupas de festa de “Y”, mas Diana preferiu assessorar Bernardinho e Evita na exibição dos cremes. Afinal, eram sua criação, e Bernardinho só ficou sabendo disso durante essa feira. Como Diana se negara a receber dinheiro, ele deu-lhe de presente uma limusine, com motorista a sua disposição, licor a bordo, para passear aonde quisesse. Aruma adorou, pois poderia dali em diante visitar os amigos nas favelas, pois estava cheio de convites.
Na área de “engenharia de construção”, as maquetes com edifícios dos 3 mundos foram surreais. Os de “Y” mostravam construções em andamento e com oferta de compra e vendas. Arranha céus lindamente decorados, com piscinas térreas, ou, formas modernas desafiando a gravidade. Os de “W” mostravam as casas pré-fabricadas, com peças moldadas com as quais se erguia uma cidade numa semana. Também os acampamentos com milhares de objetos para abrir, montar, e desfrutar da natureza. Mas “X” mostrou uma maquete de uma urbe subterrânea, ocupando uma área gigante. Nem dava para acreditar que embaixo da terra se podia erguer uma cidade com zoológicos, castelos, metrô, escolas, quer dizer, era como desafiar a natureza com algo tão grandioso. Fábio mostrou as maquetes das cidades da Lua de “Y”, pela primeira vez. Podia-se apreciar a nave gigante, enterrada, com a horta sobre a terra, como um Oasis no deserto, tampada com uma cúpula de cristal transparente. Em redor, se via a cidade aeroporto, com uma cúpula cor de rosa e uma torre que saia para o espaço. Depois a cidade com a cúpula cor azul que mostrava edifícios para receber turistas. A terceira era transparente, mostrando um matagal enorme, onde se fazia a agricultura espacial. A quarta cidade era habitada por mestres e alunos em dias de férias e ela possuía casas, jardins, piscinas, algo assim como um Resort. E entre todas se podia ver o metrô que as unia com vias subterrâneas. Mas, quando a televisão perguntou para Fábio se ele as havia construído ele respondeu: — que nada, isso foi levantado por Aruma, pois o gênio da construção é ele. E Aruma nunca foi tão admirado como naquele dia. Diana era a criadora dos cremes que deixara as mulheres mais lindas e ele era o gênio que podia, só com a mirada, empilhar pedras gigantes em meio do espaço. Ambos saíram na capa das revistas mais importantes desse evento, como o casal do momento. Teve as mulheres que o achara “lindo” dali para frente.
Outra área fantástica foi a de transportes, que ficava numa área ao ar livre para demonstração. E “X” só trouxera maquetes de tudo. Como nesse mundo não existiam rodovias, nem ruas na superfície, e, dentro das cidades se caminhava a pé, mostraram o patinete, o preferido para andar nas ruas estreitas junto ao monociclo e os patins. Mostraram um trem em miniatura, e um mapa que mostrava como ele unia as 6 cidades daquele mundo. E por último, as maquetes dos futuros navios intergalácticos para percorrer os 3 mundos em dia de turismo.
“Y” mostrou com maquete, sua frota de iates e barcaças pequenas para sair de passeios em família. As maquetes dos barcos de “W” eram também muito belas, mas com menos luxo, pois “Y” no fim das contas era o planeta que abusava na ostentação. Se os edifícios arranha-céus de “Y” eram surreais, os iates muito mais ainda, e os navios de carga que atravessavam o planeta com mercadorias eram monstros cruzando os mares.
Os espetáculos de arte foram rotativos, intercalando teatro, música clássica e popular, danças e óperas, em encenações no fim do dia em cenários gigantes. As obras de pintura, escultura e artes populares ficaram em exposição, onde os artistas mostravam aos visitantes — com tradutor de idiomas – pois, os estilos dos 3 mundos eram bem diferentes. Desde “X” chegaram obras de mármores coloridos. Desde “W” as preferidas eram as de madeira, e as peças com moldes, onde o aço, o cobre, e o ouro brilhavam em peças modernas, contorcidas, maravilhosas. Os artistas de “Y” mostraram as esculturas de matéria plásticas, também com moldes. Havia peças gigantes com nus perfeitos do tamanho de 5 metros, ou bichos como aranhas, pernilongos, todos metálicos que ocupavam uma sala completa de tão grandiosos.
As competições esportivas aconteceram diariamente, em ginásios lotados para conhecer os esportes de outros mundos, onde o público berrava de emoção. Ver lutas de kung fu era algo surpreendente, e os vencedores eram rodeados pela mídia com euforia lhes perguntado sobre tudo. Mas as lutas de esgrima foram às preferidas. O público mal respirava olhando as mulheres derrotar um macho com uma espada na mão.
