Notas iniciais
Maristela foi invitada a dançar por 006, que estava fascinado com sua beleza nesse vestido deslumbrante. Lembrava-se do sobressalto que teve a primeira vez que a viu vestida de soldado, com bigode, e ria, contando para Maristela sobre o susto que tivera ante a mulher mais feia do mundo. E Maristela estava encantada, pois ele era fascinante. Diferente, de outro planeta, onde os machos nunca morrem, viajam pelo espaço durante a eternidade, e o corpo deles é aço puro. 006, teve finalmente a coragem de dar-lhe um beijo no rosto. Ela virou o rosto, subiu sua mãe esquerda atras de sua cabeça, e beijou-o na boca. Depois foi só chamego, rindo, dançando, se beijando, bebendo, pensando que moravam na nessa mesma casa e podiam viver à custa dos noivos. Riam com os planos sem parar.

Os primeiros a chegar em “Y” foram Alessandro e Zezé, que desta vez conseguiram uma suíte num hotel de luxo, com dinheiro de 002. Como nesse hotel havia gente que cozinhava, lavava a roupas e lhes limpava a suíte, deixaram o robô com Guilherme, além do que, ele jurava que viver sem esse robô dali em diante era impossível. Mas, o grosso da tropa estava em favelas, e para tirá-los de lá, Zezé fez uma lista com a profissão de cada um, e colocou em jornais para o mundo contratar. E um a um eles foram ganhando seu dinheiro, alugando um apartamento, sem disfarce desta vez.

Guilherme colocou Viktor como diretor geral na fábrica de tecidos, e pediu para Alessandro 5 engenheiros, 4 médicos para o ambulatório e 20 cozinheiros que sabiam tudo sobre alimentação sem carne, mas muito gostosa. Para quem trabalhava na fábrica de cremes Bernardinho fez um contrato de trabalho com carteira assinada, com os químicos e esteticistas que decidiram ficar ali mesmo. Desta vez sem máscaras. Ele lhes perguntava: — mas, eu te conheço? E em seguida ria, pois nunca imaginara que embaixo da fábrica houvesse tanta mulher linda. Bernardinho até registrou a patente do creme, e deu o dinheiro dos Royalties para seu sócio Ricardo Prado. Também incluiu Guilherme na folha de pagamentos, como sócio participativo, só para registro, pois Bernardinho já lhe fazia transferências para uma conta anônima fazia tempos.

E a festa de casamento de Ricardo Prado, o alienígena que um dia fosse encarcerado nesse planeta, foi o acontecimento do ano nesse mundo. Maristela e 006 contrataram uma “agência de matrimonio”, pois nesse mundo as coisas eram muito diferentes ao casamento em frente à imagem de “00”. Os especialistas em casamento os fizeram provar 10 tipos de bolos para escolher o melhor, Maristela também elegeu a decoração, o vestido das princesas, que eram Zezé, ela mesma, 5 esteticistas da fabrica de cremes, e com telepatia perguntou para Ruth se não gostaria de vir a fazer parte do cortejo. Afinal a madrinha seria Alberta, o padrinho Guilherme, e nesse planeta não se falava de outra coisa, Ruth era o devaneio de todos os homens, e o mundo queria a conhecer.

Mitsuo aceitou esse convite de cara feio, e falou: — vamos nessa festa e voltamos no dia seguinte! E jure para mim que não vai olhar para ninguém, pois agora você é minha... propriedade total. E Ruth não conseguia acreditar no que estava ouvindo e ria às gargalhadas. Mitsuo era um homem belíssimo, com esses olhos enigmáticos, e ela o havia admirado de longe durante anos. Afinal ele sempre estava rodeado de um enxambre de mulheres. Ela só fez esse filme para que ele descobrisse que existia nessa nave. E ele nunca a olhara. Agora dava vontades de dar-lhe um soco na cara.

