Guerreiros intergalácticos

5 A nave intergaláctica


Notas iniciais
Enquanto todos se encaminhavam para uma festa de boas vindas, o Comandante dos pilotos convidou Silvio e seus tenentes a conhecer o interior dessa nave. Subiram pela escada luminosa, flutuando levemente, para encontrar dentro dela uma pequena cidade, pois havia de tudo para se conviver sem que nada faltassem aos guerreiros. A nave central, que se unia a 10 outras naves ao redor, possuía vários andares e terminava em forma de pirâmide no fim das escadas. Nesse último lugar existia uma sala de reuniões para Sílvio com seus tenentes de cúpula, e era onde se encontravam também as suas suítes.

Uma nave gigante chegou nesse planeta, num dia qualquer, cobrindo a selva com sua sombra gigante. Ela parou por cima das copas das árvores e esticou 10 pés metálicos que foram entrando na terra até atingir a rocha firme. A seguir 10 focos de luzes ascenderam e uma plataforma luminosa alongou-se até a cidade, para transportar 80 pilotos. Eram homens brancos, média de altura de 2,45m como Fábio, e mulheres altas, esbeltas e lindas como Diana, que trajavam uniforme vermelho e um boné na cabeça, ligeiramente ladeado para junto da orelha esquerda. Todos eles eram casados, como mandava o regulamento dessa viagem, sem filhos, com direito a retornar para seu planeta quando o comandante Sílvio os aposentasse. Eles nunca desceriam nesses três mundos selvagens. Regressariam numa nave pequena que se encontrava acoplada na parte inferior e se congelariam para regressar mais rápido a seu mundo “D”, o gigante planeta do sistema ALPHA.

A chegada deles enlouqueceu todo mundo. Seis Sacerdotes Estelares, que estavam de visita, os receberam com honras, ao lado do Sacerdote de “L”, — em frente às câmeras sempre prontas de Fernand, que não perdia destaques dessa guerra — todos eles agradecidos pela cooperação intergaláctica. E Cesio, que estava muito emocionado, fazia fila com todos os Diretores de todas as Universidades de Guerra.

A chegada desses pilotos marcava a partida dos guerreiros para a guerra, o que mexia com os sentimentos de todo mundo, pois já tinha pais que começavam se deprimir dentro de casa. E no fim dessa fileira, estava Sílvio vestido de branco e seus tenentes de cúpula, que vestiam pela primeira vez seus uniformes dourados, junto aos espiões que vestiam o uniforme preto com uma capa que chegava até o chão . Xixim, era a única aparelhada com um vestido elegante, maquiagem pesada, joias, flores na cabeça, tentando um visual lindo nesse planeta com pessoas de péssimo gosto para se vestir.

Enquanto todos se encaminhavam para uma festa de boas vindas, o Comandante dos pilotos convidou Silvio e seus tenentes a conhecer o interior dessa nave. Subiram pela escada luminosa, flutuando levemente, para encontrar dentro dela uma pequena cidade, pois havia de tudo para se conviver sem que nada faltassem aos guerreiros. A nave central, que se unia a 10 outras naves ao redor, possuía vários andares e terminava em forma de pirâmide no fim das escadas. Nesse último lugar existia uma sala de reuniões para Sílvio com seus tenentes de cúpula, e era onde se encontravam também as suas suítes. No meio delas havia uma piscina térmica, contornada com um jardim de flores cheirosas, uma praça, e, subindo uma escada encostada numa parede se chegava ao telescópio, com alcance suficiente para ler a mente dos selvagens desde longa distância, além de mais 2 telescópios menores adjuntos, para quando fosse necessário olhar nos três mundos ao mesmo tempo. Descendo, no andar seguinte, estava o templo para falar com “00”, ou para ver vidas passadas, ou para conversar com anjos espirituais através do “Espelho falante”. Além dele estavam os laboratórios de pesquisas em frente a um microscópio, onde se podiam inventar medicamentos, cremes para embelezamentos das guerreiras, ou examinar doenças dos vergéis das hortas. Descendo mais um pouco, estavam os armazéns com farinhas, junto às máquinas para fazê-las, pois nas 10 hortas da nave crescia o milho, o arroz, a mandioca, as batatas, a cevada e o trigo, entre árvores e flores. E no último andar encontraram milhares de peças metálicas, além de uma fábrica para os engenheiros e os mecânicos modelar e inventar o que fosse necessário. Os mecânicos poderiam trabalhar ininterruptamente durante essa viagem, tampando buracos que essa nave viesse a ter.

