Guerreiros intergalácticos
26 O planeta Z de CHI
Notas iniciais
Enquanto a CETA encerrava com chave de ouro, 006 e Maristela chegavam ao mundo perdido “Z de CHI”.
E com olhos arregalados, contemplaram com assombro um planeta que não morria pela falta de nada, senão que agonizava pelo “excesso de tudo”. Era uma civilização avançada, muito mais fastuosa que “Y”, com edifícios além da imaginação, mas com uma superpopulação acima da imaginação. O planeta tinha capacidade para suportar 6 bilhões de habitantes e eles tinham 15 bilhões de gente apinhada como galinhas em galinheiros. Onde quer que se olhe havia homens. Nos desertos, nas neves, nas selvas, dividindo o chão com os animais. E eles comiam de tudo, lagartas, baratas, formigas, gafanhotos, cobras, gatos, cachorros, galinhas, papagaios, e estavam morrendo por causa de um “vírus”. Era como se o próprio planeta decidisse eliminar as pessoas que estavam demais. E nem 006 nem Maristela sabiam nada sobre vírus. Foram até a biblioteca portátil, com milhares de ensinamentos escolares, e começaram a estudar.
Após dias perdidos na pesquisa, vestiram um robô com escafandro, um tubo de ensaio, uma mala, e o enviaram voando a recolher uma amostra. Posteriormente eles mesmos se vestiram com roupa isolante, se encerraram numa cabine hermética e colocaram o vírus num microscópio. E ele ficou a vista, lindo, uma bolinha com saliências, e em cada uma havia uma coroa. Ele se alimentava do ar poluído, dos gases tóxicos, do excesso de estrume humano que corria nos rios e mares, e do fedor dos aterros sanitários. O vírus morria com álcool e suco de limão. Era bem fraquinho. Sua força estava no excesso de comida que tinha naquele planeta. Apenas isso. 006 desintegrou com o olhar tudo que havia no interior dessa cabine, e uma chuva de água desinfetante escorregou sobre eles. Depois desintegrou a própria cabine, o microscópio e o chuveiro.
Para relaxar, se estenderam sobre a grama miúda da horta mais próxima. Maristela deslocou 5 limões dos galhos frondosos de um limoeiro, e esfregou no corpo dela e do marido. Riram, pois ardia como agulhas. Correram e pularam na piscina, rindo como guris, e fazendo planos. Tinham 5 robôs com capacidade de fazer ar os entulhos só com a mirada. Mas, seriam descobertos, pois nesse planeta também havia misseis de longo alcance que perseguiam os alvos. Era mais aconselhável eles mesmos fazerem o serviço com as roupas invisíveis, e 006 falava que ele tinha 10 trajes impossíveis de enxergar. Eles passariam inadvertidos, e podiam trabalhar em pleno dia, pois ninguém os detectaria. Se combateria esse o vírus matando-o de fome, pois voariam como pássaros por cima da sujeira. Bastava abrir a capa, que o voo era garantido.
Durante 60 dias eles fizeram desaparecer 4.000 aterros sanitários, um por um, em frente aos olhos arregalados de gente que os via desaparecer sem saber como, nem por que. Por mais que os homens desse mundo escudrinhassem o espaço só conseguiam ver 3 pontos luminosos numa Lua. E nenhuma arma desse planeta tinha um alcance tão poderoso para atingir esses alvos. Além do que, o mundo estava mais limpo, pois o lixo virava ar. Sobravam buracos gigantes, sem nada além da terra tentando respirar. Depois foram as águas que começaram a ficar límpidas e cristalinas. E, o melhor de tudo, os peixes voltaram a aparecer vivos e gordos, prontos para alimentar um povo que morria de fome. Em seguida foram os cemitérios. Um a um desapareciam as covas com seus mortos, os edifícios com caixões entulhados de cadáveres, e sobravam apenas as árvores entre os buracos do chão.
E, por ultimo, em meio do deserto mais árido, brotaram durante a noite 3 Oasis maravilhosos com uma lagoa enorme entre todos eles, com animaizinhos miudinhos enfeitando a paisagem. E todas essas árvores tinham comida, cocos, abacates, tangerinas, peras, maçãs, tâmaras, uvas, jacas enormes, goiabas, bananas, enquanto pelo chão se alastravam melancias gigantes, melões e aboboras além dos morangos pequeninhos, e as flores que exalavam um perfume extasiante. As borboletas eram enormes, de cores azuis, verdes, lilases, encantadoras. Nos galhos das árvores havia casinhas de mel com abelhas gordas. E os passarinhos com seus cânticos transformavam tudo em um lugar paradisíaco. Era um milagre caído dos céus. Mas, ninguém conseguia vislumbrar de onde vinha esse milagre. Alguns achavam que eram anjos, outros que eram Aliens, mas, tudo ficava na suposição.