Alberta, carregando uma barriga enorme, quando soube que Ruth estaria nessa festa deu um berro. Ela seria sua convidada. Desocupou uma parte de seu apartamento de luxo, para recebê-la com honras. E foi ali que Guilherme percebeu uma verdade terrível. Iam ser invadidos por amigos alienígenas e sua vida mansa, tão bem programada, estava correndo riscos. Chamou para uma imobiliária e lhes pediu para escolher a maior mansão dessa cidade para comprar. Pronto. Pediria mais um robô para Alessandro, pois essa mansão ia receber a Ruth com o marido, e seja lá quem mais no futuro. Também comprou a casinha da favela, mandou-a pintar, colocar uma cama nova, banheira de hidromassagens, e pediu ao robô fazer um jardim encantado. Ainda havia a possibilidade de se esconder do mundaréu, naquele lugar secreto.

Assim que Ruth e Mitsuo desceram pelo raio de luz na empresa de cremes, Bernardinho os enviou com seu motorista para essa mansão maravilhosa, na sua limusine particular. E o encontro foi apoteótico, pois os amigos de Guilherme estavam todos lá para conhecer o “mulherão”. Alberta, que a imitava em tudo, desta vez fez fotografias juntas, e ficaram amigas “para sempre”. Mitsuo se resignou a tudo. Afinal, ele era também admirado, invejado, não pela sua bravura em combate, nem pela sua inteligência de gênio, nem por ser um ótimo médico, senão que por ter conquistado a mulher mais linda que chegasse nesse planeta.

E a festa da união de Ricardo Prado com sua esposa aconteceu. Tudo foi transmitido ao vivo pela televisão, pois era um casamento de gente de outro mundo, experimentando como é que os homens desse planeta uniam suas vidas. E o lugar era a mansão de 002, enfeitada para a ocasião com flores em todo lugar, mesas decoradas com arte, estátuas de gelo, lindíssimas, na verdade era o casamento mais alegre já visto nessa cidade.

Bernardinho e Vitor Praza, de smoking, elegantíssimos, viram as princesas entrar no caminho de pétalas de rosas, todas maravilhosas, em seguida os noivos desfilando pelos jardins da mansão, caminhando até um altar com um sacerdote escolhido por Alberta, numa festa com uns 2.000 alienígenas e uns 500 amigos deles mesmos. Depois foram para as mesas servidas por 100 garçons, logo em seguida até o estrado de madeira para dançar, ao compasso da música maravilhosa, pois tudo era perfeito.

Maristela foi invitada a dançar por 006, que estava fascinado com sua beleza nesse vestido deslumbrante. Lembrava-se do sobressalto que teve a primeira vez que a viu vestida de soldado, com bigode, e ria, contando para Maristela sobre o susto que tivera ante a mulher mais feia do mundo. E Maristela estava encantada, pois ele era fascinante. Diferente, de outro planeta, onde os machos nunca morrem, viajam pelo espaço durante a eternidade, e o corpo deles é aço puro. 006, teve finalmente a coragem de dar-lhe um beijo no rosto. Ela virou o rosto, subiu sua mãe esquerda atras de sua cabeça, e beijou-o na boca. Depois foi só chamego, rindo, dançando, se beijando, bebendo, pensando que moravam na nessa mesma casa e podiam viver à custa dos noivos. Riam com os planos sem parar.

Bernardinho e Vitor Praza, mais tímidos, olhavam para as alienígenas com vergonha de paquera-las, pois eram lindas demais. Muitas empregadas deles mesmos, quando usavam cabelos pretos e rosto horroroso. Agora não reconheciam quem era quem. Mas, duas delas, com vestidos de princesas, cheias de joias, flores na cabeça, que no passado viveram soterradas na fazenda misturando babosa nos laboratórios, os invitaram a dançar. Depois os seduziram sem piedade, até fazê-los as invitar a terminar a noite num motel.

Bernardinho, um rapaz de 22 anos, gênio em administração, entrou nesse motel bastante alto, beijando sua gata linda, corte Chanel nos cabelos crespos dourados, pele amarela, olhos puxados como gata felina, corpo miúdo, mas perfeito, e beijou-a com afobação, pois não namorava ninguém desde o dia louco que começou a construir essa empresa de cremes. Ela deu-lhe para beber um gole de um liquido verde, de um vidro que pendurava em seu pescoço como joia, e depois ele começou a ser possuído por uma vontade de ficar com ela, naquele lugar, pela eternidade de sua vida. Quando o celular de Bernardinho tocou no dia seguinte, e Guilherme perguntou onde é que ele estava, ele disse: — tó doente da barriga, primo... essa festa acabou comigo, acho que alguma coisa me fez mal, vou ficar de cama o dia todo.

