Guerreiros intergalácticos

20 Um mundo sem dinheiro


Notas iniciais
Moises e Adão entraram no templo vestidos de soldados com uniforme laranja, e Ligia e Marisa vestidas com coroas de flores nos cabelos, com joias de esmeraldas, rubis, diamantes, próprio de princesa. Os quatro choraram imediatamente quando a imagem de Silvio apareceu no espelho enviando-lhes beijos, tentando os tocar com as mãos. Os gêmeos se acercaram ao espelho, deram-lhe um beijo no rosto e depois o viram desaparecer, pois “00” estava chegando, rindo como guri por tudo acontecido; o fim da guerra, os novos tempos bem-aventurados desses meninos que nasceram em meio das estrelas, e confiando num futuro venturoso para esses 3 mundos. Quando se comunicou com os noivos através da telepatia, lhes disse que se unir na sua frente significava nunca mais casar com outra pessoa nas vidas futuras, pois quem recebia sua benção era para a eternidade.

Desde que abordara ao mundo de “X”, Arethi realizara varias coisas, atendera visitas, ou, fora invitada pelos Reis a tomar o chã da tarde, com os quais tinha longas conversas. Arethi lhes perguntava sobre as diferenças sociais, e em quanto tempo elas poderiam desaparecer para estabelecer uma sociedade igualitária, onde não haveria diferença entre um faxineiro e um doutor. E os Reis lhes mostravam planilhas do que cada ser humano embolsava, pois as margens que os separavam eram cada vez menores. Nessa altura, os banqueiros eram os mais ricos, pois guardavam os ganhos de todo mundo, e depois investiam em ações triplicando o dinheiro. Nesse momento se investia nos carros espaciais. Ajudados pelos engenheiros de “L” havia 5 modelos em andamentos para visitar os outros mundos, inaugurando o turismo espacial. Milionários desse mundo investiam pesado, pois era o negocio do futuro. E, como de economia Arethi não entendia muito, confiava nesse futuro quando cada sujeito ganhasse igual, para que o dinheiro ficasse desnecessário.

Depois de seu documentário dirigido aos três mundos, Arethi decidiu casar os gêmeos. Eles seguiriam seus próprios destinos e ficariam em “X”, quem sabe por quantos anos. E para que isso fosse realidade, pediu licença aos Reis de “X” para construir um templo e um hotel na superfície desse planeta, com material exclusivo de “L”. Material que duraria a vida toda, e além do mais, seriam os primeiros edifícios que se ergueriam sobre o chão desse planeta.

O templo foi feito em forma de pirâmide, com pedras moldadas de metalponita. O térreo possuía uma sala iluminada com incensário, um espelho gigante de parede a parede, candelabros com velas amarelas, chão alfombrado, pois dentro dele se caminhava sem sapatos. Das paredes sai um som bem baixinho, para originar um mantra que facilitasse a comunicação com as almas.

O hotel foi levantado perto das montanhas, onde o ar era mais fresco e em cujo lugar se apreciavam flores na superfície desse mundo e desde onde se podia admirar a neve dos cumes e lagos com capim em redor. Cada suíte possuía assentos eróticos, cama flutuante, piscina térmica, almofadas espalhadas em todo canto, televisão de parede a parede e janelas gigantes onde se admirava a paisagem do exterior. Ao lado da suíte um banheiro onde o cocó despareceria, desintegrado por uma corrente energética que se aderia ao vaso sanitário.

Nas paredes da suíte havia comidas embutidas, sucos, e bastava apertar um botão para que tudo saísse pronto para comer. Os pratos sujos se deixavam numa outra gaveta, onde era limpo com lava jatos. O hotel era autossustentável, pois as aguas servidas o percorreriam ininterruptamente por tubulações que iam desde o térreo até o ultimo andar.

Moises e Adão entraram no templo vestidos de soldados com uniforme laranja, e Ligia e Marisa vestidas com coroas de flores nos cabelos, com joias de esmeraldas, rubis, diamantes, próprio de princesa. Os quatro choraram imediatamente quando a imagem de Silvio apareceu no espelho enviando-lhes beijos, tentando os tocar com as mãos. Os gêmeos se acercaram ao espelho, deram-lhe um beijo no rosto e depois o viram desaparecer, pois “00” estava chegando, rindo como guri por tudo acontecido; o fim da guerra, os novos tempos bem-aventurados desses meninos que nasceram em meio das estrelas, e confiando num futuro venturoso para esses 3 mundos. Quando se comunicou com os noivos através da telepatia, lhes disse que se unir na sua frente significava nunca mais casar com outra pessoa nas vidas futuras, pois quem recebia sua benção era para a eternidade. As gêmeas adoraram, só o pensar que um dia eles as deixariam de amar fora motivo de muitas lágrimas nos dias de infância.

