Guerreiros intergalácticos

1 Capítulo 1: A universidade de guerra


Notas iniciais
Na sala da direção havia uma mesa redonda e oca no centro, onde Césio sentava e girava numa cadeira flutuante. Quando a porta abria, Mahaia se levantava sorrindo e assistia de longe às conversas entre o marido e os professores, os alunos, os pais, os visitantes de outras cidades, ou os turistas de outros mundos.

Num mundo muito distante de nós, de um dia quente e ensolarado, Césio e Mahaia descansavam junto aos filhos no entardecer. O lugar preferido deles era a piscina, onde as flores coloridas, as árvores frutíferas e os canteiros de verdura embelezavam o ambiente com seu feitiço natural.

A mansão de Mahaia era uma das maiores daquela cidade de outro mundo. Tinha várias suítes com piscina interna, camas flutuantes, armários entalhados, música ambiental que fluía dos aparelhos de vidro azul, banheiros com vasos sanitários, e, no centro da casa, o lugar onde a família se reunia nas horas de lazer, uma sala gigante com piscina embutida embaixo do assoalho verde esmeralda. Era ali que Césio gostava de se deitar sobre almofadas espalhadas pelo chão, rodeado pela família. A cozinha possuía um balcão redondo, junto dessa sala, com cadeiras empinadas de respaldo alto, e, no centro disso tudo, um fogão era manuseado por três robôs encarregados do preparo das delícias gastronômicas.

Mas era no jardim, à beira da piscina externa, que Césio gostava mais de ficar. Com sua mulher no colo, seus filhos ao redor, e também com seus animaizinhos de estimação, mais ou menos uns cinquenta, entre gatos, cachorros, tartarugas, cobras, patos, galinhas, papagaios, que dormiam por ali mesmo, longe das suítes, pois os robôs os barravam do interior desse lar com uma vassoura de milho nas mãos.

Césio acordava cedo pelas manhãs, pois era um dos poucos adultos de trabalhava nessa cidade. Ele tinha sido escolhido por “00” (o espírito que governa o Universo) para assumir o cargo de diretor da “Universidade de guerra”, fazia uns 10 anos estelares. Uma honra para os homens desse mundo. E fazia uns 3 anos que “00” lhe havia solicitado que preparasse 80.000 guerreiros de combate, para o dia em que as três estrelas amarelas do “Sistema Sigma” se alinhassem em frente aos telescópios da sua Escola de Guerreiros Intergalácticos. E desde então, todas as Universidades de Guerra, nos 4 pontos cardeais desse planeta, haviam enlouquecido. Milhares de jovens faziam fileira na entrada dos recintos pedindo admissão. E dia após dia, mais um entrava na disputa das vagas para sargento, soldado e tenente de guerra.

Mahaia, que jamais havia trabalhado em nada, agora saia cedo junto com Césio para assessorá-lo como secretária particular. Ela cuidava dos gráficos, ajudava os robôs com as provisões nas cozinhas, supervisionava a limpeza, mas, principalmente, dava atenção especial ao marido nas horas vagas.

Na sala da direção havia uma mesa redonda e oca no centro, onde Césio sentava e girava numa cadeira flutuante. Quando a porta abria, Mahaia se levantava sorrindo e assistia de longe às conversas entre o marido e os professores, os alunos, os pais, os visitantes de outras cidades, ou os turistas de outros mundos.

A cada 15 dias Césio fazia uma reunião geral com os mestres. Os professores sentavam ao redor e lhe falavam em conjunto, todos de uma vez. Césio discutia com todos telepaticamente, ao mesmo tempo, sem jamais confundir as conversas nem trocar as respostas. Em voz alta só falava com Mahaia, que mudava dados estatísticos nos gráficos da parede, onde os nomes dos alunos mudavam de lugar num ranking de classificação quinzenal. Alguns deles ganhavam pontos e subiam para os primeiros lugares. Os que perdiam todas as provas, todos os campeonatos esportivos, eram desclassificados, reprovados e banidos desse educandário. Nenhum mestre carregava livros, ou calculadora, muito menos um Laptop. É que nesse planeta o melhor arquivo era o cérebro de todos os homens.

Os estudantes, pela sua vez, tinham como lugar preferido os ginásios de combate. Era ali, na arena, que eles mediam força física, onde mulher e homem lutavam juntos no tatame. Embora as disputas fossem periódicas, não era na arena onde os jovens mais reprovavam. Os lugares mais sinistros eram as salas de “levitação” ao ar livre. Quem não conseguia levantar uma montanha de entulhos com o olhar durante 30 batidas cardíacas, era reprovado sem dó. Os colegas costumavam fazer festas para consolar os alunos demitidos e depois os viam partir de regresso a casa, em busca de outro destino.