Guilherme, em outro motel, começando o dia com namoro matinal, chamou pelo celular para Viktor. E ele falou-lhe que estava com “tifo”, uma doença grave, e em quarentena. Guilherme, furioso, vestiu o terno e arrastou Alberta para à fabrica, pois nesse dia ela seria sua secretária. Pensou com ele mesmo: — se essa febre de amor a toda hora virar vício, quem é que vai trabalhar e alimentar as crianças? Enquanto dirigia o carro teve uma ideia, chamou Alessandro pelo celular e lhe pediu 50 engenheiros de robótica. Depois chamou a imobiliária, mais uma vez, para escolher fabricas falida. Terminou comprando uma antiga fazenda de carne suína. Enorme. Dava para construir a empresa de robótica e uma quadra de futebol para os empregados, uma quadra de tênis, salão de festejos para que eles fizessem suas brincadeiras, e sorriu. Estava pensando como Ricardo Prado, o magnânimo. Esses alienígenas iam convencê-lo de muita coisa, com certeza. Afinal, seus 2 robôs na mansão eram trabalhadores incansáveis, ralavam de graça, e a comida que preparavam superavam um mestre em culinária. A robótica seria a maior revolução nesse planeta depois dos cremes.

Enquanto Alessandro e Guilherme iniciavam uma nova era em “Y”, longe deles, no planeta “W”, Ênio e Aruma Júnior recebiam emocionados Aruma e Diana, que foram esperados com ansiedade. Ênio só estava encabulado, pois não havia uma casa linda para esse casal maravilhoso. Diana lhe deu um beijo no rosto e lhe disse:- meu marido é o melhor construtor que eu conheço, e eu quero uma maloca ao estilo tribal. Nada de luxo. Ênio dava gargalhadas, pois Aruma e seu filho eram bem parecidos aos nativos em redor, mais altos, mais escuros. E eles começaram essa nova vida colocando a roupa na moda do lugar, Aruma a tanga, que tampava pouca coisa, e Diana ficou de seios a mostra, com um colar de flores no peito, cabelos soltos, e uma saia de fibras naturais. Depois foram percorrer a ilha, ao lado de um mundaréu de gente.

Aruma construiu duas casas de madeira tampada com folhas de palmeiras junto ao mar, bem distante uma da outra, com uma escada, pois elas ficaram por cima das rochas maciças e das ondas. Eram sustentadas por colunas de pedra e argamassa. Dentro delas fez uma sala com uma mesa, cadeiras altas, um fogão a lenha, uma pia para lavar a louça, uma estante grudada na parede para dispor frutas e legumes, e no outro cômodo uma rede firme, forte, pois Aruma era enorme. O banheiro possuía uma ducha, e uma patente. Para não ficarem doentes eles deveriam fazer cocó pelo menos uma vez a cada 10 dias, o qual seria desintegrado com o olhar. Fez uma varanda fora de casa com vista para o mar, para ver o pôr dos Sois, e as 5 Luas, onde sentava-se no chão, por cima de almofadas infláveis e macias. Diana encheu sua casa de vasos floridos, samambaias, e a casa ficou um encanto. Aruma Júnior, eterno solteirão, que namorava de vez em quando, só tinha uma rede de dormir, almofadões em todo lugar, banheiro e mais nada. Ênio o incentivava a casar com 20 mulheres, como ele, mais Aruma Júnior ria e lhe falava: — só uma de cada vez.

E a vida ao ar livre foi um remédio maravilhoso para a pele de Aruma, pois ela foi se fortalecendo, dia após dia. Diana podia acaricia-lo, encostar-se a ele, e começaram isso nas águas mornas da praia durante as noites. Longe dos olhares da tribo, Aruma a carregava até ficarem com água até a cintura, e enquanto ele caminhava entre ondas, ele ia acompanhando o movimento das águas. Deitavam na areia, e as águas os cobriam num vaivém afrodisíaco. Outras vezes Aruma sentava-se numa pedra lisa, e Diana sentava no seu colo, abraçava-o com os braços, beijava-o ternamente, enquanto o som do mar fazia o acompanhamento perfeito para esse encontro de amor. Só separavam para regressar a casa, onde balançavam na rede durante o dia.

