Guerreiros intergalácticos

6 Viajando entre as estrelas


Notas iniciais
Ao entardecer, nos momentos que essa nave enlouquecia com os jantares de gala, eles apareciam com os meninos, os quais ficavam pouco tempo com eles, pois todos queriam carregá-los no colo. Principalmente os tios Miguel e Alessandro. Arethi comia como leoa faminta, pois os meninos mamavam a cada 3 horas, de dia e de noite. E seus peitos estavam tão grandes, que necessitavam de um sutiã especial para que não doesse sua coluna. Uns 8 dias depois Diana começou a dar a luz. Só que desta vez Helena chamou um parteiro especializado, pois o menino era um gigante e estava de cabeça para cima.

Viajando entre as galáxias, Arethi olhava fascinada a paisagem cósmica, pois, com a velocidade invisível, elas passavam umas atrás das outras mostrando suas formas excêntricas. Havia luzes em forma de caracol, espiral e as nebulosas que tinham combinações de cores vermelhas misturadas com azul e verde. Era encantador. Quando cruzavam entre uma galáxia, parecia que estavam entre um jardim iluminado com milhares de brilhos cintilantes.

A energia que nutria essa nave era dos próprios homens. Ela sugava a força de cada ser humano, de cada bicho, de cada planta, até de cada inseto, para voar além da velocidade da luz. Para viajar na velocidade do pensamento. Para não se desintegrar com a roçadura contra a velocidade, a nave era envolta com uma energia que a embrulhava como uma luva e que a protegia como um manto invisível. No exterior, antenas em forma de agulhas sugavam tudo que cruzasse no caminho, umidade, calor, oxigênio e qualquer componente químico que houvesse voejando no espaço infinito, para alimentar o ambiente interno.

Desde o primeiro dia dessa viagem, o melhor momento passou a ser o das refeições, servidas em mesas junto aos jardins. E os pilotos do mundo “D de ALPHA” eram abraçados com euforia, pois haviam trazido com eles os melhores robôs cozinheiros de todas as galáxias. Em “L de ALPHA” os homens sobreviviam na base de sanduíche e de sorvete, e desta vez havia 200 pratos salgados distintos e 300 sobremesas de doces e marmeladas, bolos, que eram um estouro. E todos os dias o cardápio era diferente ao do dia anterior. O que mais chamou atenção foram as massas. Os robôs esticavam massas de farinha com gelatina e água, e se preparava a lasanha com tofu, pasta de nutrientes e molho branco. Ou faziam espaguetes com salsa de tomates e manjericão, ou com castanhas, amêndoas, uva passa, além de um creme de leite de soja que era derramado por cima. Havia ravióli, nhoque, com molhos diferentes, dos quais os guerreiros aprendiam os nomes e pediam para os robôs aos berros. O arroz foi também a sensação. Eram risotos deliciosos, bolinhos de arroz, empadas de arroz doce, sobremesas de arroz doce com canela por cima, e tinha a abóbora, algo que em “L” era dado aos porcos, cavalos e demais animais em meio ao mato. Eles cozinhavam sopas cremosas deliciosas com abóbora, com cebolinha picada por cima, panquecas de abóbora com caramelo derretido por cima, tortas doces de abóbora, abóbora cozida em calda de caramelo, suflê, faziam até molho de abóbora para macarrão, cortado em pedaços bem fininho. E além de tudo isso, as saladas excêntricas enfileiravam sobre as mesas. Havia as maioneses de babatas com uva passa, ou a maionese de maçã com outras frutas, ou, de beterrabas e cenouras, ou, havia os tomates em miniatura, misturados às alfaces e rúculas em forma artística, sobre bandejas que esvaziavam logo. Também tinha as sopas de tudo, de capeletti, sopa verde, sopa vermelha, sopa amarela, junto aos cremes de cores similares. De vez em quando um “cachorro quente” em pão pequeninho, com uma linguiça feita de nutriente, os fazia lembrar-se dos banquetes de “L”. A maior gozação nessas naves era com os “soldados cozinheiros”, que entraram para trabalhar nas cozinhas em turnos alternados. Eles eram ajudantes de robôs, uma profissão nova. Até quem fazia o cardápio era o robô mestre de plantão. Quem tinha um cão grande sentado junto à cadeira, dava na boca do bicho uma sobra do prato para lamber. Até os gatos amavam comer um pratinho de massas com nutrientes.