Na entrada da cidade, uma fileira dupla de gente os esperava para lançar lhes arroz sobre as cabeças, para dar fartura, e em seguida foram até o cartório para casar frente ao juiz, onde Moises e Adão passaram a se chamar Moises Xang, e Adão Xang, o sobrenome das esposas e da sogra Xixim.

A festa foi no castelo, onde Xixim chorava tempo todo, enquanto 004 carregava seu filho pequeno numa sacola pendurada no peito. Ambos vestidos elegantemente para a ocasião, 004 de smoking, Xixim de Rainha e o bebe com roupinhas de príncipe. Eles receberam os 5 Reis de “X”, e os levaram até os hortos internos, pois o salão principal lotou com a juventude. Arethi e os tenentes também se acomodaram nos jardim, numa roda descontraída, pois a vida estava sendo generosa. Desta vez Belizário estava acompanhado de uma rainha de concursos de beleza de “W”. Lindíssima. Saula, a mulher de 002, chegou gravida. Miguel e Fábio ficaram ao lado de Arethi formando o trio dos viúvos, e Diana sentou no colo de Aruma, enquanto Aruma Júnior se misturava aos jovens de “X”, muito feliz, pois tinha sido o padrinho no cartório. A madrinha era uma amiga das gêmeas, que ele começou a paquerar em pouco tempo.

Arethi estava tão alegre que ria por tudo. Os jovens nascidos durante a viagem estavam ali, casando ou namorando, e ficariam para trás com Enzo decidindo o próprio destino. A Universidade de guerra uniria os três mundos, e, além disso, ela desejava levar os Reis de “X” para um roteiro, depois da inauguração da Universidade de guerra. Zezé achava ótimo. Zezé contava para os Reis que em “Y” seriam recebidos com festas inimagináveis, conheceriam um planeta lindo, com cidades 50 vezes maiores que as de “X”, com edifícios tão altos que os homens os chamavam de arranha céus. Miguel lhes descrevia a ilha de “W”, onde encontrariam as plantas que foram trazidas para “X”. “W” possuía selvas fantásticas com bichos enormes, gigantes, alguns com cornos na cabeça, ou, ao lado da boca, eram lindos de se ver. E todos esses bichos poderiam ser trazidos para serem felizes em “X” depois do planeta se reflorestar.

Mitsuo ponderou como médico. Falou que a mudança de clima entre os mundos poderia ser ótima. “X” possuía o ar mais puro dos 3 planetas. Um tuberculoso de “W”, infectado por ar venenoso, poluído, melhoraria nesse hotel em meio das montanhas rapidinho. Podia-se fazer um congresso de medicina intergaláctica. As cirurgias de “X” e os tratamentos para milhares de doenças, podiam também servir em “Y”, pois a saúde desse povo era péssima.

Aruma falava que depois das cidades da “Universidade de gera” ficarem prontas, ele queria se mudar para “Y”, pois ele ainda não conhecia o futebol. Os Reis também poderiam enviar jovens a aprender o futebol, ou invitar gente de lá para aprender as lutas do kung fu, ou de outros esportes. Isaias em seguida propôs fazer uns encontros esportivos, uma troca de experiências. Os jovens de “X” mostravam sua arte marcial maravilhosa, os de “Y” os jogos com a bola, e “W” as corridas, pois eles foram os meninos que percorreram mais quilómetros nessas provas de 6 horas. Eram ágeis, leves, pulavam sobre cavaletes, e havia as corridas a cavalo que eram excitantes. Depois dessa guerra, os hipódromos estavam reabrindo, marcando competições, era empolgante de ser ver.

Arethi achou todas as ideias ótimas, e podiam fazer todas essas trocas de experiências simultaneamente. Fariam um encontro entre os 3 mundos que fosse científica, esportiva, tecnológica e artística. Seria a primeira “CETA Intergaláctica”. E os Reis de “X” acharam a ideia excelente.