Diana inaugurou seu fogão à lenha com um bolo de bananas, um pão com farinhas de trigo e de milho, uma sopa de verduras, rodeada pelo marido e pelo filho, pois isso era inédito. Quem era servido por robôs, nunca via uma mulher preparando comidas, a menos que fosse sua profissão. Diana amassando pão era uma visão deslumbrante, pelo menos para o marido.

Mas, nem sempre Diana cozinhava, pois sua casa ficava cheia de presentes. As nativas lhe traziam sucos de cana de açúcar, cremes frescos de leite de cabras, marmeladas para passar no pão, bolachas, queijo, e cocos refrescantes, além dos sacos de farinha. Agradar a “sogra” era algo que toda solteira sabia fazer nessa ilha, pois Aruma Júnior era um amante perfeito.

Nas cidades de “W”, Miguel e Fábio, dois viúvos que não tinham com quem brincar, junto aos solteirões Isaias e Belizário, tentavam ajudar os novos governantes quando estes lhes solicitavam alguma sugestão. Ludimar, como organizador de sindicatos estava sempre perto deles, para pedir alguma ajuda, ou dar-lhes um conselho. Os homens dos países pobres, com a chegada dos homens de “X” estavam todos os dias mais gordinhos, saudáveis e agradecidos. E obedeciam aos conselhos dos amarelos com felicidade. Estavam fazendo agricultura familiar, organizando pequenas empresas de artesanatos, e alguns ricaços chegaram a construir casas modernas, com sistema de esgotos, hotéis para que o turismo se tornasse uma renda para eles, quer disser os novos tempos estavam sendo ótimos nos antigos países miseráveis.

Mas, nas duas superpotências mundiais, a coisa era bem diferente. A frota que chegara nesse mundo eram 40.000 guerreiros que começaram a trabalhar aos pedidos de

chegara nesse mundo eram 40.000 guerreiros que começaram a trabalhar aos pedidos de todo mundo. E os guerreiros descobriram em pouco tempo, que os empresários eram teimosos e burros, os empregados ladrões, ou, preguiçosos, descobriram nas Universidades que o ensino era péssimo, nos hospitais que a medicina matava mais do que as doenças, pois nos laboratórios se inventavam venenos para melhorar a saúde; esse mundo era realmente povoado por homens imbecis. E o mais terrível eram os vícios. Fumava-se maconha, se aspirava cocaína, se injetavam morfina ou fumavam pastilhas de craque. E a promiscuidade era espantosa. Dava vontades de sair correndo.

Para ter uma luz na escuridão, Fábio, Miguel, Belizário e Isaias depois da chegada de Aruma e Diana, foram até a ilha de Ênio para uma reunião, pois o velho sempre lhes dava um sábio conselho. Não havia mais guerra nem miséria, mas o mundo estava longe de ser uma sociedade ideal.

Sentados ao lado dos Chefes tribais, Aruma e Diana preferiram escutar, pois para eles esse mundo era desconhecido. Miguel começou essa reunião falando que não sabia o que fazer, pois essa gente era terrível, não dava para fazer laços de amizade. Com a telepatia os guerreiros sabiam ao primeiro olhar que os homens eram promíscuos, e as mulheres também, pois mentiam descaradamente paquerando os solteiros.

Ênio, como sempre, lhes falou as palavras sábias:

— A culpa está na cabeça dessa gente. Imagina que os machos deste mundo acreditam que a mãe deles era uma “santa”. Só teve contato íntimo para ser mãe. Quando chega a hora de casar procuram uma mulher que não seja muito linda e que não goste muito de chamego, que seja uma boa mãe para os filhos, que cozinhe, lave a roupa e seja fiel. Para ter um contato íntimo bom, procuram os bordeis. Não casam com a mulher ardente, pois acham que elas vão ser infiéis, mas as procuram como amantes para ser felizes. São imbecis. Deveriam casar com as mulheres quentes.