Outra coisa que enlouqueceu as mulheres, foram as lojas que mostravam roupas lindíssimas, finas, translúcidas, junto a joias maiores, com brincos que penduravam até os ombros, tudo de fino bom gosto. E como Sílvio deu permissão para todo mundo se vestir à vontade depois das 6 da tarde, os relógios espalhados em todos os cantos eram vigiados com atenção (desta vez conforme o tempo que demorava um dia em “L”). Assim que se marcava 18,00 horas, se ouvia uma gritaria geral. Sílvio já sabia, era o momento da mulherada se embelezar. Muitos homens também começaram a se vestir elegantes, com calças bem alinhadas, camisas bordadas, gravatas, lenços, brinco na orelha, algumas joias masculinas e perfumes.

Durante o dia, porém, Silvio exigia ir aos ginásios para treinar, para nunca perderem a musculatura. Deviam bater com mãos e pés contra bolas penduradas no ar, correr sobre máquinas que mexiam um caminho de borracha, andar em bicicletas ergométricas, ou correr entre os corredores dessa nave, ao lado do cão, como faziam em seu mundo. E nas Universidades de guerra, deviam fazer pós-graduação, para aprimorar principalmente a telepatia universal. Já os trabalhos, cada um na sua profissão, foram marcados conforme a necessidade deles mesmos. Faxineiros por exemplo, uma vez a cada 5 dias. Médico, foi decidido que faria plantão a cada 15 dias nos ambulatórios. Os veterinários prestariam serviço nos consultórios para a bicharada a cada 6 dias, e eles teriam que vigiar cada espécie dentro dessa nave, para controlar que nenhum deles se transformasse em pragas. E muito menos que cachorros e gatos se multiplicassem loucamente. Os veterinários falavam para cada dono de um bichano: — só pode ter uma ninhada, ou duas conforme a espécie. Depois eram feitas vasectomias nos machos com uma cirurgia delicada, que não os impedia de continuar montando as fêmeas durante a noite.

Sílvio e Arethi frequentavam os jantares com os amigos em média a cada 7 dias, pois no resto do tempo se perdiam no aconchego dessa suíte deliciosa. Sílvio atendia seus 80.000 soldados com telepatia, para solucionar coisas pequenas, como turnos de trabalhos, programação de currículos nas “Universidades de guerra”, ou era informado de fofocas, quantos solteiros estavam noivos e desejavam uma suíte maior, coisas desse tipo. Como a pilotagem era responsabilidade do Comandante de “D”, Sílvio só era informado sobre tempo de viagens, ou que galáxia estava atravessando, ou um convite para um encontro nas danceterias ou nos jantares. Já os Espiões ajudavam o Comandante de “D” nas peculiaridades da rota. Qual curva era melhor de se fazer e quantas Galáxias deveriam evitar, por causa de tempestades terríveis.

Todos os “tenentes de cúpula” faziam atendimento por telepatia para seus tenentes. Já os tenentes eram rígidos com os sargentos, pois faziam reuniões na “Universidade de guerra” para exercícios físicos, telepatia universal, esportes, e os sargentos faziam depois a mesma coisa com os soldados, obedecendo a um cronograma feito por eles mesmos.

E os guerreiros faziam tudo rindo, pois depois das 6 da tarde era o jantar de gala, com todos elegantes, comendo entre jardins, bebendo um vinho delicioso, e logo após havia as baladas com música excitante e as paqueras entre os solteiros, que começaram também desde o inicio.