As naves ao redor, que se encostavam à nave central, também continham vários andares. Elas possuíam as suítes dos guerreiros, entre cinemas, danceterias, lojas de roupas, joalherias, cabeleireiro, ambulatórios médicos, piscina maiores, jardins com mesas para jantar, tomar café, ou simplesmente jogar um bingo, que era o vício dos guerreiros. Cada nave possuía uma horta no último andar, dentro de uma cúpula de vidro em forma de gota d’água, com capacidade para cultivar as frutas e os legumes necessários para o consumo humano. Em meio aos cultivos havia galinhas, codornas e pavões cutucando larvas no chão, alguns passarinhos, pequenos roedores, lagartos, tamanduás, periquitos, pequenas cobras, iguanas, abelhas para fazer o mel e os insetos necessários para a polinização. Nos andares inferiores havia escolas para crianças pequenas, para ensino médio e estudo profissional como mecânica, agricultura, veterinária e medicina. E em cada nave havia uma Universidade de guerra. Nelas os guerreiros podiam continuar a se exercitar no que desejassem, como telecinesse, estudo de idiomas, as estratégias de guerras, lutas, ou a telepatia universal, que era a mais difícil.

Nos penúltimos andares inferiores dessas 10 naves, se encontravam os suprimentos para o pós-guerra, para os tempos de pacificação, que era a mais longa e mais complicada. Havia estoque de remédios que poderiam ser usados num primitivo desnutrido e doente, além de hospitais de campanha equipados com camas, instrumentos cirúrgicos, e freezers com líquidos verdes, vermelhos, amarelos, que era o que se usava em todo mundo do Sistema ALPHA para recuperar um corpo adoentado. E na parte final, nos três últimos andares, se alinhavam as naves de combate. As naves prateadas, que formavam a primeira fila olhando para o espaço, eram as naves dos tenentes. Mais atrás, enfileiradas, as naves dos sargentos pintadas de azul, e nas últimas filas estavam às naves dos soldados pintadas de marrom alaranjado. E, num canto menor, as naves cargueiras, nas quais se podiam transportar grandes grupos de soldados, para se deixar cair num mundo primitivo em meio de uma noite escura.

Após ver tudo, boquiabertos, pois os homens de “D de ALPHA” os haviam brindado com coisas além da imaginação, Silvio convidou o Comandante e sua esposa para a festa que estava acontecendo no ginásio da Universidade de guerra. Através da conversa, souberam que os pilotos cuidariam que nenhum acidente lhes importunasse o caminho, e que Silvio só deveria escolher os faxineiros, os jardineiros, os cozinheiros, pois os robôs dessas naves só estavam condicionados a cuidar da lavanderia e das cozinhas.

Nos dias seguintes, os guerreiros começaram adentrar nos últimos andares para conhecer as pequenas naves de combate, onde o guerreiro sentava num assento giratório visualizando todas as direções. Na verdade ele só devia aprender o manuseio dos controles, pois quem desintegraria o inimigo seriam eles mesmos, com um piscar de olhos sobre o inimigo. Apenas isso. A tenente Anaha, vestida de dourado, entrou na sua nave, saiu em velocidade lenta para o espaço, esperando que seus 8.000 guerreiros se alinhassem atrás dela formando um triângulo perfeito. Só depois de formados como um bloco só, eles foram em direção à rota dos asteroides, que giravam em redor do planeta “L” e começaram a disparar dardos mentais. Cada um devia eliminar uns 200 pedaços de sujeira espacial entre pequenos, médios e maiores. Mais adiante, Natália fazia o mesmo. Miguel e todos os demais tenentes copiavam a receita, enquanto Diana e Arethi estudavam nos telescópios, junto a Sílvio, pois como mães não lutam na guerra, elas teriam que ajudar o Comandante no trabalho de espionagem nos telescópios.

Já os “soldados mecânicos”, estudavam com os “soldados engenheiros” cada detalhe dessas naves para sua manutenção futura. Também os “soldados pilotos” subiram para aprender o manejo dos controles, das 11 naves, que se encaixavam uma nas outras em forma de aranha. E os “soldados faxineiros”, junto aos “soldados engenheiros”, olhavam com atenção cada junta onde se podia formar uma placa microbiana e perigosa. Cada mancha que aparecesse os faxineiros desintegrariam sem piedade, com um piscar de olhos, e chamariam a seguir os mecânicos para repor os estragos.