As salas com um mestre orador acontecia ao ar livre, no “circo romano”. Estudava-se “Mentalidade Bárbara”, “Medicina Inferior”, “Leis de seres silvícolas”, “Moral e Religião”, “Profissões Primitivas”, e a mais difícil, “Economia e negócios”, para que um guerreiro entendesse os motivos que levavam um ser humano de um planeta selvagem a destruir seu habitat e a razão pela qual um guerreiro como eles devia cruzar a imensidão para salvar um planeta da destruição completa.

Césio costumava fazer uma ronda diária pelos ginásios de esportes, falava com professores nos corredores ou com alunos que chegavam a rodeá-lo e, quando o trabalho minguava, subia num carro aéreo e se perdia acompanhado de sua mulher Mahaia. Longe de todos, em uma mata fechada, se amavam como nos tempos de namoro. Só os berros telepáticos dos mestres, dos alunos, ou dos filhos os faziam regressar a civilização. Césio subia no carro, rindo como um garoto que terminava de aprontar e regressava à sua sala para atender o gritante. Mahaia retomava suas funções e no fim do dia saiam desse lugar em busca dos filhos.

Com um raio de luz, que saia da parte inferior do carro, içava seus meninos no ar. Mahaia se encarregava dos beijos, abraços, e do início de uma longa conversa familiar. Afinal sempre havia um namoro começando ou terminando, uma briga de amor ou uma desilusão. Césio ria com seus garotos, pois todos eles eram famosos pelas encrencas. Brigavam a soco com outro macho por alguma fêmea, ou recebiam um tabefe de uma mulher ofendida. E essas histórias enchiam Césio de orgulho. Seus meninos eram paqueradores apaixonados e colecionadores de mulheres. O pior e mais sem-vergonha era Miguel, aluno da Universidade de guerra, onde apanhava mais por um beijo indiscreto do que em campeonato de lutas. Alto, moreno, sensual, derretia o coração das guerreiras e ele atacava fundo. Ele só perdia, em recorde de mulher, para seus dois melhores amigos, Sílvio e Alessandro. Sílvio já era veterinário formado e tenente de combate aprovado. Alessandro era cineasta e, junto com Miguel, fazia curso para sargento.

Alessandro invadia a casa de Césio de vez em quando para filmar a bicharada. Já Sílvio era visitante regular, pois ele aparecia todos os dias ao pôr do Sol, correndo, pulando a cerca e mergulhando seminu na piscina. E era então, quando Sílvio invadia o ambiente familiar, que Arethi, a filha caçula de Mahaia ficava doente. O corpo dourado de Sílvio, brilhante, cabelos quase brancos de tão loiros, olhos azuis como água cristalina, com o sorriso mais terno de todos os homens, faziam o coração de Arethi bater tão forte, que parecia que seu peito iria explodir como uma bomba.

Mahaia percebeu logo a paixão profunda de sua filha. Examinou a mente de Sílvio com telepatia e sentiu seu peito se partir de dó. Sílvio jamais olhara para sua menina como uma mulher, pois a amava apenas como uma irmãzinha querida. E sem falar nada para ninguém, Mahaia saiu de casa num dia qualquer e correu pelas ruas da cidade em direção ao templo para se aconselhar com as almas do além.

O templo em forma de pirâmide, pedra sobre pedra, estava esperando-a. Ela tirou as sandálias e caminhou na penumbra. Chegou à frente de um espelho gigante que refletia as estrelas do firmamento, ascendeu uma vela e pediu às almas do mundo invisível que lhe revelassem o passado de Arethi. Pouco a pouco, com imagens confusas, uma nebulosa formou-se na sua frente. Mahaia concentrou o pensamento e foi viajando para o passado. E finalmente viu a “Terra”, um planeta distante, pequeno, selvagem, com uns noivos saindo de um templo diferente. A noiva era Arethi, e o noivo, Sílvio. Ao lado deles Alessandro e Miguel choravam de emoção, rodeados de muitos amigos. Reconheceu alguns alunos da Universidade de guerra, sorrindo, pois tudo indicava que houvera uma grande migração de almas desse mundo primitivo. Guerreiros do passado que vieram lutar como bravos homens num planeta civilizado. E sua Arethi era daquele lugar.

Na intimidade de sua suíte, Césio escutou em silêncio a história de Mahaia. Em seguida falou-lhe:

— Sabe quem “00” escolheu para comandar essa guerra?

— Não! Você ainda não me disse nada...

— Você não deixou! Beijou-me o dia todo, e com língua...

— Palhaço! Não vai me dizer que será Arethi... ela ainda estuda medicina e não acredito que seja admitida na Universidade de guerra...

— Andou perto! É o Sílvio! Ele vai ser congelado e enviado para outro mundo como uma bala. Ficará seis longos anos longe de nós, estudando para ser “Comandante de guerra”. E não há dúvida que regressará casado. Faça Arethi esquecer esse casamento. Leve-a ao psicólogo.

— Mas, e se ela tiver UMA chance?

— Amor, ele vai partir em 30 dias... Não temos tempo...

— Mas, e se ela tiver?

— Está bem, mas se Sílvio partir sem um compromisso sério, você leva nossa menina ao psicólogo...