Mas, 006 sabia que para salvar o planeta e a própria humanidade deveriam mudar o comportamento humano. E falar conselhos pela televisão não ia resolver nada. Haveria que esterilizar os machos para deter os nascimentos. E faria isso sozinho. Percorreu o planeta voando em circulo, deixando estéreis a 75% dos homens desse mundo, incluindo os bebês de berço.
E, por último, ele e Maristela esculpiram uma pedra, no idioma desse mundo, e a cravaram entre as montanhas, onde a juventude costumava acampar. Uma mensagem para o futuro. Ela dizia:
— Somente 6 bilhões de homens o planeta consegue alimentar,
— os vírus se alimentam do fedor, da poluição e da sujeira,
— plantem legumes e frutas em meio dos jardins
— se amem uns aos outros
— não comam os animais
— cultivem hortas e pomares.
Dos seus amigos Aliens que vieram das estrelas...
De regresso à vida de comer, dormir e se amar, 006 calculou o tempo que o separava de seu mundo “E de ALPHA”. Infelizmente estavam longe demais. Fariam a viagem dormindo dentro de casulos individuais, mas acordariam uns 3 anos antes da chegada, para uma lua de mel. Começaria a encher Maristela de filhos durante aqueles dias. E, em seu mundo, eles estariam condenados a ser felizes até o dia que “00”, lá no alto o mandasse a extinguir-se.
Longe deles, e nesse tempo acontecido, os alunos da Universidade de guerra se formaram com louvor, alguns como tenentes, já outros como sargentos e os demais como soldados. Ficou claro para todos que um Comandante só era escolhido em caso de guerra. E que em “X”, ele seria ordenado por “00”, através do “Espelho falante”. Os melhores, entre os melhores alunos, assumiram essa escola como mestres, aposentando a Fábio, aos gêmeos e suas esposas, Aruma Júnior e sua namorada Maria, Belizário, Isaias e Vânia. A tenente Anaha ficou como conselheira do diretor da Universidade, para dar orientação em assuntos futuros.
Na altura desses acontecimentos, Aruma em “Y” ensinava arquitetura nas universidades, e esses guerreiros recém-formados entraram a estudar com ele, pois dominavam a levitação e a desintegração de materiais. Moises fez o mesmo em “W”, pois muitos soldados se deram bem levantando pedras, só não conseguiam desintegrá-las. Então, as pedras seriam cortadas a marteladas, mas as fariam flutuar como borbulhas. Algo que revolucionaria a construção nos 2 mundos, pois muitos guindastes foram aposentados dos canteiros de obras.
A troca de estudantes com bolsas de estudos, mudou os 3 mundos para sempre. Arethi doou 5 naves de carga para cada planeta, ao comando de um robô piloto em cada uma. Embora o calendário fosse diferente, pois um dia de “X” equivalia a metade de “W” e 20 horas de “Y”, os jovens se acostumavam a dormir diferente com passar dos tempos.
E, em meio desse caminhar independentes dos homens dos 3 mundos, Arethi postergava a partida só para ter certeza que nada mais necessitavam lhes ensinar. Junto com Miguel, ela percorria “Y” em viagens periódicas, se hospedava em hotéis de luxo, e espionava a mente dos homens. Principalmente se haviam abandonado totalmente o consumo de carne humana, ou, se existia algum matadouro clandestino em algum lugar. Respirou aliviada. Os carnívoros comiam carne de animais de fazendas, e a carne artificial estava sendo bem acolhida, tanto pelo sabor como pelo preço, pois comer coelho, porco e galinha era caríssimo.
Depois visitou as selvas. Desceu com Miguel entre os animais que deixaram a vida doméstica das naves dos guerreiros, onde eram alimentados na boca, pela vida selvagem. Viu uns gatos, e os chamou de longe com um grito e com telepatia hipnótica para ser obedecida. Examinou-os nos olhos e sorriu, pois eles estavam amando viver na selva, e alguns estavam gostando de comer passarinhos. Os hipnotizou de novo, para comer somente legumes. Depois 5 cachorros chegaram a lambuzá-la, passando-lhe a língua no rosto, nos braços, felizes, gordos, pois estavam comendo aboboras, melões, repolho, milho, e copulavam como nunca. As cachorras viviam prenhes, e sem inimigos em redor estavam se transformando em uma horda enorme, dona desse pedaço. Arethi olhou para o cume das árvores em busca de uns macaquinhos bem miudinhos, que podiam ser pegos com a mão. Trouxe um deles, levitando-o e totalmente hipnotizado para não mordê-la, e viu nos seus olhos como estavam adorando comer as bananas, as mangas, os mamões que caiam do céu.
Arethi elevou as ondas telepáticas e chamou Alessandro com as câmaras para fazer um documentário daquele lugar. E ele chegou logo com Zezé. Filmaram com lentes de longa distância os macacos comendo uma jaca enorme, eram divertidos, depois os cachorros cheios de filhotes brincando em redor, correndo, dando cambalhotas, e os gatos por cima das árvores, quietos, alguns dormindo, outros apenas olhando tudo com curiosidade, e os gambas. As capivaras as filmaram na beira de uma lagoa, também em grande manada com pequeninhos entre as patas das mães, comendo o capim farto.