Os turistas e convidados de outras cidades e de outros mundos, não perdiam a hora dos exercícios. Todos de binóculos nas mãos os acompanhavam com entusiasmo, quando voavam para imensidão como bando de gafanhotos. Sempre um tenente de cúpula na frente, seguido das naves prateadas, depois as de cor azul e por último as naves laranja dos soldados. Só não conseguiam ver a desintegração dos asteroides no espaço, pois a nave de Fernand estava proibida de se misturar nesses exercícios.

Mas os dias mais loucos, foram quando todos os guerreiros foram sendo chamados em grupos de 200 de cada vez, vestidos com seu uniforme, para se instalarem nas suas suítes individuais. Mahaia lhes mostrava o mapa das suítes, eles escolhiam, colocavam um crachá no uniforme, e subiam no raio de luz até a suíte escolhida, sempre avisando com telepatia para os amigos o endereço para que escolhesse o mesmo andar e a mesma nave. Os casados encontravam uma cama flutuante grande e, embaixo dela, uma banheira tampada com vidro grosso de cor azul. Num canto havia um assento erótico, numa parede uma televisão e em outra estavam os armários para as coisas pessoais. Também havia uma patente de banheiro com descarga, pois fazer cocô ia ser obrigação. Os solteiros não encontravam assento erótico e sua cama era menor. No resto era tudo igual.

Para Mahaia acomodar os guerreiros foi moleza, mas acomodar os “bichos de estimação” foi um sufoco, pois nos parques e jardins não havia espaço suficiente para tanto animal. Eles alegavam falando: mas ele vai dormir na minha cama.... mas, Mahaia sabia que a bicharada gostava de correr pelos corredores. O cúmulo foi quando um soldado apareceu com uma égua branca e prenhe. Era uma loucura levar um cavalo. Gritou por “socorro” para Cesio e ele chamou com telepatia a todos os guerreiros com “bicho de estimação” para fazer um bingo na “Universidade de guerra”. Quem ganhasse os primeiros 3.000 números levava seu animal. Como a tartaruga Nani já estava instalada com seu namorado dentro da horta, junto a uma pequena lagoa feita por Silvio para agradar sua amada, e os passarinhos de Xixim enfeitavam 5 hortas com cores reluzentes, todos eles ficaram fora desse bingo.

Quando Sílvio encontrou essa égua prenhe caminhando pelos corredores, teve que engolir... E ainda pediu para os veterinários lhe procurar um macho, pois nessa nave metade dos seres era feminina e metade masculina. Os cavalos foram acomodados numa praça com um cerco de madeira e palha no chão para dormir, e um pequeno robozinho faxineiro foi acionado para recolher suas fezes e lhes dar comida na boca. Fezes que seriam transformadas em adubo nos laboratórios para as 10 hortas dessas naves.

E, com tudo pronto, só tiveram que esperar que as 3 estrelas de SIGMA alinhassem em frente aos telescópios.

Enquanto se esperava pela partida, as festas começaram a pipocar no mundo todo. Os guerreiros vestindo seus uniformes eram abraçados em todo lugar, enquanto Fernand entrevistava periodicamente a alguém perguntando que bicho estava levando, pois isso foi à notícia mais empolgante. Fernand filmou pessoalmente os gatos dormindo nas suítes, os cachorros acomodados em camas fofinhas ao lado de uma cama de solteiro, e os bichos estranhos. Havia até um casal de tamanduá catando formigas numa horta.

Cesio organizou uma festa para seus alunos que partiam no grande ginásio esportivo. Os pilotos chegaram nessa festa com roupa de gala. Os tenentes de cúpula vestidos com o uniforme dourado, os outros tenentes de prateado, os sargentos de azul e os soldados de laranja. O uniforme era um macacão que se ajustava ao corpo, com decote em “V” para as mulheres e colarinho ao pescoço para os homens. Os cabelos desta vez tinham que ser cortados, ou, com um penteado. Os homens podiam fazer um rabo de cabalo e as mulheres as tranças por sobre a cabeça, ou em forma de caracol sobre as orelhas, ou uma trança nas costas. Também tinha um penteado “ninho de passarinho” para as mais exigentes no quesito beleza, além do elegante coque de bailarina. Brincos eram usados à vontade, também pulseiras, anéis e cintos na cintura para realçar a forma.

Arethi com um vestido dourado de grávida e um penteado ninho de passarinho, estava chateada. Sua cabeça coçava e estava gorda. Sílvio vestido de branco estava mais lindo do que nunca. Além do mais, ele estava com uma capa nas costas, igual aos espiões. Sílvio, que lia sua cabeça como livro aberto lhe disse:

— Está com ciúmes, meu amor? E de quem?