— Levo, eu prometo!

Mahaia saiu de fininho pelos corredores de sua mansão e entrou na suíte de Aretti, que chorava com o rosto enterrado no travesseiro. Mahaia novamente sentiu o coração apertado. Tadinha de sua filhinha. Abraçou-a docemente e perguntou-lhe:

— Você tem certeza desse amor, minha querida?

— Eu sou louca por ele, mãe...

— Mas ele namora todas, é o maior paquerador deste mundo...

— Eu sei... Eu quero ir ao templo e pedir licença a “00” para explodir no espaço...

— Hum... Vamos fazer um acordo entre amigas?

— Qual?

— Você tenta conquistá-lo no prazo de 20 dias. Se não conseguir, você vai beijar uns vinte rapazes dessa Escola de Medicina. Um diferente a cada dia. O que acha?

— Mas como se conquista um homem, mãe?

— Você vai ter que ouvir seu coração... eu só vou ajudá-la com o visual. Amanhã seu pai vai sozinho para o trabalho e nós vamos mergulhar num tratamento de beleza.

— Cabeleireiro?

— Isso! Roupas lindas, maquiagem definitiva, cirurgia plástica, botox, lipoaspiração, tudo que existe para se transformar numa mulher deslumbrante de um dia para outro...

— Mãe, o que eu faria sem você?

— Não sei! Eu também não sei o que teria sido de mim sem os conselhos de minha mãe...

— O pai era como? Namorador?

— Não! Mas, ele me enganou! Levou-me numa turnê de amigos e quando voltei desse passeio eu estava grávida do Miguel...

E ambas começaram a gargalhar.

Na grande “Escola de Beleza”, na porta de entrada, elas subiram num carrinho pequenininho, com um robô motorista que as levou diretamente para o salão de cabelos. Mahaia sentou numa cadeira e Arethi em outra. Enquanto Mahaia fazia um penteado enlouquecedor e sensual, Arethi era colocada no centro de 10 adolescentes que discutiam em coro sobre o que poderiam fazer com duas tranças além da cintura, numa criatura que não queria que cortassem seu cabelo. Finalmente, elas convenceram Arethi a deixá-lo 10 cm mais curto. Depois, todos de uma vez, com tesoura na mão, foram cortando-o em camadas, até deixá-la transformada num leão macho. Em seguida, tingiram uma mecha de cor vermelho fogo e passaram cremes para baixar levemente o volume.

Após o salão de cabelos, foram para cirurgia. Um rapaz abriu os olhos de Aretti para deixá-los puxados como uma gata, desintegrou-lhe vários pelinhos na testa e nas sobrancelhas, e finalmente fez implante definitivo de cílios longos e arqueados.

No próximo salão de maquiagem, as sobrancelhas foram pintadas com cor escura e definitiva, uma sombra lilás para realçar os olhos lilás-celeste, a boca cor rosa suave e atrás da orelha, aplicaram-lhe um perfume erótico com duração de três anos estelares. Depois elas foram para as massagens, onde Arethi recebeu uma camada de cremes no corpo inteiro, para que sua pele “cor de caramelo” brilhasse saudável.

No salão de roupas, elas experimentaram vinte vestidos cada uma: longos, curtos, apertados, transparentes, com sandálias de todas as formas e de todas as cores. Por último, na sala de joias, provaram cinquenta colares, pulseiras e brincos, carregando todo o arsenal na parte traseira do carrinho. Tudo sem pagar nada, pois nesse planeta não existia o dinheiro.

Ao entardecer, Arethi esperou Sílvio na beira da piscina com uma blusa “tomara que caia”, colar de conchas, saia aberta na lateral para mostrar a perna, uma flor nos cabelos e sandálias altas com as unhas dos pés pintadas da mesma cor.

A primeira vez que Sílvio a viu com essa pinta afrodisíaca, seu pênis enrijeceu, uma corrente fria percorreu o seu corpo por inteiro e, corado de vergonha, diminuiu seu membro às pressas e olhou para um bicho que estava pulando por cima dele. Era um gambá fedorento que o lambeu inteiro. Foi o melhor pretexto para desviar a mirada, porque para se livrar do cheiro, saltou na água atrás de Miguel. Só que o tormento de Sílvio estava apenas começando. Arethi puxou a saia e pulou na água com um biquíni escandaloso que não tampava “nada”. Ele tinha vontade de atacá-la ali mesmo. Mas, na verdade, isso era impossível, pois seria massacrado vivo pelo diretor da faculdade , pela sua secretária ou por Miguel, que cuidava dessa irmã como gato ciumento.

Mais calmo e sentado com um sanduíche apetitoso nas mãos, escutou Miguel que o estava convidando para um programa divertido:

— Cara, tem uma turma que vai para as montanhas azuis. Topas ir junto?

— Vou... Estou sozinho! Os velhos estão perdidos no mar numa viagem sem fim... Arethi também vai?

— Você quer ir, maninha? Ela não está maravilhosa, cara?

