Guerreiros intergalácticos

21 Roteiro interespacial


Notas iniciais
Arethi vestida de branco com uma capa nos ombros, seus cabelos pretos ondulados esvoaçando ao vento, parecia um anjo descendo do céu. Ela se abraçou em Ênio que estava na primeira fila, recebeu seu colar de flores no pescoço, e a seguir começou a repartir abraços e beijos em todo mundo. Ênio se derreteu em lágrimas desta vez. Encabulado deu a mão com timidez para os Reis com suas roupas fantásticas, com muito ouro, pérolas, tiara de diamantes na cabeça, mostrando-lhes os aposentos futuros, uma cabana de madeira com telhado de folhas de palmeiras, que foram emprestadas pelos nativos. Enquanto a juventude seguia Aruma Júnior para se instalar na praia, os adultos foram se acomodando em cadeiras e mesas em circulo, para apreciar as festas de boas vindas. Tudo enfocado pelas lentes da televisão, com transmissão ao vivo para o mundo ver.

Enquanto o mundo de “X” vivia os dias mais conturbados de sua história, pois a cada 20 dias o noticiário anunciava os novos preços das mercadorias, dos serviços de autônomos e a mudança de salários, Arethi organizou sua primeira visita aos outros mundos, e convocou para acompanha-la aos 5 Reis, 004 e Xixim com seu filhinho, a Olaf e a China. Depois invitou a Fábio, Aruma Júnior e seus filhos gêmeos com suas noras. Também incluiu uma delegação de universitários de “X”, para organizar a primeira CETA intergaláctica e a escolha do melhor lugar para realizá-la; não poderia ser “X”, pois não haveria espaço nas cidades subterrâneas para um evento desse porte.

E por último, chamou com telepatia para Diana lhe informando que levaria todo esse mundaréu para essa ilha.

Diana ficou mais do que feliz, mas Ênio ao seu lado mexia a cabeça se perguntando como é que ia receber toda essa gente. Fez uma reunião com os Chefes tribais, e eles falaram: — que ocupem nossas casas, que nós dormiremos no mato.

Ênio caiu na gargalhada, afinal, nessa ilha o mais moderno em construção era a casa de Aruma Júnior, desocupada, pronta para receber Arethi e mais ninguém. Agora, o que é que se podia fazer com os Reis que viviam em castelos? E deu um berro de “socorro” para Miguel, sem telepatia nenhuma, afinal, ele o escutava a qualquer hora e em qualquer lugar.

Miguel chegou com 50 mesas e 200 cadeiras desmontáveis, 100 barracas plásticas com camas infláveis, e 30 latrinas portáteis que foi distribuindo entre o mato. Quem desejasse tomar banho, tinha um rio de águas límpidas para fazê-lo. Pronto! Mas Ênio mexia a cabeça, pois com certeza que a televisão e muitos jornalistas famosos chegariam a bando.

E Ênio estava certíssimo. Os Chefes tribais, com suas roupas de gala e todos os nativos viveram os dias mais loucos. Primeiro chegaram Mitsuo com Ruth, que trouxeram junto luzes coloridas para iluminar o mato durante a noite. Depois foram chegando Fábio, os gêmeos Adão e Moises com suas esposas Ligia e Marisa, Aruma Junior com a namorada Maria, todos com mochilas nas costas para organizar o acampamento da juventude na praia.

Os jornalistas chegaram num navio lotado. Imediatamente a atenção foi toda para Diana e Ruth, perdidas entre árvores distendendo cabos com lâmpadas, desintegrando sujeiras, juntando frutas em cestos, pois ver duas belezas trabalhando como serviçal era novidade nesse mundo. Mas, assim que a nave de Arethi com os Reis de “X” ficaram na vista de todos, os holofotes giraram em direção para o céu. 004, esticou 10 pês metálicos que se enterraram na beira da praia, e uma luz branca estendeu-se até a aldeia para transportar Arethi, Olaf e a China, os 5 Reis, e uns 50 universitários carregando uma mochila, prontos para acampar na beira do mar. Xixim, 004 com seu filho sentado nos ombros, desceram no final. Todos de óculos escuros, e muito creme hidratante na pele para suportar o clima tropical.