— Da frota toda, se olhar para uma solteira, não esquece meu soco...

— Palhaça! Sabia que em “B” eu nunca toquei em nenhuma mulher?

— E eu também não, fiquei cega aos homens...

— Mas eu estava com a libido a todo vapor, já imaginou o que isso significou para mim?

— Mas, como é que se aliviava?

— Com a boneca de borracha... Não vai ficar com ciúmes dela, vai?

E Arethi começou a rir desta vez. Mas, foi por pouco tempo, pois Silvio a levitou no ar e deixou-a cair aos poucos, com esse vestido flutuando em redor, e finalmente ela estava frente a frente, para um namoro ardente, e deixar claro que ela era a mulher de seus olhos e de seu coração. Perto dali, mais um casal passava por problemas parecidos, pois Diana com um vestido dourado estava estonteante. Aruma estava com dor de cabeça e queria ficar em casa. Ela gritou-lhe:

— Está bem seu ciumento, vamos ficar aqui e durante a viagem vou ficar trancada. Está bem assim?

— Não! Nada disso, mas vou avisando, ao primeiro beijoqueiro eu vou dar soco nele.

E ela fez que nem Sílvio, abriu o uniforme de Aruma, começou a beijar seu cangote, sua boca, falando palavras doces, pois Diana realmente era doida de amor por ele e Aruma era o macho mais orgulhoso desses amor, de toda a frota.

E nessa festa Diana passou despercebida. Xixim finalmente conseguira que um robô costurasse para ela vestidos finos, como ela usava em seu mundo, exagerou nas joias, fez maquiagem nos olhos, na boca, e implantou cílios definitivos. Estava tão linda que Fernand a entrevistou assim que entrara nessa festa abraçada em 004, que vestia sua capa arrastando pelo chão. Depois Fernand começou a entrevistar as mulheres grávidas, a maioria esposas de tenentes. O último a ser entrevistado foi Aruma, sentado num canto com Diana no colo:

— Me fala Aruma, porque viajar para uma guerra com a esposa grávida? Não era melhor ficar aqui em casa? E você, como marido, não tem medo, não?

— Claro que não, quando chegarmos nesse lugar dos combates, meu filho já vai ser um adulto e com certeza mais um guerreiro...

— Não tem medo de morrerem, todos juntos?

— Só de pensar nisso fico doente, mas mulher que tem filhos não entra nos combates, e eu, bem, sou coisa indestrutível...

Enzo, Mitzuo, 006 e 002, entraram na roda dos soldados solteiros, apertando mãos das damas, dando beijinho no rosto, marcando encontros futuros nas danceterias para uma balada, e sorriam. Essas solteiras só queriam fazer uma coisa dentro das naves, namorar, namorar e namorar. Além do que, com uniformes dourados, Mitsuo e Enzo brilhavam entre a multidão e os Espiões vestidos de preto eram os homens mais enigmáticos dessa frota. Altos, magros, cabelos pretos ligeiramente longos e soltos, 002 olhos azuis e 006 olhos verdes, eles chamavam atenção das damas e se aproveitavam desse glamour.

Durante essa festa todos dançaram até o amanhecer e teve os que beberam além da conta. Cesio foi para casa abraçado em Mahaia cambaleando, arrasado, com peito doído de ver seus filhos e seus melhores alunos partindo para uma morte prematura. Nenhum deles sequer viveria 80 anos. Somente os Espiões sobreviveriam e voltariam para seu mundo.

Uns 15 dias após essa festa, as 3 estrelas de SIGMA alinharam formando uma luz tão brilhante que dava para ver a olho nu. Era uma ajuda que “00” lhes enviava desde longe, para eles nunca errarem o caminho. Foi o início das festas em família, para se despedir dos que partiam.

Cesio, nessa altura, estava a ponto de uma parada cardíaca, mas como era teimoso, deixou o hospital e os tratamentos médicos para o futuro e chamou Alessandro e Sílvio com seus pais para uma festa, e a todos os amigos de infância de todos eles. Trouxe da “Universidade de guerra” 50 robôs cozinheiros para preparar o banquete. Mahaia só deu para os robôs o cardápio e os fez alinhar mesas entre a sala principal e os jardins. Tampou as piscinas, interna e externa com um vidro verde, e colocou luzes entre os arbustos e árvores. Para servir os convidados, pegou emprestado da “Escola de artes” pratos de argila, de madeira e de fibras entrelaçadas, e talhares de prata, feita com extrema destreza artística. E foi distribuindo os sanduíches minúsculos, as panquecas recheadas com pasta de feijão, os pasteis de rúcula com queijo, as tortas de frutas com cremes, as saladas de fruta em taças de cristal, e o sorvetes os deixou aos cuidados de um robô, que colocaria com colher nos pratos de quem pedisse. Já a cerveja e o vinho, os robôs serviriam em bandeja em copos de cristal lapidados.