— Lindíssima! Acho que estou me apaixonando...

— Para aí, cara! Irmã minha só namora um homem que seja um Comandante, ou um Sacerdote Estelar! E, ainda assim, eu teria que aprovar.

— Mas eu vou ser teu Comandante, imbecil!

— Que nada! Tu vai ser de um grupo de mulheres das cavernas, numa outra Galáxia.

— E também vou ser teu patrão, ignorante... Vai te preparando...

— Gozador! Vai, no nosso passeio, minha querida?

— Vou, mas posso levar a minha tartaruga Marieta?

— Pode! Mas, ela vai voltar de barriga cheia, têm animais aos milhares no matagal. Tens que colocar agasalho esportivo, tênis e carregar mochila nas costas. Além do mais vamos de jipe por uma trilha sem estradas... Vai ser o maior barato, essa viagem...

E foi em meio às risadas que o coração de Arethi acalmou finalmente. Mahaia de longe estava lhe dando um sinal telepático, em circuito fechado, para ninguém ouvir:

— Ele está caidinho, meu bem...

E Areti riu alto e feliz.

Para Arethi preparar a mochila foi um sufoco. Teve que colocar sua mala médica, cama, barraca, roupas, vidros com comidas prontas, mel, tudo numa sacola minúscula. Mahaia teve que ajudá-la e insistiu que colocasse remédios contra picada de mosquito. Sempre rindo, Arethi calculou o peso nas costas... parecia que ia quebrar em duas, porque, desta vez, a levitação era proibida. Podia perder o equilíbrio e cair montanha abaixo. E finalmente pegou a bolsa com a tartaruga Marieta, uma das muitas que possuía nessa casa.

Quando estava tudo pronto, 50 adolescentes subiram para as alturas num comboio aéreo guiados por um robô, que aterrissou no outro lado do mundo. Depois, todos os rapazes enfrentaram uma subida íngreme em 10 jipes, à procura de aventuras. Cruzaram a mata fechada, abrindo caminho com demolição mental, até chegar aos pés de uma montanha gigante com neve, cachoeiras, rio, lago e uma mata selvagem com 500 espécies de bichos desconhecidos. Fascinante! Mágico! Era como se todos os elementos naturais estivessem ali para dar felicidade aos homens.

Miguel, organizador de tudo isso, parou a caravana e marcou o melhor lugar para instalar as barracas. Todos saltaram dos carros, correram, marcaram seu território, reservando um lugar para fazer a fogueira ao anoitecer.

Arethi abriu a barraca e leu as instruções que sua mãe escrevera para ela. Instalou as estacas, foi estendendo o pano, amarrou cordas e caiu tudo por cima dela. Sílvio correu para ajudá-la sem parar de dizer que isso era coisa para “homens”. Machão! Depois, Arethi viu sua cama abrir, flutuar, enquanto Sílvio corria para fora nervoso, pois estava mais uma vez ficando com ideias estranhas na cabeça. Marieta ficou por ali perto, hipnotizada para não ir além de um raio de 5 metros dessa barraca.

Metade da turma decidiu fazer pescaria no lago. Quem pescasse mais cascudo seria o campeão. Teria que levantar o peixe, mostrá-lo e jogar de novo na água, é claro. Outra turma preferiu catar pérolas no fundo desse lago, abrindo moluscos, retirando a pérola, e deixando outra sujeirinha dentro do bicho para fabricar mais uma pérola. Outro grupo preferiu se aventurar em busca de ouro, diamantes, esmeraldas, para fabricar joias. Miguel programou, além de tudo isso, uma jornada de alpinismo sem cordas. Quem escorregasse mais alto e mostrasse o maior número de feridas, seria o campeão. Todas as ideias foram colocadas em ordem para serem executadas e depois Alessandro aprontou as câmaras de filmagens, para registrar tudo e passar na Universidade na hora dos recreios coletivos.

Mas a maior de todas as façanhas foi realizada por Arethi sem que ninguém descobrisse. Ela fechou a mente para telepatia, em todos os alcances e esperou a noite chegar com coração apertado de ansiedade, rezando para que as almas a socorressem nesse momento tão importante da sua vida.

Sílvio, enquanto dormia, sentiu uma mulher entrando na sua cama lentamente. Aliás, muitas já tinham feito isso em acampamentos como esse. Ele esperou que ela ficasse deitada e começou o chamego. Quando ela gritou “ai”, percebeu que era virgem. Sentiu pena e assombro, pois ele nunca tinha namorado uma virgem. Continuou a beijar, se amaram por tempo indefinido. Assim que Silvio dormiu, Arethi deslizou para fora como uma cobra rasteira. Quando Sílvio acordou, era o momento da escalada à cordilheira sem corda. Nem deu tempo de espionar onde estava sua amada desconhecida. Subiu a montanha ao lado de Miguel e Alessandro, contando piadas e rindo, até que rodou montanha abaixo. Só perdeu para o Alessandro que caiu no final.