E um dia, depois de um jantar regado a cerveja, Arethi, sentada no colo de Sílvio, sentiu a bolsa arrebentar e o líquido caiu ao chão, fazendo todos rir, pois Miguel falou alto: — Silvio está se mijando, gente...

E Sílvio correu com ela no colo até o ambulatório médico mais próximo. Helena foi junto, seguida de Fábio, para atender o parto da amiga, enquanto Sílvio, veterinário esperto, falava que uma égua e uma mulher pariam da mesma forma, então, nada de medo. Arethi ria, mais quando ela deu o primeiro grito, Silvio ficou branco como a neve. Arethi foi estendida sobre uma cama macia, colocaram as pernas sobre dois suportes, e Helena lhe colocou um dedo na testa para anestesiá-la. Em seguida lhe desintegrou as fezes e urina, colocou o vidro vermelho para ver como estavam os meninos, e abriu essa vagina mais um pouco, até deixar que sua mão entrasse sem problemas, pois os gêmeos estavam rodeados com o cordão umbilical, como se estivessem empacotados. Cortou o cordão com a energia que saía de seu dedo índice e foi retirando o primeiro menino sem encostar-se a ele, só usando a energia das mãos para puxá-lo como quem emerge de um buraco escuro. E ele caiu nos braços de Silvio, que o beijou emocionado. Em seguida foi retirando o segundo, que caiu nos braços de Miguel. Ambos os homens os embrulharam com mantas, com um olhar desintegraram toda a sujeira da pele, e os meninos deram um sorriso para todos, pois haviam chegado Alessandro e Zesé, Diana e Aruma, e amigas íntimas de Arethi, lotando o ambulatório.

Enquanto a plateia falava mil coisas de como eles eram lindos, loiríssimos como o pai, olhos azuis em um, verdes no outro, Helena desintegrou a placenta de Arethi, limpou o útero do sangue, fechou o colo com um dedo no interior, foi apertando a vagina, estreitando-a aos poucos e, finalmente, lhe colocou um absorvente interno para sangramento. Colocou as mãos a uns 5 cm por cima da barriga e começou a fazer curvas, para que os tecidos voltassem ao normal.

Arethi reconheceu seus meninos no primeiro olhar, era seus dois filhos da vida anterior, que chegaram a se unir aos papais nessa guerra maluca. Os haviam seguido por vontade própria. Miguel, o único que olhava para as vidas passadas, lembrou-se do nome deles, Moises e Adão, afinal Sílvio não falava nada, só dava beijos nos guris e em Arethi, tentando se conter para não chorar em público, afinal, ele era o Comandante, o mandachuva dessa turma, e os soldados não perderiam a ocasião para rir na sua cara.

Um piloto chegou nessa sala, para dizer que os meninos haviam nascido no Sistema BETHA, em linha direta com o mundo de “V”. Um planeta muito primitivo, que havia sobrevivido a uma guerra. Sílvio lembrou-se imediatamente, que esse era seu mundo, seu planeta, e ele havia morrido defendendo-o no passado. Foi quando uma lágrima finalmente escorregou pela sua face. Um dia, no futuro, o visitaria, só não sabia quando seria isso.

E a vida de mamãe Arethi começou maravilhosa. Duas camas pequenas, tampadas com bolhas de cristal, com milhares de mini furos, foram colocadas dentro de seu dormitório. Como elas eram flutuantes, Arethi as trazia para junto de si quando era a hora de mamar. Logo encostavam as camas no teto, abriam a banheira e entravam com os meninos dentro, um no colo do papai e um no colo da mamãe. O cocô era limpo com o olhar e Sílvio lhes puxava urina com a mão. Depois passavam sabão perfumado e os faziam flutuar nessa água como peixinhos. Os secavam com a mirada, embrulhavam numa manta, colocavam nas caminhas e então Sílvio lhes colocava um dedo na testa para dormir por 3 horas. Depois, Arethi sentava no colo de Silvio e trocavam beijos doces, esperando com paciencia pelo dia que voltariam a praticar amor.