Arethi vestida de branco com uma capa nos ombros, seus cabelos pretos ondulados esvoaçando ao vento, parecia um anjo descendo do céu. Ela se abraçou em Ênio que estava na primeira fila, recebeu seu colar de flores no pescoço, e a seguir começou a repartir abraços e beijos em todo mundo. Ênio se derreteu em lágrimas desta vez. Encabulado deu a mão com timidez para os Reis com suas roupas fantásticas, com muito ouro, pérolas, tiara de diamantes na cabeça, mostrando-lhes os aposentos futuros, uma cabana de madeira com telhado de folhas de palmeiras, que foram emprestadas pelos nativos.

Enquanto a juventude seguia Aruma Júnior para se instalar na praia, os adultos foram se acomodando em cadeiras e mesas em circulo, para apreciar as festas de boas vindas. Tudo enfocado pelas lentes da televisão, com transmissão ao vivo para o mundo ver. Tambores começaram a tocar um ritmo esfuziante, enquanto nativos seminus, pintados com figuras geométricas no torço começavam a rebolar e dar saltos entre os invitados. As mulheres com seios nus, colares no peito, flores na cabeça, eram realmente encantadoras e seus movimentos muito sensuais. Arethi olhou para esses machos mexendo seus corpos suados, era o retrato vivo da beleza desse mundo. Depois olhou para as mulheres, que em nada se diferenciavam dela mesma, a cor caramelo da pele, cabelos pretos e crespos, com certeza suas irmãs de vidas passadas. Ela apenas havia evoluído para um mundo mais alto, mais longe, mais civilizado. E lembrou como num raio do filme que olhasse antes da partida sobre “Adão”. Nesse filme ele e sua esposa se apaixonavam por nativas pretas como breu, e pediam a “00” a graça de ter uma filha escura como a noite. Será que era ela mesma? Uma filha de Adão?

Acordou de suas divagações quando Diana, sentada atrás dela, lhe sussurrou que o pão que estava na mesa tinha sido feito por ela mesma.

— Tu? E desde quando sabes fazer alguma coisa útil?

— Desde que senti a dor da fome apertar meu estômago. Faço pão, sopas, bolos de frutas, saladas e pudim.

Arethi começou a gargalhar com discrição. Parecia piada. Depois olhou para Mitsuo, perdido entre os cabelos de Ruth num beijo ao pescoço. Só sentiu o coração apertado quando viu Fábio ao seu lado, branco, magro, sem nenhum brilho no olhar. Elevou as ondas de telepatia universal, para rastrear Helena. Afinal, ela era gamada estupidamente pelo marido, onde é que ela estava afinal? E a encontrou na 3ª Dimensão numa viagem de regresso. Virou o rosto para Fábio e lhe disse:

— Ela está voltando, só não sei desde onde.

— Quem é que está voltando, sabichona?

— Helena, ela parece um cometa em linha reta, vai chegar a qualquer momento... te prepara...

— Que nada... aliás casei com ela por teu conselho. Nós dois poderíamos ser casados e felizes e não dois viúvos tristes...

— O destino é imprevisível... eu nasci apaixonada pelo Sílvio e não sei porque fui castigada com a viuvez...

— Nem eu... eu nem sei o que mais pensar de mim.... estou tão perdido...

— Então, me acompanha nesse roteiro pelo mundo?

— Como amante?

— Palhaço! Sílvio te matava de parada cardíaca durante o sono.

— Vou, sim... tó com insônia, pesadelos, tudo o que há de pior...