Quem atendeu os feridos foram às mulheres porque essa competição era só para “machos”. Arethi cuidou de Miguel, com machucado na cabeça, e depois, com mãos trêmulas, cuidou de Sílvio, evitando o olhar dele para não ser descoberta. Costurou três cortes que não paravam de sangrar, tirou-lhe com pinças oito cascalhos enterrados na pele, lavou tudo com água e sabão e, finalmente, passou-lhe os cremes que sua mãe tinha lhe dado, para evitar que as moscas fossem atraídas pelas feridas. Enfaixou tudo e em seguida saiu a curar Alessandro que a chamava aos berros, afinal ela era a única estudante de medicina naquele dia.

E, durante a noite Silvio foi um amante perfeito. Como estava todo machucado ficou fazendo amor com delicadeza. Mas, antes do amanhecer, um dedo na nuca de Arethi hipnotizou-a e acordou com uma tapa na cara. Sílvio a tinha descoberto.

— Você, sua maluca! Já pensou o que vai acontecer se seu pai, sua mãe ou Miguel souberem o que eu fiz com você?

— Vai levar uma surra... E daí?

— E daí? Eu vou ser congelado em trinta dias, e com certeza, semimorto de tanto apanhar...

— Não se preocupe... Eu não gosto de homem chorão...

E Arethi deu-lhe seu primeiro soco no queixo, que o deixou desmaiado na cama. Saiu da barraca furiosa, prometendo a si mesma namorar cinquenta homens na Escola de Medicina. Um a um, a cada dia um diferente. Machão! Imbecil!

Sílvio passou o dia perdido no mato sem sequer comer para meditar e conversar com ele mesmo. Ele estava namorando uma loura, corpo escultural, uma deusa da universidade. Mas ela jamais o tinha transtornado como Arethi. Nunca! A deusa era meiga, doce, e Arethi um vulcão violento e arrasador. Afinal, ele ia deixar esse vulcão para outro homem?

Aretti, estendida numa rede, dormiu durante o dia sem olhar para ninguém, furiosa. Já quando o Sol começou a desaparecer, entrou na barraca, jogou-se na cama e lembrou-se dos beijos de Sílvio, e perguntou a si mesma de como é que viveria o resto de sua existência com essas lembranças. Enquanto soluçava baixinho sua mágoa, sentiu um corpo cobrindo-a toda, uma boca beijar seu pescoço e virou-se para ver o melhor amante do mundo. Enquanto se beijavam sem parar, as palavras foram saindo com telepatia:

— Estou enfeitiçado, nunca mais vou conseguir namorar outra mulher, eu só quero você...

— Mas, isso é ruim?

— Terrível! Vou viajar e com certeza vais me trocar por outro...

— Nunca! Eu esperaria a eternidade, eu só amo você, sou louca por você...

— Vou hipnotizar a turma toda, pois vamos nos perder no mato e ninguém vai notar, sequer o ciumento do Miguel. Temos ainda cinco dias...

E começaram a rir baixinho, para que ninguém os descobrisse.

Em meio à mata, alheios ao mundo, namoraram embaixo da sombra de uma árvore frondosa, onde se beijaram até ficar de boca inflamada. Mas, parecia que isso já havia acontecido em vidas passadas. E Silvio perguntou:

— Outras vidas? Será que a gente se encontrou em algumas delas? Eu ainda não fui ao templo para conhecer o passado. E você?

— Também não. E se eu for casada com outros?

— Eu vou dar pancada...

Nos dias que se sucederam fizeram a mesma coisa, namoravam durante o dia e regressavam ao entardecer, para comer com os amigos ao redor da fogueira. Depois entravam nas barracas e dormiam com um sorriso nos lábios. Assim que o Sol iluminava a selva, se tomava o café da manhã, com muita fruta, ovos mexidos, pão. Depois, sem deixar rastros, se perdiam no matagal para se amar rodeados de animaizinhos que nunca machucavam os humanos. Arethi carregava a Marieta para que ela nadasse no lago, mas a hipnotizava para ela não se distanciasse. No máximo poderia namorar uma “tartarugona macho” mas dentro de sua área permitida. E a tartaruga não deixou por menos, depois dessa viagem sua barriga estava cheia de ovos fertilizados.

No último dia, fizeram planos para o futuro:

— Eu vou pular a janela à meia noite, me espere junto aos eucaliptos. Minha mãe vai nos proteger, ela já está sabendo de tudo...

— Mas, como? Achei que ela ia me surrar...

— Que nada, foi ela que me levou ao cabelereiro...

E Arethi riu alto desta vez. Um dia ela seria igual a sua mãe, se tivesse uma filha.

No último dia dessa viagem, enquanto Miguel desmanchava sua barraca, contava para Sílvio seu fracasso como conquistador. Tinha beijado três mulheres e nenhuma tinha-o amado. Será que ele deveria voltar para a ex-namorada?

— E eu vou saber o que é melhor para um mulherengo como tu?

— Quem fala, cara! Senti-te perdido atrás de alguém... Conta-me quem é ela, cara...