Ao entardecer, nos momentos que essa nave enlouquecia com os jantares de gala, eles apareciam com os meninos, os quais ficavam pouco tempo com eles, pois todos queriam carregá-los no colo. Principalmente os tios Miguel e Alessandro. Arethi comia como leoa faminta, pois os meninos mamavam a cada 3 horas, de dia e de noite.

Uns 8 dias depois Diana começou a dar a luz. Só que desta vez Helena chamou um parteiro especializado, pois o menino era um gigante e estava de cabeça para cima. Aruma, que de medicina não sabia nada, estava paralisado ao lado dela, beijava-a no rosto e falava coisas como: — ele vai sair sem problemas, querida, não se preocupe. Mas, quando viu o parteiro entrar o braço todo dentro dela, começou a passar mal, pois sua vista estava enevoada, seu coração tinha batimentos loucos e suava frio. Sílvio lhe gritou com telepatia: — deixa de ser covarde, homem... Ele reagiu, no momento que seu filhote saia aos poucos, calmamente, para não machucar a mãe. Helena o recebeu nos braços, embrulhou com a manta, limpou-o com o olhar e colocou no colo do pai. E Aruma chorou em público, sem vergonha. Ele era escurinho como ébano, pesava 7 quilos e já queria mamar.

Um piloto apareceu mais uma vez e disse que estavam saindo do Sistema “B de ALPHA” em frente ao mundo “Z”. Sílvio perguntou: — alguém é de lá? E Miguel lhe disse:

— Arethi , Aruma, Natália, Zesé, Fabio e Diana.

— Mas, e nós, como é que a gente se conheceu?

Alessandro disse:

— Esses primitivos com certeza nos raptaram, cara...

Zesé falou na hora:

— Como você é convencido, amor... Não é nada disso, a coisa foi ao contrário, foram vocês que nos visitaram e depois que Sílvio se apaixonou pela prima escura como breu, você saiu pelo mundo em busca de uma pretinha... Eu vi tudinho no templo...

As risadas irromperam nesse ambulatório, embora Miguel afirmasse que era assim mesmo. Depois foram saindo, pois o parteiro tinha que cuidar de Diana. A deixou internada 5 dias, pois estava muito machucada. Seu menino ficou numa caminha flutuante ao lado, para mamar de 2 em 2 horas. Aruma ficou ali mesmo, sentado numa poltrona, onde dormia e acordava para tomar o filho nos braços, com delicadeza, e colocá-lo nos seios de Diana. Depois lhe trocava as fraldas, desintegrava-lhe o cocô, envolvia-o numa manta, beijava, sempre chorando, e deitava-o na sua cama.

Quando voltou para sua suíte, Diana encontrou a piscina aberta, para começar sua vida de mãe. E saíram dessa suíte, depois de 30 dias, para ensinar o filho a nadar. Arethi já estava com os gêmeos na água onde eles nadavam que nem peixinhos mexendo o bumbum, em meio a uma plateia ao redor que os paparicava, enviavam beijos, pois eles não paravam de dar gargalhadas, olhando para todo mundo. E Aruma Júnior entrou nessa piscina agarrado à mãe, curioso. Ela o pegou nas mãos pequeninhas e começou a caminhar com ele, mexendo os bracinhos, enquanto Aruma lhe mexia as pernas. Em seguida Diana o tomou só de uma mão e mergulhou na parte mais funda, pelo tempo de 40 segundos. Na segunda vez repetiu para 50 segundos, e finalmente para 60 segundos. No fim do dia, Aruma Júnior já flutuava sozinho, rindo, pois as pessoas em redor o aplaudiam. Xixim, entre o público, falava para Arethi: — vocês são loucas, eu não vou afogar minhas meninas, não...