Enquanto os adultos organizavam o destino da humanidade, os gêmeos dançaram com as esposas até o amanhecer. A maioria dessa juventude, que lotara essa festa, saiu de lá com intenção de acampar na beira do rio, com Aruma Júnior empolgadíssimo. Mas, os noivos subiram em 2 naves de combate, pequeninhas, com as esposas no colo, para voar até esse hotel em meio às montanhas.

Adão e Marisa escolheram uma suíte no térreo para ver o mato florido através das janelas. Moises e Lígia escolheram o último andar para ver as estrelas através do telhado de vidro. Fazer amor numa cama de casal, enorme e aconchegante, era uma novidade na vida deles. Como genros respeitosos com a sogra, que tinha um ciúme doentio das filhas, os gêmeos as namoravam em dias de festas com amigos, num beco do metrô, e em acampamentos por cima de uma manta. Agora, deitados sobre um colchão que flutuava no ar, eles estavam nas nuvens. Apaixonados por uma única mulher desde os dias de infância, na vida dos gêmeos só havia um motivo de tristeza, a morte prematura de Silvio. Mas, tinham a eternidade pela frente. Nesta vida seriam mestres na Universidade de guerra e encheriam o pai de netos na próxima encarnação.

E a maratona da lua de mel se iniciou. Depois de dias de amor, as gêmeas puxavam os lençóis quando muito sujos, e os colocavam para lavar numa máquina que havia no primeiro andar. Era o único lugar onde havia uma lanchonete com robô, um cinema pequeninho, uma lavanderia e uma sala para reuniões. Depois de secos, as gêmeas os carregavam para a suíte, os estendiam sobre a cama, para continuar no ritual de amar seus homens, algo que era o paraíso na terra. Ao contrário dos maridos, Ligia e Marisa eram felizes por tudo, pelos pais maravilhosos, pelo palácio cheio de luxo, pelas mordomias sem fim, pelos amigos divertidos e pelos seus homens lindos como o Sol.

E essa lua de mel terminou, no dia em que Fábio os enviou a trabalhar como professores.

Para a inauguração da Universidade de guerra foram invitados os 5 Reis de “X”, 10 mandatários de “W” e 10 de “Y”. Ênio foi com duas esposas. Guilherme aceitou ir só para matar curiosidade, enquanto Alberta preferia ficar em casa com seu menino, nascido durante esse tempo transcorrido. Eles viajaram pela primeira vez pelo espaço, emocionados, olhando para os três planetas, que faziam parte de um mesmo Sistema. Eram 3 bolas, a de “Y” era a maior de todas de cor azul, a de “X” mais pequeninha de cor marrom. Era como ver uma melancia ao lado de um caroço de pêssego. “W” era a mais distante, menor que “Y”, de uma cor verde maravilhosa.

Os viajantes desceram na cidade lunar onde havia um aeródromo interespacial com redoma de vidro, e um edifício tubular muito alto, que ultrapassava a cúpula de cristal, saindo para o espaço. Pousaram sobre ele, e imediatamente desceram pelo interior dessa tubulação sugado por um raio luminoso, até chegar ao térreo. Já no interior da cidade, eles subiram num metrô subterrâneo que os levou até a nave branca onde funcionava a escola. Entrava-se pelo hangar. Em seguida ascendia-se por um raio de luz até a parte superior, onde se eram recebidos com um jardim encantado onde tudo florescia em áreas com terra, com animaizinhos miudinhos que corriam como donos desse vergel.

Os convocados recebiam um medalhão ao pescoço, que traduzia as conversas em qualquer idioma. Em seguida eram invitados a percorrer as salas de ensino, os ginásios, e terminavam o roteiro numa praça grande, parecida a uma área de alimentação de um Mall. Mesas com guloseimas e robôs vestidos com smoking, davam um ar de solenidade, os esperando com um banquete.

Fábio os recebeu a todos com um abraço, junto aos professores, cada um com seu uniforme. Havia os que trajavam laranja, como os gêmeos e Aruma Junior, os que vestiam de azul, como Vânia, e os de prateado. Os únicos com uniforme dourado eram Fábio, Belizário e Isaias. Arethi, trajada de branco, fez a inauguração cortando uma faixa com uma tesoura, pois era o costume dos homens dos três mundos. Depois beberam champanhe, trazido por Guilherme, pois isso era uma tradição imperativa em “Y”.