— Um dia eu te conto... Vou terminar meu namoro com Diana...

— A deusa? Estás amando a deusa da universidade?

— Estava! Ela é bacana, mas eu não a amo...

— Mas, eu sou louco por ela, cara! Droga! Caiu a barraca na cabeça de Arethi de novo... Essa guria tem mania de querer ser mulher grande, cara...

— Eu vou ver si está ferida...

E correram juntos para socorrê-la. Como ela tinha machucado o pé, Sílvio a carregou no colo para o jipe, acomodou-a e beijou-a até que Miguel apareceu com as tralhas.

Quando a caravana chegou à cidade, Mahaia os esperava. Correu para abraçar a filha, subiram no carro e quando entraram em casa, foram até a suíte de Aretti para que ela contasse “tudo”. Assim que ficaram a sós, Arethi abraçou-se nela e caiu no maior berreiro de sua vida. Chorava e soluçava de dar dó.

— O que foi, meu anjinho? Ele a machucou?

— Ele vai embora para “B”, mãe, estudar para Comandante... E se um selvagem o matar nessa viagem? Eu vou explodir no espaço... eu juro...

— Mas, que ignorância, meu anjo! Os mundos selvagens estão em outras dimensões do espaço. Ele vai para “B de ALPHA”. Ouviu? Esse planeta está dentro de nosso Sistema. Em linha reta e segura. Além do mais, a nossa velocidade espacial é invisível. Ninguém consegue ver nossas naves.

— Tem certeza, mãe?

— Claro que sim, querida. Agora, o que você quer? Que Sílvio vá embora com a lembrança de uma mulher valente ou de uma garotinha chorona?

E Arethi começou a rir...

Longe da felicidade de Arethi, Cesio estava perturbado, pois Silvio não ia suportar a solidão durante tanto tempo. E, perdido nos pensamentos, começou a percorrer a sala de robotização em busca de um modelo parecido com sua filha. Achou um robô babá fêmea, bem da altura de sua filha. E ele pediu aos engenheiros para pintar sua pele na cor caramelo, implantar cabelos escuros e crespos até a cintura, olhos azul-lilases, boca cor de rosa, cílios longos, cintura menor, mais curvilínea. Colocá-la-ia na nave de Silvio, para ele se consolar na solidão. Depois elevou as ondas telepáticas à procura de sua mulher, pois ela estava, mais uma vez, provando roupas e penteados com Arethi. Quando as encontrou, as convidou para ir ao cinema. Estava estreando um filme muito famoso em outros planetas, era “Adão e os filhos de Agarta”, um herói de um mundo inferior. Depois percorreu a universidade em busca de Sílvio. Encontrou-o na sala de levitação boiando no ar a três metros de altura. Assim que o achou, Silvio despencou como um saco ao chão, pois o diretor o havia descoberto. Mas, Cesio, ao invés de dar-lhe uma surra, deu-lhe um abraço e o convidou para um passeio no fim da tarde.

Eles encontraram seus amores ao lado de um chafariz, na entrada do enorme auditório de cinema. As beijaram e abraçados nelas entraram em busca dos assentos e das filas que lhes correspondiam. Casados sentavam mais em frente em cadeiras duplas, e solteiros em fileiras mais atrás, em cadeiras individuais. Assim que as luzes apagaram e mostrava as primeiras imagens, Cesio lascou um beijo no pescoço de sua mulher enquanto o filme começava na tela. Muito longe deles, Silvio levantou-se e puxou Arethi pela mão para fora da sala. Procurou o banheiro, sentou no vaso sanitário e grudaram as bocas, e, à distância, Sílvio hipnotizou seus sogros para não encontrá-los.

Cesio, no interior do cinema, olhou para a tela: — o herói da história percorria um planeta com pirâmides gigantes, sendo construídas por homens seminus, que além de empurrar peso acima da capacidade, eram chicoteados nas costas. Mais adiante viu a morte de uma filha de Adão ao lado do marido, e seus corpos eram queimados numa pira de madeira na beira de um rio. Pior foi numa cena final, quando outro filho de Adão morria crucificado numa cruz. Também havia cenas de lutas entre gladiadores e outras cenas com pessoas que eram comidas vivas por leões famintos. Como esse filme era uma história real, Mahaia começou a lacrimejar e ele chorou junto, afinal, seus guerreiros partiam para uma guerra entre três mundos tão selvagens quanto aquele.

Quando as luzes acenderam, todo o cinema chorava junto. Cesio, já no corredor, tomou sua mulher nos braços, como um recém-casado. Como Silvio estava em lugar desconhecido com sua menina, elevou as ondas telepáticas e chamou Miguel para vir buscá-los.

Quando Sílvio saiu desse cinema carregando Arethi nos braços, não havia mais ninguém nesse recinto, sequer um robozinho limpando os corredores. Já na rua perguntou:

— Amor, não dá para chamar ninguém para vir nos buscar, estão todos dormindo.