Quando Ligia e Marisa nasceram, Mitsuo apareceu ao lado de Helena para ajudá-la a fazer o parto. 002 e 006 estavam também na roda de amigos, pois 004 se encontrava em estado de choque. Helena colocou-lhe um calmante no pescoço e o fez sentar numa cadeira para não incomodar no nascimento. Em seguida apareceu Sílvio com 2 robôs babás, pois Xixim era de um mundo inferior, acostumada ao luxo e era completamente inútil. Ela só sabia lutar, mas nunca estudara uma profissão. Marisa nasceu pesando 2,10 quilos e Lígia 2,30 quilos. 004 quando as viu ficou mais preocupado ainda, pois nunca vira uma criança tão pequena, mais pareciam 2 bonecas de porcelana. Sílvio lhe gritou com telepatia:

— Tua mulher só tem 1,65 de altura, dentro dela não havia espaço para mais...

— Mas, elas vão sobreviver? Quer dizer, vão crescer sem problemas?

— Vão, mas tu tens que parar de tomar o leite delas...

— Vou fazer greve de fome, prometo...

E 004 foi o mais relaxado de todos os pais dessa frota de guerreiros. Ao entardecer mandava os robôs trazerem a comida na suíte. Sílvio olhava para esses robôs empurrando um carrinho com um banquete, e ria às gargalhadas. Essas gurias iam crescer dentro dessa suíte. 004 só percebeu que havia abusado da mulher e havia sido um pai irresponsável, quando a filha Ligia lhe disse com telepatia que desejava conhecer os gêmeos. E Xixim disse com cara feia: — não as quero mergulhando, não... Depois Xixim as vestiu de princesas, lhes fez penteados com fitas coloridas, e levou Lígia nos braços enquanto 004 carregava Marisa. E o encontro dos bebês foi lindo. Os gêmeos e Aruma Júnior saíram pingando fora da água, engatinhando, enquanto Lígia e Marisa rastejavam no chão ao encontro deles. Depois riam em coro, aplaudiam com as mãos pequeninas, enquanto os robôs babás sentavam junto, com bonecas e carrinhos para brincar.

E 004 começou a ser um pai responsável. Junto a Sílvio e Aruma, sentava com uma filha no colo e lhe dava comida na boca com colher. Já Aruma Júnior gostava de comer com a mão, pegava pedaços de fruta, pedaços de abóbora, de batatas cozidas, de mandioca, e tomava a sopa numa cumbuca com duas asas. Já dentro da piscina, ele tomava uma mamadeira de leite de arroz, enquanto nadava de costas. Era um exibido, pois todos os soldados gritavam: — perece um golfinho...

E pouco a pouco todas as naves começaram a ser invadidas por gente miúda, pois algumas casadas também tiveram filhos, que faziam a alegria dos adultos com suas risadas. Com passar do tempo já caminhavam empurrando um brinquedo, ou batiam em uma bola de borracha com mãos e pés, e falavam as primeiras palavras. Já maiores, para a felicidade dos pequenos, os mecânicos os presentearam com carros com pedal, bicicletas de 3 rodas, trenzinhos com motor, cavalos de madeira com rodas e outras excentricidades, alguns deles movidos com baterias.

Quando as crianças fizeram 3 anos, começaram a frequentar a “Escolinha para crianças” onde encontraram bonecos, papéis espalhados pelo chão para pintar com o dedo e um professor que contava histórias com fantoches nas mãos. Também havia instrumentos musicais para tocar, como tambores, piano, violão, maracas, que eles amaram. O barulho que saia das escolas, fazia rir a todos. Como eram filhos de guerreiros, os professores também os levavam aos ginásios para ver os adultos se medindo nas lutas. Em seguida subiam nas bicicletas pequenas e andavam pelos corredores fazendo corridas de competição.