Em seguida todos se acomodaram numa mesa gigante para desfrutar do banquete. Enquanto as delicias gastronômicas eram servidas pelos robôs, que trocavam pratos e talheres com movimentos delicados, Arethi falou para todos sobre a primeira CETA intergaláctica, e o entusiasmo dessas pessoas era de puro otimismo por esses dias vindouros. Os Reis de “X” contavam para os outros mandatários da intensão de equilibrar os salários e um dia do futuro eliminar o dinheiro, o que causou mais risadas do que nada. Guilherme falava para os Reis que para isso primeiro havia que mudar a alma dos homens. Mas Arethi insistia em afirmar que em “X” não havia os arquimilionários como ele, e tampouco a ambição desmedida. Ênio preferia dar gargalhadas gostosas e desafiava Guilherme para conhecer seu paraíso terrestre, onde nunca houve dinheiro. A única riqueza que um homem podia ter, era ser macho de 5 mulheres, como era seu caso. Mas isso também ocasionou mais risadas do que nada.

A última cidade lunar que os visitantes conheceram foi aquele onde estava o hotel para turistas. Os Reis de “X” e os mandatários de “W” e de “Y” foram invitados para pernoitar, e apreciar o espaço através da cúpula de vidro, que mudava o visual por causa da rotação dessa Lua. Ver os 3 mundos desde o espaço foi sem duvidas a maior emoção desses visitantes.

E uns a um partiram de regresso, com a alma leve, feliz, pois a paz entre todos estava mais do que zelada, e desta vez para sempre. Muitas desculpas pelos velhos tempos foram trocadas entre os mandatários nessa ocasião. Principalmente para com os Reis de “X”, onde a vida de todo o planeta chegou na beira da extinção.

Dali em diante, Fábio se dedicou com tanto ardor ao trabalho, que foi esquecendo que era um coitado viúvo abandonado. Por mais que chamara Helena na onda telepática 50, ela nunca veio, com certeza se havia perdido no universo com outro defunto. Na verdade ele sempre fora um coitado no amor. Passou a dar aulas de telecinese, onde se divertia com esses calouros. Os alunos deviam se concentrar e ir até as profundezas da alma em busca de uma conexão com o espiritual, abrir os olhos e fazer girar grãos de uva por sobre a mesa. Tinha as que arrebentavam ou, as que voavam e chocavam contra o teto, ou as paredes, ou em outros alunos. Fábio ria até engasgar.

Já nos esportes, Ligia e Marisa começaram a dar lição de kung-fu, fazendo posses de cobra, posses de águia, mas os alunos de “W” e de “Y” perdiam o equilíbrio e caiam ao chão. Aruma Júnior era quem se dava melhor, pois o Box já era conhecido nos 3 mundos. Só que dessa vez era tudo misturado, mulher tinha que bater contra homem, com máscaras no rosto e peitoril para proteger seios, e os machos só com uma sunga e luvas. 006 fez um documentário, mostrando os primeiros ensinamentos, e retransmitiu nas antenas de televisão. Já Fabio condicionou um robô para ser correio espacial para levar cartas dos alunos aos 3 mundos, numa nave individual.

Dali em diante os gêmeos recebiam a visita de Arethi de vez em quando acompanhada de Xixim e 004 com o irmãozinho das gêmeas. Aruma Júnior jantava junto, pois voltara a ser o amigo de infância inseparável. Ele começou a namorar Maria, uma sargento durona, campeã de Box que nem ele, e que só queria namorar, nada de casamento. E os gêmeos riam na cara dele, pois a Maria era mais velha do que Diana em 5 anos. Mas, reconheciam ao lado de Aruma Júnior, que todas as velhas solteironas eram ainda mais belas que as jovens nascidas durante a viagem. A maturidade lhes dera uma sensualidade maior, que derretia corações tanto de alunos como de colegas.