— Minha mãe não. Eu ainda não descobri a que horas ela dorme.

— Vai ser um desafio quebrar o recorde dele... Vou carregá-la até que encontremos um carro de rua abandonado.

— Ou vamos à cavalo, tem 5 potros na praça.

— Ótima ideia, querida e em cima do cavalo vais sentar de frente para mim...

Muito longe deles, Diana, a deusa das estudantes para tenente, estava com uma dor no peito que mal a deixava respirar. Sua mãe tinha lhe dado chá calmante, mas remédio para dor de cotovelo não existia. E chorou baixinho, pois perder Sílvio por causa dessa viagem a deixou deprimida. Ela não encontrava ainda sentido nessa desculpa. Mas, por mais que interrogasse amigos que foram nessa viagem, todos lhe falavam a mesma coisa, que Silvio havia ficado sozinho tempo todo.

Cansada de sofrer, levantou-se de madrugada, comeu uma bacia de cereais com leite de cabras, vestiu seu macacão esportivo e correu pelas ruas, pois nesse dia teria que entrar no campeonato de espadas.

Aruma, um aluno de pele escura como a noite, com uns 2,30 m de altura, cheio de musculatura, a esperava junto a outros alunos para o primeiro encontro desse dia. Assim que viu Diana com a cara de quem não dormiu nada, quis cancelar, pois ela não estava no seu melhor momento. Mas, como ela era teimosa, ele não teve outra saída, a desmaiou com um dedo na testa, e em seguida a carregou nos ombros para a enfermaria. Diana ganhou uma injeção calmante no baço e apagou completamente. Em seguida Aruma regressou ao ginásio para se enfrentar com Fabio, um tenente de 2,45 metros, de pele branca como a neve. Na verdade, Aruma e Fábio eram imbatíveis em várias modalidades e só perdiam para Diana, que além de ser a mulher mais linda do planeta, ninguém a vencia com uma espada na mão.

No fim do dia Aruma foi à enfermaria ver se Diana estava melhor. Mas, antes de enfrentá-la se fechou na telepatia, pois não queria que ela soubesse que, desde sempre, era louco de amor por ela. Encontrou-a com o pensamento perdido, mas como ambos eram amigos de infância e vizinhos, beijou-a no rosto e sorrindo a convidou para um passeio pela cidade. Havia 10 elefantes que invadiram a rua principal e todo mundo estava tentando fazê-los regressar para a selva. Diana riu pela primeira vez. Quando crianças, ela e Aruma adoravam sentar nos elefantes, sempre que as famílias faziam piquenique no mato.

Sentados numa praça, com um sorvete nas mãos, começaram a falar sobre banalidades do dia a dia. Diana estava começando a se sentir melhor, mais leve, afinal Aruma era seu cão de guarda e cada vez que ela namorava alguém, ele ficava emburrado e de cara feia. Ele só ficava feliz novamente quando os seus namoros terminavam, geralmente por causa de ciúmes. Diana não suportava homem machão e muito menos ciumento. Mas, agora tinha sido dispensada com desculpas tolas e isso era uma experiência nova para ela. Enquanto limpava a boca, pois o sorvete a tinha deixado toda lambuzada, ela se preguntava como é que seria namorar Aruma, um homem da cor do breu. Suas amigas contavam que nada era melhor do que passar a língua no cangote de uma pele cor de ébano. Muito melhor que comer 50 barras de chocolates. E riu alto com seus pensamentos maliciosos. Quando se virou para olhar Aruma, ela recebeu a boca dele na sua, de surpresa, no mais longo beijo de sua vida. Novamente começou a lhe faltar o ar e começou a respirar com dificuldades, mas agora era por causa desse beijo de boca grande que quase a asfixiava.

Diana sentou por cima de Aruma, o abraçou no pescoço, mexeu nos cabelos encaracolados. Como estavam numa praça pública não dava para fazer mais nada. E telepaticamente Diana escutou:

— Casa comigo?

— Casar? Mas, para quê?

— Você só vai ser minha depois do casamento. E eu posso continuar esperando...

— Mas, qual é a presa? Eu prometo namorar só você...

— Ainda não sabe? Nunca foi beijada por mim em outras encarnações? Não se lembra de nada mesmo?

E como um raio, ela recuperou sua memoria perdida. Aruma era seu marido, o pai de seus lindos filhos, o homem que um dia jurara seguir, vida após vida, onde quer que “00” os enviasse. E, agora, como é que ela ia pedir perdão pelo recorde de amantes? E começou a chorar com a cabeça enterrada no peito dele.

— Não chore, minha querida, você estava apenas com amnésia.

— Juro que nenhum deles significou nada para mim...

— Eu também sei disso... Além do mais, ninguém iria entrar com você nesse templo, só passando sobre meu cadáver.