Quando Aruma Junior fez 7 anos, Aruma lhe colocou luvas de box. E davam socos, rindo as gargalhadas, pois Aruma caia no chão feito um palhaço. Diana os contemplava com olhos enevoados, pois seus dois homens eram iguais e havia um laço tão forte entre eles, que o filho sempre os seguiria pela eternidade, seja onde fosse que “00” os enviasse.

Os gêmeos foram mais intelectuais desde o começo. Assim que aprenderam a ler, deitavam na cama entre Silvio e Arethi para ler historinhas infantis. Dormiam entre revistas e livros, abraçados aos pais. Sílvio os colocava para dormir em suas camas e os hipnotizava com um dedo na testa, para não acordarem até o dia seguinte.

Aruma Júnior foi o primeiro que falou para Diana que ansiava dormir na escola, pois nela havia um dormitório comunitário, enorme, com camas maiores, e tinha amigos que já repousavam lá. Tempos seguintes foram os gêmeos a ficar independentes, carregando sua roupa, seus livros e seus brinquedos. Mas quando Marisa falou que desejavam dormir na escola, Xixim levou um susto e falou um “não” de cara feia. Mas, Xixim entrou em conflito com ela mesma, pois 004 estava ficando carente de amor, pois as gêmeas dormiam tarde, levantavam cedo, e ele desejava muito voltar aos tempos antigos de namoro sem tempo para terminar. Arethi deu-lhe o melhor conselho: — deixa-as ir, pois Sílvio hipnotizou a todos os meninos, para iniciar os namoros só depois dos 16 anos. Ninguém vai encostar-se a elas, no máximo pode rolar um beijinho com algum guri...

E como se fossem dias de festas, Lígia e Marisa passaram a dormir nessa escolinha, com um biombo que separava cada cama, mas, que nenhum adulto vigiava. Antes dormir eles sentavam no corredor a contar histórias, falar dos tios, dos pais, das comidas, dos jogos, riam e dormiam tarde. Mas, os primeiros olhares de paixão infantil, começaram a rolar em pouco tempo. Enquanto Aruma Junior era cego em frente às meninas, os gêmeos Adão e Moisés não deixavam ninguém chegar perto das gêmeas, ficavam ao lado delas como cão de guarda, pois essas meninas eram diferentes, miúdas, graciosas, gostavam de pintar, de dançar, e riam com sedução.

O primeiro beijo entre Marisa e Adão foi numa visita a uma horta, para ver as tartarugas de Arethi, pois havia mais umas 10 delas, mostrando a cabeça fora da água, já outras esticando os pés embaixo de uma luz que imitava o brilho do Sol e outras dormindo e que pareciam pedras entre a grama. Sentados na grama, Adão lhe colocou um braço ao redor da cintura e deu-lhe seu beijo de menino. Riram. Depois regressaram correndo, pois Moisés os chamava aos berros para ir ao cinema ver um documentário com elefantes.

O primeiro beijo entre Moises e Lígia foi sentado numa praça, olhando para as estrelas, em frente a uma janela gigante que mostrava o universo em todo seu esplendor. E nos anos seguintes, enquanto cresciam, namoraram mais ousadamente, se escondendo dos adultos para não levar bronca. Principalmente de Xixim, que não sabia de nada, pois 004 a hipnotizou para que não fizesse a vida das filhas um inferno. Xixim sabia dos perigos da infância, e ela nunca entenderia que um guerreiro era diferente, honesto e fiel. 004 explicava-lhe que quando um homem se apaixonava ficava cego para outras mulheres pelo fim da vida e que o amor numa sociedade superior não tinha idade para acontecer. E 004 também sabia que Lígia e Marisa eram estupidamente apaixonadas pelos meninos mais lindos da frota e que os gêmeos tinham até pesadelos pensando nelas.