E essa mansão lotou de gente. Os irmãos de Arethi organizaram uma orquestra completa e houve bailado até o amanhecer. Mahia prometeu a si mesma não chorar, e como anfitriã foi cuidando dos convidados com alegria, e lhes perguntava: — está bebendo alguma coisa? Depois corria para cozinha a colocar copos, fazia qualquer coisa para não pensar que seus filhos estavam partindo para a morte. Já Cesio mais uma vez encheu a cara. E entre palavras entrecortadas, fez um discurso para todos no fim dessa festa. Disse que a morte não existia, havia apenas a separação entre as pessoas que se amavam de verdade, e que em algum momento de um futuro muito distante, todos se reencontrariam no mundo de “A de ALPHA”. Depois todos choraram abraçados, e pouco a pouco foram se encaminhando para suas casas.

No dia seguinte, um a um, os guerreiros chegavam de todos os cantos do mundo, subiram nas naves, se instalaram nas suas suítes, alguns com seus bichinhos de estimação nos braços para se consolar da separação da família. Só os cães maiores entraram com uma corrente ao pescoço, para não se perder no caminho. Muitos ficaram deitados fora das suítes, por cima de uma manta grossa, com um prato de ração ao lado. Cada porta das suítes possuía uma abertura na parte inferior para os gatos e cães pequenos entrarem e saírem à vontade a passear pelos corredores, mas, quem era maior, deitava fora da porta, ou subia e se acomodava em algum assento próximo.

O último a dar um abraço em Sílvio, antes de ser elevado no ar, foi Fernand, arrasado de emoção. Os pais dos guerreiros, a maioria em casa, olharam a nave gigante se elevar lentamente com destino ao Cosmos desconhecido e por último desaparecer da vista de todos. Fernand e todos os convidados de outros mundos, começaram a organizar o regresso para casa logo em seguida. Emocionados, pois os guerreiros nunca mais regressariam a seu mundo, e isso os arrasavam.

Trancados dentro de casa, Cesio e Mahaia dormiram abraçados durante uma semana, com um calmante forte. Depois, pouco a pouco, com a companhia dos outros três filhos, que eram músicos e alegravam essa casa com piano e violões, foram saindo da depressão. No oitavo dia, Cesio colocou a mão no ventre de sua mulher, amadureceu 2 óvulos e a engravidou de gêmeos diferentes, um rapaz de pele branca e cabelos escuros e uma menina de pele escura e olhos lilases. Nos dias seguintes saíram num roteiro pelo mundo, pois Cesio fora aposentado pelo Sacerdote Estelar de suas funções de diretor da “Universidade de guerra”.

Quem foi chamado para ser o novo diretor foi o pai de Sílvio. E como todo diretor obedece diretamente a “00”, o espírito mais elevado da criação universal, o pai de Silvio se apresentou em frente dele e o escutou falando com seriedade:

— Você tem que começar a formar mais um grupo de combatentes. A próxima guerra acontecerá no “Mundo dos Iguanas” na 8º Dimensão universal. Os melhores homens do universo estão nascendo neste planeta, já outros estão morrendo neste instante, para viajarem a reencarnar neste mundo da guerra. O pai de Silvio falou-lhe:

— Tentarei ser digno para o cargo...

— Isso eu já sei...

E a imagem celestial desapareceu sem dar risadas desta vez. Se havia algo que partia o coração de “00” era pedir aos melhores homens do universo se sacrificarem para ajudar aos homens inocentes, que sofriam em mãos de homens que torturavam o semelhante por sadismo e falta de amor no coração.

Afinal, o universo tinha ainda muitos planetas povoados com homens que não conseguiam entender que ser maldoso tem um péssimo destino.

Notas finais
Trancados dentro de casa, Cesio e Mahaia dormiram abraçados durante uma semana, com um calmante forte. Depois, pouco a pouco, com a companhia dos outros três filhos, que eram músicos e alegravam essa casa com piano e violões, foram saindo da depressão. No oitavo dia, Cesio colocou a mão no ventre de sua mulher, amadureceu 2 óvulos e a engravidou de gêmeos diferentes, um rapaz de pele branca e cabelos escuros e uma menina de pele escura e olhos lilases.