Enquanto a humanidade esperava fotos e cartas dos filhos com orgulho, Guilherme inaugurava sua fábrica de robótica, com mais uma excentricidade que lhe chegou de maneira inesperada. Os químicos da fábrica de creme lhe pediram licença para fazer uma experiência científica. Cavaram uma fileira de uns 50 poços, nos confins mais longe dessa fabrica, e enterraram 50 tanques metálicos cheios de cocó de porco, lixo biodegradável, papel, cocó humano, e um litro de um liquido de uma mistura desconhecida. Produto químico com número H67. Cada tanque foi fechado hermeticamente, coberto por terra, com um jardim florido por cima. Uma válvula de escape ficou a mostra, ligada a um tubo metálico, para a saída do gás. Mangueiras foram sendo encaminhadas para levar o gás até uma usina, para iluminar essa fábrica, e parte da cidade. Só, que, depois de 5 anos, esses tanques soterrados teriam que ser abertos, pois a mistura estaria convertida no mais puro petróleo desse mundo. Poderia ser vendido, e os tanques preenchidos dessa matéria primorosa de novo. Guilherme teria gás e petróleo pela eternidade. Desta vez a patente foi registrada em nome de Guilherme, para ganhar Royalties. E ele mesmo começou a comprar outras fazendas falidas, mandou fazer os tanques e contrataram uns 200 operários, 60 químicos, camiões para percorrer aterros sanitários, onde havia muita matéria prima a disposição. Para seu programa de “fuga e namoro”, pus nessa empresa seus irmãos menores. Desta maneira, podia se esconder com Alberta na casinha do morro, pelo menos 3 dias seguidos enquanto sua família trabalhava para ele.

A fórmula do petróleo sintético, e o uso do gás, foram levados para “W” como presente de Guilherme para esses mandatários que ele conhecera na Escola de guerra. O que foi uma revolução entre os donos do petróleo, pois eles mesmos compraram a formula a preço de ouro. Nos desertos de “W” se enfileiraram os tanques um ao lado do outro, com sujeiras de rios, de aterros sanitários, e de usinas onde se separavam as águas servidas dos canos de esgotos. O mundo de “W” começou a grande faxina, livrando os rios e o ar de venenos e de cheiros podres. Nunca se imaginara nesse mundo que o lixo um dia rendesse dinheiro, e muito menos que o estrume fosse uma matéria prima excelente.

Paralelamente a essas transformações econômicas que se alastravam ano após ano, a tropa de guerreiros solteiros derretera corações nos dois mundos. As guerreiras solteiras que davam aulas em Universidades faziam bater loucamente o coração dos machos. Dentro de casa as flores eram tantas, que o ar ficava em pouco tempo irrespirável. As cartas de amor, então, eram milhares. E para terminar com o sufoco procuravam por um homem lindo, fiel e ardente para casar. Afinal, os guerreiros solteiros estavam perdidos pelo mundo trabalhando, que nem elas, em mil ofícios diferentes.

Os homens de “L” pela sua vez se aproveitavam do fascínio que exerciam entre as mulheres. Não perdiam “desfile de modas”, nem “Concursos de beleza”, e escolhiam as mais belas para namorar. Para evitar serem acusados de estupradores eles as hipnotizavam, e lhes passavam pomadas sobre machucados, ou sinais sobre a pele, pois estavam em um mundo primitivo. Homem gostava de mulher ardente como as guerreiras, mas o que as damas de “W” gostavam era de romance. Mas, o mais engraçado eram as conversas entre os guerreiros quando se encontravam por acaso em algum lugar:

— Escuta aqui, já conquistaste alguém com o papo intelectual?

— Já! Sei tudo sobre cinema, pintura, literatura... e tu, já escreveste poemas?

— Nossa! Acho que tenho veia de escritor, vou publicar um livro. E tu, já jantaste a luz de velas?

— Velas? Para que, cara? Tem luz sobrando.

— Sei lá, mas minha última namorada fez um jantar com velas, incenso, muito lindo... Tás namorando quem?

— Uma operaria. Cansei das misses. Ela aguenta firme uma noite depois do suco verde. Acho que vou casar com ela...

— Mas, ela já sabe que tem que morrer contigo?

— Sabe! E ela topa... E me diz, como fazes para terminar teus namoros?

— Hipnoses. Elas podem se suicidar. Eu ainda não entendo este mundo. Não suportam uma separação, mas, são infiéis, não dá para entender...

— Nem eu...

Enquanto muitos solteiros entravam no casamento, no mundo de “X”, os 5 Reis, com Arethi como convidada de honras, organizaram o “Congresso de Economia”. As melhores mentes de matemática, contabilidade, e economistas famosos lotaram um Castelo, para discutir como se podia dar fim ao dinheiro.

