Guerreiros intergalácticos
19 A Escola lunar
Notas iniciais
Mitsuo, pela sua vez, um dia qualquer foi invitado a ensinar a “cirurgia plástica” nas Universidades de “W” para mudar os sinais de envelhecimento.
Chateado, pois não conseguia uma lua de mel de homem civilizado, quer disser de uns 200 dias no mínimo, viajou de cidade em cidade dando show de sabedoria, enquanto Ruth era invitada a participar em desfiles de moda. Ela ria com ela mesma, lembrando-se de tudo que Alberta já lhe falara, enquanto comprovava o quanto isso era verdade. Mitsuo ganhava como professor nas Universidades algo considerado razoável e ela como modelo era paga com tanto dinheiro, que contratou uma empresa de limusine com chofer, para trafegar nas ruas da cidade. Dentro desses carros se podia fazer tudo, beber um champanhe depois de um dia estafante, ou, acompanhar Mitsuo aos hospitais, onde ele era rodeado de jovens estudantes que não perdiam detalhes ao redor da mesa cirúrgica. Como a energia dos dedos era algo que esses jovens só aprenderiam no futuro, Mitsuo fazia tudo com bisturi nas mãos, explicando como se devia evitar fazer veias sangrarem, na remoção de tecidos e gorduras. Para não deixar cicatrizes na pele passava um creme especial, inventado pelos gênios que trabalhavam com 002 em “Y”. A caminho do hotel, dentro da limusine, Ruth lhe dava de beber, beijava-o, e namoravam com doçura, pois o trajeto era longo pelas ruas conturbadas de carros. Às vezes desciam e entravam num cinema. Principalmente para ver filmes com cenas eróticas, que o povo de “W” adorava.
E o tempo foi transcorrendo nos três planetas, sempre acompanhado da assessoria dos guerreiros, que não mediam esforço para ajudar os homens em tudo.
Mas, com o andamento dessas mudanças sociais e de comportamentos, surgira pouco a pouco uma preocupação entre os três mundos: — quem é que ia cuidar deles depois que os guerreiros cumprissem os 10 anos e os deixassem sozinhos?
E por esse motivo, Arethi terminou marcando mais uma reunião de cúpula, mas desta vez dentro do castelo de Xixim.
006 chegou com Maristela, abraçados e se beijando tempo todo, Isaias com Vânia pendurada ao pescoço, namorando firme, 002 com sua esposa Saula, Mitsuo com Ruth, e os de sempre. Xixim os foi acomodando em suítes lindíssimas, e organizou o festim de boas vindas. Os 5 Reis foram também invitados para o banquete. Escutaram músicas desse mundo com uma orquestra ao vivo, pois nessa vida de Reis tudo era assim mesmo, alegre, festivo, e cheio de luxo e glamour.
A reunião só aconteceu nos dias seguintes durante um almoço, numa mesa gigante, todos sentados e muito sérios. Arethi, como sempre, perguntou:
— O que temos para fazer em primeiro lugar? Alguma ideia?
Miguel falou imediatamente:
— Temos que nos perguntar o que mais vamos lhes deixar de herança. Imaginem que os “Iguanas”, ou, outra raça alienígena aparecerem por aqui. Vamos deixa-los totalmente desprotegidos, sem armas, sem soldados, sem defesa. É o que os governantes de “W” me estão questionando, tem muita gente querendo militarizar o povo mais uma vez. Mas, isso já sabemos que daria mais uma guerra entre os 3 mundos.
Alessandro falou em seguida:
— Em “Y” esse pensamento também é generalizado. A milícia sonha em voltar ao poder. Tem 30% da população que ama as armas. Querem fabricá-las de novo para fazer esporte de tiro ao alvo, e as justificas se multiplicam. Assim que formos embora, com certeza que eles voltar a se armar, a fazer invasões, matanças, e novo trabalho terá sido em vão.
Enzo falou em seguida:
— Eu gostaria de ensinar a “desintegração da matéria” nas Universidades deste mundo. Preparam-se um exercito como o nosso, com capacidade de fazer ar o inimigo, e eles estariam protegidos. Nada de armas, pois serão os homens que atacarão com um olhar. O que acham?
Mitsuo falou:
— Como médico, que conheci este povo ultimamente, acho que uns 20% da juventude de “X” estaria apta para entrar na parapsicologia com êxito. Bastaria um teste em frente aos robôs para medir aptidões de todos eles. E, em “Y” acho que uns 5% está também apto para ensino de Psicosinese. Todos os homens que conheci eram muito inteligentes, o Guilherme e sua família, primos, irmãos, eu diria que na próxima encarnação vão conosco para outros mundos. Mas, em “W”, não encontrei sequer um velho com capacidade cerebral para desenvolver o poder da mente.
Aruma acrescentou:
— Concluindo, Mitsuo os seleciona, e eu construo a “Universidade de guerra”. Como teria que ser neutra, levantamo-la numa Lua de “Y”.
006 acrescentou:
— Boa ideia! Depois que desmantelei as instalações de misseis sobrou 30 buracos prontos para fazer uma construção com redoma de cristal. Ou, simplificando, Arethi poderia desacoplar mais uma nave e a soterramos lá. O que acham? A nave tem capacidade para 10.000 pessoas, com horta, dormitórios, tudo que se necessita.