Com o tempo, as “Escolas profissionalizantes” abriram as portas e esses garotos crescidos ingressaram para estudar uma profissão. Desta vez já eram jovens que também lutavam nos ginásios com uma espada, ou davam saltos nas argolas, e os mais fortes, como Aruma Júnior, lutavam Box e caratê. Alguns se formaram em mecânica, medicina, enfermaria, ou, alimentação, construção, profissões que eram necessárias para serem concorrentes às Universidades. E todos queriam ingressar para a “Universidade de guerra”.

Numa tarde em que os gêmeos estavam perdidos entre uma horta de milho verde alto, trocando beijos com ardor, sentiram que algo diferente estava acontecendo. Um berro telepático dado pelo Comandante dos pilotos os tirou do embalo, pois ele dizia: — Comandante Silvio, chegamos ao destino. Os gêmeos saíram correndo para ver nas vidraças 3 Sóis gigantes que não dava para olhar diretamente, e sentiram um calor fortíssimo, pois os raios solares atravessavam as janelas e adentrava nessa nave com seu fulgor.

E a alegria de todos foi em meio de uma gritaria geral. Todos os solados invadiram as janelas, em todos os andares, tentando ver a olho nu os planetas onde deveriam lutar. Havia três, bem pertos um dos outros, um de cor azul, outro verde, e o mais próximo era de cor marrom alaranjado. Ainda não dava para saber os tamanhos por causa da distância.

Aos meninos crescidos lhes foi dada duas opções, podiam regressar para “L” com os pilotos e continuar a vida com seus avôs, ou ficar ali, se formar de guerreiro e lutar ao lado dos pais. E, depois de terminado o trabalho de guerra, teriam que morrer em meio da escuridão, para reencarnar onde quer que “00” os enviasse.

Adão, Moisés e Aruma Junior lembraram imediatamente, que era por esse motivo que estavam ali, para lutar com seus pais e se apaixonar por guerreiras, pois eram três homens solteiros em busca do amor. Já as gêmeas souberam de uma história diferente, estavam de regresso ao planeta de Xixim, eram netas de um rei e que seus avós se encontravam muito perto dali.

E, como nenhuma criança nascida durante esses anos quis regressar para morar com os avôs, a maioria se inscreveu na “Universidade de guerra” ao lado dos amigos, para se preparar para um futuro incerto.

Mas, foi também a vez de dizer adeus aos pilotos que os trouxeram sem que nunca houvesse um desastre, um imprevisto, pois eles haviam sido impecáveis em tudo e os guerreiros estavam agradecidos. Graças às mordomias encontradas durante toda essa longa viagem, todos tiveram uma vida feliz, de festas, casamentos, nascimentos, e dali em diante tudo isso iria terminar. Silvio fez uma festa de despedida para os pilotos, e a única coisa que os soldados lhes perguntavam ao passar era: — vão levar os robôs cozinheiros de volta?

Depois da festa, uma nave pequena foi se desprendendo devagarinho na parte inferior e, desde as janelas, esses pilotos partiram acenando para os guerreiros. As mulheres choravam, abraçadas aos maridos, pois todos eles estavam regressando para casa a continuar com uma vida feliz, retornando para as famílias, muitos iriam ter seus filhos, enquanto os guerreiros ficavam naquele lugar, para se enfrentar aos demônios do Inferno de SIGMA.

Notas finais
Numa tarde em que os gêmeos estavam perdidos entre uma horta de milho verde alto, trocando beijos com ardor, sentiram que algo diferente estava acontecendo. Um berro telepático dado pelo Comandante dos pilotos os tirou do embalo, pois ele dizia: - Comandante Silvio, chegamos ao destino. Os gêmeos saíram correndo para ver nas vidraças 3 Sóis gigantes que não dava para olhar diretamente, e sentiram um calor fortíssimo, pois os raios solares atravessavam as janelas e adentrava nessa nave com seu fulgor.