Alessandro finalizou os documentários com os insetos, as abelhas e suas casas que se penduravam dos galhos, com mel escorrendo. Zezé passou um dedo no mel e levou para boca. Delicia. Arethi falou em frente das câmeras que graças ao trabalho dos catadores de frutas e legumes dos supermercados, que semanalmente deixavam cair os produtos sobre esses animais, o milagre estava acontecendo. As selvas estavam ricas em comidas, pois os macaquinhos engoliam as sementes inteiras, depois as jogava no chão em meio das fezes, e essas sementes estavam brotando, se espalhando floresta adentro, e as melancias, os melões e as aboboras estavam formando um grande tapete vivo. Não existiam melhores agricultores do que os animais, e era por esse motivo que nunca mais deveriam ser comidos. Apenas alimentados.
Depois viajou sozinha para o antigo continente escravo, onde Aruma recebera uma bomba nuclear sobre sua cabeça e em cujo lugar uma nave branca brilhava embaixo dos Sois. Ela era usada como hospital e como escola para crianças pequenas. O povo estava se alimentando de frutas, legumes, como os antigos doutores de “X” lhes ensinaram. Sabiam transformar o milho, o trigo e a mandioca em farinhas, com as quais faziam o pão, as massas como macarrão, o biju, e a polenta cozida com molho de tomates por cima. Uma iguaria deliciosa. Só faltava para esses povos um pouco de tecnologias. Aruma lhes ensinara a construção de casas de barro com telhados de folhas, e os homens de “X” a confecção de tijolos, para fazer casas mais fortes, mas, no interior delas se dormia no piso sobre uma manta de taquara trançada, e se comia sobre tapetes estendidos sobre o chão. Fora de casa havia um fogão feito de tijolos, esquentado com lenhas, com panelas de barro cozido por cima. Não se vislumbrava nenhum arranha-céu, nem Shopping com venda de roupas lindas, nem sequer um cinema com filmes modernos.
Arethi deu um berro telepático para Anaha, e pediu incluir nos currículos dessa escola de guerra o “estagio”. Nos períodos de férias, cada aluno deveria trabalhar de graça nesse continente construindo casas e escolas com cimento armado, pedras, e “metalponita”. Ninguém receberia um titulo de nada, senão mostrasse pelos menos 500 dias de trabalho voluntario nesse continente abandonado. E, além de construção deveriam ser administrados cursos de tudo, de enfermagem, agricultura, costura, tecelagem, mercenária, e ensinar ler e escrever aos mais velhos, pois o 80% eram analfabetos.
Antes de dar por encerrada essa viagem deu mais um giro, indo para lugares mais longínquos, onde o consumo de galinhas não abaixava. E essas aves eram criadas em fazendas onde viviam atoladas, colocando ovos de dia e de noite, num tratamento horrível.
Depois de um descanso dessa viagem, foi até à fabrica de cremes com 002. E pediu aos químicos mais um produto que desse nojo de carne de verdade. Mais forte. E esperou com paciência pelos resultados, pois eles os jogaram nas nascentes que nutria os rios de 10 cidades numerosas, durante 50 dias seguidos. No dia que a televisão anunciou que fazendas com galinhas e coelhos estavam passando por uma crise, pois as vendas estavam diminuindo, ela festejou na mansão de 002. Invitou Alberta e seus amigos festeiros, mas não disse para ninguém o motivo de tanta felicidade. Beberam vinho e champanha, comeram um banquete preparado por 5 robôs trazidos desde a nave, dançaram, pois a vida estava sendo ótima.
Durante a noite, em meio da escuridão, Silvio falava para sua amada que estava na hora de partir, disser adeus, pois haviam ultrapassado os anos programados, e era a hora de deixar que os 3 mundos cuidassem um do outro dali em diante.
— Os nossos filhos vão ficar aqui... eu vou morrer no dia da partida...
— Eu já morri... não esqueça que eles podem nos ver no espelho falante...
— Não dá para ficar mais uns 5 anos?
— Meu amor, “00” está escolhendo os guerreiros do futuro e 80% de nossa frota vai para lá. Já os amigos destes mundos vão ser aliados de guerra. E eles vão morrer logo, uns 30 anos no máximo. Alguns vão ser guerreiros, ou Espiões, sei lá... Ênio vai ser soldado com certeza.
— Há, há, há... ele vai sentir falta do harém de mulheres... Sabe quem vai ser o Comandante?
— Sei! Seu pai verdadeiro, só que eu não sei onde ele está. E ele é também meu tio, não esqueça que somos primos. Já nos, vamos para “A de ALPHA”, e vamos ser felizes pela eternidade... e vamos ter nossos filhos, nossos netos, bisnetos, vamos conhecer toda nossa descendência, pois vamos ter vida eterna...
— Então quero morrer logo...
E enquanto ria às gargalhadas, Silvio a fazia flutuar em meio do ar, dando giros acrobáticos, se beijando, como dois artistas felizes
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