Aruma perguntou-lhe:

— Não entendi, os homens casam com mulher que não gosta de sensualidade. Frias como gelo. Mas, elas lhes colocam os galhos. Não há sentido nisso.

Miguel falou:

— Creio que a coisa deve ser assim. O macho se casa, mas só faz a volúpia de vez em quando, sem muito beijo e muito menos palavras de paixão e de amor. E a mulher não reclama, para fazê-lo acreditar que ela é uma “santa”. Acredito que a hipocrisia reina neste mundo. Não há sinceridade. Não há confiança no parceiro. Eles não se perguntam entre eles mesmos: — Você esta bem? Esta feliz?

Diana falou sorrindo:

— Poderíamos fazer uma pesquisa sobre o comportamento humano dentro dos relacionamentos, tanto dos casados como dos solteiros. Colocamos uns 5.000 de nossos guerreiros a fazer perguntas nas ruas, e se mentem colocamos a resposta verdadeira. São hipócritas, poucos vão falar a verdade com a boca, mas com a telepatia os pegamos.

Isaias falou:

— Eu me encarrego disso. Poderíamos fazer melhor, vestir nossas mulheres com roupas provocativas e ir direto aos bordeis, para começar a pesquisar. Descobrir o que é que os homens pagam. Nas ruas perguntamos para as casadas.

Miguel falou:

— Vai fundo. Agora que o que faremos com os demais problemas sociais? Preguiça? Ladroeira? Vícios? Alguma ideia?

Diana falou novamente:

— Incluam essas perguntas também, que drogas tomam e porque fazem isso, e se alguma vez roubaram, e quais dos motivos.

Ênio perguntou:

— Mas, esses filmes desse mundo dos amarelos tão bem comportados, não deram efeito?

Miguel respondeu:

— Nos países pobres si. Mas, aqui, na tua sociedade promiscua, nada de nada.

Fábio falou desta vez:

— E tu, Ênio, não podemos te pedir para dar o exemplo desta vez... não há homem mais promíscuo do que tu...

Enquanto todos riam até engasgar, Ênio falou:

— Essa é muito boa. Eu falei para minhas esposas: — quem quiser outro homem melhor, mas jovem, mais lindo, pode ir.... só tó com 5 ...

E as risadas se estenderam, as piadas sobre Ênio foram muitas, enquanto nativas lindas começavam a servir cocos abertos com canudinho de taquara para beber, cestos de frutas com mangas recém-cortadas na mata, melancias em pedaços grandes, bananas, pão, cucas de goiabas com cremes, e sucos de laranja em jarras.

No fim da noite se ascendeu a fogueira na praia. Aruma Junior entrou na dança, rodeado de meninas cheias de flores, provocando-o. Diana falou para o marido ao ouvido: — amor, esse guri não se parece nada com você... Aruma respondeu: — ele é um índio das cavernas, primitivo completo. Vai morrer solteiro.

Para fazer sua pesquisa Isaias condicionou um gravador, o pendurou ao pescoço com uma corrente dourada, e se vestiu na moda do submundo. Elegantíssimo, penteado alto, lenço ao pescoço, grudou um bigodinho fino, colocou uns óculos amarelos, um brinco na orelha, era mesmo um cafetão. Sua parceira na pesquisa, a sargento Vânia, se vestiu com uma minissaia de couro, meias com desenhos, sapatos altos, muita maquiagem, brincos enormes, blusa que mostrava metade dos seios, e uma blusa transparente por cima. Entraram em danceterias com música enlouquecedora, e dançaram até o amanhecer. Nas mesas faziam amigos, falavam sobre namoros, causos, e examinavam em redor. A maioria homens casados, com a esposa dormindo em casa. Já as mulheres eram solteiras em busca de um encontro. Namoravam casados, pois não desejavam compromisso. Só chamego de uma noite só. E a farra era bebendo, aspirando cocaína, fumando maconha, pois tudo isso era o ápice da felicidade. Nessa sociedade nada era melhor que uma noite de orgias e drogas.

Quando regressavam das pesquisas, Vânia e Isaias, dentro da limusine com motorista, se beijavam deitados no assento. E Isaias falava-lhe rindo: — é só pesquisa, tá bom? E ela ria até engasgar. Isaias só pensava nela, só queria beijá-la a toda hora, com certeza depois da investigação iam namorar de verdade.