Arethi pensou, e disse:
— Contabilizando os que morreram e os que casaram e desocuparam os dormitórios de solteiros, podemos regressar com duas naves a menos, mas não três. Então, esta que está em “X”, a desocupamos para sempre, e quem tiver alguma coisa ainda as leva, e a adequamos. Mas, acho que construir outras cidades em redor dela com redoma de cristal seria bom. Temos que nos livrar das naves de combate e das naves de carga. Aruma as poderia instalar num aeródromo intergaláctico. Também se necessita de telescópio de longo alcance. Temos três, podemos nos desfazer de dois.
Aruma falou:
— Temos muito para ensinar, agricultura espacial, por exemplo. Podemos lecionar numa outra cidade tudo isso, já seriam três e eu construiria mais uma com um hotel para fazer turismo. Vou necessitar de pedras, e em “Y” tem bastante. Granito puro. Necessito de um cargueiro e uns 5 construtores para me ajudar a fazer os planos.
Fábio falou:
— Não podemos ofender o povo de “W”. Vamos escolher alguns jovens, e depois os preparamos como ajudantes, ou, sei lá, inventemos uma profissão de apoio. Não conseguirão desintegrar nada, mas quem sabe, consigam levitar, ou, desenvolver a telepatia, ou ser ótimos na agricultura espacial. O que acham?
Miguel falou:
— Temos a pesquisa de “W” na qual se estudou também a inteligência dessas 80.000 pessoas. E encontramos até QI de 195. Deve servir.
Arethi perguntou:
— Quem vai dar a noticia, e para quem?
Todos riram em coro, pois Arethi não fazia nada além de namorar com seu fantasma. E Miguel lhe disse:
— Maninha, tá na hora de arregaçar as mangas, isso é teu trabalho. 006 faz um documentário contigo falando ao vivo, e depois ele o transmite nos 3 mundos. Quer ajuda para escrever o discurso?
E novas gargalhadas saíram de todos, pois Miguel estava certo, Arethi tinha que assumir que essa guerra era também dela e tinha que começar a se mexer.
Quando Arethi apareceu em todos os televisores dos 3 mundos, quem viu gravou para mostrar aos que não viram, pois Arethi estava com penteado artístico desta vez, brincos de turquesa, que combinavam com seus olhos lilases, com seu uniforme branco, levemente aberto e um colar de perolas. Era como um anjo discorrendo para os três mundos. Só faltavam-lhe as asas. Falou nos três idiomas principais dos três mundos, e 006 acrescentou traduções, pois em “W” e em “Y” existiam inúmeras línguas, uma diferente da outra. Foi sucinta. Essa “Escola de guerra” seria uma herança que lhes deixariam, para se defenderem de possíveis invasores universais. Os candidatos teriam que aprovar os testes em frente aos robôs, e esse jovem deveria ter uma profissão terminada. Metade dos alunos seriam homens, metade mulheres. Os alunos passariam por testes para medir conhecimento, nível de inteligência e caráter. Os gêmeos Adão e Moisés apareceram ao seu lado, e articularam que seriam professores, pois eram soldados como a mãe. As gêmeas apareceram em seguida, contando que se haviam formado na universidade de guerra, antes de chegar nesse mundo e eram expertas na luta de kung fu, uma arte de “X” que treinariam com todos. Os gêmeos falaram que os instruiriam na luta com espadas. Mostraram algumas, fazendo pose, para descontrair. Arethi terminou o discurso falando que os candidatos começassem a se prepararem já, pois a primeira prova seria fazer uma corrida pelas ruas de seu mundo durante 6 horas sem desmaiar.
Aruma demorou 40 dias em construir as 4 cidades lunares, em redor da nave branca que ficou soterrada, com a horta a vista. Já a seleção de alunos demorou mais de 100 dias, pois eram milhares de jovens querendo estudar para guerreiro intergaláctico. Quem aprovava a corrida de 6 horas era examinado pela equipe médica, com Mitsuo vendo tudo, se deslocando entre os 3 mundos, qual bola de pingue pongue. Em seguida se passou para os testes em frente aos robôs. Foram selecionados os de pontuação mais elevada. A seleção final em “W” foi feita por Belizário e Fábio, a seleção em “Y” por Zezé e 006, a seleção em “X” pela China, que ao igual da Comandante Arethi, não fazia nada além de amar com o marido. Em “X” foram selecionados 4 mil alunos, em “Y” 4.000, e em “W” 2.000, metade homens e metade fêmeas. Foram sendo levados um a um para a nave branca da Lua de “Y”, para escolher seu dormitório, vestir uniforme laranja de soldado e colocar seus pertences. Alguns alunos de “W” levaram um bichinho de estimação.
A direção geral da universidade ficou com Fábio, enquanto Belizário e Isaias assumiram como seus assessores. Vânia assumiu como faxineira, com responsabilidade de vigiar cada buraco dessa nave. Também foram convocados engenheiros e mecânicos para repor danos, médicos para cuidar dos ambulatórios, e os que iriam assumir como mestres desses garotos. Aruma Júnior entrou como professor de Box, os gêmeos Adão e Moisés de espadas, e as gêmeas de lutas. Alguns solteiros da frota de Miguel foram lecionar, pois a saudade da mordomia das naves os chamava a gritos. Mas a grande maioria dos mestres eram viúvos. Guerreiro sem ninguém para brincar, embora seus fantasmas os visitassem durante as noites. Para esses viúvos trabalhar ensinando garotos e fazendo esportes, era uma ótima distração para combater a solidão.
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