E correram para o templo, onde tiraram os sapatos na entrada, caminharam por um corredor de estrelas, e a imagem de “00” começou a se materializar rindo às gargalhadas, pois ele adorava ver briga de homem e mulher. Diana começou a gritar que não era justo fazê-la nascer com amnésia, e que os galhos de Aruma eram culpa dele. Aruma a beijou para não brigar com o casamenteiro, depois, mais calmos, receberam a benção divina, que os casou pela eternidade de todas as futuras vidas, sem mais amnésia.

Depois do casamento, eles simplesmente “desapareceram”.

Na universidade o desaparecimento de Diana foi motivo de “bingo”. Fizeram apostas das mais variadas, registraram na parede, pois havia uns 500 homens apaixonados pela deusa. Depois foram em bando ao templo da cidade para ver o casamento em reprise. Quando a imagem de Aruma beijando Diana ficou nítida, todos falaram em coro: incrível! Afinal, o nome de Aruma não estava na lista de apostas. E depois todos se faziam a mesma pergunta, como é que um troglodita negro como a noite, conquistara uma deusa da beleza apenas com um beijo?

Silvio ficou no templo mais um tempo. Ele estava aliviado, pois Diana havia casado com um homem melhor do que ele, capaz de esperar pela mulher amada sem nunca beijar ninguém. E perguntou para as almas, qual era o segredo do amor? E as almas responderam-lhe: nunca ouviu falar de alma gêmea? E desapareceram rindo, deixando-o ainda mais encabulado. Já na saída perguntou para seus amigos Alessandro e Miguel:

— Vocês sabem o que é alma gêmea?

Alessandro falou-lhe:

— É a nossa metade perfeita. Quando nós a encontrarmos estaremos ferrados, nunca mais vamos querer sequer olhar para outra mulher. É condenação eterna. E quando é que vais falar com quem estás namorando, cara?

— Um dia irão saber. Não posso revelar ainda, não esqueçam que Diana é campeã de espadas...

E caminharam juntos até a universidade, onde cada um foi para matérias diferentes. Silvio tinha que aprender o idioma de “B”, no máximo em 6 dias.

Mas, o dia da partida de Silvio começou a fazê-los sofrer a todos. Miguel, Alessandro, as famílias de todos eles, começaram a sentir sem piedade a dor da separação. Essa guerra que estava em frente esvaziaria essa cidade e a partida de Sílvio era apenas uma amostra do que isso significava.

Arethi ficou tão perturbada, que começou a reprovar matérias na escola de medicina. Cirurgia foi seu maior pesadelo, pois tudo se fazia em robôs que eram a cópia fiel do corpo humano. E como a origem de todas as doenças humanas se concentrava no cérebro, ela abria os miolos com delicadeza, mas uma luz vermelha acendia sem piedade indicando que matara o paciente. Pior foi a matéria de diagnósticos. Desta vez ela ficava frente a frente de um aluno da universidade de guerra, isolado com uma cortina grossa, com um buraco redondo para mostrar o rosto. Ela tinha que colocar o polegar na testa, olhar nos olhos e falar onde estavam as feridas, qual a intensidade de suas dores e esperar que a luz por cima acendesse. Se a luz fosse verde seu diagnóstico estava certo, se era amarela havia acertado 50% e se era vermelha estava reprovada.

Silvio tentava consolá-la nos encontros noturnos:

— Não se preocupe, meu bem, em alguma coisa vai se formar, enfermeira ou faxineira dos corredores do hospital...

— Não ria de mim, seu palhaço... E você? Meu pai contou que apanhou feio no caratê. Tem muitos machos mais fortes que você?

— Machos? Meu amor, tem duas pretas selvagens que estão surrando todo mundo...

E as risadas eram baixinhas, escondidos entre as lavouras de casa.

Silvio foi congelado um dia qualquer, colocado numa nave pequena aos comandos de 3 robôs e lançado no espaço como uma bala.

Foi quando Arethi entrou na escola de medicina berrando, histérica, e fez seus colegas e mestres correrem para socorrê-la. Colocaram-na na UTI numa cama flutuante rodeada de luzes, a hipnotizaram para dormir sete dias, e a amarraram com cordas firmes para que ela não arranha-se nem ferir-se. Cesio chorou nos corredores abraçado a sua mulher, pelo estado da filha, e quando chegou em casa teve que consolar Miguel que estava tão arrasado quanto eles mesmos. Afinal, a partida de Silvio havia terminado com a felicidade nessa casa.

Nos dias seguintes, Cesio foi pouco a pouco cuidando de todos, até vê-los sorrir novamente.

Notas finais
Foi quando Arethi entrou na escola de medicina berrando, histérica, e fez seus colegas e mestres correrem para socorrê-la. Colocaram-na na UTI numa cama flutuante rodeada de luzes, a hipnotizaram para dormir sete dias, e a amarraram com cordas firmes para que ela não arranha-se nem ferir-se. Cesio chorou nos corredores abraçado a sua mulher, pelo estado da filha, e quando chegou em casa teve que consolar Miguel que estava tão arrasado quanto eles mesmos. Afinal, a partida de Silvio havia terminado com a felicidade nessa casa.