Depois de 40 dias de observação, em mais uma reunião ao lado de Ênio, todos analisaram os resultados sem entender nada de nada. Não havia justificativa para promiscuidade nem para os vícios. Apenas se dava a entender que era a única felicidade que se conhecia naquele planeta. Concluíram ao fim de tudo, que os porquês havia fidelidade em “Y” e em “X”, e não havia em “W”, era assunto médico. Devia estar no inconsciente coletivo.

Miguel perguntou:

— Cadê Mitsuo? Podemos dar-lhe o trabalho de buscar as respostas. Não neste planeta, mas em “X”, com pessoas das universidades. Esses amarelos são inteligentes e podem nos explicar tudo isto.

Mitsuo, recém-casado, de regresso na nave, namorando em meio do matagal da horta com Ruth escutou Miguel lhe dando bronca, pois estavam nessa missão para trabalhar e a vida mansa era para a próxima encarnação. Tinha que ir a “W” pegar uma pesquisa e levar para “X” e trabalhar nela com os gênios de medicina.

A chegada de Mitsuo em “W” foi com festa, pois Ruth amou essa ilha, esse mato, afinal em “Y” só havia visto gente na farra, na bebedeira, nas conversas sem fim, nas comilanças, pois os ricos como Guilherme e Alberta viviam com a casa lotada de visitas baderneiras. E Alberta só queria uma coisa, que Ruth desfilasse para sua estilista profissional, lhe falava que ganharia fortunas, roupas deslumbrantes, e que ela podia viver na sua mansão o tempo que quisesse. Ruth ria com as lembranças. Agora, em meio da natureza, acompanhada por Diana, seminua, ela só queria correr matagal adentro e subir em árvores, comer frutas, nadar na praia. Depois de uns 6 dias de festas ao redor da fogueira as noites, onde Ruth e Diana mexiam os quadris para excitar seus machos, Mitsuo e Ruth deram um abraço em Ênio, nos chefes tribais, em Diana, sempre coberta de flores para tampar os seios e levaram a pesquisa para esse outro planeta.

Enzo os recebeu em “X” com Gabi, que grudava que nem chiclete nele, enquanto os meninos ficavam na escola. O acompanharam para a Universidade de medicina, e os gênios se debruçaram por cima dessas pastas para avaliar as perguntas, examinar as respostas, e analisar estatísticas em conjunto. Mitsuo fez contato com Arethi com telepatia, para que soubesse que estava trabalhando naquele lugar.

Durante todo esse tempo, além das festas e comilanças no palácio, que estava sempre cheio com pessoas que vinham ver Xixim, ou, Areti, ou os gêmeos, pois eles estavam cheios de amigos, Mitsuo e Ruth percorreram a superfície do planeta com um grupo de amigos, que faziam isso a cada 10 dias como algo rotineiro. A superfície do planeta estava muito quente ainda. Mas, o chão do planeta se recuperava a passos gigantes. Já havia arvores centenárias bem crescidas, mas que atingiram o auge em mais 100 anos, coqueiros, mamoeiros, palmitos, mangues na beira dos rios, pé de borracha, palmeiras altas e elegantes, oliveiras, milharais sem fim, canaviais de açúcar, e pomares de frutas deliciosas. Só que em “X”, os morangos tinham o tamanho das maças, e as maças eram do tamanho dos melões. Aboboras e melancias eram tão gigantes, que serviam de vivenda para bichos.

E o estudo dessa pesquisa foi demorado dentro dessas Universidades.

Foram separadas todas as histórias de vida, procurando achar padrões significantes, tentando encontrar uma cura para cada caso. No final de tudo, escreveram um receituário com medicamentos, pomadas, que poderiam ser fabricadas em qualquer laboratório de “W”, além de tratamentos em clinicas especializadas para fazer regressão às vidas anteriores, e cirurgias plásticas para recuperar a beleza perdida.

E depois de 40 dias de folga, festas no castelo, passeios na superfície, Mitsuo entrou na Universidade para ler o receituário que estava levando de volta para Miguel:

— Para dar estabilidade aos casamentos e incentivar a fidelidade, foi enviado o protótipo de um assento erótico que só podia ser usado dentro de casa, parafusado ao chão dos dormitórios.