Após o discurso de inauguração que os Reis fizeram na ocasião, Arethi discorreu para todos como funcionava seu mundo, onde o dinheiro havia sido extinto há muitos milênios. Ela desconhecia como se fez isso, mas em “L” as pessoas trabalhavam, estudavam, pesquisavam, e ninguém ganhava nada por isso. Os robôs faziam os trabalhos mais pesados, como mexer a terra para semear, recolher as bagas em tempos de colheitas, mas, sempre com profissionais fazendo o mesmo entre eles. Havia Reis? De certa maneira, sim, mas eles se chamavam “Sacerdotes Estelares”, algo assim como o representante de “00” entre os homens. Risadas apareceram, pois “00” já era conhecido no templo, e casara alguns noivos. Só não sabiam que ele também mandava entre os mortais. Arethi falou:

— “00” manda, e como! Só para terem uma ideia, ele escolheu um a um a todos os guerreiros desta frota. E hoje, ele está escolhendo a dedo a todos os guerreiros da próxima missão, e muitos de vocês irão para lá. Quem ganhou uma estrela dourada no peito, já sabe, foi escolhido por ele para algum trabalho incrível. Mas, quem vai decidir o futuro deste planeta agora, são vocês. Só desejo que fique claro, que enquanto esta sociedade esteja dividida entre abastados e pobres, serão sempre “inferiores”. Se exterminarem o dinheiro que separa os homens em carentes e ricos, serão então, e só então, um “Mundo superior”.

Durante 200 dias, esse Castelo fervilhou de gente, pois foram realizados registros de tudo, não só dos salários, como dos preços de cada produto que era comprado no comercio, pois haveria que ser abaixado o custo de vida em conjunto com os salários. Todos eles. A cada 20 dias, todos os preços diminuiriam tanto no comercio quanto na indústria. Simultaneamente, a cada 20 dias os salários seria menores. E para fazer os cálculos, foram se alinhando em tabelas, cada número, cada cifra, de que lugar, e separados em grupos. Quem era pago pelo governo, era o mais fácil de calcular, pois se pagaria a menos a todos por igual, pois os salários estavam nivelados há muito tempo. Isso seria simples de se fazer, difícil seria realizar o nivelamento do preço da “mão de obra” dos profissionais liberais, autônomos, onde cada um recebia seu dinheiro aleatoriamente. Já os milionários, como empresários, comerciantes e ricos da “Lotérica semanal”, teriam que diminuir os lucros a tacadas gigantes. Se calculando por alto, os banqueiros, os mais endinheirados, ganhariam a menos um milhão a cada 20 dias, no mínimo. Pior foi calcular os lucros dos comerciantes, que compravam, vendiam, e seu ganho estava na diferença entre compra e venda. E onde se demorou mais tempo, foi na analise dos produtos, pois um vergel era matéria prima a custo mínimo, mas os metais para fabricação de artefatos domésticos custavam fortunas. Alguns produtos diminuiriam centavos a cada 20 dias, já outros perderiam cifras gigantes. E, como o dinheiro de todos era guardado nos bancos, era o banco que teria que recolher o excedente a cada 20 dias e fazê-lo desaparecer.

E como é que o dinheiro precisaria desaparecer?

Os Reis deram a sugestão de construir um forno gigante na superfície do planeta, para queimar a cada 20 dias o que estava sobrando. Todas essas tabelas foram impressas num livro, colocadas na internet, e enviadas para os mandatários dos outros planetas, como a notícia do milênio.

Notas finais
. A cada 20 dias, todos os preços diminuiriam tanto no comercio quanto na indústria. Simultaneamente, a cada 20 dias os salários seria menores. E para fazer os cálculos, foram se alinhando em tabelas, cada número, cada cifra, de que lugar, e separados em grupos. Quem era pago pelo governo, era o mais fácil de calcular, pois se pagaria a menos a todos por igual, pois os salários estavam nivelados há muito tempo. Isso seria simples de se fazer, difícil seria realizar o nivelamento do preço da “mão de obra” dos profissionais liberais, autônomos, onde cada um recebia seu dinheiro aleatoriamente. Já os milionários, como empresários, comerciantes e ricos da “Lotérica semanal”, teriam que diminuir os lucros a tacadas gigantes. Se calculando por alto, os banqueiros, os mais endinheirados, ganhariam a menos um milhão a cada 20 dias, no mínimo.