E a festa foi se alastrando, pois a juventude que voltou da praia entrou na dança, na bagunça, com muitos solteiros de “X” de olho nas nativas maravilhosas, baixinhas como eles, sensuais, e que jamais negavam um namoro ao luar. Quando as luzes entre as árvores iluminaram a noite tudo se transformo em magia, parecia um lugar de fantasia, desses que só são apreciados num filme de ficção. Os Reis de “X” se emocionaram. Era a primeira vez que olhavam para 5 Luas, vagalumes que revoavam em redor, enquanto os rugidos das bestas noturnas invadiam a aldeia com seus berros exóticos. E uns a um foram sendo acomodado nos aposentos simples, com uma cama flutuante como única mordomia.

Xixim e 004 entraram na casa de madeira, a qual tinha uma rede para o menino no centro da sala, onde havia também uma mesa com frutas, jarra de sucos, pão e marmeladas. No outro cômodo boiava no ar uma rede maior, firme, e mais nada. Havia duas cadeiras para deixar as roupas. Só. No banheiro ao lado uma ducha fria, um vaso sanitário e papel higiênico. Fizeram o filho dormir para 10 horas, pois a noite de “W” era mais cumprida, e se estenderam por cima dessa rede. E fizeram amor no maravilhoso balanço no ar. Quando o Sol começou a raiar no céu, vestiram roupa de banho e foram até o rio se refrescar nas águas cristalinas. Tudo era novidade para Xixim, depois de uma vida transcorrida numa nave espacial e uma cidade embaixo do subsolo. E ela falou:

— Vamos acampar quando regressemos a “X”?

— Melhor, vamos construir cabanas na beira do rio, o que acha? Com redes.

— Amei... Pouco a pouco as pessoas vão descobrir a delicia de viver em meio da natureza.

— E não esqueça que um dia vamos para meu mundo. Isto aqui é a milionésima parte do que é meu planeta. Lá vamos cruzar a mata sobre elefantes enormes...

— Depois que nossos tataranetos nasçam...

— Quando quiser, amor. Mas, os gêmeos com nossas princesas vão partir cedo, e não nos darão nenhum neto. Com certeza que “00” já os escolheu para outra matança...

— E nos? O que vai ser de nós?

— Vamos ter que segui-los... nesta família vai ser assim, onde os filhos vão, os pais vão atrás...

Xixim começou a chorar. O suicídio era novidade na vida dela, das filhas, do Olaf, e de todos aqueles que se unirem em casamento com um guerreiro. Mas, era o caminho que ela mesma escolhera, ir atrás de um senhor das estrelas, com autorização para matar numa guerra insana. E como eles tinham vida eterna, a morte era através do suicídio.

Ruth e Mitsuo dormiram no mato com um cobertor por cima. Hipnotizaram a todos os repórteres para dormirem como pedra, para evitar uma foto erótica dele mesmo. Imaginar seu corpo deitado estampado num jornal era algo que só ficaria na imaginação. Rindo, como quem vai aprontar, fizeram uma cama de folhas secas, macia, distenderam a manta, e Mitsuo cobriu sua linda mulher com o corpo todo, para dormir até o amanhecer.

Olaf e a China, numa cabana com rede, balançaram fazendo amor, e amaram essa rede. Pediram-na de presente para os Chefes tribais. Ela era de fibras naturais dessa ilha, firme, com um trançado desconhecido, e que aguentava dois corpos se mexendo noite adentro.

Diana, como anfitriã, levantou cedo para fazer o pão e o café no dia seguinte, o qual foi colocando nas mesas ao ar livre para quem fosse aparecendo. Desta vez, todas as mesas encostadas umas na outra, como um grande balcão para banquete. As nativas enfeitaram com cocos frescos com canudo de taquara para beber o liquido, melancias cortadas, mamão em pedaços, abacaxis em rodelas, maças brilhando junto aos pêssegos maduros, as peras, as uvas gordas e rosadas, em arranjos artísticos. Também trouxeram bolachas, queixo fresco, leite de cabra em jarras, cucas, sucos de laranja, na verdade era um café da manhã delicioso. E, para dar um toque artístico, Diana intercalou seus vasos com orquídeas entre as comidas. Parecia festa de casamento de tão belo que ficara.