— Para os drogados foi inventado um refrigerante delicioso, viciante, que os desintoxicaria, e os deixaria com energias para estudar, trabalhar e namorar. Mais uma vez a formula acompanhava adjunto.

— Para a criminalidade, infelizmente, não existia remédios.

— E se aconselhava fazer regressão as vidas anteriores, para descobrir o motivo de uma conduta errada no presente.

Em “W” Miguel publicou tudo isso num livro, deu as formulas dos refrigerantes, dos cremes e do liquido verde para um laboratório interessado, deixando claro, que só podia ser vendido com receita médica. Também fez um documentário, para falar ao vivo que os novos tempos necessitavam que os homens evoluíssem junto com as mudanças sociais. Não era bom que os vícios e a malandragem de levar vantagem uns sobre os outros continuassem. E foi rígido nas palavras. Falou que se em mais de um ano não houvesse mudanças no comportamento humano nesse planeta, ele retiraria todos seus guerreiros desse mundo, pois até esse momento eles estavam envergonhados do comportamento alheio. Colocou-se como exemplo. Era viúvo, nunca tivera amantes, e morreria sem olhar para outra mulher, pois para ele o amor era para a eternidade e não só para uma vida de menos de 100 anos.

E essas transformações foram acontecendo, lentamente, mais para agradar os guerreiros do que nada, pois com o tempo sabiam que enganar uma alienígena era impossível. As guerreiras só entrariam numa relação com homens fieis e apaixonados de verdade, e havia mais de 5 milhões de homens querendo-as. E as mulheres apaixonadas por um guerreiro também enfrentaram o bom comportamento.

Miguel inaugurou uma clinica em forma de Spa, com ajuda de um milionário que acreditou que uma viagem as vidas passadas podia curar as feridas da alma. Fizeram propaganda na mídia, mostrando que todos os guerreiros faziam isso sem hesitar. Estendiam-se num sofá, viajavam para o passado, em busca de outras vidas em outro mundo, e depois contavam em detalhes às experiências que tiveram.

Fábio, mais prático, enquanto frequentava fábricas e universidade, cada vez que encontrava algum martirizado com lembranças terríveis, lhe colocava um dedo na testa e ele ia até essa clinica que nem robô. Principalmente juventude que não decidia ainda sobre o futuro, se fumava craque, ou, se começava a roubar de seus semelhantes como meio de sobrevivência. E esses jovens viajavam nas suas projeções ao passado remoto, para calabouços onde se morrera chicotado, ou enforcado, ou torturado, ou se morrera de fome e de dores sem fim. Havia muitos homens que em vidas passadas foram castrados, ou, escravos de algum reino. Nas vidas subsequentes esses eunucos nasciam com testículos minúsculos, como solteirões empedernidos. Em outras vidas subsequentes conseguiam se apaixonar por belas mulheres, mas muitos eram vítimas de um amor não correspondido. E essas mágoas, uma atrás da outra, iam se somando de encarnação após encarnação, até chegar o dia que nasciam com um sentimento de repúdio contra a humanidade. Lembranças que os médicos especializados em Apometria apagavam, uma a uma em cada sessão, até eles ficarem de alma lavada.

Isaias fez alguns documentários, de pessoas que mudavam o comportamento após essas retrospeções ao passado, se livrando dos vícios, ou, mudando de namorados promíscuos.

Notas finais
Miguel inaugurou uma clinica em forma de Spa, com ajuda de um milionário que acreditou que uma viagem as vidas passadas podia curar as feridas da alma. Fizeram propaganda na mídia, mostrando que todos os guerreiros faziam isso sem hesitar. Estendiam-se num sofá, viajavam para o passado, em busca de outras vidas em outro mundo, e depois contavam em detalhes às experiências que tiveram. Fábio, mais prático, enquanto frequentava fábricas e universidade, cada vez que encontrava algum martirizado com lembranças terríveis, lhe colocava um dedo na testa e ele ia até essa clinica que nem robô. Principalmente juventude que não decidia ainda sobre o futuro, se fumava craque, ou, se começava a roubar de seus semelhantes como meio de sobrevivência.