Os jogos trazidos de “W” em pouco tempo viraram mania em “Y”, pois todas as escolas queriam os incluir nos estudos esportivos. Muitos esportistas foram contratados para ficar em “Y” em tempo indefinido, como mestres em 20 universidades. Os saltos ornamentais numa piscina olímpica, a ginastica artística, os saltos de distância e de altura, entraram nos currículos escolares quase que imediatamente. E como todos eram solteiros, ficaram naquele mundo para sempre.
Mas, o futebol, foi o de sempre, estádios lotados, para que os invitados de outros mundos conhecesse como se jogava uma partida de bola com patadas, cotoveladas, pois se os homens de “Y” eram campeões era na brutalidade. Os amigos de Aruma se luziram na quadra, e ele foi bandeirinha de um jogo, só para se divertir.
E para encerramento dos esportes, Arethi foi desafiada pela campeã de esgrima, para se medirem na arena. Zezé foi desafiada pela campeã de Box, e Aruma e Fábio preferiram marcar um duelo com espadas primitivas entre os dois, para demonstrar a luta de um guerreiro. Eram tão pesadas, que só eles conseguiam as levantar. Diana e Ruth fizeram uma demonstração de caraté, cabelos trançados, uniforme de guerreiras, onde nenhuma caia ao chão, só boiavam no ar com as patadas e socos.
Arethi venceu a campeã de esgrima, pois a desarmou em quatro passes, e a imobilizou com uma falsa estocada no coração. Zezé venceu a campeã de Box, batendo nela suavemente, pois não podiam matar ninguém. Em seguida a China e Zezé jogaram entre elas uma luta livre, onde valia tudo, para mostrar ao público a força das guerreiras. China pulava como um pássaro e suas patadas derrubavam Zezé, que se levantava e devolvia com brutalidade. China venceu Zezé, que caiu de costas a 3 metros dela, enquanto Diana dava uma surra em Ruth, que saiu mancando. Fábio venceu Aruma colocando a espada no pescoço. Nunca esse povo riu tanto.
Os cavaleiros encerraram a CETA intergaláctica. Eles fizeram competição de corridas, depois de saltos, o que enlouqueceu esse mundo. Esse povo nunca se arrependeu tanto de terem comido todos os cavalos. E o hipismo ficou só como uma lembrança na alma do povo desse planeta. Mas, em “X”, se transformou num sonho para o futuro. Compraram dois casais desses cavalos para leva-los a “X”. Seriam instalados nos zoológicos por enquanto, mas no futuro, correriam livres sob um mundo reflorestado. Como pagamento 002 pagou por cada cavalo 20 barras de ouro aos seus donos. Algo que o pegou de surpresa, pois foi um pedido de Arethi, como um favor para esse povo sem dinheiro. Bem, ele ainda não sabia o que fazer com sua fortuna. Antes de partida, perguntou aos esportistas de “X” o que mais desejavam levar para casa, e depois ele riu com ele mesmo, pois a lista que recebeu nas mãos era gigante.
Mas, todos os atletas de “X” ganharam muitos presentes de admiradores. Eram roupas lindas para as mulheres e para os homens skates, bicicletas diferentes, motos pequeninhas, e apetrechos para acampar em meio da natureza, além de relógios, joias de ouro, pulseiras, que foram carregando em 10 malas cada um.
O que resultou desse encontro entre 3 mundos, foi o compromisso de fazer mais uma CETA no prazo de 5 anos, mas desta vez em “W”. E se utilizando das naves dos guerreiros, por em quanto, se marcaram datas de empresários em viagens de negócios imediatas. A única excentricidade eram as transações comerciais do futuro. Se inventaria uma moeda de ouro de 10 gramas, comum entre os 3 mundos, mas como “X” estava a caminho da “pobreza” – algo com que todos gracejavam – com esse mundo far-se-ia uma troca de serviços. Os empresários de “X”, ao lado de Olaf e China, falavam que como pagamentos futuros a melhor coisa era receber pessoas a capinar na superfície do planeta. E depois riam das piadas sobre eles mesmos, pois a vida fastuosa de “Y” era algo que em “X” estava muito distante. O povo de “X” teria que levantar um novo mundo na superfície do planeta, quem sabe durante milênios. A diferença era que todos os homens de “X”, nesse futuro distante, ficariam milionários ao mesmo tempo.
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