Olaf e a China apareceram com cara de quem não dormira nada. Depois foram chegando Ruth com o mesmo rosto de quem virou a noite na prática amorosa, e Xixim chegou fresca, molhada, com um penhoar em redor do corpo e 004 ao seu lado só de sunga, ao estilo indígena, com seu filho nos ombros. Depois apareceram Miguel, Arethi e Fábio e por último os Reis de “X” numa roupa simples, pois o calor estava insuportável para quem vivera uma vida toda em ambiente climatizado nas cidades subterrâneas. Diana lhes deu um chapéu para se resguardarem do Sol e um abanico para se refrescarem.

E as conversas descontraídas entre todos eram sobre o roteiro internacional. Miguel dava a sugestão de se dividirem em grupos. Estavam com 5 naves de carga acopladas. Numa delas viajavam Arethi e Fábio e se podiam dedicar aos Congressos, as visitas a Universidades, empresas e o que fosse aparecendo. Em outra nave viajavam os Reis de “X”, 004 e Xixim para desfrutar dos banquetes com os mandatários desse mundo. Nada de trabalho para eles, só diversão. No máximo um tratado internacional. Enquanto que Olaf e a China com os universitários organizavam a primeira CETA intergaláctica e viajavam nas outras 3 naves acopladas. Desde longe, com telepatia, escutaram os gêmeos falar que eles iriam com Arethi, e Aruma Junior gritou queria ficar ali mesmo matando a saudade da mamãe.

Os últimos que apareceram nesses alvorecer esfuziante foram os jornalistas, que dormiram no barco e já haviam feito o desjejum. Mas, que não resistiram beber água de coco nem dar uma mordia numa melancia fresca e suculenta. Depois do café Ênio os invitou a todos a conhecer a ilha com seus encantos e seus costumes, enfatizando que todos faziam trabalho comunitário, e que se jantava com todas as famílias compartilhando o banquete. Ele mostrou as cabanas de madeira, as cabanas de barro moldado, e a simplicidade de uma vida dedicada ao amor, à dança, e ao bom viver. Se alguém quisesse visita-los algum dia, teriam que trazer sua barraca e levar o lixo com eles. Ênio ria com essas anotações, pois nesse planeta os homens tinham por costume sujar areia com garrafas, sacolas, em dias de festas, deixando um rasto de sujeira trás de si.

E, por último o roteiro foi anunciado com euforia na televisão. Os Reis visitariam as duas superpotências, acompanhados de 004 e Xixim, enquanto Arethi começava visitando outros países, ao todo uns 30, os maiores deles, pois nesse planeta o que mais existia era uma divisão insana de nações diferentes, cada um falando idiomas próprios. Olaf e a China com os universitários viajariam aos mesmos lugares em datas alternadas.

Notas finais
E as conversas descontraídas entre todos eram sobre o roteiro internacional. Miguel dava a sugestão de se dividirem em grupos. Estavam com 5 naves de carga acopladas. Numa delas viajavam Arethi e Fábio e se podiam dedicar aos Congressos, as visitas a Universidades, empresas e o que fosse aparecendo. Em outra nave viajavam os Reis de “X”, 004 e Xixim para desfrutar dos banquetes com os mandatários desse mundo. Nada de trabalho para eles, só diversão. No máximo um tratado internacional. Enquanto que Olaf e a China com os universitários organizavam a primeira CETA intergaláctica e viajavam nas outras 3 naves acopladas. Desde longe, com telepatia, escutaram os gêmeos falar que eles iriam com Arethi, e Aruma Junior gritou queria ficar ali mesmo matando a saudade da mamãe.